“Depois da pandemia, eu quero é vingança”, por Matheus Rodrigues

(foto: arquivo pessoal)

Se antes da crise da pandemia da covid-19 o Norte da Bahia já vivia um aprofundamento de uma crise social, com aumento do desemprego, retirada de direitos dos trabalhadores municipais e falta de ações no sentido de gerar emprego e renda pelos governos municipais. No caso de Remanso, onde moro, o atraso de salários dos servidores públicos e o não pagamento dos meses anteriores dos contratados penaliza mais ainda uma situação que se agrava com o recuo econômico, especialmente no setor do comércio.

A condução por parte dos governos municipais não acompanham as demandas populacionais, uma vez que, as desigualdades sociais atenuam a gravidade do risco de contaminação sobre a população. Praticamente em todas as cidades, as zonas periféricas sofrem com a falta de saneamento. Sem água, comida e ainda sujeito à outras doenças transmissíveis em decorrência da falta de estrutura.
De cima, o governo Bolsonaro/Guedes patrocina um genocídio. De imediato, doaram 1,2 trilhão de reais aos bancos. Propuseram 200 reais de auxílio emergencial a milhões de trabalhadores em vulnerabilidade, sendo derrotado pela proposta de 600 reais, que custará aos cofres públicos somente 132 bilhões de reais.

Mesmo diante dessa situação, em que pessoas passam fome, o Governo Federal segue com sua agenda austericida de cortes nas áreas sociais e boicote ao auxílio emergencial. Continua perseguindo cientistas e universidades, ataca frontalmente as recomendações médicas e, por cima, articula com Rodrigo Maia uma saída que joga a crise para as costas dos trabalhadores.

Alguns governos municipais seguem a agenda reacionária de Bolsonaro/Guedes, cedem vergonhosamente às pressões dos grandes varejistas. Em cidades como Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes em que a taxa de ocupação econômica da população é menos de 10% e boa parte se aloca no comércio, o Bolsonaro surfa na demagogia de “salvar a economia”.

É preciso desmentir alguns pontos acerca disso. Primeiro, a economia global é afetada e praticamente em todos os países do mundo fechará o ano em recessão. Segundo, flexibilizando o isolamento social amplia criminosamente o número de mortes, afetando psicologicamente a população. Terceiro, esse ano a economia não será salva, Inglaterra, Alemanha, França e o próprio EUA que ninguém pode negar que é um país capitalista, mudaram a política fiscal e adotam a expansão dos gastos públicos, tanto para aumentar a capacidade de atendimento quanto para garantir as mínimas condições renda para as suas respectivas populações.

O boicote ao auxílio emergencial no Brasil efetuado pelo governo Bolsonaro é criminoso, gerando filas enormes nas casas lotéricas, agências da Caixa e com a lentidão na aprovação da plataforma criada pela Caixa. É notório como o governo age de má fé a fim de não repassar o mínimo à população. Assim também age criminosamente com a pressão para a abertura do comércio atendido por prefeitos, incapazes de propor uma alternativa que preserve a vida do nosso povo.

Pelo que elenquei, ao terminar essa pandemia, que tudo indica infelizmente com milhares de mortes, querer justiça não é suficiente para responder a essa agenda genocida. E nem será por essa justiça que preserva capitalistas que Bolsonaro, Paulo Guedes e cia serão julgados. Será pela justiça do povo, por um tribunal popular, por todos aqueles submetidos às humilhações da esfera federal à municipal.
Vingança é a justiça dos oprimidos!

Matheus Rodrigues, estudante de Ciências Sociais e militante da Unidade Classista-BA.

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