“O SAAE não está de braços cruzados”, diz diretora sobre falta de água e situação do órgão em Juazeiro

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Nesta quarta-feira (12), em entrevista ao Programa Preto no Branco, transmitido pela Rádio TransRio FM, a diretora do Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE) de Juazeiro, Fabiana de Possídio, apontou as causas da inconsistência na oferta de água que tem afetado diversos bairros da cidade.

De acordo com a gestora, existem alguns fatores que estão contribuindo para os problemas no abastecimento. Entre eles, a falta de investimentos no sistema de abastecimento ao longo dos últimos anos, o grande número de ligações clandestinas e também as altas temperaturas, que aumentam o consumo de água.

“Essas altas temperaturas impactam diretamente na disponibilidade da água na torneira, porque as pessoas consomem mais. Isso se reflete no fornecimento de água no município. Além disso, durante os últimos dez anos, Juazeiro teve um aumento expressivo da população e, nesse período, não houve investimento no sistema. Hoje temos equipamentos obsoletos, bombas que precisam ser modernizadas e redes antigas que precisam ser trocadas.”, explicou

A diretora ressaltou ainda que os vazamentos internos e as ligações clandestinas afetam diretamente o sistema e estão entre os principais desafios do SAAE.

“Nós temos problemas com vazamentos de rede que, às vezes, são imperceptíveis, porque são internos. E temos outro grave problema, que eu diria ser um dos maiores enfrentados hoje pelo SAAE: as ligações clandestinas. Isso sobrecarrega o sistema e prejudica a distribuição regular para os consumidores cadastrados, aqueles que pagam em dia. Atualmente existem bairros que ultrapassam 50% de ligações clandestinas. Fizemos uma grande operação, um ‘caça-gato’ no Parque Jatobá, mas muitas ligações já voltaram. Esse enfrentamento agora vai ter que ser judicial, porque não há punição para quem religa automaticamente, assim que detectamos a ligação clandestina. Também vale destacar que tem locais onde existem roças sendo irrigadas com água de abastecimento. Tudo isso interfere e impacta o fornecimento.”

Fabiana também revelou que o órgão enfrenta alta inadimplência e defasagem tarifária.

“Temos mais de R$ 60 milhões de inadimplência na sede e mais de R$ 12 milhões no interior. Durante muito tempo, não se cobrava. Agora estamos tentando corrigir, mas é um trabalho de ‘formiguinha’. Juazeiro é grande, e nós não tenho condição de ter mais equipes porque não temos como pagar. É importante dizer também que atualmente o SAAE de Juazeiro cobra R$ 21,07 por 10 metros cúbicos, já Compesa, em Petrolina, por exemplo, cobra R$ 61,77. Então imagine o desafio que temos para manter o sistema funcionando com essa diferença de arrecadação.”

A diretora ressaltou ainda que ao assumir o comando da autarquia, encontrou o órgão em situação bastante precária.

“A gente recebeu o SAAE sucateado. Redes antigas, tubulações quebradas, bombas e painéis danificados. Quando cheguei, havia 51 elevatórias com problemas, 13 estavam paradas. Hoje, só restam duas, que ainda dependem de ações da Coelba e de obras civis. Já recuperamos 14. Aos poucos, a gente vai colocando o trem nos trilhos. A meta é recuperar todas as elevatórias até o final do ano”, garantiu a gestora.

Diante das reclamações da população, Fabiana explicou que o SAAE tem tentado minimizar os impactos com o uso de carros-pipa. “Estamos atendendo com carro-pipa, mas não dá para ir de casa em casa. Se o residencial tiver reservatório, conseguimos encher. Mas atender 100 mil ligações domiciliares é impossível. Eu estaria mentindo se dissesse que dá pra fazer isso.”

A gestora afirmou ainda que a autarquia também já está trabalhando para ampliar a capacidade de abastecimento: “Já estamos com o levantamento da necessidade de aumentar 150 litros por segundo. O ideal seria 300, mas vamos fazer isso de forma parcelada”, explicou.

Ela destacou ainda a importância da parceria com empreendedores locais, especialmente os responsáveis por novos loteamentos.

“Existe um diálogo com os nossos empreendedores de Juazeiro. Não queremos que Juazeiro deixe de ter o seu crescimento devido, mas é preciso que a gente ponha a verdade na mesa. A gente precisa da contrapartida desses nossos empreendedores, para que a gente possa avançar com celeridade. Eles precisam apresentar seus negócios, se não a gente não vai conseguir atender ao prazo que eles precisam. É possível que na semana que vem a gente já tenha uma reunião com esses empresários. Atualmente a gente tem 15 loteamentos aqui pedindo viabilidade, e para que a gente possa dar essa viabilidade, é necessário um diálogo para uma pactuação, onde o SAAE entra com uma parte e o empresário com a sua.  Isso já aconteceu em uma época atrás com a ETA-2, que é a estação de tratamento de 34,5 litros por segundo, para atender ao loteamento Nova Juazeiro. Só que foi pactuado na época que a empresa entraria com a metade e o SAAE entraria com a metade. Só que essa outra metade que o SAAE teria que fazer, a gestão da época não fez. Agora, já chegou o limite de fazer.”, pontuou.

Ela finalizou informando que novas medidas também estão sendo discutidas com a equipe técnica.

“Hoje mesmo tenho uma reunião para avaliar o que pode ser feito de imediato. Estamos olhando nossas redes, bombas, registros, tudo o que possa estar causando problemas. O SAAE não está de braços cruzados. Estamos fazendo o que está ao nosso alcance, com a verdade e transparência que a população merece.”

Falta de água

Nos últimos dias, o Portal Preto no Branco vem recebendo diversos relatos de moradores de Juazeiro, na região Norte da Bahia, sobre irregularidades no abastecimento de água no município. No bairro Tabuleiro, a população afirma que o problema se arrasta há mais de duas semanas.

“Aqui no bairro Tabuleiro tem mais de 15 dias sem água. A água chega de madrugada bem fraca, que nem sobe pra caixa d’água e logo vai embora.  Aqui a falta de água já é comum. A cobrança chega todo mês e o pior é que a conta vem mais cara justamente nos meses em que falta água. ”, reclamou uma moradora.

Nos Residenciais Juazeiro I, II e III, a situação também tem gerado transtornos. Moradores relatam que estão sem água desde o fim de semana e que o SAAE, responsável pelo abastecimento, não tem dado respostas satisfatórias.

“Desde sábado, a água não está chegando nas caixas. Isso tem causado muitos transtornos: louça suja, acúmulo de tarefas, falta de higiene. Quando ligamos para o SAAE, dizem que o abastecimento está regular. Como pode estar regular se não tem água nas torneiras? Pago minha conta em dia, queremos uma solução. Assim não dá!”, desabafou uma moradora.

No Residencial Praia do Rodeadouro/Morada do Salitre, os relatos são semelhantes.

“Estamos passando por uma situação muito difícil por causa da falta de água. Já fazem dias que o abastecimento está irregular e, em muitas casas, não cai uma gota sequer. Estamos sendo prejudicados em tudo, não conseguimos cozinhar, limpar a casa, tomar banho, nem fazer o básico do dia a dia. Mesmo assim, as contas continuam chegando normalmente, o que é um absurdo. Queremos respeito e providências imediatas”, afirmou uma moradora.

Redação PNB 

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