Em quase dois meses, dois prédios históricos do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, sofreram com desabamentos de parte dos seus telhados. Além disso, outras duas importantes edificações histórias apresentam problemas estruturais, e estão sendo vistoriadas pela Defesa Civil.
Sem grandes reformas, os patrimônios históricos de Juazeiro, que pertencem a iniciativa privada, foram sendo completamente abandonados por seus responsáveis.
Clube dos Artífices
Na madrugada do dia 02 de outubro, após alerta de moradores, o muro e o telhado do prédio histórico e quase centenário da Sociedade Beneficente dos Artífices Juazeirenses desabaram. Ninguém ficou ferido e o local foi interditado.
Ao PNB, o coordenador da Defesa Civil de Juazeiro, Ramiro Cordeiro, informou que serão discutidas estratégias que possibilitem a recuperação do prédio.
“Limpamos o local e retiramos as estruturas que estavam danificadas e com risco de cair. A gente vai se reunir para viabilizar meios para poder fazer a reforma e restauração do prédio”, declarou.
Até o momento, não há informações sobre as medidas tomadas contra os responsáveis pelo Clube dos Artífices. De acordo com informações passadas ao Portal Preto no Branco por familiares de um antigo diretor da Sociedade dos Artífices Juazeirenses, o senhor Olmes de Aguiar Silva, conhecido como Bob da Coelba, há pelo menos 11 anos, a ex-vereadora e atualmente assessora especial da Prefeita Suzana Ramos, Flor de Maria Nascimento, está com a documentação e as chaves do prédio. (reveja)
A ex-vereadora e atual assessora da Prefeita Suzana Ramos (PSDB), inclusive chegou a acompanhar as inspeções feitas no prédio pela Defesa Civil, antes do desabamento, após alerta do PNB. Na época, ela informou apenas que as providências estavam sendo tomadas, mas após o desabamento não se manifestou mais.
Circulo Operário
Já nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (1), parte da estrutura do prédio do Círculo Operário, em Juazeiro, também desabou. A Defesa Civil do município e o Corpo de Bombeiros estão no local, que fica na rua Visconde do Rio Branco, centro da cidade, e já isolaram a área.
“A rua ficará interditada até que Secretaria de Serviços Públicos faça a remoção dos entulhos. O órgão já foi acionado. Antes, a Coelba deve vir desligar a rede, pois caiu o equipamento de alimentação de energia do prédio, que continua ativo, e somente a Coelba pode fazer este serviço. Já acionamos a companhia”. disse ao PNB o coordenador da Defesa Civil, Ramiro Cordeiro.
Ele destacou ainda a ausência de manutenção dos patrimônios históricos de Juazeiro. “Infelizmente este é o retrato dos nossos prédios históricos. A situação é de total abandono”, acrescentou.
Santa Casa de Misericórdia
Desde o início do mês de novembro, moradores da cidade também chamam atenção para o risco das telhas do prédio da antiga Santa Casa de Misericórdia se desprenderem, com o vento, e causarem acidentes.
“Venho por intermédio deste meio de comunicação informar que, no telhado do antigo Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Juazeiro BA, localizado na Avenida Lauro de Freitas, há um sério risco das telhas de Eternit, provavelmente soltas, voarem devido ao vento e caírem na rua”, declarou um morador.
Ele pediu ainda providências ao poder público e relatou que “isso já ocorreu e por muita sorte ninguém foi atingido. Ficou apenas no susto. As autoridades municipais devem tomar providências sobre isso”.
De acordo com Ramiro Cordeiro, uma vistoria foi realizada no prédio há quinze dias.
“O prédio da Santa Casa de Misericórdia passa pelo mesmo problema do Clube do Artífices e do Círculo Operário, que é o abandono. São prédios que não são públicos, fazem parte de associações e a maioria dos sócios já faleceram. Então, como não são públicos, as pessoas que cuidam não estão fazendo manutenção, até porque é caro. Segundo um engenheiro que participou da vistoria da Santa Casa, será nescessário um investimento de aproximadamente 2 milhões para fazer a restauração do prédio. A Prefeitura não pode intervir. O que pode ser feito é reunir a gestão e o conselho de Cultura e tentar buscar recursos com o Governo Estadual e Federal, porque existem recursos para esse tipo de edificação histórica”, destacou Ramiro.
Clube social 28 de Setembro
O coordenador da Defesa Civil também alertou sobre o abandono do prédio do centenário Clube social 28 de Setembro. Segundo Ramiro, as paredes do prédio está com grandes rachaduras e uma vistoria no local deve ser realizada ainda hoje.
Em agosto deste ano, o artista plástico Luiz Henrique, conhecido como “Lulinha, responsável pelo espaço há cinco anos, informou ao PNB que dois homens, que se identificaram como proprietários do imóvel, foram até o clube pedindo as chaves e informando que o prédio seria demolido.
Após a reportagem do PNB, o Conselho Municipal de Cultura de Juazeiro (CMC), por intermédio da sua Comissão Permanente de Patrimônio e Memória, enviou ofício ao Promotor de Justiça, Yuri Lopes de Mello, Coordenador do NUDEPHAC, em Salvador (BA), denunciando o “perigo eminente ao prédio histórico da antiga Sociedade 28 de Setembro”.
No documento, o CMC, informa o leilão do bem, realizado pela Justiça do Trabalho, e solicita uma intervenção do o NUDEPHAC, órgão interno do Ministério Público do Estado da Bahia que busca a salvaguarda do patrimônio cultural.
“Solicitamos a intervenção junto a quem de direito para que, antecipadamente, sejam tomadas medidas administrativas de proteção, evitando-se possíveis danos e até mesmo a demolição deste prédio de grande valor histórico e cultural para o nosso município”.
Os conselheiros acrescentam que ” o referido edifício foi declarado de utilidade pública por decreto municipal (Decreto N.º 386, de 6 de maio de 2011), pouco antes da realização do referido leilão (que teria acontecido em 15 de junho do mesmo ano), e desde a notícia de sua possível demolição, tem gerado grande mobilização social, notadamente da classe artística juazeirense, que há muito já se ressentia de seu fechamento”.
Confira documento:
Oficio_003_2021_CPPM-CMC_NUDEPHAC-sem assinaturas
Apesar do decreto que tornou o prédio em utilidade pública, nenhuma intervenção de recuperação do prédio foi realizada até hoje.
Da Redação PNB