Em carta aberta, professora de Juazeiro expõe sua frustração com a área de educação: “Minha dignidade não depende de um contrato”

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No dia 15 de outubro, véspera do Dia dos Professores, venho compartilhar um relato pessoal e expressar minha indignação diante de uma situação que vivi como professora.

Meu nome é Alice Maria dos Santos, sou salitreira e professora.

Certa vez, eu estava na Caixa Econômica Federal, em Juazeiro-BA, tentando resolver um problema relacionado ao meu FGTS. O funcionário que estava me atendendo não conseguiu solucionar a questão. Foi então que me deparei com Andrei Gonçalves, atual prefeito de Juazeiro, que me ajudou a resolver o problema e me tratou com muita educação e respeito. Acredito que ele nem se lembre desse acontecimento, mas eu jamais esqueci aquele gesto.

No ano seguinte, quando começaram as eleições municipais, Andrei Gonçalves se candidatou à Prefeitura de Juazeiro. Eu não conhecia sua história, nem tinha contato pessoal com ele, mas aquele gesto de humildade e atenção foi suficiente para despertar em mim a confiança de que ele poderia fazer a diferença. Sempre que tinha oportunidade, eu dizia que votaria nele, pois acreditava que alguém capaz de agir daquela forma também poderia governar com humanidade e compromisso com as pessoas.

Hoje, reconheço mudanças na cidade. Vejo escolas sendo reformadas, creches, postos de saúde, ruas pavimentadas e iluminadas. No entanto, a frustração na área da educação continua.

Em março de 2025, participei de um processo seletivo para professora da Educação Infantil. Fui convocada em março de 2026, mas precisei assumir uma vaga de professora de apoio em uma escola de tempo integral, com carga horária de apenas 20 horas semanais, em uma comunidade distante de onde moro.

Mesmo diante das dificuldades, cumpri meus horários, honrei minhas responsabilidades e exerci minha função com dedicação. Entretanto, em menos de cinco meses, fui desligada, sem receber uma justificativa que, na minha avaliação, fosse coerente, digna e humana.

Tenho conhecimento de que contratos temporários possuem regras próprias e que processos seletivos podem ter seus vínculos encerrados conforme as condições legais.

Ainda assim, não consigo deixar de questionar a forma como tudo aconteceu. Nas gestões anteriores, havia profissionais contratados que trabalhavam por dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois, conforme as regras aplicáveis.

Diante disso, pergunto: o que mudou? Por que tanta insegurança para quem deseja apenas trabalhar e exercer sua profissão com dignidade?

Neste Dia dos Professores, minha homenagem vem acompanhada de um desabafo. É triste estudar, se preparar, alimentar sonhos e acreditar que uma oportunidade de trabalho poderá transformar sua realidade e, de repente, ver tudo isso interrompido sem uma explicação satisfatória.

Aos colegas professores, deixo um conselho: continuem estudando, buscando qualificação e lutando por uma vaga efetiva por meio de concurso público.

Infelizmente, o trabalhador contratado muitas vezes vive sob a insegurança de não saber até quando poderá exercer sua função, mesmo quando se dedica e cumpre suas obrigações.

É doloroso perceber que, em determinadas situações, interesses políticos podem parecer falar mais alto do que a competência, o compromisso e a humanidade.

Para que serve um processo seletivo se o profissional aprovado não tem a segurança de ser avaliado por critérios justos e transparentes? Como aceitar que trabalhadores dedicados sejam afastados enquanto outros possam ocupar seus lugares por indicações e interesses políticos?

Não afirmo que todos os casos sejam iguais, mas acredito que essas situações precisam ser questionadas. A educação merece respeito, os profissionais merecem valorização e a população merece transparência nas decisões que envolvem o serviço público.

Deixo aqui um questionamento aos representantes políticos: onde fica a valorização dos professores? Onde fica a empatia com quem estudou, se preparou, foi aprovado em um processo seletivo e só queria uma oportunidade de trabalhar?

Hoje, faço questão de deixar algo muito claro: não sou concursada, mas isso não me torna uma profissional sem direitos, sem voz ou sem dignidade. Não tenho medo de expressar minha opinião, nem de sofrer perseguições por defender aquilo em que acredito. Conheço o valor do meu trabalho e sei que tenho direitos que merecem ser respeitados.

Não quero privilégios. Quero respeito, justiça, transparência e humanidade.

Neste Dia dos Professores, não quero apenas receber homenagens ou ouvir palavras bonitas sobre a importância da educação. Quero que os profissionais da educação sejam valorizados na prática, que tenham oportunidades justas e que suas histórias sejam ouvidas.

Porque ser professora vai muito além de ocupar uma sala de aula. É ter compromisso com o futuro, acreditar nas pessoas e lutar diariamente por uma sociedade melhor.

E, mesmo diante das decepções, continuarei acreditando na educação, defendendo meus direitos e levantando minha voz sempre que for necessário.

Minha voz não será silenciada pelo medo. Minha dignidade não depende de um contrato, e meu valor como professora vai muito além de uma nomeação ou de um desligamento.

Feliz Dia dos Professores a todos os profissionais que continuam lutando, apesar das dificuldades. Que nunca nos faltem coragem, consciência e esperança por dias mais justos.

Alice Maria dos Santos, Salitreira, professora e cidadã que acredita na educação e na justiça.

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