O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou uma série de mentiras durante sua participação no Flow Podcast, um dos mais influentes do Brasil. Bolsonaro conversou por mais de 5 horas com a bancada do podcast durante a última segunda-feira (8).
Agência de checagem do portal Uol, o Uol Checagem elencou uma série mentiras ditas pelo presidente durante a entrevista.
Entre as mentiras, estão vacinas contra covid-19, colapso hospitalar de Manaus, processo eleitoral, segurança pública e o uso da cloroquina. Bolsonaro segue defendendo o uso do medicamento para tratamento precoce contra o coronavírus, mesmo com ineficácia apontada por estudos científicos pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
1. Compra de Vacinas
“Me acusam de não ter comprado vacina. Em 2020, a primeira vacina começou em dezembro, no Reino Unido”, disse Bolsonaro.
Segundo o relatório final da CPI da Covid, dezembro “seria o mês que o Brasil deveria ter iniciado a vacinação, caso houvesse fechado os contratos da Pfizer e CoronaVac”. O governo recebeu ofertas para compra dos dois imunizantes em maio de 2020.
2. Efeitos da vacina
“Acredito que 90% do pessoal aqui não lê a bula de remédio. Eu li a bula que era o contrato da Pfizer, em 2020. Estava escrito em um dos itens: não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral”.
A isenção de responsabilidade, no entanto, é um mecanismo comum para que as empresas não sejam processadas por eventuais reações adversas, segundo especialistas. De acordo com a BBC Brasil, Pfizer e Moderna fecharam contrato com isenção de responsabilidade com o governo norte-americano, por exemplo.
3. Imunização
“Quem se contaminou está melhor imunizado do que quem tomou a vacina”.
Um vídeo em que um senador norte-americano distorcia dados do estudo viralizou no ano passado –antes que a pesquisa passasse pela revisão pelos pares. O parlamentar é o republicano Rand Paul, que divulgou informações falsas sobre vacinação desmentidas por veículos como CNN e Politifact.Não há respaldo científico para que alguém deixe de se vacinar porque contraiu covid-19.
4. Cloroquina
“Na região amazônica, qual o percentual de mortos entre civis e militares? Muito maior entre os civis proporcionalmente, os militares estavam usando [cloroquina]. Eu tomei quando passei mal, no dia seguinte estava bom”.
A cloroquina não tem eficácia comprovada no tratamento de Covid-19 e a OMS não aconselha o uso da medicação como medida de tratamento precoce.
5. Crise em Manaus
“Pediram [oxigênio] de forma atrasada. Em 24 h começaram a chegar os aviões com cilindro de oxigênio lá. Agora a procura foi enorme. Não vou culpar o governo do estado porque foi algo que explodiu.”
Segundo documento enviado ao Senado para a CPI da Covid, o Ministério da Saúde soube do aumento da demanda por respiradores cerca de um mês antes da crise.
BNews