
O município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, completa nesta sexta-feira (2) um ano sem registro de feminicídio. O último caso ocorreu em 2 de outubro de 2025.
Em entrevista ao Portal Preto no Branco (PNB), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), declarou que “considerando os últimos quatro anos, este é o maior período sem registro do crime no município. Recebemos esse resultado com esperança, mas também com responsabilidade para que o trabalho continue”.
Questionada pelo PNB sobre os fatores que podem ter contribuído para a redução dos casos de feminicídio, a DEAM apontou o aumento das denúncias como um dos principais elementos.
“Um dos principais fatores é o aumento das denúncias. As mulheres estão procurando mais a Polícia e rompendo o silêncio. Quando há denúncia, a Polícia Civil pode conhecer a situação e agir, inclusive com investigação, solicitação de medidas protetivas e outras providências necessárias”, informou a unidade ao PNB.
A delegacia também destacou a implantação do plantão ininterrupto de 24 horas na DEAM como outro avanço no atendimento às mulheres.
“Outro avanço importante foi a implantação do plantão ininterrupto de 24 horas na DEAM, que ampliou o acesso das mulheres ao atendimento especializado e possibilitou uma resposta mais rápida às situações de violência. Também destacamos o trabalho integrado de toda a rede de proteção às mulheres”.
Questionada se houve redução nos demais tipos de violência, a DEAM informou que “tem observado redução em alguns indicadores, especialmente no período mais recente. Mas é importante destacar que o aumento das denúncias também pode ser positivo, pois significa que mais mulheres estão procurando ajuda. O registro permite que o Estado conheça a situação e possa agir”, destacou.
Atualmente, conforme a DEAM, a ameaça está entre as ocorrências mais frequentes atendidas pela unidade, seguida por casos de lesão corporal decorrente de violência doméstica e familiar.
“A ameaça está entre as ocorrências mais frequentes atendidas pela DEAM, seguida por casos de lesão corporal decorrente de violência doméstica e familiar. Precisamos continuar fortalecendo a prevenção, a denúncia e toda a rede de proteção. É fundamental que a mulher procure ajuda já nos primeiros sinais de violência e que a sociedade também esteja atenta e incentive a denúncia”, afirmou a DEAM.
A unidade também defendeu a manutenção do atendimento 24 horas, do trabalho investigativo e de respostas rápidas para situações de risco.
“Esses 12 meses sem feminicídio são um resultado muito importante para Juazeiro, mas não significam que podemos nos acomodar. Ao contrário, reforçam a responsabilidade de continuar trabalhando para proteger as mulheres e reduzir todas as formas de violência”, concluiu a DEAM ao PNB.
Também em entrevista ao Portal Preto no Branco, a capitã Tatiane Carvalho, comandante da Operação Ronda Maria da Penha (ORMP) em Juazeiro, avaliou que o trabalho conjunto das instituições que integram a rede de proteção às mulheres tem sido fundamental para o município chegar a um ano sem registro de feminicídio.
“O trabalho integrado entre as instituições que compõem a Rede de proteção a mulher fez e faz toda a diferença ( desenvolvimento do fluxo de atendimento, fácil acesso das pessoas às instituições e serviços da Rede de proteção, ações preventivas que tem sido desenvolvidas tanto nos períodos oficiais de campanha educativa como também durante todo o ano)”, afirmou a capitã ao PNB.
A comandante, no entanto, faz uma ressalva em relação aos demais tipos de violência.
“Embora estejamos sem registro de violência letal (feminicídio) os números dos outros tipos de violência não tem reduzido e os números de denuncias têm aumentado. A ação da Rede de Proteção nos casos iniciais denunciados tem evitado que a situação se agrave (rompimento do ciclo da violência)”.
A capitã, entretanto, ressalta que os chamados policiais não representam necessariamente o tipo de violência mais frequente.
“Ameaça e Violência Física é o tipo de ocorrência que mais é acionado a viatura policial pelo CICOM, no entanto isso não representa que é o tipo de violência que mais acontece. Quando se chega a violência física, geralmente já ocorreu violência moral ou psicológica.”, explicou.
Por fim, para manter os avanços e reduzir os demais casos de violência contra a mulher, a comandante da Operação Ronda Maria da Penha defende o fortalecimento das instituições que integram a rede de proteção.
“Apesar de já termos diversas instituições no município comprometidas com a proteção das mulheres, ainda é necessário mais investimento e fortalecimento dessas instituições, além de adesão de outros seguimentos (escolas, associação de bairro, igrejas etc). A prevenção sempre será o melhor caminho, e isso se conquista com a transmissão da informação, conhecimento da lei e dos canais de denúncia”, concluiu a corporação em entrevista ao Portal Preto no Branco.
Denúncia
Em Juazeiro, a rede de proteção inclui serviços como a DEAM, a Ronda Maria da Penha da Polícia Militar, a Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal e o Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAM). A Prefeitura também mantém o programa Tolerância Zero à Violência Contra a Mulher, lançado em 2025.
Canais de denúncia:
180 – Central de Atendimento à Mulher
190 – Polícia Militar, em situações de emergência
DEAM: (74) 3613-8311
WhatsApp da DEAM: (74) 98111-1439
153 – Guarda Civil Municipal
Patrulha Maria da Penha: (74) 99967-2006
CIAM: (74) 99277-6777
Juazeiro
Reação PNB


