Nesta quarta-feira (16), funcionários do Hospital Promatre, em Juazeiro, voltaram a entrar em contato com nossa redação para reclamar de atraso no pagamento dos salários.
Segundo eles, já são 3 meses de atraso, sendo que alguns médicos da unidade estão há 5 meses sem os salários.
“Ajude nós, funcionários do hospital Promatre, já estamos há 3 meses sem receber. Têm funcionários recebendo doações para não passar fome. Tem médico sem receber há 5 meses. Essa semana um funcionário foi perguntar quando ia receber e foi demitido. Vivemos oprimidos, não podemos perguntar quando vamos receber que os coordenadores passam a informação para o coordenador do RH e logo eles demitem. Só têm cobranças e proibições das coordenações gerais e nada de pagamento. A conversa é que paga hoje, paga amanhã, mas dinheiro que é bom nada. Sem salários e com muita humilhação”, desabafou um funcionário que pediu para não ser identificado.
Eles também se queixam de hostilização no ambiente de trabalho e nos enviaram cópias de comunicados da empresa aos funcionários com proibições e normas que, segundo os denunciantes, demonstram o tratamento hostil.
” O setor de nutrição, através de normais internas vem comunicar que, a partir do dia **13/07** os setores: (emergência, UCO, CME e Centro cirúrgico) terão que trazer seus talheres de uso pessoal”.
“Mais uma vez venho pedir para vocês falarem com os seus subordinados que o uso do elevador é proibido para funcionários, Observo que tem um comunicado na porta do elevador, vamos está observando e tomando providências legais!”
Nós enviamos as reclamações para a Gerência do Trabalho e Emprego em Juazeiro. Em resposta ao Portal Preto No Branco, o órgão informou que “a demanda já se encontra em fase de programação para fiscalização, recebendo, a seu tempo, a devida prioridade, ponderando a gravidade da situação denunciada”.
Confira nota na íntegra:
Com relação às denúncias apresentadas por trabalhadores do Hospital Pro Matre de Juazeiro referentes a atrasos de salários e outras questões de natureza trabalhista, informamos que a demanda já se encontra em fase de programação para fiscalização, recebendo, a seu tempo, a devida prioridade, ponderando a gravidade da situação denunciada.
Reforçamos que, nos últimos cinco anos, o Hospital Pro Matre de Juazeiro tem passado por reiterados procedimentos de ação fiscal que resultaram na lavratura de vinte e sete autos de infração relativos a atrasos de salários, pagamento de férias, décimo terceiro salário, verbas rescisórias, saúde e segurança no trabalho entre outros; além da lavratura de documentos fiscais referentes a não recolhimentos ao FGTS que totalizaram quase quatro milhões de reais em débito notificado.
Destacamos ainda que a competência da Auditoria-Fiscal do Ministério do Trabalho exaure-se na aplicação das sanções administrativas quando o empregador não providencia as devidas regularizações, não dispondo de qualquer meio para ingressar na esfera patrimonial do fiscalizado e compelir o cumprimento das obrigações; situação em que devem ser acionados outros órgãos que integram o sistema de proteção ao trabalhador, como Sindicatos e Ministério Público do Trabalho, competentes para representação judicial.
Permanecemos à disposição para qualquer esclarecimento.
Edésia Barros/ Gerente Regional do Trabalho em Juazeiro/BA
Cynthia Carvalho/ Chefe do Setor de Fiscalização do Trabalho em Juazeiro/BA
Reclamações anteriores
No último dia 17 de julho, funcionários do Hospital Promatre, em Juazeiro, procuraram o PNB para denunciar o atraso no pagamento do salário do mês de junho. Eles cobraram da direção da instituição hospitalar que regularizasse a situação e relataram que “Pagaram a uns e deixaram outros ficaram sem receber”.
Nós entramos em contato com a direção, mas não obtivemos resposta.
Nesta quinta-feira (10), os trabalhadores voltaram a fazer contato com nossa redação para informar que a situação piorou. Agora já são 2 meses em atraso. Os funcionários estão sem receber pelos meses trabalhados de junho e julho.
“É muita falta de respeito com os profissionais. Não dão nenhuma previsão de pagar e fica por isso mesmo. A gente trabalha porque precisa, temos contas a pagar. É revoltante! Este hospital faz o que quer com os profissionais”, protestou um trabalhador.
Ele questionou o órgão de fiscalização: “Cadê o Ministério do Trabalho para agir por nós trabalhadores?”
Nós entramos em contato com a Gerência do Trabalho e Emprego, em Juazeiro, e o órgão informou que vai averiguar a situação e adotar providências.
No dia 19 de julho, eles relataram ainda que sofrem perseguição, humilhações e criticaram a gestão do hospital.
“É um absurdo o que vem acontecendo com os trabalhadores da Promatre. Além de atrasos no salário, sofremos com as represálias causadas pela nova gestão do hospital, com a coordenação de enfermagem e da manutenção. Vivemos numa ditadura, onde quem não faz o que eles ditam, são perseguidos e até mesmo colocados pra fora. Os donos nem sequer procuram saber o que os funcionários passam na mão desses que deveriam liderar. Há casos de perseguição e muita humilhação. Não podemos mais usar copos descartáveis, além de ter que levar talheres, é proibido o uso do elevador pelos funcionários. Onde iremos parar?”, questionou um trabalhador.
Outro funcionário complementou as reclamações: “A instituição vem desrespeitando nós, funcionários, responsáveis pelo funcionamento da unidade. Colocaram um guarda dentro do elevador para que os funcionários não utilizem, ignorando até quem tem limitações e dificuldades para subir escadas, ainda que pequenas. Querem nos proibir de comer na copa do setor, de trazer nossa comida, mas não fornecem comida de qualidade. Para uns é um pingo de comida no almoço, para outros umas serras. A carne é contada, trocaram o pessoal da cozinha, com novas contratações, e a qualidade piorou. Sobre pagamento não podemos perguntar, pois somos tratados com hostilidade, além de correr o risco de sermos perseguidos e até demitidos, como já ocorreu recentemente com um funcionário que tinha 18 anos de casa, querido por todos. Pagamento sai pra uns e outros não. Gostaríamos de saber que critério é usado para a escolha de quem vai receber e quem não. Priorizam pagar a todos os outros setores e a enfermagem não. Quando o paciente dá entrada na unidade, quem vai salvar a vida dele? O pessoal do administrativo ou a enfermagem e os médicos?” perguntou.
Ele finalizou relatando que a instituição está passando por “crise financeira” e questionou: “O que sabemos é que o hospital está em crise financeira, mas todo dia é uma contratação nova “pedidos políticos”. A recepção nem cabe mais de tanta recepcionista. Contratados novos têm mais direitos do que os veteranos. O clima no hospital é de tensão e insatisfação. Precisamos do mínimo de dignidade para trabalhar e não temos”, concluiu.
Redação PNB



