A perícia da PF (Polícia Federal) reconstruiu os passos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em seu celular para identificar o destinatário de mensagens enviadas pelo banqueiro a um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Os investigadores afirmam ter identificado “um padrão de comunicação consistente”: Vorcaro escrevia ou modificava textos no aplicativo de notas do iPhone, fazia uma captura da tela e, segundos depois, abria o WhatsApp e enviava uma mensagem.
De acordo com a metodologia descrita no relatório da PF, cujo sigilo foi levantado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, o rastreamento foi feito com o software forense IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), usado para analisar os vestígios extraídos do aparelho de Vorcaro.
Para reconstruir esse caminho da comunicação, os investigadores cruzaram os horários de abertura e fechamento dos aplicativos, o momento exato dos prints e os “logs” do sistema operacional, que registravam quando uma mensagem era enviada pelo WhatsApp.
A perícia encontrou ainda arquivos temporários em PDF com exatamente o mesmo conteúdo das notas. Segundo a PF, esses documentos eram gerados automaticamente pelo iPhone no mesmo segundo ou um segundo depois da captura da tela.
Com essas informações, os investigadores conseguiram reconstruir a sequência entre a elaboração da nota, a captura da tela e o posterior envio pelo WhatsApp.
Em um dos casos analisados, por exemplo, Vorcaro fez uma captura de tela às 16h32min31s, no horário UTC. Cinco segundos depois, fechou o aplicativo de notas e abriu o WhatsApp. Às 16h33min03s,32 segundos depois do print, uma mensagem foi enviada ao número salvo na agenda de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Segundo o relatório, após fazer os prints das notas, o banqueiro enviava, em regra como primeira interação no WhatsApp, uma mensagem para esse contato.
O relatório não aponta respostas do contato atribuído a Moraes. Mesmo nas cinco mensagens de 17 de novembro de 2025 recuperadas diretamente no WhatsApp, a PF apresenta apenas os textos enviados por Vorcaro. Em uma delas, o banqueiro pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter noticia ou bloquear?”.
As mensagens foram enviadas na véspera da prisão de Vorcaro, detido pela PF em 18 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava deixar o país. O celular analisado pelos investigadores foi apreendido durante a prisão.
A PF usou essas cinco mensagens para validar o método: encontrou cinco registros de envio correspondentes no aparelho. Além delas, identificou outros 47 arquivos com o mesmo padrão, totalizando 52 notas analisadas.
CNN Brasil



