
(foto: reprodução/internet)
Professores contratados da Universidade do Pernambuco (UPE), Campus Petrolina, estão trabalhando, desde o inicio do semestre letivo 2018.1, sem receber pagamento. Uma carta de repúdio foi emitida por uma comissão para chamar atenção do reitor da universidade, Pedro Falcão, sobre o problema enfrentado pelos profissionais do Campus.
Cerca de 30 profissionais, em média, estão sendo diretamente afetados. As aulas do semestre letivo 2018.1 começaram em 1º de março, mas até agora, os professores não receberam nenhum pagamento.
Sem representação sindical, eles denunciam estar expostos a contratos de “sub-trabalho”, já que os contratos são por horas trabalhadas e prevê o pagamento parcelado em três vezes – a primeira é paga após cumprir 80 horas, a segunda após 160 horas e a última quando completada 240 horas.
Além disso, não há um controle sobre as horas trabalhadas ou sobre os descontos de impostos direto na fonte, já que a Universidade não emite recibo ou holerite, mesmo com a cobrança da classe, que diz estar no prejuízo.
“Além do contrato rezar um valor e nós recebermos outro, porque há descontos direto na fonte do qual não temos comprovação pois não recebemos holerite, não temos estabilidade, pois os contratos são semestrais, e não nos é pago o piso”, disse uma docente do Campus que preferiu não se identificar.
Segundo descrito na carta de repúdio, essa não é a primeira vez que os professores do Campus enfrentam essa situação, descrita pela comissão como “precarização das relações trabalhistas e desrespeito com a classe trabalhadora”.
Em outro trecho, os professores dizem não aceitar, como justificativa, a falta de verbas, visto que a propaganda do Governo do Estado de Pernambuco veicula, nos meios de comunicação, uma propaganda que diz que “a crise que parou o Brasil, não parou Pernambuco”.
Uma das reivindicações da classe é a realização de seleção pública simplificada, que a instituição, de acordo com a comissão, diz não ter autonomia financeira para promover.
“A direção afirma que não tem autonomia financeira para isso e depende da reitoria em Recife, e a reitoria por sua vez joga para o governo do estado. Se fosse uma seleção simplificada teríamos salário e todos os direitos trabalhistas assegurados”, disse a professora em entrevista ao PNB.
“Essa é a educação que o Governo do Estado e o Sr. Ministro da Educação defendem? Já fizemos essa pergunta e a resposta esta sendo dada à toda comunidade acadêmica. A direção da unidade, a reitoria e o Governo do Estado de Pernambuco nos devem as soluções, pois é inadmissível que haja tamanha desvalorização do profissional”, cobra a comissão de professores da UPE na carta de repúdio.
“É urgente que a Universidade de Pernambuco trate com mais respeito seus colaboradores – e consequentemente seus alunos – efetuando devidamente os pagamentos dos professores contratados, fixando datas para os pagamentos já nos contratos e regularizando o processo seletivo para que existam contratos mais claros e um regime de trabalho menos precário e, por sua vez, mais atrativo”, finaliza o documento.
Os professores procuraram a direção do Campus na última quinta-feira (10) para saber se havia alguma previsão quanto ao pagamento, mas foram informados que ainda não havia uma data prevista.
O PNB está em contato com a reitoria da UPE para prestar esclarecimentos sobre a denúncia.
Clique aqui e confira a carta de repúdio na íntegra
Da Redação


