Último sábado de um ano desafiador que parece ter durado uma década. Fácil não foi. Corremos perigo, pagamos caro, perdemos a esperança e muitas pessoas queridas pra covid, pra violência, pra fome e outras mazelas, e assim nos apequenamos.
Gal foi embora, Erasmo se foi, Jô partiu, a nossa dignidade, as vezes também. Foram muitos socos no estômago, tapas na cara, declarações toscas, muitas moscas, e ratos saindo do esgoto. Nos desgastamos, digladiamos, nos agredimos e nos apartamos. Foram tantos os julgamentos, mil contendas e condenações. Tudo desgovernado. Desgovernado Brasil, desgovernados nós, nas nossas emoções e atitudes.
Como pode um ser só causar tanto estrago e contaminar uma legião de gentes, até boas, mas bobas e vis. O maestro do mal, com sua batuta brocha, orquestrou 4 anos de horror no meu país. Foi um pesadelo! Eu vivia aos sobressaltos e muita gente minha também, que eu sei.
Putzz, como fomos fortes, viu? Confesso agora que cheguei a pensar em desistir desta minha luta pela igualdade social, liberdade e pela dignidade humana.
Mas … ufa! Sobrevivemos! Resistimos! Vencemos! O bem sempre vence!
Primeiro domingo do ano. De um novo ano. Foi só a folhinha que virou? Não, não! Essa virada tem sabor de alívio, de respiro, de livramento da ignorância e da estupidez. Cheira paz, exala justiça, fraternidade e respeito. Estou prenhe de esperança, e você? Preciso acreditar que a tempestade será recompensada com a bonança.
Mas, meus olhos, de prontidão, não se cansarão de reparar. Quem é da luta sabe que não podemos, jamais, descansar, nem baixar a guarda.
“É um olho no padre, outro na missa”. Moral da história: devemos estar atentos a qualquer tentativa de invasão dos inimigos e dos travestidos de amigos. Isso vale pra tudo.
Assim como na vida, a democracia, nos exige atenção, determinação, discernimento, persistência e coragem. Bondade, antes de tudo! Esperança, pra recomeçar!
Feliz ano, brasileiras e brasileiros!
Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.




Que texto maravilhoso. Parabéns!
Parabéns Sibele por sua sabedoria em colocar tudo isso. Sim a esperança está de volta