“A Univasf com um interventor”, por Matheus Rodrigues

Recentemente o MEC, na figura de Abraham Weintraub, empossou o Prof. Paulo César Fagundes Neves, do colegiado de Medicina, como reitor pro tempore da UNIVASF. Sem participar de nenhuma etapa eleitoral, o ministro Weintraub toma uma decisão antidemocrática, negligenciando toda a comunidade acadêmica que escolheu o Prof. Télio Leite e Lúcia Marisy em primeiro lugar como representantes da Universidade Federal do Vale do São Francisco.

Essa medida se soma a várias outras intervenções efetuadas nas Instituições Federais no Brasil afora pelo Ministério da Educação, seguindo uma cartilha autoritária e anticientífica do presidente e seus gurus.

Tal medida provoca consequências diretas tanto no funcionamento da universidade quanto na ações para a comunidade externa.

Como exemplo, no que concerne à atuação interna da UNIVASF, seguindo a cartilha do ministro subordinado a Olavo de Carvalho, teremos avanços mais pertinentes na precarização das condições de trabalho de professores, técnicos e estudantes. É comum nessa agenda reacionária perseguir quem se opõe ao terraplanismo e a ignorância negacionista.

Já no que diz respeito à comunidade externa, projetos importantes para a comunidade podem ser comprometidos e já são ameaçados, a exemplo do Pronera de História e Ciências Sociais, que envolve a formação de jovens do campo em parceria com movimentos sociais.

O novo “reitor” se submete ao crivo de participar de uma palhaçada orquestrada por um ministro semianalfabeto, um presidente que elogia a ditadura (com fortes ligações com milícias do RJ) e terraplanistas que odeiam a ciência. Não bastasse isso, uma turma dentro da UNIVASF assalta a reitoria através de um golpe durante uma pandemia, não passando de oportunismo enquanto alunos, professores e técnicos respeitam as orientações epidemiológicas para ficarem em casa reduzindo o risco de uma contaminação em maior escala pelo vírus da covid-19.

Portanto, não reconhecemos Paulo César Fagundes Neves como reitor, nem seus pró-reitores. A universidade é do povo, como tal, farar-se fazer democracia e respeito às decisões abertas. Nossa universidade tem papel central no desenvolvimento científico, social e econômico da região.

Nesse espectro, lutaremos para garantir a democracia interna e políticas centrais para permanência dos estudantes, melhores condições de trabalho para professores e técnicos, mais investimentos em ciência e tecnologia para que seja dado o devido retorno à sociedade.

A terra plana dá voltas…

Matheus Rodrigues, graduando em Ciências Sociais e militante da Unidade Classista-BA

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