O paulistano Yago Godoy está entre os turistas que investiram para conhecer o São João do Vale. Animado para curtir os festejos juninos no Nordeste, ele escolheu Petrolina, no Sertão Pernambucano. Mas, a experiência vivida por Yago durante a festa foi frustrante. Indignado, ele contou ao PNB os maus bocados que passou no evento.
“Na madrugada de 20 pra 21 , ou seja já dia 21, por volta de 2:30h estava eu e um amigo curtindo o show quando uma moça passou mal e desmaiou. Visto que estava sozinha, não pensamos duas vezes em socorrê-la, quando abrimos espaço em meio ao público e comecei a acenar para a polícia quando fingiram não ver. Fui em direção aos mesmo e pedi o socorro, o mesmo informou que não poderia sair do seu posto que eu deveria chamar o bombeiro. Procurei o bombeiro e o mesmo falou que não poderia auxiliar e que eu deveria levar a moça ao ponto de atendimento. Retornei ao local onde a moça permanecia desmaiada e com meu amigo com ela pra não deixá-la sozinha, o mesmo também inconformado, procurou ajuda e também teve a negativa. Foi quando ele retornou e resolvemos tirá-la pelos braços e pernas do meio da ‘muvuca’ e levá-la em direção ao atendimento e saída de emergência ao lado esquerdo do palco. Adentrei direto onde vi a ambulância estacionada e logo fui abordado pelo policial informando que eu não poderia entrar naquela área reservada. Indignado, eu vi que a mesma não estava em sã consciência e eu não poderia abandoná-la. Logo apareceram os bombeiros e a moça foi acordando e então entenderam que eu não estava com aquela moça e que apenas a ajudei para que a mesma não ficasse sozinha ou pisoteada em meio ao povo. Me informaram que eu deveria levá-la para o posto de atendimento médico que era na entrada do evento e informei que apenas a socorremos e não poderia assumir tal responsabilidade, sendo que naquela momento era deles. Por fim, deixei a moça com o corpo de bombeiros e a mesma já estava acordada. Os mesmos estavam conversando com ela, a partir daí não sei qual procedimento adotado pela polícia e pelos bombeiros civis, visto que, até então,os mesmos que estavam ali pra segurança pública estavam pouco se importando com isso. Fiquei extremamente revoltado com a situação, com a negativa do atendimento, o despreparo de todos e por pouco se importarem com a vida de qualquer um que precisasse de atendimento ali dentro do evento, com o tamanho que tem esse pátio.
Acabou minha noite de show”, relatou o turista.
A decepção de Yago com a organização e segurança da festa, porém, foi confirmada no dia seguinte, quando o turista precisou de atendimento médico.
” Dia seguinte, madrugada de 21 para dia 22 (quarta para quinta feira), ou seja já no dia 22 por volta de 3:00, após show de Natan e antes do show de Mari Fernandes, eu tropecei em um balde e cai em cima do meu braço esquerdo e machuquei. Até então com corpo quente eu sentia a dor, mas não tanto. A moça de uma barraca me orientou que eu procurasse o posto de saúde dentro do evento, ou que eu fosse ao hospital de traumas, procurei o atendimento dentro do evento, a Samu e a enfermeira me disse que só poderia me dar medicamento. E que eu deveria seguir para o trauma. Existiam duas ambulâncias disponíveis no local e pedi pra que alguém pudesse me levar pra esse hospital, visto que não sou daqui e não conheço nada, e que estava doendo muito o meu braço a ponto de eu não conseguir movê-lo. A mulher informou que não poderia, pois as ambulâncias eram só pra urgências. Daí então o show estava perto de finalizar e começaram a chegar ocorrências e fui ficando por ali esperando o meu atendimento. Me pediram pra eu aguardar do lado de fora, aguardei. Logo depois retiraram o banco do lado de fora e eu fiquei sem o atendimento básico, já inconformado com o atendimento a uma pessoa no dia anterior. Infelizmente eu tive que passar pela situação, onde eu me recusei a sair sem o atendimento, e era perceptível que todos queriam ir embora e fechar o local de atendimento do Samu de dentro do evento”, contou Yago.
A cobrança do cidadão pelo direito a ser atendido pela equipe médica de plantão, acabou em violência. Yago Godoy denunciou que foi agredido por um cabo da Polícia Militar no momento que pedia por um socorro.
“Um cabo da Polícia Militar me abordou já com a arrogância pedindo pra que eu me retirasse do local, onde estávamos numa conversa (da minha parte) falando sobre o atendimento e acolhimento, quando o mesmo me pegou e literalmente me jogou pra fora , eu caí na grade, quebrou meu celular e ainda machuquei minha outra perna (até então era o braço esquerdo ) e mesmo com o braço machucado ele fez isso. Eu estava sozinho, não sabendo como reagir a essa situação (está tudo gravado, com nome dos envolvidos). Eles fecharam o posto de atendimento, todo mundo foi embora, as duas ambulâncias foram embora vazias e fiquei sem o atendimento, mais machucado, e não sabia como reagir”, disse.
Yago conta que, após a agressão sofrida, procurou a delegacia de polícia para registrar o fato e, mais uma vez, não conseguiu ser ouvido e nem atendido.
“Procurei a delegacia de Ouro Preto, porque precisava registrar a agressão da polícia e ao chegar ao local, vazio, haviam dois policiais. Me orientei e informei que precisaria fazer o boletim e fui informado que estava sem sistema e pediu pra que eu aguardasse. Começaram a fazer muitas perguntas e questionei se fariam meu boletim assim eu responderia tudo. O outro policial me orientou a ir pra casa e deixar pra registrar a queixa depois, dizendo que eu “esfriasse a cabeça”. Aguardei por alguns minutos o sistema voltar e foi quando no local começaram a chegar ocorrências. Eu estava sozinho e me sentindo muito vulnerável, visto que eu precisava registrar um boletim contra a PM na própria delegacia onde começaram a chegar os mesmos. Procurei no Google outros locais onde eu pudesse me sentir mais seguro, porém não havia delegacia aberta na cidade e essa era a única”, relatou.
Machucado, o turista procurou o Hospital de Traumas, onde teve o braço engessado. Ele também critica o atendimento da instituição hospitalar.
“Precisava muito ir pra um hospital ver o meu braço. Então, sai da delegacia e fui ao Hospital de Traumas. Fui atendido e engessei o braço esquerdo. No local, havia um espaço reservado para registros de queixas, mas que não havia quem fizesse. Recebi o atendimento bem precário e demorado, e o que me deixa inconformado com toda a situação é saber que o prefeito em todos os dias de evento se promove, mas não há um olhar especial pra saúde e segurança pública do município. Por fim, fiquei quinta e sexta feira de cama com muitas dores, braço imobilizado, não se senti seguro e confortável em retornar a delegacia pra registrar o BO. Procurei na internet e, pra minha surpresa, não havia outro local e a corregedoria da cidade de Petrolina está em recesso. Ou seja , toda essa situação, nada resolvido, onde creio que não sou o único que passou por esse tipo de situação, mas não serei eu que deixarei de lado, pois quero meu direito de cidadão exercido, e não creio que meu direito em SP seja um e em PE seja outro. Esse tipo de atendimento não pode acontecer em nenhum lugar. Negar atendimento é CRIME, segurança pública de qualidade é primordial, básico e necessário”, protestou Yago.
A avaliação do turista sobre o São João de Petrolina é pra lá de negativa e ele afirma: “O São João de Petrolina não é o melhor do Brasil”.
” Um evento desse tamanho, sem estrutura nenhuma de atendimento, sem qualificação e orientação nenhuma, sem o preparo de segurança e saúde pra população tanto de dentro da cidade e região, quanto pra quem vem de outras cidades e estados tem que ser de qualidade. Sim, não podemos aceitar que situações assim passem impunes, sejam deixadas de lado. Até então, nada resolvido, sem nenhum local onde eu pudesse ter esse apoio e segurança. Também não é possível fazer o boletim de ocorrência online. Então, eu não posso fazer um boletim de ocorrência contra o cabo, Polícia Militar, Bombeiro e Samu, numa delegacia, porque talvez tentariam passar pano pra esse tipo de situação. Também não consigo fazer o boletim on-line pq não há essa categoria, e também não consigo acesso a corregedoria porque estão de recesso. O São João de Petrolina não é o melhor do Brasil. Péssima estrutura, péssimo preparo da segurança pública, péssima gestão, péssima limpeza e organização, e ainda os bombeiros dizem, durante a live no YouTube na transmissão dos shows, que há extintores de incêndio espalhados por todos os cantos e não há! Não se vê um acessível. Somente os shows e os artistas são ótimos”, avaliou o turista paulistano.
Yago Godoy procurou o Coletivo Cores para expor a situação e a entidade informou ao PNB que irá formalizar a denúncia para que sejam adotadas as medidas cabíveis.
Estamos enviando a denúncia para a Prefeitura de Petrolina e Polícia Militar.
Redação PNB



