Arquivos anuais: 2021

Papa Francisco diz que ficou ‘estupefato’ com as cenas de invasão do Capitólio

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O papa Francisco se disse “estupefato” com as cenas de violência registradas na invasão do Congresso dos Estados Unidos, o Capitólio, na última quarta-feira (6), em Washington.

“Fiquei estupefato porque se trata de um povo tão disciplinado na democracia”, disse em entrevista, que deve ser transmitida na noite deste domingo (10). Ainda de acordo com o papa, “nos ambientes mais evoluídos sempre há algo que não funciona” e que há pessoas “que tomam um caminho contra a comunidade, contra a democracia, contra o bem comum”.

Segundo o pontífice, “este movimento deve ser condenado”.

BN

Presidente do Inep explica como será a primeira edição do Enem digital

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O presidente do Inep, Alexandre Lopes, apresenta detalhes da força-tarefa aplicada para avaliação do resultado do Enem

 

O presidente do Inep, Alexandre Lopes, apresenta detalhes da força-tarefa aplicada para avaliação do resultado do Enem

 

Pela primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá uma versão digital. A prova será aplicada de forma piloto para 96 mil candidatos em 99 municípios. Assim como no Enem impresso, os participantes terão que ir até o local de prova e, embora o exame seja feito pelo computador, os candidatos deverão levar caneta esferográfica da cor preta porque a redação será feita no papel.

Para esclarecer como será essa prova, a Agência Brasil conversou com o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes.

“Houve, no passado, tentativas [de fazer o Enem digital], mas foram descontinuadas. A decisão de fazer o Enem digital neste ano foi tomada em 2019. Estamos conseguindo agora tirar o teste do papel, literalmente. Estamos muito animados com o Enem digital”, disse Lopes.

O exame será um pontapé inicial para mudanças no Enem. A intenção do Inep é que o exame se torne totalmente digital até 2026. As discussões e os testes para que isso seja possível ocorrem desde 2016.

O Enem digital será aplicado nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro, após o Enem impresso, que será nos dias 17 e 24 de janeiro. As provas serão realizadas em laboratórios de informática de escolas e universidades que já foram previamente testados pelo Inep. Ao todo, serão cerca de 4 mil laboratórios, com cerca de 20 computadores cada. As máquinas terão acesso apenas à prova. Os estudantes não conseguirão, portanto, acessar a internet ou documentos do computador.

Apesar de ser feita em tela, os participantes deverão levar, como no Enem impresso, caneta esferográfica de tubo transparente da cor preta. A prova de redação será escrita a mão. Os estudantes também receberão folhas de rascunho para fazer os cálculos das provas de matemática e ciências da natureza. Eles não terão, no entanto, folhas de resposta. Os itens devem ser marcados pelo computador.

“A gente procurou, nesse momento, simular no ambiente digital o que acontece no papel. Então, o aluno vai poder, por exemplo, ir na questão mais à frente, pode voltar. No final, ele vai marcar e quando der o sinal que finalizou a prova, o sistema trava o preenchimento do gabarito. Aí pronto, não vai mais poder mexer e a prova vai vir direto para o Inep”, explica o presidente.

Os horários do Enem digital serão os mesmos do Enem impresso. Os portões abrem às 12h e fecham às 13h. A prova começa a ser aplicada às 13h30. No primeiro dia, os participantes, assim como no exame em papel, fazem as provas de linguagens, códigos e suas tecnologias, redação e ciências humanas e suas tecnologias. Nesse dia, a prova vai até as 19h. No segundo dia, os candidatos têm até as 18h30 para resolver questões de ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias.

Além dos aplicadores, nas salas de prova, os candidatos contarão com a assistência de um técnico em informática. “Se tiver algum problema no computador, o técnico pode tentar resolver imediatamente naquele computador. Se não puder, ele vai logar numa outra máquina, teremos máquinas reserva. Se não conseguir mesmo assim, se tiver problema ou se demorar demais para resolver, aí esse aluno vai poder participar da reaplicação da prova em papel”, explica Lopes.

Da mesma forma que os estudantes que farão o Enem impresso apenas poderão sair com a prova meia hora antes do fim da aplicação, também os estudantes que fizerem o Enem digital, só poderão sair com a folha de rascunho 30 minutos antes do fim da aplicação. Eles podem anotar as respostas ali, para posteriormente conferir o gabarito oficial, que deverá ser divulgado para essa versão do exame até o dia 10 de fevereiro.

As questões da prova serão diferentes das do Enem impresso. No entanto, como a prova utiliza o sistema de correção baseado na chamada teoria de resposta ao item (TRI), as provas terão o mesmo nível de dificuldade e os estudantes poderão concorrer juntos às mesmas vagas em programas que dão acesso ao ensino superior, como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que oferece vagas em instituições públicas e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece bolsas de estudos em instituições privadas.

Pandemia

As medidas de segurança adotadas em relação à pandemia do novo coronavírus serão as mesmas tanto no Enem impresso quanto no Enem digital. Haverá, por exemplo, um número reduzido de estudantes por sala, para garantir o distanciamento entre os participantes. Durante todo o tempo de realização da prova, os candidatos estarão obrigados a usar máscaras de proteção da forma correta, tapando o nariz e a boca, sob pena de serem eliminados do exame. Além disso, o álcool em gel estará disponível em todos os locais de aplicação.

Quem for diagnosticado com covid-19, ou apresentar sintomas desta ou de outras doenças infectocontagiosas até a data do exame, não deverá comparecer ao local de prova e sim entrar em contato com o Inep pela Página do Participante, ou pelo telefone 0800-616161, e terá direito a fazer a prova na data de reaplicação do Enem, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Agência Brasil

Brasil tem mais de 62 mil novos casos nas últimas 24h

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O Ministério da Saúde registrou 62.290 novos casos de coronavírus e 1.171 óbitos também em decorrência da doença, de acordo com o boletim divulgado, neste sábado (9),  Desde o início da pandemia, a doença já contaminou 8.075.998 e matou 202.631 pessoas em todo o país.

Hoje é o terceiro dia da semana com o maior número de casos. Já na quinta-feira (7), o país bateu recorde ultrapassar a marca de 87 mil casos contabilizados. De acordo com o governo federal, 7.114.011 pessoas se recuperaram da doença, com outras 729.356 em acompanhamento.

Da Redação

Especial: “Toda vacina contra covid-19 que for para o setor privado hoje será tirada do setor público”, diz vice-presidenta do Sabin Vaccine Institute

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“A vacinação só vai funcionar no Brasil se ela for pensada no sentido do coletivo. As pessoas podem pagar pelas vacinas para suas famílias, mas nem elas estarão protegidas se a população não estiver vacinada.” A advertência é da infectologia Denise Garrett, ao comentar sobre o interesse do setor privado pela vacina contra o novo coronavírus, em entrevista ao EL PAÍS por telefone na quarta-feira, 6 de janeiro. A médica, ex-integrante do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos Estados Unidos e atual vice-presidenta do Sabin Vaccine Institute (Washington), ainda explica que o setor público vem controlando a aquisição e a aplicação gratuita de imunizantes nos países, incluindo os Estados Unidos, que já estão vacinando seus grupos prioritários. E esclarece que não há, no momento, espaço para o setor privado comercializar as vacinas, porque as autorizações emitidas pelas agências reguladoras até agora são para uso emergencial. E porque não há oferta suficiente: a prioridade é suprir a demanda do setor público. “Toda vacina que for para o setor privado estará sendo tirada do setor público”, diz.

Nesta semana, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC) demonstraram publicamente o interesse em adquirir algumas milhões de doses, diante da lentidão do Governo brasileiro em iniciar um programa nacional de imunização no Sistema Único de Saúde (SUS). Na avaliação da infectologista, a vacinação nacional é urgente inclusive para frear o avanço das mutações do vírus Sars-Cov-2. “O vírus vai continuar circulando. Quanto mais pessoas infectadas, quanto mais replicação viral, mais mutação veremos”, argumenta. Pela mesma lógica, a vacinação apenas em alguns Estados também causa prejuízos à eficácia da proteção.

A entrevista foi complementada no dia seguinte, após a apresentação dos resultados dos ensaios clínicos da Coronavac no Brasil, a vacina contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A seguir, os principais trechos da conversa.

Pergunta. Clínicas privadas e o setor industrial vêm demonstrando interesse em comprar a vacina. Por que isso se dá? É pela falta de iniciativa do Ministério da Saúde?

Resposta. Isso é bem óbvio. Uma vacina que tem uma distribuição ampla pelo Ministério da Saúde, pelo SUS, vai desestimular o mercado privado. É preciso lembrar que enquanto a vacina estiver com autorização para uso emergencial, ela não pode ser comercializada [de acordo com a legislação brasileira]. Então, todas essas iniciativas não vão adiantar de nada porque a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] vai aprovar inicialmente, como em outros lugares, para uso emergencial. Agora, essas vacinas também foram feitas para gerar lucro para quem as produziu. A Pfizer já está planejando pedir a aprovação total da FDA [Federal and Drug Administration, agência reguladora norte-americana] em abril para poder comercializar. Então, isso eventualmente vai existir.

P. Como tem sido a vacinação nos EUA, que não tem um sistema público de saúde, e em outros países até o momento?

R. Em todos os países está sendo suprida pelos Governos, como deve ser. Nos Estados Unidos está sendo disponibilizada de graça. Mas vamos pegar a situação da Índia, que tem a maior produção de vacinas do mundo. A dificuldade está na distribuição para uma população de 1,3 bilhão de pessoas. O país tem recursos, mas não tem como viabilizar para a população. E o setor privado na Índia funciona bem em termos de distribuição. Nesse sentido, acho que nesta situação concreta a participação do setor privado pode ser benéfica. Mas isso é uma exceção em um lugar onde talvez a oferta será maior que o canal de distribuição.

P. Existe algum problema se o setor privado comercializar vacinas neste momento no Brasil?

R. Primeiro, temos que levar em conta que não vai haver quantitativo de vacina. Então, toda vacina que for para o setor privado estará sendo tirada do setor público. Se fosse uma vacina com toda a disponibilidade, seria uma situação diferente. E vacina não pode ser olhada como algo individual. A vacina é um bem comum e um bem coletivo, porque ela só funciona bem com esse sentido de coletividade. É a tal da imunidade coletiva, ou imunidade de rebanho. Uma vacina não vai ser 100% eficaz, principalmente as que estão sendo cogitadas no Brasil. Ela só vai proteger quando existir uma certa porcentagem da população vacinada. A eficácia da AstraZeneca/Oxford está em no mínimo 62% [de acordo com os resultados apresentados, a eficácia variou de 62% a 90%], então vamos precisar de pelo menos 80% da população vacinada par conseguir a proteção mais perto de 100%. Se essas vacinas não ficarem disponíveis para todo mundo, somente para o sistema privado, vamos proteger alguns indivíduos, mas não vamos proteger a população. Ficará restrito a um grupo, que não é nem o prioritário, e não vamos ver impacto no sistema de saúde. Não vamos evitar mortes. Para gerar impacto, é preciso uma estratégia de vacinar primeiro os grupos de maior risco.

P. A Coronavac tem uma eficácia de 78% e evitou 100% de casos graves e moderados, segundo o anúncio do Governo de São Paulo nesta quinta-feira. Como enxerga esses resultados?

R. Os resultados são animadores, mas [na coletiva de imprensa] eles mostraram os desfechos secundários. Eles não mostraram o desfecho primário, que é a proteção contra a doença. É um dado importante que a gente precisa não somente para planejar as campanhas de vacinação, mas a população precisa saber o tipo de proteção que estará recebendo com a vacina. São dados simples. O que a gente precisa saber para a eficácia é o número total de eventos [casos de covid-19 registrados] no estudo, e quantos desses eventos foram verificados no grupo de voluntários que recebeu placebo e quantos no grupo que recebeu a vacina. E com isso calculamos a eficácia. É algo simples que senti falta no anúncio, que poderia ter sido mais claro. Mas, em termos de resultados, foi bem animador.

P. É plausível pensar que, caso uma elite possa pagar pela vacina, a pressão sobre o Governo para que este inicie um plano nacional de imunização diminua?

R. Eu não havia pensado nisso, mas acho que é perfeitamente plausível. O que precisamos fazer é seguir pressionando as autoridades para o uso coletivo. A vacinação só vai funcionar no Brasil se ela for pensada no sentido do coletivo. Existe muito esse pensamento individualista, até mesmo de pessoas de classe média, de que “eu vou lá, pago para minha família ser vacinada e está tudo certo”. As pessoas precisam entender que não está tudo certo. Elas podem pagar pelas vacinas para suas famílias, mas nem elas vão estar protegidas se o resto da população não estiver vacinada.

P. Em que medida isso também aprofunda uma desigualdade que já é grande no Brasil?

R. Os que podem pagar vão pagar mais caro para tomar a melhor vacina. E qual é o grupo de maior risco? É o que não pode pagar. São os negros, os trabalhadores essenciais, os pobres das favelas… Quem está sofrendo mais? É a comunidade lá em Manaus que não tem recurso, as pessoas que se aglomeram no ônibus para ir trabalhar, ou quem pode ficar em casa e fazer home office? Então, seria o inverso do que deve ser feito. A gente vê essas iniciativas de Estados e municípios mais ricos com planos para vacinar primeiro e isso, de novo, é reforçar a desigualdade. E em São Paulo existe um entra e sai de pessoas do Estado. Enquanto todo o país não estiver vacinado, ninguém estará protegido.

P. Se somente uma pequena parte da população é vacinada e o vírus continua circulando, isso pode gerar novas variantes do vírus e deixar vulnerável inclusive essa minoria que se vacinou?

R. Claro que sim. Se a gente vacina somente quem puder pagar, até para eles a proteção não vai ser a que poderia ser. Porque o vírus vai continuar circulando. Quanto mais pessoas infectadas, quanto mais replicação viral, mais mutação veremos. Vacina é preventivo, não é de tratamento, não é remédio. E o que acontece? Esse vírus está sob pressão, uma grande pressão imunológica, com o começo da vacinação em alguns países. Ele vai tentar escapar dessa pressão, e com isso as mutações estão aumentando. No início da pandemia eu dava entrevistas falando que demos sorte que esse vírus não sofre mutações como outros. É metade da taxa de mutação do vírus da Influenza e 1/4 do HIV. Mas essa taxa está aumentando. No Brasil o vírus está correndo solto e nada está sendo feito para frear sua transmissão. Agora temos essa nova variante [que surgiu no Reino Unido e é cerca de 56% mais contagiosa] e a urgência de preservar o sistema de saúde inglês e salvar vidas. Então, entramos num debate científico sobre se devem ser dadas uma dose da vacina ou duas [como preveem inicialmente os protocolos dos laboratórios]. Por um lado, tem gente argumentando que é melhor vacinar o máximo pessoas com um nível mais baixo de proteção. Por outro, que devemos manter as duas doses e garantir a proteção que sabemos que dá.

P. Em que lado a senhora se coloca nesse debate?

R. Sair vacinando com meia dose é como não tomar os 10 dias de antibiótico: você começa a fazer pressão de mutação nesse vírus e começa a selecionar os mais aptos. Vamos estar induzindo uma mutação, o que é uma temeridade. Mas há ressalvas. Por exemplo, a vacina da Moderna tem 100 microgramas de RNA. A da Pfizer são 30. A Moderna desenhou um protocolo tendo em mente que não poderiam errar, então fizeram com uma dose maior para terem certeza. Mas nas fases 1 e 2 dos testes eles fizeram um protocolo aplicando 50 e outro 100 microgramas, e os dados mostram que não faz muita diferença. Então, acho que numa situação dessa é plausível dar metade, já que eles possuem dados que dão suporte a isso. Mas a Pfizer não tem e avisou: “A gente não garante o que vai acontecer depois de 21 dias depois da primeira dose vacina”. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

P. O Reino Unido foi o primeiro país a iniciar a vacinação e acaba de decretar um lockdown. Quanto tempo até a situação normalizar?

R. Quando houver um número suficiente de pessoas vacinadas para gerar um impacto na transmissão. Tem gente que fala que é preciso 60% da população estar vacina. Outros falam em 70% ou 80%. Eu fico ali no meio, em 70%. Mas uma coisa precisa ficar claro. Em novembro a Inglaterra tinha uma taxa de transmissão de 0,9%. De acordo com esse número, teríamos um decréscimo de 30% no número de casos em três semanas. E o que aconteceu? Veio a nova variante do vírus e as festas de fim de ano, e o número de casos triplicou, ameaçando muito o sistema de saúde. Também precisa ficar claro que, apesar de transmitir mais, numa velocidade incrível, essa variante pode ser parada do mesmo jeito: com máscara, com distanciamento, sem aglomeração…

P. Uma das polêmicas mais recentes do Ministério da Saúde era sobre a falta de seringas. Como enxerga o planejamento da pasta?

R. Isso é uma coisa inadmissível. Tem coisas que o Brasil sabe como fazer, e vacinação é uma delas. Nossa política de imunização era um exemplo mundial e está sendo destruída. As seringas são só um reflexo disso. Nossas outras coberturas vacinais estão caindo e o Governo vem cortando gastos com campanhas de vacinação. E existe uma inércia do Governo em fazer acordos. Nós precisamos de todas as vacinas e existem ótimas opções que poderão ser implementadas no Brasil. Temos a da Johnson & Johnson [que realizou os testes da fase 3 no país], que vai pedir aprovação agora… É uma vacina de geladeira e uma só dose basta. Por que o Governo não está correndo atrás disso? O Governo fez um acordo com a AstraZeneca logo no início e se deu por satisfeito, esperando que batam na nossa porta. Foi o que Bolsonaro disse, que temos um mercado de 200 milhões de pessoas. O que ele não entende é que o mundo inteiro está atrás dessa vacina. Se você for esperar, eles não vão vir porque o mundo inteiro está derrubando a porta deles atrás da vacina. Eles não precisam vir até nós, muito menos se submeter aos caprichos de regulamentos ou exigências que fogem do que é razoável. A Pfizer não tem quantitativo até julho. Se a gente demorar a gente vai perder a terceira leva, que seriam os quantitativos até o fim do ano. E mesmo quando começar a vacinação, para vacinar uma quantidade suficiente de pessoas estamos falando de algo que é para o ano que vem. Existe uma urgência que é preciso enfatizar.

P. O Brasil vai sofrer consequências pelas festas de fim de ano?

R. Essa conta vai chegar, infelizmente. A perspectiva que vejo é a de passar por uma fase que nunca passamos nessa pandemia. Se achávamos que estava ruim, agora vai ser muito pior. Não conseguimos controlar a primeira onda. E cada uma das pessoas infectadas hoje estão transmitindo exponencialmente. Ao mesmo tempo, não existe nenhuma medida sanitária de controle nem perspectiva de começo da vacinação [o ministro Eduardo Pazuello afirmou nesta quinta que o plano pode começar no dia 20 de janeiro].

El País

Bahia teve em 2020 pior cobertura vacinal dos últimos 10 anos; números preocupam Sesab

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A cobertura vacinal da Bahia em 2020 foi a mais baixa dos últimos 10 anos entre pelo menos 8 dos 9 imunizantes básicos do Programa Nacional de Imunização (PNI). Com ansiedade e atenções da população voltadas para a vacina da Covid-19, a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) destaca a importância da adesão à vacinação de rotina.

Vânia Rebouças, coordenadora do Programa Estadual de Imunização, sinaliza que a Bahia acompanha a tendência nacional, que já vinha registrando queda na adesão vacinal desde 2016. O fato é que em 2020, com a pandemia da Covid-19, a situação foi agravada. “É bem paradoxal essa história em relação a nossa cobertura. Enquanto a humanidade anseia pela vacina da Covid-19 para controlar a pandemia, a gente vivencia baixas coberturas vacinais que são importantes para controle e eliminação das doenças”, analisou.

A meta de vacinação é de 90% a 95% do público alvo para os imunizantes de rotina. No PNI, elogiado em todo o mundo, estão as vacinas BCG, Rotavírus, Meningocócica C, Pneumocócica 10v, Poliomielite, DTP+HIB+HB (Pentavalente), Hepatite A e Tríplice viral.

Os dados da Sesab ainda não estão completamente fechados, mas de acordo com os índices informados pelas prefeituras baianas até 18 de dezembro de 2020 a média alcançada nas salas de imunização do estado foi de 65%. Em apenas em uma das nove vacinas a Bahia ficou acima de 70%.

Na BCG o índice foi de 65,3%; Rotavírus 66,2%; Meningocócica 68,1%; Pentavalente 63,4%; Pneumocócica 65,3%; Poliomielite 65,2%; Febre Amarela 58,1%; Hepatite A 64,59%; e Tríplice viral 74,4%.

O obstáculo para 2021 agora é conscientizar a população para que os índices voltem ao patamar ideal. Entre as consequências de redução dos vacinados está o aumento dos chamados “bolsões suscetíveis”. O termo técnico diz respeito ao acúmulo de pessoas sem a devida proteção, e no caso do vírus ser introduzido na localidade, rapidamente eclode um surto ou epidemia.

“A gente costuma brincar que as vacinas são vítimas do seu próprio sucesso. As pessoas não buscam vacina por acharem, de maneira equivocada, que não estamos correndo risco, quando a gente sabe que os vírus continuam circulando e que por isso é importante manter as vacinas em dia”, comentou Vânia.

Em Salvador a chefe do setor de Imunização da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Doiane Lemos, reconhece que em 2020 a vacina de rotina não foi priorizada, e que a adesão não foi suficiente.

Diante dos índices, a SMS adotou estratégias para facilitar o acesso da população através da busca ativa. “Em 2020 não tivemos a nosso favor a possibilidade de ir na escolas, faculdades, então a opção eram fábricas, empresas, estações de transbordo, os lugares onde as pessoas estavam”, exemplificou Doiane.

A estratégia adotada na capital é bem avaliada pela Sesab e serve de exemplo para outros municípios.

“A gente acredita que a vacina tem que ir até o indivíduo. Tivemos êxito em vacinação extra muro, alguns movimentos são necessários para essa busca de faltosos”, comentou a coordenadora do Programa Estadual de Imunização.

Vânia explica que a pasta estadual já tinha e agora está reforçando as ações de um plano estratégico para melhorar a cobertura vacinal. “Esse ano nós divulgamos um plano pra trabalhar ações estratégicas, vamos continuar ao longo dos próximos três anos com linhas de atuação que vão corrigir e melhorar a cobertura”, disse ao citar que o plano inclui a educação permanente em saúde, reforço da comunicação, e também a parceria com outros órgãos.

Bahia Notícias

Juazeiro registra 34 novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas

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A Secretaria de Saúde de Juazeiro registrou 34 novos casos do novo coranavírus nas últimas 24 horas. São 19 pacientes do sexo feminino e 15 do sexo masculino, com idades entre 21 e 69 anos.

No boletim deste sábado(9), 7.859 constam como confirmados, 15.971 foram descartados, desde início da pandemia na cidade. Desse total, 5.538 pessoas já estão recuperadas da Covid-19. São 2.184 casos ativos da doença.

Não foi registrado nenhum óbito no boletim deste sábado, por isso, a cidade de Juazeiro mantém o número 137 mortes causadas por complicações da covid-19.

Foram realizados desde o início da pandemia 23.496 testes rápidos e 1.230 pelo Lacen em Salvador.

Ocupação de leitos

Dos internados regulados somente pela rede municipal, houve alteração nas últimas 24 horas. Agora são 34 pacientes, sendo 25 em leitos de UTI e 09 em leitos intermediários. Na rede de ocupação hospitalar, o percentual de ocupação dos leitos para Juazeiro na rede PEBA (hospitais de Pernambuco e Bahia) é de 73%.

As informações estão em anexo.

Maria Lima/ Ascom Secretaria de Saúde

Candidatos do Enem lidam com internet precária e estudos pelo celular

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Na reta final para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes contam como estão se preparando e como estudaram ao longo deste ano em meio à pandemia do novo coronavírus. As realidades e os desafios são diversos.

Em Porto Velho (RO), Heloísa Lara, 23 anos, que pretende cursar medicina, precisou enfrentar o ensino online – algo com o qual sempre teve dificuldade. No Rio de Janeiro, Lucas Bevilaqua, 17 anos, tenta driblar as telas e conseguir descansar um pouco às vésperas do exame. Em Cocal dos Alves (PI), Sergio Manoel Cardoso, 17 anos, passou a ter aulas por WhatsApp. Em Barreirinha (AM), Karen Eduarda Prestes, 18 anos, enfrenta a falta de internet, que atrapalha seus estudos.

“Eu achei que não fosse ter foco porque estudar em casa tem distrações. Achei que seria difícil, mas arrumei foco e arrumei um lugar onde pude ficar mais em silêncio”, diz Heloísa Lara, 23 anos. Há cinco anos, a estudante busca uma vaga em um curso de medicina. Já havia tentando fazer cursinhos online, mas não conseguiu manter a rotina. A pandemia a obrigou a voltar para o ensino remoto. “Eu tive que mudar minha mentalidade quanto a isso. O online foi bom porque eu sou muito tímida e pude mandar perguntas sem precisar falar em uma sala de aula. Consegui tirar todas as dúvidas que eu tinha”, conta.

Heloísa, este ano, investiu em um curso específico de redação. O ensino remoto permitiu que se matriculasse no Laboratório de Redação, em São Paulo. A estudante, que usa o celular para estudar, precisou também melhorar o pacote de internet que tinha para poder acompanhar as aulas. Ela passou ainda por uma mudança de cidade, em meio a pandemia, mudou-se de Cacoal (RO) para a capital do estado, Porto Velho. “Agora, estou revisando conteúdos do ano passado. Fiz resumos e estou fazendo bastante exercícios. Depois de várias terapias, agora estou tranquila”.

Lidando com a ansiedade

Para o estudante do colégio Mopi, no Rio de Janeiro, Lucas Bevilaqua, 17 anos, a parte emocional pesou este ano. “Esse ano foi um ano muito complicado. Eu não sei se a questão da pandemia ajudou ou piorou meus estudos. Acho que a questão da cabeça piorou muito. Mas, em termos de estudo, ajudou a me concentrar porque estou em casa não tem muito o que fazer. Acabei conseguindo distinguir as coisas, focar no que precisava, embora tenha sido um ano difícil psicológica e emocionalmente.”

As aulas online ocupavam as manhãs e parte da tarde. “Uma coisa que pesou muito para mim, foi que ficava muito tempo no celular, no computador, sempre tinha que achar um tempinho para me recuperar, para achar um tempinho fora do computador”, diz.

Ao lado do estudante, que pretende concorrer a uma vaga em um curso de psicologia, o irmão gêmeo Gabriel divide o espaço e a mesma angústia no preparo para o Enem. “Estamos meio que no mesmo barco”. Bevilaqua conta que, no último ano do ensino médio, ele sentiu falta da escola, “Pesou para mim não ir para escola, ver pessoas, conversar, pesou um lugar onde possa relaxar e tirar a pressão.”

Aulas por WhatsApp

Para o estudante da Escola Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves (PI), Sergio Manoel Passos Cardoso, 17 anos, aprender apenas a distância gerou insegurança. “Além da forma de ensino ter mudado completamente, a distância física que temos das salas de aula cria um certo pane em relação ao que eu aprendi”, diz. Mas, o estudante diz que confia no trabalho feito pelos professores. “Eu acredito que apesar do ensino remoto, todos da minha turma irão se sair bem, pois, temos o apoio incondicional dos professores, de todas as formas possíveis”.

O estudante passou a ter aulas por WhatsApp. Os professores mandavam exercícios, vídeos que eles mesmos produziam, sempre buscando a melhor forma de compreensão do aluno. As dúvidas podiam ser tiradas sempre levantando a mão com um emoji.

“Esta reta final está sendo muito complicada, pois, além de se adaptar à nova rotina remota, buscar sempre manter a saúde mental também faz parte. Porém, com essa aproximação da prova, eu sinto que tenho que revisar o máximo de matérias e assuntos que conseguir, acredito que, aumentando minha ansiedade”, diz Cardoso, que pretende concorrer a vagas de direito ou odontologia. “Às vezes, quando quero me distrair um pouco, tento ir jogar bola, passo o dia sentado em uma cadeira.”

Dificuldade de acesso

A estudante Karen Eduarda Prestes, 18 anos, da Escola Estadual Professora Maria Belém, em Barreirinha (AM) Karen Eduarda Prestes, 18 anos, não chegou a conhecer pessoalmente os professores este ano. A escola estava em reforma no início do ano e logo em seguida foi fechada por conta da pandemia. As aulas passaram a ser dadas por WhatsApp.

“Isso complicou mais ainda porque nós, como alunos, como a gente faz parte da classe baixa, a dificuldade foi maior pelo acesso à internet. No nosso município a internet é ruim demais. A gente teve que achar um meio para lidar com isso. Muitos alunos desistiram”, conta a estudante que passou o ano acessando conteúdos escolares pelo celular.

Os professores e os estudantes precisaram se adaptar, mas Karen diz que eles conseguiram materiais e conseguiram fazer simulados este ano. “Hoje eu passei o dia todo estudando para o Enem e encontrei dificuldade. Minha vontade é ser professora de português. Muitas vezes pensei em desistir, por ter a dificuldade da internet, por não ter computador para pesquisar, mas a minha vontade é muito maior do que o que está acontecendo. Muitos desistiram dos sonhos, mas eu estou tentando ao máximo focar nos meus livros, nas videoaulas”. Fazer a prova em meio a pandemia é outro desafio, de acordo com a estudante. “Tenho muito receio, me sinto insegura”, diz.

A pandemia exacerbou as desigualdades no Brasil. O acesso a internet, a computadores e celulares passou a fazer ainda mais diferença no aprendizado. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, divulgada este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede.  Já a pesquisa TIC Domicílios apontou que 58% dos brasileiros acessavam a internet em 2019 exclusivamente pelo telefone celular.

Enem 2020

O Enem 2020 será aplicado na versão impressa nos dias 17 e 24 de janeiro e, na versão digital, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

Devido a pandemia, durante todo o tempo de realização da prova, os candidatos estarão obrigados a usar máscaras de proteção da forma correta, tapando o nariz e a boca, sob pena de serem eliminados do exame. Além disso, o álcool em gel estará disponível em todos os locais de aplicação.

Quem for diagnosticado com covid-19, ou apresentar sintomas desta ou de outras doenças infectocontagiosas até a data do exame, não deverá comparecer ao local de prova e sim entrar em contato com o Inep pela Página do Participante, ou pelo telefone 0800-616161, e terá direito a fazer a prova na data de reaplicação do Enem, nos dias 23 e 24 de fevereiro.

Agência Brasil

Cidades com até 20 mil habitantes registram crescimento de 500% no número de mortes por Covid

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30/10/2020 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa

 

Com tempos epidêmicos diferentes, os municípios com até 20 mil habitantes, inicialmente pouco afetados pela Covid-19, tiveram uma explosão de casos no segundo semestre e registraram maior crescimento percentual de mortes no período.

Levantamento realizado pela Folha mostra que enquanto o percentual de óbitos no Brasil cresceu 227% no segundo semestre em relação ao primeiro, nos 3.797 municípios com até 20 mil moradores houve um aumento médio de 503%.

O novo coronavírus já chegou a todos os municípios brasileiros e ultrapassou as 200 mil mortes no país.

Os dados revelam ainda que quanto menor a faixa de população do município, maior foi esse crescimento. Nas cidades com até 5 mil habitantes o aumento foi de 850%, já nas de 5 a 10 mil, 603%, e nas de 10 a 20 mil, 434%.

Apesar desse aumento, ainda há 544 municípios que não registraram nenhuma morte. Todos com até 30 mil habitantes. Já os casos chegaram a todas as partes do Brasil após Cedro do Abaeté, em Minas Gerais, atingir seu primeiro caso em dezembro.

Especialistas associam esse maior crescimento em cidades com menos habitantes no período a dois fatores: interiorização da doença, que havia chegado primeiro aos grandes centros, e falta de estrutura das cidades de pequeno porte para atender pacientes graves.

Tarcísio Marciano da Rocha Filho, professor do Instituto de Física da UnB (Universidade de Brasília), avalia o que maior crescimento em cidades de pequeno porte no segundo semestre tem relação com a interiorização da doença.

A Covid-19 começou nas grandes cidades, por onde o novo coronavírus entrou no país, e avançou para cidades menores no interior.

“Quanto menor o município, maior a tendência de demorar a começar a doença porque tem menos pessoas de fora circulando. Quando começa na cidade, a própria população alimenta esse aumento. A forma como o gestor e a população vai lidar com o vírus vai influenciar no crescimento dos casos e, consequentemente, no número de mortes”, disse.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que é possível identificar uma transição dos casos e mortes de Covid-19 das regiões metropolitanas para as interioranas do Brasil. Na análise da pasta, entre 22 a 28 de março, 87% dos casos novos foram registrados nas capitais e regiões metropolitanas.

A partir dos dias 14 de junho a 2 de janeiro a maioria dos casos novos foram registrados em cidades do interior. Durante este período a porcentagem dos casos em região interiorana variou de 51a 65% a depender da semana epidemiológica.

A pasta acrescentou que em relação aos óbitos novos, houve um comportamento similar, pois 89% das mortes eram registradas em regiões metropolitanas entre 22 a 28 de março. Entre os dias 30 de agosto e 5 de setembro essa tendência se inverteu, quando as regiões interioranas alcançaram 53% dos óbitos novos no país.

“É importante esclarecer que existem variações na porcentagem de casos e óbitos pela Covid-19 ocorridos nas regiões metropolitanas e interioranas que são constantemente observadas e analisadas pelo ministério da Saúde”, disse em nota.

Água Branca, no Piauí, tem 17 mil habitantes e representa uma das cidades com mais mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Segundo dados do Ministério da Saúde, foram 47 óbitos, sendo que 34 ocorreram no segundo semestre.

Amilton Feitosa, secretário municipal de Saúde da cidade, afirma que o município é referência na região para casos de média complexidade e atende a 16 municípios. Entretanto, os casos graves tiveram que ser levados para a capital Teresina, a 92 km de distância.

Por conta do crescimento de casos e mortes, diversas medidas foram tomadas. Entre elas a busca ativa e o programa “Selo Amigo do Idoso”, que consiste em classificar os domicílios nas cores verde, amarelo e vermelho. O vermelho, por exemplo, representava a moradia de idosos com risco grave para a Covid-19.

“As pessoas que iriam às casas com esse adesivo já sabiam que deveriam ter mais cuidados. Conseguimos reduzir bastante o número de óbitos, hoje a gente tem a média de um por mês”, disse.

“Estamos preocupados com a retomada do aumento de casos. Sabemos que podemos carregar o vírus. Se não tivermos cuidado com as pessoas mais frágeis vão aumentar novamente as mortes”, completou.

Fernando Bellissimo Rodrigues, médico infectologista e professor associado da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, acrescenta que outro fator que pode estar contribuindo para esse crescimento no interior é a falta de estrutura da rede de saúde.

Na avaliação do infectologista, muitas cidades do interior não possuem estrutura para atender pacientes com casos graves, necessitando do auxílio de cidades maiores. Entretanto, a demora do diagnóstico e da internação, dependendo da gravidade do caso, pode colocar a vida de uma pessoa em risco.

“Na Covid-19 há um fenômeno de hipóxia silenciosa, quando a oxigenação no sangue está baixa e a pessoa não sente falta de ar, isso faz com que retarde a procura ao médico. Se isso acontece num município pequeno e ela demora a conseguir vaga, pode ser tarde. A distância e a inacessibilidade de algumas cidades é uma barreira de acesso ao tratamento”, disse.

O pedagogo Edilson Pinheiro da Silva, morador de Tapauá, cidade do interior do Amazonas, que possui 17 mil habitantes, perdeu dois tios vítimas da Covid-19, Madalena Apurinã, 82, e Júlio Apurinã, 80.

Edilson conta que o caso mais recente foi o do tio, em dezembro deste ano, que é morador de uma aldeia indígena. Com falta de ar e dificuldade para se alimentar, os parentes atravessaram o rio e gastaram 12 horas para chegar ao hospital mais próximo. Já com o quadro bem avançado, Júlio morreu antes de dar entrada no atendimento.

“Foi uma perda muito grande, não esperava. Nossa cidade está passando por uma calamidade pública. É uma doença que está assustando e matando muito”, disse.

Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, concorda que esse crescimento tem relação com a interiorização e com a falta de estrutura das cidades menores.

Ele acrescenta que o país está na fase de sincronização da doença, quando ela já chegou a todos os municípios e passa a crescer em todas as regiões simultaneamente.

“Quando isso acontece, dependendo da movimentação das pessoas, os casos podem subir muito. Percebemos que com as eleições, final de ano e as férias os casos estão aumentando no interior e na região metropolitana”, disse.

Diego avalia que, no início, os tempos epidêmicos distintos da pandemia trouxeram como efeito indireto a ocupação gradual dos hospitais. Mas, na fase atual, a situação pode se agravar porque o aumento acontece ao mesmo tempo. Isso pode gerar diversos casos sem atendimento, provocando novo colapso do sistema de saúde.

“Na primeira onda tínhamos recurso extra, hospital de campanha, equipe de saúde motivada. Agora, a população não segue recomendação, tem muita gente viajando, e as equipes de saúde estão exaustas. Estamos falando muito sobre a vacina, mas o que temos hoje ainda é o número de casos e mortes aumentando, o ano de 2021 será ainda de enfrentamento à doença”, diz.

O Ministério da Saúde informou, por nota, que a pasta vem fortalecendo a estrutura do SUS com entregas de equipamentos, insumos e recursos para o combate à pandemia. Disse ainda que destinou aos 26 estados e o Distrito Federal R$ 198,1 bilhões, em 2020. Desse total, R$ 133,9 bilhões foram para serviços de rotina do SUS, e os outros R$ 64,2 bilhões para o enfrentamento da Covid-19.

“A pasta vem dando apoio irrestrito aos estados e municípios na aquisição e entrega de ventiladores pulmonares, equipamentos de proteção individual, medicamentos, além da habilitação e prorrogação de leitos de UTI”, disse em nota. ​

Folhapress

Superintendente informa que vazão da Barragem de Sobradinho está dentro da média

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Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizou a primeira videoconferência mensal do ano de 2021. A reunião, que tem o objetivo de discutir as condições hidrológicas da bacia do Rio São Francisco, contou com representantes de órgãos do Governo, de entidades, irrigantes, bem como usuários.

O superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondim, abriu a reunião apresentando dados sobre as chuvas nos últimos anos. Segundo ele, desde 2012 a bacia do São Francisco vem enfrentando, ano após ano, valores de precipitações abaixo das médias históricas, o que tem resultado em uma redução significativa das vazões afluentes nos reservatórios das hidrelétricas ali localizadas.

A primeira apresentação foi realizada pelo técnico do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) que mostrou por meio de gráficos o balanço dos últimos 30 dias. Na região da cabeceira choveu abaixo da média. A previsão média de vazão para os próximos 10 dias deverá aumentar, chegando a 863 m³/s, em Três Marias (MG).

A representante do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luana Gomes, trouxe a avaliação das condições hidrológicas e de armazenamento na bacia do rio São Francisco. Os pontos apresentados foram sobre as usinas hidrelétricas da bacia do rio São Francisco, a operação dos principais reservatórios, previsão das condições hidrológicas e perspectivas para a operação da bacia do rio São Francisco até o final de janeiro de 2021.

Segundo os dados apresentados, o reservatório da UHE Três Marias e da UHE Sobradinho estão, atualmente, com armazenamento verificado abaixo dos 60% de volume útil, posicionando-se na faixa de operação “Em Atenção”. Nessa faixa de operação, há restrições de defluências máximas médias mensais. Em Sobradinho, as defluências médias consideram os usos consuntivos mais evaporação da água no trecho Sobradinho-Xingó, visando o armazenamento de Itaparica em valor maior ou igual a 30%. No horizonte das simulações, além de atender à política da UHE Xingó, considerou-se as defluências médias da UHE Sobradinho de 1.030 m³/s de 01/01/2021 a 01/03/2021.

Para o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Miranda, é importante ressaltar que, do ponto de vista do sistema São Francisco, tudo está transcorrendo como foi planejado e conquistado desde 2013.

“Efetivamente o que nos preocupa agora é a partir de janeiro. Conforme o desempenho nesse período úmido iremos ficar atentos em relação à interação com os outros subsistemas, principalmente do Sul, Sudeste e Centro-Oeste que se encontram em uma situação crítica. Não sei como se comportaram no período úmido, mas para nós passou a ser cada vez mais interessante e necessário não só o olhar dentro da nossa bacia, mas sobretudo a relação. A gente não pode trazer para a bacia do São Francisco os problemas que se desenrolaram durante a crise. Vou aguardar a análise da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico para poder me manifestar”, disse.

A próxima reunião está marcada para o dia 02 de fevereiro às 9h30. Esta videoconferência que avalia as condições hidrológicas da bacia do Velho Chico ocorre na sede da Agência Nacional de Águas, em Brasília (DF) e é transmitida para os estados da bacia. Desta reunião participam o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), usuários, governo, irrigantes, entre outros.

 

Ascom Chesf