Nesta sexta-feira (10), completam-se seis anos do brutal assassinato da menina Beatriz Angélica, morta aos 7 anos de idade durante uma festa de formatura no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Sem respostas, Lucinha Mota e Sandro Romildo, pais da menina, travam um longa luta em busca de Justiça para o caso.
Formado por familiares, amigos e a população, o movimento “Somos Todos Beatriz” não descansou um só dia e numa mobilização jamais vista na região, percorreu todos os caminhos em busca da verdade: Quem matou Beatriz?
Agora, eles estão dando mais um passo nessa caminhada por justiça. Há cinco dias, Lucinha, Sandro, acompanhados por alguns familiares e amigos, saíram de Petrolina e caminham em direção a Recife, onde vão reivindicar ao Governo de Pernambuco que aceite a cooperação do grupo de peritos americanos nas investigações do caso e também a federalização do crime. Ao todo serão 700km, que devem ser percorridos em 23 dias.

Para fortalecer essa luta, um grupo de 16 pessoas, formado por familiares e amigos dos pais de Beatriz, saíram na madrugada de hoje de Petrolina, para encontrar com Lucinha e Sandro.
“Saímos às 04h00 de Petrolina e encontramos com o grupo que está nessa caminhada entre o povoado de Toco Preto e Ponta da ilha. Lá, umas 40 pessoas, em sua maioria mulheres estavam aguardando com um café da manhã reforçado no meio da estrada. Em Cabrobó, muitas pessoas estão na entrada da cidade aguardando, com faixas e bolas brancas. Além disso também fizeram dois outdoors com a imagem de Beatriz e o pedido de justiça”, declarou Michelle Chaves, integrante do grupo “Somos Todos Beatriz”, e madrinha da criança,” ao PNB.

Ela explicou ainda que hoje é um dia muito difícil para os pais de Beatriz e por isso eles precisavam receber esse apoio.
“A filha mais velha deles, Samira, também veio. Assim como tias de Sandro e amigos. Estamos aqui para dá esse apoio a eles, pois sabemos que hoje é dia 10 de dezembro, um dia muito difícil”, acrescentou.
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Ao longo destes 6 anos, os pais da menina apelaram para a então Presidenta Dilma Roussef, quando ela veio a Juazeiro; Eles foram à Brasília e apelaram para o Ministro da Justiça do Governo Temer. Através de carta, chegaram ao Papa Francisco; Ao Recife foram mais algumas vezes para protestar e apelar para as autoridades máximas do estado de Pernambuco; Do alto do portão da Ponte Presidente Dutra, Lucinha Mota gritou por Justiça. Ela já se acorrentou, fez greve de fome e correntes de oração. Junto com os participantes do movimento, ocupou a ponte, as ruas, foi ao plenário dos legislativos municipais das duas cidades, a audiência pública na OAB. Uma rotina exaustiva, desde que o crime bárbaro aconteceu em 10 de dezembro de 2015.
Até agora, nenhuma resposta, nada de concreto. Somente evidências, falácias, retratos falados (sim, já foi mais de um), numa demonstração bizarra de incompetência institucional. Delegados foram trocados, foi feita uma “força-tarefa” fantasma (sim, fantasma, porque até agora nenhuma força mostrou na solução da tarefa de solucionar o caso).
Poderíamos pensar que todas as possibilidades foram esgotadas e que os pais, familiares e o movimento “Somos Todos Beatriz” se cansariam da luta inglória por justiça. Mas não! Este caso não cairá no esquecimento, e Lucinha Mota se reinventa a cada manifestação.
Esta chaga na sociedade do vale do São Francisco está aberta, sangrando, supurando.
“Esta página não será virada, enquanto as autoridades remuneradas para a função de garantir justiça apresentem uma resposta e desvendem este crime misterioso que aconteceu numa instituição da tradicional família pernambucana. Jamais irão me calar. Não pensem, os senhores da lei, que eu não vou aceitar tamanha impunidade. Enquanto vida eu tiver, será para buscar respostas. Quem matou minha filha? A quem interessa este silêncio, esta inoperância da polícia e da justiça de Pernambuco”, questionou, a incansável Lucinha.
Redação PNB