Juazeiro: Ministério Publico/BA recomenda fechamento do comércio e tira o corpo de banda

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Juazeiro entra no “radar da luz vermelha”, segundo anunciou o Governador da Bahia Rui Cosa durante live na noite de ontem terça-feira (23). Nos últimos dias, o município registrou um aumento significativo no número de casos da Covid-19 e para o gestor estadual a situação requer “atenção máxima”.

O aumento de casos aconteceu, notadamente, após a tentativa de reabrir o comércio, no dia primeiro de junho, logo após a pressão de alguns comerciantes, políticos e pretendentes às eleições municipais, que chegaram a fazer um protesto pedindo a reabertura das lojas. Quinze dias depois do Prefeito Paulo Bomfim ceder a reivindicação,  tempo de incubação do vírus e do aparecimento dos sintomas, houve um avanço da pandemia no município. Fato!

Lojas abertas, pessoas circulando no centro comercial, geraram a falsa sensação de fim de pandemia, o isolamento social caiu por terra, e o vírus se espalhou mais facilmente. No dia dos namorados, 12 de junho, por exemplo, o índice de isolamento social na cidade foi abaixo de 35%. Com o comércio reaberto, o movimento foi grande nas lojas.

Somente nas últimas 24 horas, foram registrados 40 novos casos confirmados da doença, e um óbito. Com a atualização dos dados, Juazeiro totaliza 458 pessoas positivadas para a doença.

No último sábado, em entrevista coletiva, Paulo Bomfim associou o aumento no número de casos a reabertura do comércio, ressaltou que houve “intensificação das testagens realizadas pelo município”, e anunciou um novo fechamento, atendendo também a uma recomendação do Ministério Público da Bahia, através da Promotora  Rita de Cássia Rodrigues Caxias, em decisão publicada no último dia 18.

A promotora citou a ascendência da curva de contágio entre 1º e 17 de junho, quando o comércio esteve aberto e afirmou que a flexibilização do isolamento poderia prejudicar a comunidade local, “levando, fatalmente, a uma indesejada aglomeração, seja no interior do espaço, seja no exterior, com a formação de filas”, favorecendo a disseminação da covid-19.

Recomendação cumprida, lojas fecham, menos circulação nas ruas e o número de casos não para de crescer.

Mas, descontentes com o novo fechamento, entidades ligadas ao comércio reagiram e, em nota pública, disseram que o crescimento do número de casos confirmados “não poderia ser colocado na conta do comércio” e que “o comércio varejista de Juazeiro está morrendo, sucumbindo por erros sucessivos de decisões equivocadas do poder público municipal”.

Mais um protesto em favor da reabertura do comércio está marcado para acontecer amanhã (25), quando os discursos de defesa da economia irão se sobrepor à medida de saúde pública, “favorecendo a disseminação da covid-19”, como destacou a representante do Ministério Público.

O mesmo Ministério Público que, em documento enviado nesta quarta-feira (24), à prefeitura da cidade, recomendou que o município fiscalize a carreata, garantindo “o cumprimento das regras de trânsito e de distanciamento social”.

Contraditório não? O protesto é pela reabertura do comércio, que o MP não recomenda, porque favorece a disseminação do vírus. Agora o MP recomenda fiscalizar a carreta que reivindica o que o órgão não recomenda. Está confuso, não?

Ou o sentido de “recomendação” para o MPBA significa “tirar o corpo de banda”, como diz o jargão popular? naquela base do “nem sou contra e nem a favor, muito pelo contrário”, ou ainda “vocês que se virem”, o Ministério Público só aconselha, o que é o mesmo que recomendar.

Em síntese, e na minha opinião, recomendar está me parecendo sinônimo de “se omitir”.

E assim fica fácil, não é MP?

Na recomendação de garantir o que não recomenda, as promotoras Mayumi Menezes Kawabe e Roberta Masunari declararam “que a carreata é uma forma de livre expressão do pensamento decorrente de direito previsto na Constituição, que não pode ser tolhida desde que “obedecidas as regras do distanciamento social exigidas pelo enfrentamento da Covid-19”.

Mas e o direito fundamental à saúde e a vida?

Só lembrando: estamos vivendo uma pandemia. São mais de 50 mil pessoas mortas no país. Muitos já morrem sem a dignidade de serem assistidos em um leito de UTI. A taxa de ocupação de leitos é preocupante, também em Juazeiro, que já entrou no “radar da luz vermelha”, segundo o representante do Estado da Bahia .

 

Veja a decisão

Da Redação por Sibelle Fonseca

 

2 COMENTÁRIOS

  1. Pergunta, porque não fiscalizam as aglomerações causadas pelas pessoas bebendo cachaça nas ruas e nos bairros, eles não estão usando as máscaras além de fazer aglomeração.

  2. Está contada a situação. Mais objetivo impossível. Gestão tem que ter tecnica, ciência e principalmente bom senso. Assim chega se a alguma coisa que sirva ao bem comum. Parabens pelo texto, suscinto e rico.

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