Em entrevista ao Programa Preto no Branco, na Transrio FM, na última quinta-feira (7), o presidente do Sindilimp/BA, Jamay Damasceno, revelou possíveis casos de discriminação de gênero nas contratações para serviços de limpeza pública em Juazeiro, no norte da Bahia. Segundo o sindicalista, a Vale Norte, empresa responsável pelos serviços ligados à Secretaria de Serviços Públicos de Juazeiro, teria contratado apenas homens para atuar em atividades de agentes de limpeza pública para varrição e capina, deixando mulheres de fora da seleção.
De acordo com Jamay Damasceno, cerca de 50 trabalhadores foram contratados após a mudança da empresa responsável pelo serviço. Conforme a denúncia, as vagas teriam sido preenchidas exclusivamente por homens para a função de gari, apesar de haver um número significativo de mulheres, chamadas popularmente de margaridas, atuando na varrição urbana.
“Quando a Limpcity saiu, foram demitidos 50 funcionários, e pedimos para que esses trabalhadores fossem indicados para a próxima empresa que entrasse, que foi a Vale Norte. Porém, quando a empresa assumiu, informou que, a princípio, não iria contratar trabalhadoras mulheres, apenas homens. Eles não disseram que não iriam contratar mulheres de forma definitiva, mas afirmaram que isso aconteceria com o tempo. Só que, até o momento, nenhuma foi contratada. A empresa está há pouco mais de um mês no contrato, então pode ser que ainda venham contratar mulheres, mas, inicialmente, elas ficaram de fora. Nós procuramos entender o motivo, mas também não obtivemos resposta”, informou Jamay.
Segundo Eunice, uma das margaridas que integra a diretoria do sindicato, diversas mulheres ficaram desempregadas após o encerramento do contrato com a empresa anterior e aguardavam ser absorvidas pela nova empresa.
O contrato da empresa com o município iniciou em março e tem vigência de um ano, mas até o momento nenhuma trabalhadora foi contratada.
“As margaridas foram demitidas quando a empresa perdeu o contrato. Eu só não fui demitida porque sou diretora do sindicato. Ficou acertado que a nova empresa contrataria as mulheres que ficaram desempregadas, mas até agora isso não aconteceu”, relatou.
Segundo ela, muitas mulheres que atuavam na varrição urbana dependem exclusivamente da renda obtida com o serviço para manter suas casas.
“São mulheres que sustentam suas famílias com esse salário da varrição. Mulheres dedicadas, que trabalham muito bem, e que acabaram ficando de fora. É muito triste, porque nós sabemos a importância que o trabalho tem para a mulher. Até agora não tivemos nenhum retorno sobre contratação das mulheres”, lamentou.
Entramos em contato com a empresa Vale Norte em busca de esclarecimentos sobre os critérios de contratação adotados, assim como com a Secretaria de Serviços Públicos de Juazeiro, e aguardamos resposta.
Redação PNB/ foto ilustrativa



