Caso Deliane: gestão afasta profissional da Maternidade Municipal de Juazeiro, após acusação de suposto erro médico

Caso Deliane: gestão afasta profissional da Maternidade Municipal de Juazeiro, após acusação de suposto erro médico

Após denúncia da família de Deliane Feitosa da Silva, de 31 anos, que depois de passar por uma curetagem realizada no Hospital Materno Infantil de Juazeiro, no dia 11 de junho,  teve o útero e o intestino grosso perfurados, a Prefeitura de Juazeiro decidiu afastar a profissional acusada do suposto erro médico.

Deliane continua internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia, em estado grave.

Confira nota da Prefeitura de Juazeiro 

A Prefeitura de Juazeiro vem a público, mais uma vez, para reforçar que mantém total transparência em suas ações e comunica o afastamento da profissional que realizou o atendimento da paciente Deliane Feitosa, de 31 anos, gestante que teve complicações de saúde após realizar um procedimento na Maternidade Municipal. Ela segue internada em um hospital da cidade e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) acompanha tudo de perto.

A gestão municipal, sensível com a causa, esclarece que continua dando total assistência para a paciente e sua família, ao mesmo tempo lamenta o ocorrido. Foi aberta uma sindicância para apurar os fatos que envolvem o atendimento da gestante.

A atual gestão tem reforçado a atenção e investindo em melhorias dos profissionais da área de saúde, seja através de capacitações, treinamentos e qualificações, etc. O objetivo é melhorar os níveis de satisfação, garantindo atendimento de qualidade em todos os segmentos e reforçar o compromisso com a saúde das pessoas, prestando um atendimento diferenciado e humanizado, como deve ser (Ascom PMJ)

Entenda o caso

O PNB vem acompanhando desde a semana passada o drama vivido por Deliane Feitosa da Silva, de 31 anos, que continua internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia, em estado grave. Ela teve o útero e o intestino grosso perfurados durante um procedimento de curetagem realizado no dia 11 de junho, no Hospital Materno Infantil do município.

Nesta sexta-feira (29), nós tivemos acesso, com exclusividade, aos áudios enviados por Deliane aos familiares após o erro que teria sido cometido pela médica obstetra Jamilla Menezes.

Nas gravações, a paciente diz que a profissional informou que havia feito “um pequeno furo” no útero dela. Deliane disse ainda que chegou a questionar a médica se iria morrer.

“Na sexta-feira eu fiz o ultrassom e estava com 13 semanas e um dia, mas só tinha o saco gestacional, sem embrião nenhum. Só tinha o líquido amniótico. A médica que fez a minha curetagem me ‘futucou’, e eu fiquei sentindo dor enquanto ela fazia as ‘coisas’, mesmo com anestesia. Ela disse que perfurou meu útero e falou: ‘Ah, eu não tenho mais nem coragem de fazer curetagem em você’, e eu disse: ‘não mulher, não vai mais fazer curetagem em mim não. Pelo amor de Deus. Esse buraco que você fez, eu vou morrer?’, e ela disse: ‘não, você só vai sentir dor. Não vai morrer não. Você vai continuar menstruando e eu vou ficar só observando para vê”. Eu vou perguntar o nome dela. Ela veio para fazer a ultrassom e foi ela que fez todo o procedimento. Ela disse que não foi um furo, foi um pequeno furo no útero que ela fez no momento do procedimento. Ela disse que meu útero é muito ruim de fazer a curetagem, que é torto e deu muito trabalho para limpar”, contou Deliane.

Nos áudios, a paciente reclama ainda de falta de assistência médica no HMI de Juazeiro.

“Se ela não me liberar, eu não vou ficar aqui não. Eu não aguento ficar aqui não. Eu estou no sofrimento neste lugar aqui. Eu já fiz hoje a ultrassom. Ela me levou para fazer ultrassom e disse que meu útero é virado, é torto, virado para trás. Um negócio esquisito. Ela disse que não sabe como eu pari 5 filhos com um útero desse jeito,virado. Aí ela disse que vai só me observar hoje, para dar 24 horas que ela fez o procedimento, para amanhã me liberar. Mas se ela não me liberar, eu vou me liberar. Eu não aguento mais ficar aqui. Eu ‘tô’ sentindo umas cólicas fortes e ninguém me dá remédio. Eu ‘tô’ só vomitando e ninguém quer me dá remédio, só se o médico passar. Sai, fora. Aqui é hospital de cachorro”.

Redação PNB

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