“Queremos olhar nos olhos dela”: na porta da casa da prefeita de Juazeiro, Suzana Ramos, permissionárias do Mercado Joca de Souza protestam contra critérios de distribuição dos boxes

"Queremos olhar nos olhos dela": na porta da casa da prefeita de Juazeiro, Suzana Ramos, permissionárias do Mercado Joca de Souza protestam contra critérios de distribuição dos boxes

Um grupo de permissionários do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, realizaram na manhã desta quarta-feira (21), uma manifestação em frente ao condomínio onde a Prefeita Suzana Ramos (PSDB) reside, em protesto aos critérios de distribuição dos espaços do Mercado Joca de Souza, inaugurado no último dia 9, após ser totalmente reformado pelo Governo do Estado da Bahia.

Na porta da casa da gestora, no bairro Country Clube, os manifestantes, exibindo cartazes com frases de protesto, exigiram uma reunião com a gestora.

“Só iremos sair daqui quando a prefeita nos receber. Queremos olhar nos olhos dela e questionar se ela acha justo ceder um box para um empresário que tem um palácio no mesmo condomínio que ela, ao invés de dar para uma comerciante, que reside no residencial do Minha Casa Minha Vida, e que tira do mercado o seu sustento”, declarou a permissionária Herlânia Fonseca.

O grupo conseguiu ser recebido pela prefeita, e segundo relatos ao PNB, a gestora ouviu as reclamações e alegou que não tinha conhecimento do problema.

“Eu disse a prefeita que o vizinho dela está com 5 espaços no mercado e simplesmente ela disse que não estava sabendo de nada, e que iria tomar as providências. Ela pediu para a gente ter paciência, que ela é justa. Ela também garantiu que vai marcar uma reunião em um lugar grande, juntamente com Carlos Neiva e a promotoria. Só que a gente não pode esperar mais, pois sabemos que depois que as campanhas políticas passarem, ninguém vai nos receber mais”, acrescentou Herlânia.

A permissionária Cleide Pancada, que atua há 32 anos no mercado, disse que seu cadastro não foi validado pela comissão formada na gestão de Zé Carlos Medeiros.

“Mesmo tendo um histórico familiar lá dentro do mercado, estou sendo injustiçada demais. Eu não sei nem se meu nome está no cadastro, pois a comissão disse que eu não estava na ativa, o que não é verdade. Sabemos de pessoas que sequer pisaram os pés no mercado e foram contempladas. Todo mundo me conhece. Meus pais têm uma história de mais de 50 anos no mercado. Meu pai foi um dos fundadores. Eu não vou admitir que tirem o meu ganha pão. Eu vivo disso”, declarou emocionada a mulher.

As permissionárias também não ficaram satisfeitas com a sessão especial realizada após a reunião ordinária na Câmara Municipal de Juazeiro nessa terça-feira (20), onde o diretor presidente da Autarquia Municipal de Abastecimento (AMA), Carlos Neiva, apresentou os critérios usados para a distribuição dos espaços do Joca de Souza, após uma convocação da Casa Legislativa.

“Estou muito revoltada, querendo uma posição porque a reunião de ontem não valeu de nada, pois estou como mentirosa. Eu tenho que enfrentar a minha tia, que me cedeu um box há mais de 20 anos, onde eu investi e trabalhei, e após a reforma fez o cadastro e ganhou 4 espaços para toda a família dela formada por empresários. Ela nem foi a sessão, quem estava era o marido dela. Carlos Neiva disse que o meu documento não está com ele. Mas não está porquê sumiu. Eu fui diretamente na mesa de Britoaldo, ex-diretor da AMA, e ele disse que meu nome já estava no cadastro. E por que agora Carlos Neiva diz que não estou no cadastro mais? Estou indignada. Fui humilhada pela comissão de permissionários que fez a validação dos cadastros. Para Carlos Neiva só existe a opinião dessa comissão, e nós já pedimos a criação de outra. Eu exijo o meu cadastro”, protestou Herlância.

A permissionária Luciana, que também atuou no mercado há quase 20 anos, avaliou a audiência como negativa.

“Eu não saí satisfeita, pois não foi definido totalmente como será feita a escolha dos permissionários que irão receber as chaves dos espaços. Além disso, apesar de alguns vereadores terem demonstrado que estão ao nosso favor, outros fizeram questão apenas de defender a gestão municipal. Somos mais de 40 famílias prejudicadas. Uma comissão de vereadores foi formada, para ter uma reunião com a gestão da AMA, mas também não falaram quando vai acontecer. Queremos uma resposta urgente! Não pode continuar da forma que está, empurrando com a barriga, pois nós precisamos trabalhar”, declarou.

De acordo com Neiva, o principal problema é que a quantidade dos permissionários cadastrados é maior que a quantidade de espaços disponíveis no mercado. Ao final da audiência, foi criada uma comissão de vereadores, incluindo os parlamentares de oposição, que vão acompanhar o processo de distribuição dos espaços do Joca de Souza.

Redação PNB

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