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STF confirma direito de recusar transfusão de sangue por religião

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O Supremo Tribuna Federal (STF) formou maioria para reafirmar o direito de negar transfusões de sangue por motivos religiosos, rejeitando recurso do Conselho Federal de Medicina, que buscava reverter a decisão favorável ao grupo Testemunhas de Jeová.

O julgamento dos embargos ocorre no plenário virtual, em sessão prevista para durar até as 23h59 desta segunda-feira (18). Votaram por negar o recurso o relator, ministro Gilmar Mendes, e os ministros Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, André Mendonça e Dias Toffoli.

A maioria será confirmada caso não haja pedido de vista (mais tempo de análise) ou destaque (remessa ao plenário físico). A decisão tem repercussão geral, devendo ser observada por todos os tribunais do país.

Em setembro de 2024, o plenário do Supremo decidiu por unanimidade que os cidadãos têm o direito de recusar a realização de procedimentos médicos por motivos religiosos. Esse é o caso, por exemplo, das testemunhas de Jeová, cuja fé não permite as transfusões de sangue.

“A recusa a tratamento de saúde por razões religiosas é condicionada à decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente, inclusive quando veiculada por meio de diretivas antecipadas de vontade”, diz a tese estabelecida na ocasião.

A tese vencedora também estabeleceu a possibilidade da realização de procedimento alternativo, sem a transfusão de sangue, “caso haja viabilidade técnico-científica de sucesso, anuência da equipe médica com a sua realização e decisão inequívoca, livre, informada e esclarecida do paciente”.

A CFM recorreu da decisão alegando haver omissões na medida, pois o Supremo não teria esclarecido o que fazer em cenários nos quais o consentimento esclarecido do paciente não seria possível, ou em casos com risco de morte iminente.

Dois casos concretos serviram de base para a decisão. Um dizia respeito a uma mulher de Maceió que se recusou a fazer uma transfusão para a realização de uma cirurgia cardíaca. O outro tratava de uma paciente do Amazonas que exigia o custeio pela União de uma cirurgia de artroplastia total em outro estado, em que poderia ser feita sem a transfusão de sangue.

No voto seguido pela maioria, em que rejeitou o recurso da CFM, o relator Gilmar Mendes escreveu que, ao contrário do argumentado, os pontos de omissão foram levantados e esclarecidos no julgamento.

“Em situações nas quais a vida do paciente esteja em risco, o profissional de saúde deve atuar com zelo, adotando todas as técnicas e procedimentos disponíveis e compatíveis com a crença professada pelo paciente”, reiterou o ministro.

 

Agência Brasil

Empresas ajudaram Bolsonaro com ameaças, pernil e voto de cabresto na eleição

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Ameaças de demissão, promessas de folga e até mesmo distribuição de pernil. Levantamento feito pela Folha na Justiça do Trabalho mostra que empresas de vários estados brasileiros já foram condenadas por ajudar Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022, tentando influenciar e manipular o voto de seus funcionários e colaboradores.

Com raízes no voto de cabresto imposto pelos coronéis na República Velha (1889-1930), o chamado assédio eleitoral motivou, na última eleição presidencial, uma série de ações judiciais. A reportagem teve acesso a 30 julgamentos recentes, em primeira ou segunda instância, nos quais empresas foram consideradas culpadas por condutas que alternam promessas de benefícios com pressão, intimidação e coação.

Declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até 2030 e atualmente em prisão domiciliar, Bolsonaro ainda será julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de tentativa de golpe de Estado no final de seu governo para tentar evitar a posse do presidente Lula (PT).

Em Minas Gerais, a Agronelli Ltda. foi punida por ter, de acordo com o desembargador Marcelo Pertence, buscado “influenciar e manipular o direito de escolha política dos empregados”.

Segundo o processo, a empresa colou adesivos com o nome de Bolsonaro nas mesas e computadores dos funcionários e promoveu palestras sobre o então presidente. Um diretor ainda falou que, se o PT vencesse a eleição, a empresa seria prejudicada e os funcionários, demitidos.

Condenada a pagar R$ 10 mil a uma ex-funcionária, a Agronelli recorreu. Declarou à Justiça que “nunca coagiu, intimidou ou influenciou o voto dos seus colaboradores” e que jamais obrigou seus funcionários a colocarem adesivos de Bolsonaro em seus veículos ou locais de trabalho.

Na Radiodoc (SP), um representante da empresa, de acordo com a ação judicial, disse que os funcionários “sofreriam as consequências” se não votassem em Bolsonaro.

A empresa chegou a prometer uma folga para quem participasse de evento da campanha de Bolsonaro. Condenada em duas instâncias, a empresa negou “veementemente” os fatos relatados à Justiça.

Na Sada Bioenergia e Agricultura (MG), um motorista com 12 anos de empresa foi demitido aos 64 anos por ter se recusado a usar um adesivo de Bolsonaro. Ele afirmou ao encarregado que distribuía o material de campanha que era eleitor de Lula.

“O respeito à formação de convicção política de forma autônoma e livre é condição essencial à democracia”, afirmou o desembargador Marco Aurélio de Carvalho ao condenar a Sada. Ela disse à Justiça que a dispensa já estava prevista para ocorrer e que não houve assédio.

No Paraná, a Transben Transportes foi condenada por, de acordo com a juíza Camila de Almeida, ter encaminhado um vídeo aos funcionários pedindo, de forma expressa, para que votassem em Bolsonaro.

“Se o Lula ganhar vai ter desemprego. A nossa empresa vai sofrer bastante”, afirmou o representante. Na gravação, ele disse ainda que o motorista que fosse votar em Bolsonaro receberia um “auxílio” para poder retornar para suas cidades no dia da eleição. Na defesa apresentada à Justiça, a empresa disse que “sempre respeitou a preferência política dos seus empregados”.

Já no Espírito Santo, a Febracis foi condenada a pagar uma indenização de R$ 10 mil por tentar coagir uma auxiliar administrativa a votar em Bolsonaro. A pressão, de acordo com o processo, foi aumentando com a aproximação do segundo turno. A empresa dizia que a eleição era uma “guerra espiritual”. Bolsonaro seria o enviado de Deus e Lula, o Diabo.

“O comportamento habitual da superiora hierárquica não pode ser considerado tolerável em um ambiente corporativo”, afirmou na decisão o desembargador Soares Heringer. A empresa disse à Justiça que “jamais exerceu qualquer tipo de perseguição política e ideológica em face de seus empregados”.

O Frigorífico Serradão, de Betim (MG), segundo uma ação aberta por um magarefe (profissional que faz o abate de animais), distribuiu camisetas amarelas para os trabalhadores com menção ao slogan de Bolsonaro e prometeu conceder uma peça de pernil a quem comprovasse ter votado no então presidente.

“Os vídeos [anexados ao processo] demonstram claramente a realização da reunião nas dependências da empresa, e a uniformização amarela dos empregados, todos vestidos em nítido apoio a um determinado candidato imposto pela empresa”, afirmou o juiz Augusto Alvarenga na sentença.

O Serradão, ao se defender, disse que não obrigou nenhum trabalhador a usar a camiseta amarela e que jamais ofereceu qualquer vantagem para quem votasse em Bolsonaro.

Eneida Desiree Salgado, professora de direito constitucional e eleitoral da Universidade Federal do Paraná, que tem trabalhos sobre a questão do assédio eleitoral, diz que, em cidades pequenas, para cargos como vereador e deputado, é comum que as empresas verifiquem o mapa de votação para saber se, na zona eleitoral do seu funcionário, houve voto no candidato indicado.

“Assim como o voto de cabresto no contexto do fenômeno do coronelismo da Primeira República, o que está em jogo não é apenas a liberdade de um voto. Com a existência do assédio eleitoral, toda a lisura do sistema é posta em risco”, afirma.

Um relatório do Ministério Público do Trabalho apontou o recebimento de 3.145 denúncias de assédio eleitoral na disputa de 2022, número que representa apenas a ponta de um iceberg, uma vez que, diante do medo de perder seus empregos, muitos assediados preferem manter o silêncio.

Uma pesquisa feita pelo Datafolha em 2022 registrou que 4% dos eleitores disseram já ter sofrido assédio eleitoral.

O MPT assinou à época da eleição 560 termos de ajuste de conduta com empresas e abriu 105 ações civis públicas. Uma delas foi movida contra a SLC Agrícola S.A, do Piauí, que foi condenada em segunda instância a pagar R$ 100 mil em danos morais coletivos por ter imposto uma escala atípica para dificultar o voto dos trabalhadores no segundo turno. Lula havia obtido mais de 74% dos votos no estado no primeiro turno.

De acordo com a sentença, 34 funcionários foram chamados para trabalhar em uma fazenda, distante dos locais de votação, contra apenas dois nos domingos anteriores. Além disso, a empresa não ofereceu transporte para que eles pudessem se deslocar a tempo de votar. O desembargador Marco Caminha disse na decisão que a empresa “obstou o exercício do voto por parte dos empregados”.

A SLC disse à Justiça que não cometeu qualquer ato ilícito e que não tentou cercear o direito de voto. “A escala de trabalho no dia da eleição decorreu da necessidade operacional gerada pelo início do plantio da soja”, afirmou.

O mesmo argumento de que “jamais violou a liberdade de seus trabalhadores” foi dado pela empresa Fomentas (MT) em ação na qual foi condenada a pagar uma indenização de R$ 50 mil.

No processo há uma fotografia na qual funcionários seguram uma faixa com a frase: “Fomentas apoia Bolsonaro”, bem como mensagens de WhatsApp em que o líder de uma das equipes disse que reuniu funcionários e exibiu vídeos de Lula “falando sobre aborto e sobre defender bandidos e drogas”.

A empresa disse à Justiça que, na citada reunião, “não houve pedido de voto”. Já a fotografia foi feita por “livre e espontânea vontade”, afirmou.

 

Bahia Notícias 

Governo do Estado lança edital para seleção de Unidade Gerenciadora de Cozinhas Comunitárias e Solidárias do Programa Bahia Sem Fome

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A Casa Civil do Estado da Bahia, por meio da Coordenação-Geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome (CGCFOME), lançou neste sábado (16) o Edital de Chamamento Público nº 01/2025 para selecionar Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que irão atuar como Unidades Gerenciadoras de Cozinhas Comunitárias e Solidárias, do projeto Comida no Prato, no âmbito do Programa Bahia Sem Fome. O investimento previsto é de R$ 37,7 milhões, oriundos do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (FUNCEP).

Cada ponto de cozinha receberá R$ 343,2 mil para custear suas atividades durante 12 meses, período que pode ser prorrogado por igual prazo. As OSCs não precisarão oferecer contrapartida financeira. O edital prevê a seleção de até 31 propostas, distribuídas entre os 20 municípios mais populosos da Bahia: Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Juazeiro, Lauro de Freitas, Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro, Barreiras, Jequié, Alagoinhas, Teixeira de Freitas, Eunápolis, Paulo Afonso, Simões Filho, Luís Eduardo Magalhães, Santo Antônio de Jesus, Guanambi e Valença. No total, serão implementados 110 pontos de cozinhas, com fornecimento gratuito de refeições.

A iniciativa tem como meta a distribuição de 3,4 milhões de refeições em 2026, alcançando cerca de 22 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social. O público-alvo inclui pessoas em situação de rua, mães solo, povos e comunidades tradicionais, população LGBTQIAPN+, crianças, adolescentes, idosos, trabalhadores de baixa renda, desempregados e populações em extrema pobreza.

Funcionamento

Cada Cozinha Comunitária e Solidária deverá servir 200 refeições por dia, três vezes por semana, priorizando alimentos oriundos da agricultura familiar e alinhados ao Guia Alimentar para a População Brasileira. As OSCs serão responsáveis pela gestão administrativa, contratação de equipe técnica e pela execução das ações do projeto, incluindo a busca ativa do público beneficiário, capacitações e monitoramento social.

Confira os prazos:
•    Inscrições: de 16 de agosto a 30 de setembro de 2025, exclusivamente pelo e-mail edital01_2025@casacivil.ba.gov.br.
•    Avaliação das propostas: 1º a 31 de outubro.
•    Recursos: 1º a 11 de novembro.
•    Resultado final: até 28 de novembro.
•    Assinatura dos termos de colaboração: 5 de dezembro.

Para mais informações, acesse o link:

https://www.ba.gov.br/bahiasemfome/sites/site-bahiasemfome/files/2025-08/Edital%20001_2025%20Unidade%20Gerenciadora.pdf

Ascom/Bahia Sem Fome

Caixa começa a pagar Bolsa Família de agosto

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A Caixa Econômica Federal começa a pagar a parcela de agosto do Bolsa Família. Recebem nesta segunda-feira (18) os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1. Ao todo cerca de 19,2 milhões de famílias receberão o benefício neste mês.

Os beneficiários de alguns municípios de cinco estados recebem o pagamento nesta segunda, independentemente do NIS. O pagamento ocorre em cidades em situação de emergência ou em calamidade pública nos seguintes estados: Alagoas, Amazonas, Paraná, Roraima e Sergipe.

O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade (nutrizes), para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes, um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Além do benefício integral, cerca de 3 milhões de famílias estão na regra de proteção em agosto. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até um ano, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

Em junho, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, quem se enquadrava na regra até maio deste ano continuará a receber metade do benefício por dois anos.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Auxílio Gás

O Auxílio Gás também será pago nesta segunda-feira às famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 1. O valor foi mantido em R$ 108 neste mês.

Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,1 milhões de famílias. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

Agência Brasil

Senadores têm mais verbas em emendas do que 44% das cidades brasileiras

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EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO

Um único senador controla, por meio de emendas parlamentares, um valor maior do que o orçamento de 44% dos municípios brasileiros. Cada deputado, por sua vez, tem verbas superiores a 14% das cidades, aponta levantamento feito pela Folha com os orçamentos projetados para 2025.

Os números ilustram o nível de poder e influência que os congressistas podem concentrar no âmbito local, após a disparada do volume das emendas promovida pelo Legislativo na última década.

Cada um dos 81 senadores tem neste ano R$ 68,5 milhões para indicar onde o governo federal deve gastar (valor superior ao de 2.291 cidades), e cada um dos 513 deputados, ao menos R$ 37,1 milhões (acima de 712 cidades). A execução dessas verbas pelo Executivo é obrigatória, e ao menos metade precisa ir para a saúde.

No caso dos deputados, esse valor deve ser ainda maior. Em julho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu distribuir mais R$ 11 milhões “por cabeça” em emendas de comissão, que em tese deveriam ser decididas em grupo, para tentar reforçar sua base na Casa.

Somando essa quantia, cada deputado poderá ter nas mãos neste ano R$ 48,1 milhões, mais do que o orçamento de 27% dos municípios —essa última modalidade, no entanto, é de pagamento opcional pelo governo

A conta não inclui ainda as emendas de bancada, que também continuam sendo “rachadas” individualmente entre os congressistas, descumprindo uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal).

As emendas são uma forma de parlamentares direcionarem recursos para investimentos e custeios em suas bases eleitorais, o que pode render votos tanto para quem os envia quanto para quem os recebe. A Folha mostrou, por exemplo, que 98% dos prefeitos mais turbinados com verbas se reelegeram em 2024.

“É, de certo modo, como se cada parlamentar tivesse um feudo fiscal para chamar de seu”, afirma Élida Graziane, professora de administração da FGV e procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo. Para ela, os legisladores assumiram funções do Executivo em todos os níveis de governo.

“Congressistas se tornaram ordenadores de despesas mais poderosos do que muitos ministros, governadores e prefeitos. Eles gozam do melhor dos mundos: têm os bônus de poderem liberar despesas em meio a tantas restrições fiscais sem serem obrigados aos ônus de prestar contas ou licitar”, diz.

A análise por estado indica que o valor disponível para cada senador é maior, por exemplo, que o orçamento de 80% dos municípios do Tocantins e na casa dos 60% no Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Piauí. Os deputados também controlam mais dinheiro que 22% das cidades de Santa Catarina e 33% das do Amapá.

São, naturalmente, municípios pequenos. Quase todos eles têm menos que 20 mil habitantes, exceto Piraí do Sul (PR), Marialva (PR) e Pirenópolis (GO), que estão na faixa de 20 mil a 50 mil moradores.

A disparada das emendas aconteceu de forma rápida. Até 2022, os valores ficavam na casa dos R$ 15 milhões a R$ 17 milhões por parlamentar. Naquele ano, porém, o Congresso decidiu ampliar o limite das emendas individuais no Orçamento e acabar com a divisão igualitária entre as duas Casas.

O dinheiro em poder de um único senador, então, triplicou no ano seguinte (para R$ 59 milhões), enquanto o dos deputados duplicou (para R$ 32 milhões), até chegarem às cifras atuais. Repentinamente, os gabinetes legislativos foram inundados com verbas, invertendo a lógica dos acordos políticos.

Se antes eram os parlamentares que batiam na porta do Executivo para liberar os recursos, nos últimos anos os ministérios é que passaram a ir até o Congresso e distribuir cartilhas —uma espécie de cardápio com os programas que precisam de emendas— aos deputados e senadores.

A disparada dos valores não se traduziu em maiores critérios para a sua distribuição. Em 2023, a Folha identificou apenas 16 congressistas (3% de um total de 594), que adotaram algum tipo de regra pública, como editais ou consultas populares, o que, segundo assessores parlamentares, continua sendo exceção.

“Sou uma grande defensora das emendas individuais como elo de representação entre o parlamentar e o eleitor, mas o montante atual e o poder que o Congresso está se dando desde 2014 tem que ser regulado”, diz a pesquisadora Beatriz Any, que estuda o fortalecimento do Legislativo em pós-doutorado na USP.

Ela defende acabar com as emendas coletivas, limitar valores e rever a obrigatoriedade do pagamento, tema em análise no STF. Também lamenta que o controle tenha ficado a cargo do Judiciário, lembrando que o Congresso já se autorregulou no passado, como no escândalo dos anões do Orçamento, esquema de desvio de emendas revelado em 1993.

A reportagem procurou o relator do Orçamento de 2025, o senador Angelo Coronel (PSD-BA), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas eles não responderam.

A análise da Folha usou os orçamentos aprovados pelas Leis Orçamentárias Anuais de 5.245 municípios (94% do total), com dados enviados ao Tesouro Nacional no primeiro bimestre de 2025, por meio dos “relatórios resumidos de execução orçamentária”.

O orçamento é o valor máximo que cada cidade está autorizada a gastar ao longo deste ano. Na prática, portanto, eles podem gastar menos, o que aumentaria ainda mais, proporcionalmente, o peso das emendas.

 

Bahia Notícias 

Mega-Sena: prêmio acumula e vai a R$ 65 milhões

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O sorteio do concurso 2.902 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (16), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 65 milhões.

Veja os números sorteados: 08 – 21 – 22 – 42 – 45 – 48.

  • 5 acertos – 70 apostas ganhadoras: R$ 40.125,94
  • 4 acertos – 4.919 apostas ganhadoras: R$ 941,23

O próximo sorteio da Mega será na terça-feira (19).

G1

Bahia registra segunda maior taxa de desemprego do Brasil no 2º trimestre de 2025

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A Bahia registrou a 2ª maior taxa de desemprego do Brasil no segundo trimestre de 2025, com percentual de 9,1%, o estado ficou atrás apenas de Pernambuco na lista das 27 unidades federativas do país. Apesar disso, o percentual representa a mínima histórica de desemprego no estado. As informações são da Agência Brasil.

Segundo a reportagem, além de Pernambuco e Bahia, complementa a lista de maiores taxas entre unidades federativas (Ufs): o Distrito Federal com percentual de 8,7%; enquanto as menores foram em Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Trimestral divulgada nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desocupação do país no período caiu em 18 das 27 unidades da federação (UF), ficando estável nas outras nove, no comparativo com o primeiro trimestre. A taxa média chegou a 5,8%, a menor da série iniciada em 2012.

Das 27 unidades da federação, 12 atingiram no segundo trimestre o menor nível de desemprego já registrado pela série histórica.

Os estados com as mínimas históricas de desemprego são: Amapá (6,9%), Rio Grande do Norte (7,5%), Paraíba (7%), Alagoas (7,5%), Sergipe (8,1%), Bahia (9,1%), Minas Gerais (4%), Espírito Santo (3,1%), São Paulo (5,1%), Santa Catarina (2,2%), Rio Grande do Sul (4,3%) e Mato Grosso do Sul (2,9%).

O IBGE já havia divulgado que a média nacional também é a menor já registrada, 5,8%.

Metodologia

A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. Só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procura emprego. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

 

Bahia BA

Estudo aponta que Bahia é o estado que mais mata defensores de direitos humanos no Brasil

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A Bahia é estado que mais mata de defensores de direitos humanos em todo o país. É o que aponta o estudo Na Linha de Frente — Violência contra Defensoras e Defensores de Direitos Humanos no Brasil, realizado pelas organizações Justiça Global e Terra de Direitos. Ao total, o estado registrou 10 dos 55 assassinatos de defensores dos direitos humanos registrados no Brasil entre 2023 e 2024, o equivalente a 18% de total de homicídios.

Ao total, o levantamento registrou 486 casos de violência tendo defensores de direitos humanos como vítimas nos dois anos analisados. A maioria das vítimas era representante de povos originários, ribeirinhos ou quilombolas. A Bahia ainda ocupa a segunda posição no ranking nacional de violência contra defensoras e defensores de direitos humanos, ficando atrás apenas do Pará, que registrou 103 casos. No período analisado, o estado registrou 50 casos, o que representa 10,3% de todas as ocorrências no país.

Entre as vítimas assassinadas na Bahia, estão a ialorixá e liderança quilombola Mãe Bernadete, assassinada em 2023 com 25 tiros dentro de casa, mesmo sob proteção oficial; e Maria Fátima Muniz, a Nega Pataxó, liderança espiritual e professora, assassinada em um ataque de fazendeiros durante a retomada da Fazenda Inhuma, reivindicada como território indígena.

Segundo o estudo, a maioria das violências na Bahia está ligada à luta por terra, território e meio ambiente, atingindo diretamente comunidades indígenas, quilombolas e camponesas. Esses grupos enfrentam conflitos com fazendeiros, interesses empresariais e até milícias rurais, que utilizam desde ameaças e ataques armados até processos judiciais abusivos como forma de intimidação.

“Os casos na Bahia estão fortemente ligados à violência policial, à atuação de milícias rurais e à expansão do narcotráfico nos territórios indígenas e quilombolas. Esse cenário se agrava com a aprovação do Marco Temporal, que fragiliza os direitos territoriais indígenas, especialmente daqueles em retomada de seus territórios tradicionais. É urgente fortalecer políticas de proteção e enfrentar a violência ligada à terra e ao meio ambiente”, observa Sandra Carvalho, co-fundadora e coordenadora do programa de Proteção de Defensores/as de Direitos Humanos e da Democracia da Justiça Global.

Aprovada em 2023, a lei do Marco Temporal (n.o 14.701/2023) instituiu a tese jurídica ruralista de que a demarcação de terras indígenas vale somente para as áreas que eram ocupadas pelos povos originários até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, desconsiderando os processos de expulsão e deslocamentos forçados.

O levantamento da Justiça Global e Terra de Direitos traz a tona que na última terça-feira (12), a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília) manteve as medidas cautelares do acusado pelo crime, garantindo que ele permaneça em liberdade até julgamento pelo Júri Popular.

A decisão reacende o debate sobre a proteção de defensoras e defensores de direitos humanos e reforça o padrão de violência descrito no estudo: a maioria das vítimas atua na defesa de territórios e do meio ambiente, com alto índice de casos envolvendo povos indígenas, uso de armas de fogo e omissão ou participação de agentes estatais.

 

Bahia Notícias 

Bahia Alfabetizada: SEC entrega mais de 350 mil livros a municípios baianos

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O Governo do Estado iniciou a entrega do material didático complementar elaborado pela Secretaria da Educação (SEC) e voltado para o reforço da alfabetização de crianças, em apoio aos municípios baianos. A ação, que representa um investimento de cerca de R$ 6 milhões, faz parte do pacote de ações implementadas pelo Programa Bahia Alfabetizada, lançado na última semana, com o objetivo de fortalecer o apoio às gestões das prefeituras na busca pela alfabetização na idade adequada.

O Programa Bahia Alfabetizada estabelece, ainda, uma política pública permanente em parceria com os 417 municípios do estado para intensificar a colaboração através de um pacto interinstitucional no combate ao analfabetismo e para garantir que a alfabetização ocorra na idade certa. O programa prevê a oferta de suporte técnico, pedagógico e financeiro aos municípios, incluindo a destinação de recursos e materiais didáticos, a capacitação de professores e o acompanhamento do progresso dos alunos por meio de avaliações periódicas.

“O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação, reafirma seu compromisso em apoiar tecnicamente os municípios para que possamos alfabetizar todas as crianças do nosso Estado até os sete anos de idade. A entrega do material didático complementar é mais uma entrega do Programa Bahia Alfabetizada, que atenderá os estudantes das redes municipais do 1º ao 2º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais”, apontou Helaine Souza, superintendente de Políticas para a Educação Básica da SEC.

ALFABAHIA

O material distribuído, intitulado ALFABAHIA: Brincando com a Linguagem, que tem foco no ciclo de alfabetização (1º ao 2º ano do Ensino Fundamental – Anos Iniciais), é uma coletânea de propostas pedagógicas organizadas em torno da ludicidade, oralidade, leitura e escrita, em consonância com os princípios do alfaletramento, da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e das Diretrizes Referenciais Curriculares da Bahia.

Composto por sequências didáticas, jogos, textos literários e atividades interativas que colocam a criança no centro do processo de aprendizagem, os livros têm ênfase no uso significativo da linguagem. A ideia é potencializar as práticas pedagógicas de alfabetização, apoiando os professores na promoção de experiências ricas e significativas com a linguagem, por meio de atividades que estimulam a escuta, a expressão oral e escrita, a leitura e a produção de textos. O material também visa a recomposição das aprendizagens essenciais, além de colaborar com o planejamento docente e garantir a construção progressiva da autonomia leitora e escritora das crianças.

O material também valoriza a ludicidade, a cultura local e a diversidade linguística, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, criativos e socialmente comprometidos para fortalecer as políticas públicas de alfabetização na Bahia.

Os livros serão distribuídos para todos os 417 municípios da Bahia, em articulação com os Núcleos Territoriais de Educação (NTE) e com as Secretarias Municipais de Educação. São 163.247 livros para estudantes do 1º ano, 166.267 para alunos do 2º ano; 7.855 para professores do 1º ano; e 7.624 para professores do 2º ano.

Ascom/SEC