“Um caos! Hospital superlotado, crianças sofrendo e esperando horas por um atendimento, pais e mães revoltados”. Esta foi a definição de uma mãe sobre a situação da Unidade Pediátrica de Juazeiro, no Norte da Bahia, nesta quarta-feira (17).
Além dela, vários outros pais e responsáveis por crianças também entraram em contato com o Portal Preto no Branco na noite de ontem para reclamar da demora e falta de humanização nos atendimentos.

“Tem gente aqui que chegou de manhã e agora a noite não conseguiu atendimento. Só fazem triagem e mandam aguardar. Só isso”, relatou um pai de um bebê.
“Descaso da parte do hospital, pois tem mães que estão esperando por um exame de sangue desde as 8:00 da manhã. Aqui tem um bebê com a cabeça furada desde às três da tarde e agora, já perto de sete da noite, ainda não passou pelo médico”, denunciou uma usuária que protestou contra a superlotação da unidade.

Outra mãe ressaltou que o caos instalado na UPED de Juazeiro só será resolvido após a Secretaria de Saúde de Juazeiro aumentar a equipe da unidade.
“A coisa está feia! Tem gente fora e dentro da unidade esperando, com suas crianças doentes, por um atendimento. A Secretaria de Saúde parece que está alheia a esta situação que se repete todos os dias e fica só dando justificativas, mas não resolve o problema. Se tem muita criança, tem que aumentar o número de profissionais. Isso é óbvio, não?”, questionou a usuária.
Encaminhamos as reclamações para a Sesau. Em resposta, o órgão informou que, “infelizmente, a Unidade de Urgência Pediátrica (UPED) vem sendo impactada pelo aumento da demanda por atendimentos de doenças respiratórias sazonais, cenário que se repete por todo o país A Sesau vem tomando medidas para amenizar o problema como a implantação de mais uma sala Vermelha para dar assistência aos casos emergenciais”.
Reclamações recorrentes
No mês passado, a mãe de uma menina que precisou de atendimento na UPED, em contato com o PNB, declarou que a situação está sendo provocada devido a falta de profissionais suficientes na unidade.
“É um absurdo o que está acontecendo com a saúde de Juazeiro, que a cada dia está pior. Ontem (26), estive no Hospital da Criança com a minha filha, que estava com crises de vômito. Ela passou pela triagem, e depois disso esperamos na recepção por mais de 1h30. Devido a demora, decidi não esperar mais, e fomos embora sem o atendimento. O Hospital está lotando, em sua maioria são crianças com síndromes respiratórias. A equipe não está dando conta de atender todo mundo. A Secretaria de Saúde disse que iria ampliar a equipe, mas ontem só tinha um médico para atende todo mundo. É inadmissível um hospital com apenas um médico para atender. É uma vergonha para uma cidade do porte de Juazeiro. Além disso, já era para o município ter um hospital da criança amplo, e não apenas uma unidade que funciona no corredor alugado de um hospital privado. Cadê o dinheiro da saúde? Entra Tando dinheiro em Juazeiro, mas não é investido onde realmente precisa e quem paga o preço é a população”, criticou a mulher, que preferiu não ser identificada.
No início deste mês, o PNB recebeu um vídeo que evidência o caos instalado na UPED. As imagens mostram a recepção da unidade lotada, e uma profissional falando com os usuários, aparentemente, de forma exaltada.
“Tem mãe que deixa a febre do filho aumentar e vem procurar a unidade. E não é assim. Seu filho teve febre, vai para o posto de saúde”, diz a Assistente Social.
No mesmo vídeo, o pai de uma criança que aguarda atendimento rebate e diz que algumas UBS não tem médico. Já uma mãe, afirma que na UPED, apenas um médico está atendendo os casos de emergência.
“Para atender a comunidade só tem um médico, porque o outro médico está atendendo as crianças que estão na ala vermelha, e não pode vir atender os pacientes que estão na espera”, informou.
Uma mãe que estava na unidade na ocasião da repreensão da profissional disse ao PNB que se sentiu “humilhada” e questionou a promessa de humanização da saúde feita pela Prefeita Suzana Ramos.
“Isso é humanização? A gente ser tratado com gritos, como se fossemos moleques? Ninguém procura hospital por vontade. É necessidade. Cadê o acolhimento humano de Suzana tão falado na campanha eleitoral ? Me senti humilhada, assim como as outras pessoas que estavam lá. Nos respeitem que vocês são servidores públicos. Não estão dando conta do caos que peçam pra sair. Estão estressados? Busquem ajuda, mas não descontem o estresse em quem precisa do serviço público”, desabafou a mãe.
No último dia 12, um profissional de saúde do município de Juazeiro, em contato com nossa redação nesta sexta-feira (12), fez um desabafo preocupante sobre as condições de trabalho a que são submetidos os servidores que atuam nas unidades de saúde.
O desabafo do profissional também faz um alerta. Segundo ele, a insuficiência de servidores, sejam médicos ou profissionais da enfermagem, provoca a superlotação nas unidades de saúde e as equipes acabam sendo vítimas de agressões por parte de usuários revoltados com a precariedade do atendimento.
“A unidade pediátrica de Juazeiro encontra-se em situação igual ou pior que a UPA. Infelizmente, os conselhos de medicina e enfermagem fazem vista grossa para as condições insalubres de trabalho dos profissionais”, declarou o profissional na ocasião.
Redação PNB



