PNB

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“A gente espera aqui desde a madrugada, mas os banheiros só abrem às 10h”: usuários do SAC/Juazeiro relatam falta de acesso a sanitários no Juá Garden Shopping

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Usuários do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) de Juazeiro, no norte da Bahia, voltaram a entrar em contato com o Portal Preto no Branco para relatar as condições enfrentadas durante a espera no local. Segundo eles, a indisponibilidade dos sanitários é um problema enfrentado por quem precisa chegar ao local ainda na madrugada para garantir atendimento.

Com a mudança no sistema, o atendimento passou a ser realizado por ordem de chegada, o que leva a população a formar filas nas primeiras horas do dia. No entanto, de acordo com os usuários, além da longa espera, não há suporte de acesso para as necessidades básicas.

“Eu cheguei às 4h da manhã e já tinha gente esperando. O pior não é nem só a fila, é não ter banheiro. A gente fica horas segurando, sem ter o que fazer”, relatou uma usuária.

Segundo eles, os banheiros do shopping só são liberados por volta das 10h, enquanto o atendimento começa bem antes.

“A gente espera aqui desde a madrugada mas os banheiros do shopping só abrem às 10h. E quem está lá desde a madrugada faz o quê? É desumano, ninguém consegue ficar tanto tempo assim. Fiquei segurando a urina até abrir o shopping, na esperança de usar o banheiro, mas os seguranças não permitem”, disse.

Um usuário aponta que, embora haja prioridade em alguns casos, a estrutura não atende de forma digna toda a população.

“Até deixam idosos e pessoas com deficiência usarem o banheiro, mas e o resto das pessoas? Todo mundo precisa. Quem precisa de banheiro tem que andar um bom pedaço, passando por lugar molhado, com risco de cair, para ir a outro local, porque não pode usar o banheiro dentro do shopping”, disse.

Além da falta de acesso aos sanitários, os usuários relatam enfrentar outras dificuldades durante a espera para acessar o local de atendimento.

“Não tem lugar para sentar, a gente fica no relento, vulnerável. Tem idoso, tem gente com deficiência, todo mundo sofrendo do mesmo jeito desde a madrugada. Quando o portão abre, a gente entra, mas continua esperando até umas 7h30. Ficamos sentados no chão ou em pé, sem banheiro, sem água”, contou.

Os usuários relatam a precariedade e cobram dignidade no acesso ao serviço público.

“O mínimo que a gente espera é ter acesso ao banheiro. Isso é básico. Do jeito que está, é uma situação desumana”, concluiu.

Estamos encaminhando os relatos ao SAC e ao Juá Garden Shopping.

Redação PNB

Operação Tiradentes 2026: PRF reforça fiscalização nas rodovias federais da Bahia a partir desta sexta-feira (17)

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) inicia, nesta sexta-feira (17), a Operação Tiradentes 2026 nas rodovias federais da Bahia. A ação segue até a terça-feira (21) e tem como objetivo reforçar a fiscalização e prevenir acidentes de trânsito durante o feriado.

Segundo o órgão, as equipes vão intensificar o combate às principais infrações, como excesso de velocidade, ultrapassagens indevidas, direção sob efeito de álcool, não uso do cinto de segurança e uso de celular ao volante.

De acordo com a PRF, a expectativa é de fluxo menor em relação a 2025, quando o feriado reuniu a Sexta-feira Santa e o Dia de Tiradentes. Ainda assim, a PRF prevê aumento na movimentação, principalmente em direção a Salvador e ao litoral sul do estado.

A PRF orienta os motoristas a revisarem os veículos, respeitarem a sinalização e evitarem comportamentos de risco. O órgão reforça que a segurança no trânsito depende da responsabilidade de todos.

Redação PNB, com informações Ascom PRF

Itália acolhe pedido do Brasil e aprova extradição de Carla Zambelli por porte ilegal de arma

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A Justiça da Itália acolheu nesta quinta-feira (16) o pedido do Brasil para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Da decisão, ainda cabe recurso.

De acordo com o G1, o caso se refere a um episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando a ex-deputada perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política.

As imagens da deputada correndo com uma pistola em punho levaram à abertura de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), que a condenou a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Desta vez, a extradição atende à condenação por porte ilegal de arma.

Bahia Notícias 

Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar antecipação do 13º

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Dinheiro, Real Moeda brasileira

Cerca de 35,2 milhões de aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios doInstituto Nacional do Seguro Social (INSS) já podem consultar a antecipação do décimo terceiro. A consulta pode ser feita no aplicativo Meu INSS, disponível para celulares e tablets, ou no site gov.br/meuinss.

Com a previsão de injetar R$ 78,2 bilhões na economia, a antecipação do décimo terceiro do INSS será paga em duas parcelas.

A primeira parcela será paga de 24 de abril a 8 de maio. A segunda parcela vai de 25 de maio a 8 de junho.

As datas são definidas com base no dígito final do Número de Inscrição Social (NIS) e com base na renda do beneficiário. Quem ganha apenas o salário mínimo começa a receber antes de quem recebe mais que o mínimo.

O decreto com a antecipação do décimo terceiro do INSS foi assinado no fim de março pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Este será o sétimo ano seguido em que os segurados do INSS receberão o décimo terceiro antes das datas tradicionais, em agosto e em dezembro.

Em 2020 e 2021, o pagamento ocorreu mais cedo por causa da pandemia da covid-19. Em 2022 e 2023, as parcelas foram pagas em maio e junho. Em 2024 e 2025, em abril e maio.

Quem não tiver acesso à internet pode consultar a liberação do décimo terceiro pelo telefone 135. Nesse caso, é necessário informar o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e confirmar alguns dados ao atendente antes de fazer a consulta.

O atendimento telefônico está disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h.

Confira o calendário de pagamento:

Para quem recebe até 1 salário mínimo:

  • Final do NIS: 1 – pagamentos em 24/4 e 25/5
  • Final do NIS: 2 – pagamentos em 27/4 e 26/5
  • Final do NIS: 3 – pagamentos em 28/4 e 27/5
  • Final do NIS: 4 – pagamentos em 29/4 e 28/5
  • Final do NIS: 5 – pagamentos em 30/4 e 29/5
  • Final do NIS: 6 – pagamentos em 4/5 e 1/6
  • Final do NIS: 7 – pagamentos em 5/5 e 2/6
  • Final do NIS: 8 – pagamentos em 6/5 e 3/6
  • Final do NIS: 9 – pagamentos em 7/5 e 5/6
  • Final do NIS: 0 – pagamentos em 8/5 e 8/6

Para quem recebe mais do que 1 salário mínimo:

  • Final do NIS: 1 e 6 – pagamentos em 4/5 e 1/6
  • Final do NIS: 2 e 7 – pagamentos em 5/5 e 2/6
  • Final do NIS: 3 e 8 – pagamentos em 6/5 e 3/6
  • Final do NIS: 4 e 9 – pagamentos em 7/5 e 5/6
  • Final do NIS: 5 e 0 – pagamentos em 8/5 e 8/6

CNN Brasil 

“Ações afirmativas, reparação e garantia de direitos”: Observatório Opará promove 2º Simpósio sobre Questão Racial na Univasf

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O Observatório de Políticas Afirmativas Raciais – Opará, a Reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), a Seção Sindical dos Docentes da Univasf (SINDUNIVASF) e instituições parceiras realizarão o 2º Simpósio sobre Questão Racial com o objetivo de promover um debate qualificado sobre a questão racial no Brasil, evidenciando de que forma a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 10.932/2022, incide diretamente sobre a formulação, a implementação e a avaliação das políticas públicas de igualdade racial nos âmbitos nacional, estadual e municipal.

Em um cenário marcado por disputas e questionamentos em torno da promoção da igualdade racial, o evento reunirá pesquisadores(as), professores(as), estudantes, movimentos sociais e gestores públicos para discutir os avanços, os entraves e os caminhos possíveis para o fortalecimento dessas políticas no país.

Com o tema “Ações afirmativas, reparação e garantia de direitos”, este 2º Simpósio dá continuidade às discussões iniciadas na primeira edição, realizada entre os dias 13 e 15 de maio de 2025, no Cineteatro do Câmpus Petrolina (PE) da Univasf. O evento reuniu pesquisadores(as), estudantes do ensino médio, da graduação e da pós-graduação, gestores e servidores públicos, representantes de órgãos governamentais, integrantes da sociedade civil organizada, movimentos sociais e lideranças políticas e sociais de diferentes regiões do país para discutir por que a reparação à população negra continua sendo necessária.

Em 2026, o simpósio será realizado novamente no Cineteatro do Câmpus Petrolina (PE) da Univasf. Além da conferência de abertura, palestras e mesas-redondas, o evento contará com quatro Grupos de Trabalho (GTs): GT 1 – Ações Afirmativas na Educação; GT 2 – Ações Afirmativas no Mercado de Trabalho Público e Privado; GT 3 – Reparação Racial: Fundamentos e Experiências; e GT 4 – Oportunidades e Desafios para a Juventude Negra.

Na programação, estão previstos(as) convidados(as) de referência, como a doutora Diana Molet, pró-reitora de Ações Afirmativas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e a professora Helga Almeida, da Univasf, já confirmadas, além de outros(as) convidados(as).

As inscrições poderão ser realizadas até o dia do evento, por meio de formulário disponível no Instagram e no site oficial do Observatório Opará. Além da participação como ouvinte, o simpósio também abre espaço para a apresentação de produções acadêmicas e experiências práticas relacionadas à temática racial.

A submissão de trabalhos científicos e relatos de experiência estará aberta até o dia 30 de março de 2026, via formulário disponível no site do Observatório Opará.

Podem submeter trabalhos estudantes, pesquisadores(as) e profissionais quedesenvolvam pesquisas ou experiências sistematizadas na área, desde que atendam às normas estabelecidas no edital.

O 2º Simpósio sobre Questão Racial reafirma o papel do Observatório Opará como espaço de reflexão crítica e incidência pública no campo das políticas de igualdade racial.

 

Ascom 

Anvisa amplia faixa etária de vacina contra vírus da bronquiolite; entenda

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou na última segunda-feira (13) a ampliação de idade para a vacina Arexvy, da Glaxosmithkline Brasil, para adultos a partir dos 18 anos.

Divulgado pela primeira vez em 2023, o medicamento previa, até o momento, a aplicação apenas em adultos com 60 anos ou mais. O imunizante é indicado para a prevenção da Doença do Trato Respiratório Inferior (DTRI), ocasionada pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), também causador da bronquiolite.

Em crianças, o Ministério da Saúde (MS) informa que o VSR é o responsável por aproximadamente 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em pacientes com menos de dois anos.

O agente responsável por essas infecções pode ocasionar doenças do trato respiratório inferior, com impacto relevante em pacientes na fase adulta. O caso pode ser ainda mais complicado em pessoas com comorbidades e alto risco de hospitalização e complicações em faixas etárias mais avançadas.

Segundo a Anvisa, a ampliação da faixa etária de aplicação da vacina “foi sustentada por estudos clínicos adicionais de imunogenicidade comparativa, que demonstraram não ser inferior à resposta imune em adultos mais jovens, em comparação à população com mais de 60 anos”.

Nas próximas semanas, postos de saúde e hospitais devem promover novas campanhas de vacinação como forma de prevenir casos mais graves de síndromes respiratórias.

Vacina está disponível no SUS?

A ampliação da Anvisa, no entanto, não está relacionada à disponibilidade da vacina no SUS (Sistema Único de Saúde). Hoje, a vacina contra o VSR disponível nos postos de saúde é a Abrysvo (da Pfiser), sendo aplicada apenas em gestantes, visando a prevenção do vírus nos recém-nascidos.

Idosos e as novas faixas etárias que quiserem tomar este imunizantes devem procurá-lo em clínicas privadas de vacinação.

CNN Brasil

Polícia Militar prende homem e apreende carro com sinais de adulteração em Curaçá

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Um homem foi preso em flagrante na quarta-feira (15), em Curaçá, no norte da Bahia, após ser flagrado conduzindo um veículo com sinais de adulteração. A ação foi realizada por policiais da 45ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), durante rondas ostensivas na cidade.

Segundo informações da PM, a abordagem aconteceu na Avenida dos Vaqueiros, nas proximidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), após os agentes identificarem um carro modelo Onix, de cor preta, em atitude suspeita. O veículo também chamou atenção por estar com vidros com película escura, tipo insulfilm.

De acordo com a PM, após ordem de parada, o condutor apresentou a documentação, mas informou aos policiais que não era o dono do automóvel.

“Ao apresentar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), foram realizadas consultas e verificações, sendo constatadas inconsistências, com indícios visíveis de adulteração na numeração do chassi do motor. Além disso, o QR Code da placa não apresentou registro do veículo no sistema”, informou a polícia.

O homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, juntamente com o veículo, onde o caso foi registrado e serão adotadas as medidas legais cabíveis.

Redação PNB, com informações Ascom 45ª CIPM

Número de eleitores com mais de 60 anos cresceu 74%, aponta pesquisa

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Um levantamento realizado pela Nexus-Pesquisa e Inteligência de Dados a partir do Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que a chamada Geração Prateada, de pessoas 60+ aptas a votar, cresceu cinco vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos. 

Enquanto o número de eleitores de todas as faixas etárias cresceu 15% entre 2010 e 2026, o eleitorado 60+ aumentou 74% no período, o que revela expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano.

Segundo a Nexus, os números podem aumentar ainda mais até o dia 6 de maio, que é o prazo final para o cadastro de eleitores no TSE.

Até a data da coleta, 156,2 milhões de pessoas estavam aptas a participar do processo eleitoral no próximo mês de outubro, contra 135,8 milhões, em 2010. O levantamento sugere que em um cenário de polarização aguda, como ocorreu na eleição de 2022, obter o voto da população 60+ é estratégico.

De acordo com o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, a Geração Prateada pode definir o resultado das eleições deste ano.

“É bastante plausível afirmar que a chamada Geração Prateada (60+) pode ser decisiva nas eleições, embora não se possa dizer que ela, sozinha, definirá o resultado”.

Peso relevante

Tokarski lembrou que na última eleição presidencial, em 2022, a diferença entre candidatos foi pequena, inferior a 2 milhões de votos, o que torna esse contingente altamente estratégico. Numericamente, a geração 60+ passa a ter um peso relevante, constituindo um em cada quatro eleitores do país e, portanto, capaz de influenciar sistemas equilibrados.

“Assim, embora não determine o resultado de forma isolada, pode atuar como fiel da balança, especialmente em cenários polarizados”, afirmou o CEO da Nexus.

Ele admitiu que a tendência é de que a proporção dos seniores nas eleições acompanhe o aumento da longevidade. “A tendência é claramente de que a proporção de eleitores seniores acompanhe e até reflita diretamente o aumento da longevidade e do envelhecimento populacional”.

O levantamento mostra que a população com 60 anos ou mais saltou de 7% para 16% em três décadas e, em paralelo, o eleitorado 60+ cresceu rapidamente, já representando 23,2% dos votantes.

Abstenção

A abstenção dos maiores de 60 anos apresentou queda nas últimas três eleições: somava 37,1% em 2014 e passaram para 36,4% em 2018 e a 34,5% em 2022. Em contrapartida, as abstenções do eleitorado brasileiro em geral aumentaram de 19,4% em 2014 para 20,3% em 2018 e 20,9% no último pleito nacional.

Os maiores de 70 anos, embora tenham uma taxa de abstenção maior do que a média da Geração 60+, também têm comparecido mais às urnas. Sem obrigatoriedade de voto, esse público registrou 63,6% de abstenção em 2014, 62,7% em 2018 e 58,9% em 2022.

Na avaliação de Marcelo Tokarski, os brasileiros com mais de 70 anos que participam das eleições o fazem por convicção ou identificação política e, ao lado dos eleitores mais jovens, entre 16 e 18 anos, constituem as faixas de brasileiros a serem ‘conquistadas’ pelos candidatos. Ele acredita que, em um cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição.

Cenário político

Também o número de candidatos maiores de 60 anos tem aumentado anualmente no Brasil, tanto nas eleições gerais quanto nas municipais. Segundo dados do TSE, nas últimas eleições, em 2024, mais de 70 mil brasileiros com 60+ se candidataram aos cargos em disputa, o que equivale a 15% de todas as candidaturas.

O montante é o maior desde o início da série histórica, em 1998. O pleito anterior, em 2022, também registrou recorde para eleições gerais. Foram 4.873 candidatos com 60 anos ou mais, o que equivale a 17% das candidaturas.

Agência Brasil

“A poesia do ordinário e a resistência do olhar: Dias Perfeitos”, por Luiz Antonio Costa

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A vida, como eu sempre digo, é um abismo que nos espreita por trás da porta da sala de jantar, como dizia minha mãe. E a arte é apenas o grito que damos ao cair. Quando me sentei para assistir a Dias Perfeitos (2023), sob a batuta de Wim Wenders, eu esperava o óbvio: narrativas grandiosas e conflitos existenciais ruidosos. Mas o diretor, num gesto de sensibilidade sublime, nos dá as costas para a hiperatividade moderna. Ele nos arrasta, pelo silêncio, para o centro do palco onde a verdadeira resistência se consuma: o cotidiano de um homem que limpa banheiros em Tóquio.

O filme é uma bofetada na nossa cara de burgueses bem-comportados e apressados. Esqueçam os roteiros frenéticos e a pompa corporativa. A genialidade da obra está em esfolar a alma humana na sua mais bela banalidade. A rotina de Hirayama não é um fardo, mas um refúgio. E o que sobra? A dignidade de um trabalho que não persegue o homem em seus momentos de descanso, permitindo verdadeira desconexão ao fim do expediente. A vassoura e o balde, uma vez guardados, não o assombram.

Hirayama, vivido por um Koji Yakusho que atua não com palavras, mas com a alma exposta, é o verdadeiro dono dessa ode ao tempo não consumido. Ele é a terra, o barro, o homem que cultiva a arte de ver enquanto o mundo foge de si mesmo. Sua vida é minimalismo essencial: um lar desprovido de mobília supérflua, apenas um tatame, mas repleto de Faulkner e Highsmith, de fitas cassete de Lou Reed e Patti Smith. E o mundo moderno? A hiperconexãonos entrega uma sociedade miúda, impotente, que, incapaz de estar presente, resolve engarrafar a vida em telas. É de uma ironia patética: nós, que temos acesso a todo o conhecimento, somos analfabetos diante do pôr do sol, da lua ou do rio que corre ao lado de nossas casas.

Aí chegamos ao cerne da obra. O filme nos confronta com uma verdade incômoda: acabamos prisioneiros na agitação, perdendo a capacidade de simplesmente olhar. Não paramos para observar o rio que corre ao lado de nossas casas, nem nos permitimos contemplar a ponte que atravessamos diariamente. As árvores da praça da Igreja permanecem invisíveis aos nossos olhos apressados. Hirayama cultiva a arte de ver. Suas fotografias de árvores, suas caminhadas matinais, sua pausa para observar a luz que filtra pelas folhas, não são atos de contemplação ociosa, mas atos de resistência contra a anestesia coletiva.

O desfecho da obra nos devora com sua simplicidade. A música de Nina Simone, “Feeling Good”, desce sobre a cena final não como uma mortalha, mas como um amanhecer. Qualquer outro diretor teria afogado o espectador em diálogos explicativos. Mas Wenders não. Ele deixa a música apenas roçar a pele da esperança. É um silêncio que ensurdece a nossa pressa. É a prova de que a paz, quando abraçada, só pode ser traduzida pela aceitação de que no mundo há muitos mundos, e às vezes não se conectam.

Eu digo, sem o menor pudor: Dias Perfeitos não é um filme sobre como limpar banheiros. É um filme sobre o preço que se paga pela pobreza de atenção. É a constatação de que a verdadeira riqueza não se mede em posses ou status, mas na capacidade de encontrar significado e poesia nas repetições diárias. Wenders pegou a rotina, virou-a do avesso e nos mostrou as costuras tecidas com luz e tempo. E nós com a certeza de que a vida é, e sempre será, a maior e mais bela das resistências silenciosas.

Por Luiz Antonio Costa de Santana, Professor da Univasf e da Uneb. Doutor em Direito, em Ecologia Humana e em Gestão Socioambiental. Advogado e Engenheiro.