Deram um tempo: biólogo explica o “sumiço” das muriçocas e aponta causas para a infestação descontrolada em Juazeiro

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(foto: reprodução/internet)

Se por um lado Juazeiro é conhecida pela presença do Rio São Francisco ou por ser a terra de artistas famosos como João Gilberto e Ivete Sangalo, o que lhe rende visitantes, por outro, é também famosa pelo alto índice de infestação de muriçocas, um péssimo cartão de visita. Um problema que parece não ter fim para a comunidade local.

Por muito tempo a população juazeirense esteve reclamando da infestação descontrolada dos mosquitos que estava tirando a tranquilidade de qualquer cidadão, seja dentro de sua residência, seja em seu ambiente de trabalho, em escolas, universidades, unidades de saúde.

Porém a população percebeu que elas deram uma trégua, pelo menos nas últimas semanas. E há pelo menos dois fatores que estão contribuindo para a diminuição na infestação: o manejo ambiental e o ciclo natural vigente atualmente.

De acordo com o biólogo Djalma Amorim, esse “sumiço” está relacionado ao período atual, marcado por um clima quente e úmido, diferente dos demais meses do ano, onde prevalecem as altas temperaturas, porém, com baixos índices de pluviosidade.

“Ocorrem diferenças nas médias do nascimento de fêmeas por mês. Janeiro, fevereiro, março e abril não diferenciam entre si, mas diferenciam significativamente dos outros meses, pois, coincidem com a estação do ano mais quente, alta pluviosidade e paralelo a isso uma umidade relativa do ar”.

Segundo o biólogo, o alto índice de infestação de muriçocas pode estar relacionado a uma combinação de diversos problemas ambientais, que aliado ao aumento da temperatura, contribui para o aumento do nascimento de fêmeas em relação aos machos numa proporção muito acima da média.

“A falta de estrutura urbana, saneamento básico deficitário (compreendo o tratamento de esgoto inadequado), intermitência na distribuição de água potável, armazenamento domiciliar e a deficiência na coleta de lixo em logradouros públicos que determina o acúmulo de resíduos sólidos, são fatores influenciadores na dinâmica de procriação de mosquitos no município”, atenta Djalma.

Um outro fator que também contribui para a infestação descontrolada dos mosquitos e que merece ser levado em conta, é a destruição da cobertura vegetal em áreas circunvizinhas ao centro urbano da cidade.

“Como juazeiro dispõe de áreas agrícolas contíguas com a zona urbana, e em determinas épocas do ano fazem desmatamento como consequência de safras, isso pode contribuir significativamente com o índice de infestação de muriçocas na cidade”, disse o biólogo.

Diferença entre o Aedes e a muriçoca

Existem cerca de 3.500 espécies de mosquitos em todo o mundo, segundo Djalma Amorim. Porém as espécies de maior predominância em Juazeiro são duas: o Aedes aegypti e o Culex quinquefasciatus, conhecido por Culex-muriçoca comum.

O Aedes é o mosquito que transmite as doenças chamadas de ‘arboviroses’, como é o caso da dengue, o zika vírus e a chikungunya. A febre amarela, que entre 1º de julho de 2017 e 17 de abril deste ano já contabilizou 1.157 casos confirmados e 342 mortes, de acordo com dados do Ministério da Saúde, também é transmitida pelo aedes aegypti.

O biólogo alerta que há diferenças entre o aedes e o culex. “O Aedes é escuro e tem o corpo e as patas rajados de branco. O Culex é marrom, tem as pernas bem afiladas e nenhuma mancha branca pelo corpo. O Aedes bota seus ovos em água preferencialmente limpa e tem hábitos notadamente diurnos. O Culex é bem menos exigente. Coloca seus ovos em quaisquer tipos de água (suja, inclusive) e é um mosquito noturno. São diferentes, mas causam muito transtorno, e há que se ter cuidado com os dois”, alerta.

Picadas
De acordo com o biológo Djalma Amorim, os mosquitos são atraídos pelo cheiro do suor e pelo gás carbônico que eliminamos durante a respiração. “Por isso é que eles chegam perto do nosso rosto, zumbindo em nossas orelhas, prontos para nos picar”.

Como consequência do ataque dos mosquitos, a pele pode exibir inúmeras bolinhas vermelhas espalhadas pelo corpo, e que coçam bastante. “De tanto coçar, podem-se infectar com bactérias da pele. Algumas pessoas podem desenvolver alergia à sua picada e necessitarem de atendimento médico”, disse Djalma.

Cuidados

Algumas medidas são necessárias para inibir a presença da muriçoca, desde medidas básicas, como aparar gramas até o uso de produtos e objetos. A utilização de barreiras físicas como telas em janelas, fechar portas e janelas nos horários de maior circulação do mosquito, que corresponde ao final da tarde e no inicio da noite.

Além disso, o uso controlado de repelente, seguindo as recomendações do fabricante, já que se trata de produto químico e que pode causar reações alérgicas e intoxicações. Os repelentes naturais, como folhas de manjericão, eucalipto, calêndula e lavanda, cheiro de incenso, essências e velas de citronela, além de objetos como a famosa raquete e o mosqueteiro.

Ainda conforme Djalma, também é do poder público a obrigação de adotar medidas que possam contribuir para o decréscimo de infestações desses mosquitos. “Manejo ambiental, controle físico – drenagem, limpeza urbana, campanhas educativas, combate direto aos focos, controle biológico quando possível, controle espacial com UBV – fumacê”, são medidas que vão tornar os dias dos juazeirenses mais tranquilos, mesmo durante os períodos de maior prevalência das muriçocas.

Da Redação por Thiago Santos

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