“Eu quero ser enterrado em Juazeiro”, pediu “Seu Né” falecido hoje (10) Veja entrevista com Sibelle Fonseca

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Há 6 anos, quando fui convencida a me candidatar a vereadora desta cidade (um dos meus raros arrependimentos e fracassos), procurei o apoio dos amigos.

“Seu Né” foi um deles. Me deu gás, fez música, me deu conselhos, afeto e acreditou nas minhas intenções. Juntou a família, os amigos e pediu por mim. Tem coisa mais forte do que alguém pedir por você? Acreditar em você? Apostar em você? Falar em seu nome e por você? Só os íntegros fazem isso. Somente os que têm integridade merecem. “Seu Né” partiu hoje (10) depois de uma existência marcada de lutas, coragem, franqueza, piadas, poesias, protestos, alegrias, defesas. Um vivedor que amava sua Marina, seus meninos e amava seu rio, uma extensão da sua alma.

Um homem que sabia bem o seu lugar e a sua missão no mundo. Não se omitia quando era preciso tomar uma posição. Falava, aos berros, quando necessário. Compunha, cantava, contava histórias de pescador, vivia, bebia, sorria, chorava, fazia amigos, fazia história e sonhava.

“Eu quero ser enterrado em Juazeiro” , me disse meu velho amigo, sem mágoa nenhuma da cidade que nunca ouviu seu apelo incessante para que cuidassem do rio, da sua ilha e das pessoas que vivem lá.

“Seu Né” deixa a ilha do Rodeadouro e o São Francisco muito piores do que encontrou. E isso é uma lástima! Uma prova de nossa involução.

Triste, por não poder mais encontrá-lo no Rodeadouro para, entre papos e risadas, dizer do meu respeito e admiração por ele, digo-lhe da minha gratidão por compartilhar comigo uma era, um espaço e me deixar fazer parte de alguns dos seus momentos.

O céu espera sua zoada boa, ” Seu Né”! Vai lá e procura os santos para intercederem pelo seu Francisco daqui. Quem sabe agora, mais perto de Deus, seu clamor não seja ouvido?

Segue na paz, guerreiro! Missão muito bem cumprida essa sua!

Com vocês, compartilho um vídeo que gravamos durante a campanha de 2012, em que “Seu Né” fala de Juazeiro, da sua vida, de política, do Velho Chico, do Rodeadouro, do morrer, dos amigos … uma conversa gostosa, cheia de gaiatice e de verdades, bem do jeito “Seu Né” de ser.

Por Sibelle Fonseca

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