
(foto: reprodução)
Em entrevista a Sibelle Fonseca, no Palavra de Mulher na Web desta segunda-feira (05), o Deputado Roberto Carlos (PDT/BA), entre outros assuntos, falou sobre a emenda de sua autoria para custear o espetáculo Paixão de Cristo, em Juazeiro. O projeto tem à frente os diretores Devilles Sena, Hertz Félix e Edvaldo Franciolle e deve receber 80 mil da emenda parlamentar para ser apresentado na Orla II da cidade, durante três dias da semana.
A informação, divulgada pelos coordenadores do projeto, não agradou a alguns representantes da classe artística, em especial aos que são responsáveis por outros espetáculos tradicionais de Via Sacra na sede e no interior da cidade, e que se submeteram a um edital de seis mil reais da prefeitura de Juazeiro.
Segundo o deputado, os responsáveis pelo projeto Paixão de Cristo apresentaram o projeto e ele comprou a ideia no desejo de que Juazeiro voltasse a ter o espetáculo que era realizado há 17 anos atrás, ao ar livre, uma tradição no calendário de outrora.
Roberto Carlos disse que após a Secretaria de Cultura (Secult) do estado e a BahiaTursa recusarem a proposta por falta de verba, ele autorizou que o Secretário de Articulação Política do Governo do Estado, Josias Gomes (PT/BA), debitasse de sua conta de emenda parlamentar o valor de R$ 80 mil. Segundo ele, a Secult destacou a possibilidade de a Secretaria da Fazenda destinar o recurso à BahiaTursa para que seja celebrado um convênio com a prefeitura de Juazeiro, e dessa forma a verba seja liberada, o que ainda não aconteceu.
O deputado não descartou a possibilidade de ratear a verba pública entre a Paixão de Cristo e os demais espetáculos de Via Sacra. Caso a verba seja liberada, Roberto Carlos pretende se reunir com os envolvidos nos espetáculos para discutir qual a melhor forma de distribuir o recurso, caso seja possível. Caso isso não ocorra esse ano, segundo ele, no próximo haverá destinação de verba para o interior.
“O projeto tem que ser aberto, a gente quer contemplar todos os artistas de Juazeiro”, disse.
Através de um abaixo-assinado, artistas de Juazeiro se manifestaram contra o retorno do espetáculo, que vai ser financiando pela emenda do Deputado Estadual Roberto Carlos. Em anexo, um texto intitulado “A Via Crucis das Paixões” faz uma série de questionamentos sobre o projeto.
A Via Crucis das Paixões
Para pensar o retorno da encenação da paixão de cristo na sede do município, é preciso revirar os anais de sua trajetória ao longo dos anos em que foi levada a público, e não vamos aqui desmerecer sua importância como movimento agregador de artistas, revelador de tantos talentos, mas porque, só agora, mais de 17 anos depois? A tradição do drama da PAIXÃO DO MESSIAS ganhou outros caminhos, se expandiu para outras localidades que com muitos sacrifícios tem levado ao publico tão celebre passagem bíblica.
Chamemos de retomada, o movimento isolado de renascer o drama do Cristo na sede do município, louvável, se não fosse pela tentativa de desarticular as encenações nas comunidades produzidas por coletivos e artistas, todos voluntários. Irônico saber que, apesar já existir um edital para a produção dos espetáculos sacros, no valor de trinta mil, que distribuído entre os cinco projetos selecionados não ultrapassa o montante liquido de cinco mil reais, valor que apesar de ser bem-vindo não cobre os custos de produção. Mais curioso nisso é o ressurgir da paixão da sede amparada por emenda parlamentar de um popular Deputado estadual da região com um valor pomposo para uma tentativa cênica que não sobrevive mais do que três dias de encenação. Qual o mérito desse investimento? Que relevância aspira?
Um banquete servido para poucos. Aos não convidados para o banquete cabe a contemplação de longe como, platéia. A ressurreição do espetáculo da sede é mesmo um grande “acontecimento”, a grande farra sacra como foi citada nas redes sociais. A quem cabe o benefício de HERODES?
Os espetáculos do interior e dos bairros continuam na sua real Via Crucis sem o merecido apoio, apesar das persistentes provocações aos empresários, imprensa e principalmente ao poder público. Uma iniciativa, digamos infeliz do nosso Deputado em beneficiar com emenda parlamentar um único coletivo artístico, não levando em consideração a importância social, cultural e política dos bairros e do interior do município, onde há anos a tradição tem sido uma realidade. É sabido que o retorno social trazido pela paixão de cristo, principalmente nos distritos, contempla a população jovem no acesso as linguagens artísticas e ao fazer cultural, sendo uma ferramenta com um grande poder de transformação social.
É importante deixar claro para o senhor Deputado que essas encenações todos os anos tem atraído milhares de espectadores para esses “lugarejos” como foi mencionado de forma maldosa, que se deslocam das mais diversas regiões e cidades vizinhas, atingindo todos os anos aproximadamente 10.000 (dez mil) pessoas. Agora, o que falar do poder público? É aceitável um absurdo como este? Teremos mesmo que digerir tão infame emenda? Desrespeitados é como nos sentimos. Para que edital se na calada dos gabinetes, tudo converge pro balcão de patrocínio. Senhores do Conselho de Cultura, se manifestem, fiscalizem, façam valer o papel desse tão importante órgão, o mesmo vale para a Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Turismo.
Segue abaixo assinatura de pessoas ligadas direta e indiretamente aos Espetáculos citados.

(fotos: divulgação)
Da Redação


