“Discurso foi tirado de contexto”, diz prefeito de Senhor do Bonfim em entrevista ao PNB sobre fala de Luciano Huck

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Em entrevista ao programa Preto no Branco na Rádio TransRio FM, nesta segunda-feira (25), o prefeito do município de Senhor do Bonfim, Laércio Muniz (União), se posicionou sobre a fala do apresentador Luciano Huck em relação ao programa do Governo Federal, Bolsa Família, durante o Fórum Esfera em São Paulo.
Huck usou o município baiano como exemplo, afirmando ter ouvido do gestor municipal que cerca de 56% da economia local depende do Bolsa Família, e destacando que faltam estímulos para que as famílias deixem a dependência dos repasses governamentais ao longo das gerações.
Para Laércio Muniz, a declaração de Huck foi retirada de contexto. O gestor se mostrou ainda favorável ao posicionamento do apresentador.
“Em momento algum eu vi críticas dele em relação aos programas sociais. Particularmente, durante o almoço, ele chegou a comentar comigo o quanto é favorável a esses programas. Falou, por exemplo, do programa Pé-de-Meia e destacou o quanto gosta dessa iniciativa. O que aconteceu foi que recortaram um trecho de uma discussão que muita gente faz atualmente. O Bolsa Família é muito importante, isso é inquestionável. Agora, o que se debate hoje é a manutenção permanente dessa dependência. O que podemos fazer, enquanto sociedade, imprensa e homens e mulheres públicos, para que essa dependência não se torne eterna? Como ajudar essas pessoas a aumentarem sua renda e não dependerem exclusivamente do Governo Federal? Foi nessa linha de raciocínio que ele falou. Inclusive, depois ele mesmo reforçou esse entendimento.
Mas, infelizmente, hoje tudo é muito polarizado no país”, opinou o prefeito.
O gestor também reforçou que, atualmente, grande parte dos moradores do município de Senhor do Bonfim dependem de programas sociais, assim como acontece em tantas outras cidades.
“Segundo dados de maio de 2026, Senhor do Bonfim possui cerca de 30.157 famílias beneficiadas, e o total de pessoas alcançadas pelo Bolsa Família gira em torno de 56.826. São números que realmente chamam a atenção. E preocupa no sentido de mostrar quantas pessoas ainda dependem dessa renda. Mas, ao mesmo tempo, mostram também quantas famílias estão conseguindo ter o mínimo para sobreviver. E eu digo a você: isso também é benéfico, porque é dinheiro sendo injetado na economia local. Dinheiro gera dinheiro, movimento gera movimento. Isso fortalece diretamente o comércio local”, acrescentou.
 O gestor finalizou seu posicionamento destacando que essa é uma discussão importante e necessária.
“Não existe nada tão bom que não possa ser melhorado. O debate precisa ser: o que podemos fazer para que quem recebe o Bolsa Família consiga também ampliar sua renda? Muitas vezes, há pessoas que têm receio de conseguir um emprego com carteira assinada e perder o benefício que hoje sustenta a família. Então, como criar caminhos para que essas pessoas possam crescer financeiramente sem medo? Acho que é nessa linha que muitas pessoas falam. Por isso, acredito que é um debate válido, que precisa ser feito sem tanto viés político. Precisamos ter sabedoria para contribuir com ideias e buscar melhorias. Afinal, acredito que essa é a nossa missão enquanto sociedade: colaborar para melhorar a vida das pessoas”, finalizou.
Repercussão
A declaração do apresentador repercutiu de forma negativa nas redes sociais e provocou forte debate contestando o posicionamento. Críticos apontaram que o discurso ignorou a dificuldade real de mobilidade social e a fome enfrentada por milhões de brasileiros, além de desconsiderar a rotatividade do programa.
Diante da repercussão negativa, Huck se pronunciou nas redes sociais afirmando que seu discurso foi tirado de contexto e afirmou que não é contrário a programas sociais.
Rotatividade do Bolsa Família 
De acordo com o estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o programa tem sido, nos últimos 12 anos, um dos principais responsáveis pela quebra do ciclo de pobreza no Brasil.
Conforme os dados apresentados: desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício deixaram de depender dele. Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025, sendo que a saída mais elevada foi entre os adolescentes: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos.
A pesquisa revelou também que 52,67% dos jovens entre 15 e 17 anos que recebiam o Bolsa Família em 2014 também deixaram o Cadastro Único, que inclui faixas de renda mais elevadas do que a do programa. Desse total, 28,4% têm emprego com carteira assinada em 2025. Entre os jovens de 11 a 14 anos, 46,95% saíram do CadÚnico e 19,10% possuem vínculo formal atualmente.
Redação PNB 

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