Preto no Branco

25485 POSTS 1 COMENTÁRIOS

Chips de celular com pacotes de dados serão doados para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica nas atividades remotas da Univasf

0

(foto: arquivo)

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) receberá do Ministério de Educação (MEC) 1.317 chips pré-pagos com pacotes de dados de internet para celular. Os chips serão destinados aos discentes em situação de vulnerabilidade socioeconômica com o objetivo de possibilitar sua participação nas atividades remotas do período letivo suplementar 2020.3, previsto para começar em 14 de setembro [veja mais detalhes abaixo].

O comunicado oficial sobre a concessão dos chips para a Univasf ocorreu na terça-feira (18) por meio da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC. A Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Proae) da Univasf está elaborando um edital de seleção para regulamentar a distribuição dos chips entre os estudantes. O edital será discutido no âmbito da Câmara de Assistência Estudantil (CAE), o que deve acontecer até o início da próxima semana, antes de ser lançado para a comunidade, segundo a Univasf.

De acordo com informações divulgadas pelo MEC, as operadoras Claro e Oi venceram a segunda chamada da licitação para o fornecimento do serviço, que estará sob a coordenação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Ainda segundo o MEC, as operadoras Claro e Oi fornecerão um chip pré-pago, com uma franquia de dados móveis a ser utilizada pelos estudantes das universidades e dos institutos federais. A Claro será a principal fornecedora. Mas a Oi poderá oferecer a cobertura em locais onde houver variação do sinal da Claro.

Ainda segundo a reitoria, o número de chips que a instituição irá receber está de acordo com dados sobre os estudantes em vulnerabilidade socioeconômica informados ao MEC pela Proae no último mês de maio.

Semestre remoto

A Univasf irá ofertar um período letivo suplementar com a realização de atividades curriculares e extracurriculares de forma remota pelos cursos de graduação, em decorrência das medidas de enfrentamento à pandemia da covid-19. O período 2020.3 terá início em 14 de setembro e duração de 15 semanas, com conclusão prevista para 23 de dezembro de 2020. A participação nas atividades de ensino, que serão realizadas de forma remota no período letivo extraordinário, será obrigatória para docentes e facultativa para os discentes.

Segundo a Univasf, os Colegiados Acadêmicos definirão os componentes curriculares a serem ofertados, que poderão ser realizados de forma síncrona, assíncrona ou a combinação de ambas, de acordo com o planejamento do docente. Poderão ser criados programas, cursos, minicursos, palestras, fóruns, oficinas, webinários, disciplinas eletivas e/ou optativas, além das cadastradas no SIG@ da Univasf, desde que sejam avaliadas e aprovadas pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE).

Os docentes deverão utilizar principalmente a plataforma Moodle, disponibilizada pela Univasf, para realizar as atividades acadêmicas, mas também poderão recorrer a outras plataformas, a exemplo de Google Classroom, Zoom, Google Meet, mídias sociais, WhatsApp, Facebook, Instagram, dentre outros, observando também as condições dos estudantes. Docentes e discentes deverão passar por capacitação antes e durante o período letivo suplementar, segundo a resolução.

Da Redação

Quadrilha especializada em roubo de motos é presa em Petrolina

0

(foto: divulgação)

Uma ação conjunta do 5º Batalhão da Polícia Militar de Pernambuco (BPM) e do 2º Batalhão Integrado Especializado (2º BIEsp) desmanchou uma quadrilha especializada em roubo de motos em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, na noite de ontem (20). Arma, munições e veículo clonado foram apreendidos.

Segundo o BPM, suspeitos foram vistos desembarcando de dentro de um veículo em posse de armas de fogo, e tentaram assaltar uma vítima. Os policiais deram ordem de prisão, momento em que os mesmos entraram no veículo empreendendo fuga. Os assaltantes efetuaram disparados de arma de fogo contra o efetivo policial, que revidou os tiros, disse o Batalhão.

Os policiais solicitaram apoio de novas viaturas, que fizeram o acompanhamento por seis bairros da cidade. Segundo o BPM, os policiais viram o momento em que um dos criminosos descartou a arma de fogo, e após alguns instantes, o veículo parou devido a pneus estourados e um vazamento de óleo. O veículo tinha quatro ocupantes.

Durante a abordagem, foram encontradas uma arma de fogo calibre 12, de fabricação caseira; três munições calibre 12, sendo 1 deflagada, 1 pinada e 1 intacta; uma arma branca, dentre outros objetos. Após questionamentos, um dos suspeitos afirmou ter escondido uma moto que haviam roubado no período da tarde desse dia, segundo o BPM. A motocicleta, posteriormente, foi localizada. Os policiais constataram também que o veículo dos criminosos era um carro clonado.

Todo o material apreendido e os suspeitos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para adoção das medidas legais cabíveis.

Da Redação

Covid-19: taxa de ocupação de leitos de UTI cai para 33,9% em Petrolina

0

No boletim de ontem (20), onde confirmou mais 71 novos casos de covid-19, totalizando agora 3.861 diagnósticos positivos e 71 mortes, a Secretaria de Saúde de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, trouxe os números atualizados de ocupação dos leitos.

A taxa de ocupação geral dos leitos de UTI da rede pública caiu para 33,9%. Dos 56 leitos disponíveis, 19 estão ocupados, sendo que 12 pacientes são de Petrolina e 7 de outras cidades da região. Já 20% – 34 dos 170 – dos leitos intermediários públicos estão ocupados: 20 são pacientes de Petrolina e 14 de outras cidades.

Leitos de UTI

No que se refere aos internamentos nas UTI’s em leitos públicos, os dados mostram que no Hospital Universitário, que possui 20 leitos exclusivos abertos pela prefeitura, 3 pacientes de Petrolina (2 confirmados e 1 em investigação) estão internados. Com 3 leitos ocupadosa taxa de ocupação na unidade é de 15%.

No Hospital Memorial3 dos 5 leitos estão ocupados, sendo 1 paciente Petrolina (confirmado), 1 de Juazeiro (confirmado) e 1 de Ponto Novo-BA (confirmado). No Neurocardio, 4 dos 5 leitos públicos estão ocupados por 3 pacientes de Juazeiro (2 confirmados e 1 em investigação) e 1 de Jeremoabo-BA (em investigação). Os seis leitos inaugurados pela gestão municipal exclusivos para pacientes da cidade no Neurocardio continuam desocupados.

Na Unidade de Pronto Atendimento Especializada (UPAE), dos 20 leitos disponíveis, 6 estão ocupados por 5 pacientes de Petrolina (4 confirmados e 1 em investigação) e 1 de Ouricuri-PE (em investigação). A taxa de ocupação, portanto, é de 30%.

Hospital Regional de Juazeiro tem 3 pacientes de Petrolina (2 em investigação e 1 descartado) internados.

No que se refere aos leitos da rede privada, a prefeitura divulgou que na unidade da UNIMED, nenhum paciente está internado. O Neurocárdio terminou o dia de ontem com 3 pacientes de Petrolina (2 confirmados e 1 em investigação) internados, além de 1 paciente de Itabuna-BA (em investigação), 1 de Casa Nova-BA (em investigação), 1 de Salgueiro-PE (em investigação) e 1 de Juazeiro (em investigação). 

O Hospital Geral e Urgência (HGU) tem 3 pacientes de Petrolina (confirmados) internados, enquanto o Hospital Memorial não possui paciente de Petrolina ou região internado. A Promatre tem 1 paciente de Petrolina (em investigação) e o HRP Recife tem 1 paciente de Petrolina (confirmado) internados.

Leitos intermediários

Sobre os leitos públicos intermediários, segundo a secretaria, até ontem (20), no Hospital de Campanha Monte Carmelo, que possui 100 leitos, 7 pacientes de Petrolina (3 confirmados e 4 em investigação) estão internados. Com isso, a taxa de ocupação é de 7%.

Na UPAE, dos 30 leitos disponibilizados, 4 estão ocupados por 3 pacientes de Petrolina (confirmados) e 1 de Campo Formoso-BA (confirmado). A taxa de ocupação, portanto, é de 13%.

Já no Hospital Dom Malan, nos leitos infantis, 8 estão ocupados por 3 pacientes de Petrolina  (2 confirmados e 1 em investigação), 1 de Ouricuri-PE (em investigação), 1 de Ponto Novo-BA (descartado), 1 de Juazeiro (descartado) e 2 de Santa Maria-PE (1 em investigação e 1 descartado). Nos leitos mulher, 7 estão ocupados por 2 pacientes de Petrolina (1 confirmado e 1 em investigação), 2 de Santa Maria-PE (1 confirmado e 1 em investigação), 1 de Jaguarari-BA (confirmado), 1 de Verdejante-PE (confirmado) e 1 de Mirandiba (em investigação).

HU-UNIVASF não possui internamentos. O Hospital de Câncer de Pernambuco tem 2 pacientes de Petrolina (1 confirmado e 1 em investigação) internados, enquanto a UPA 24h tem 3 pacientes de Petrolina internados (em investigação). O Hospital Regional de Juazeiro possui 1 paciente de Dormentes-PE (confirmado) e 1 de Cabrobó-PE (em investigação) e o HUOC RECIFE  tem 1 paciente de Lagoa Grande-PE (em investigação).

Na rede privada, segundo a secretaria, a situação é a seguinte:

Hospital Geral e Urgência (HGU)
– sem internamentos;

UNIMED
– 6 pacientes de Petrolina (2 confirmados e 4 em investigação);
– 1 paciente de Cabrobó-PE (confirmado);
– 4 pacientes de Juazeiro (1 confirmado e 3 em investigação);

Neurocardio
– sem internamentos;

Hospital Memorial
– sem internamentos;

Promatre
– não informado;

*imagem ilustrativa

Da Redação

Loja de chocolates de Flávio Bolsonaro recebeu depósitos sucessivos em dinheiro e com mesmo valor entre 2015 e 2018

0

O Jornal Nacional teve acesso aos extratos bancários da quebra de sigilo da loja de chocolates do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), localizada em um shopping na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

O documento revela que, entre março de 2015 e dezembro de 2018, o estabelecimento do parlamentar recebeu 1.512 depósitos em dinheiro. Entre essas operações, várias foram feitas de forma fracionada e sucessiva, com valores repetidos.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade nas contas do senador (veja a nota completa da assessoria do parlamentar abaixo).

Ao fazer o cruzamento dos dados se percebeu que, neste período, foram feitos por exemplo 63 depósitos de R$ 1,5 mil em dinheiro; outros 63 de R$ 2 mil; e mais 74 depósitos no valor de R$ 3 mil.

A tabela mostra que, desses de R$ 3 mil, 12 depósitos foram feitos na boca do caixa e 62 no terminal de autoatendimento.

Nesse tipo de depósito é usado um envelope. O banco onde a loja tem conta só aceita 50 notas por envelope e o total máximo em cada um de R$ 3 mil.

A quebra do sigilo, autorizada pela Justiça, revela que em muitos dias a loja teve que repetir a operação várias vezes. Em 12 datas diferentes, foram vários depósitos de R$ 3 mil no mesmo dia.

De acordo com o documento da investigação, em 28 de novembro de 2016, por exemplo, foram sete depósitos fracionados de R$ 3 mil, totalizando R$ 21 mil.

Em 18 de dezembro de 2017, foram dez depósitos de R$ 3 mil, o que soma R$ 30 mil.

Já em 25 de outubro de 2018 foram 11 depósitos também de R$ 3 mil, chegando a R$ 33 mil em um único dia.

Na época, qualquer depósito acima de R$ 10 mil tinha que ser notificado às autoridades de controle financeiro que investigam a lavagem de dinheiro. Ao fazer depósitos fracionados – para ficar abaixo desse valor – a loja escapava dessa fiscalização.

Na documentação obtida pelo JN agora, entre 2015 e 2018, dos 1,5 mil depósitos em dinheiro recebidos pela loja de chocolates de Flávio, só 1 atingiu o valor em que começa a exigência de a operação ser comunicada às autoridades. Todos os outros ficaram abaixo disso.

O Ministério Público do Rio afirma que havia realização de aportes de recursos em espécie na conta bancária da empresa de forma desproporcional ao seu faturamento.

O MP diz também que existe coincidência dos depósitos em dinheiro no mesmo período em que o ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, arrecadava parte dos salários dos assessores da Alerj, no esquema da “rachadinha”.

Os promotores afirmam também que a franquia da Kopenhagen foi usada como conta de passagem por que os créditos espúrios retornavam para Flávio Bolsonaro como lucros fictícios com a finalidade de lavar dinheiro de crimes antecedentes.

O senador Flávio Bolsonaro comprou a loja no início de 2015. Nos dois primeiros meses como dono, ele fez uma retirada de lucro: R$ 180 mil.

O MP diz que no mesmo período, o sócio de Flávio não fez nenhuma retirada.

Depósitos no banco da Alerj na conta pessoal de Flávio
O Jornal Nacional já mostrou que a conta pessoal de Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos em dinheiro vivo entre junho e julho de 2017, quando ele era deputado estadual.

Os depósitos tinham sempre o mesmo valor, de R$ 2 mil. Foram todos feitos no autoatendimento da agência bancária da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf ), atual Unidade de Inteligência Financeira (UIF), afirmou que o fato de terem sido feitos de forma fracionada desperta a suspeita de ocultação da origem do dinheiro.

Na época, o senador disse que fez depósitos fracionados no caixa eletrônico porque não queria enfrentar fila e esperar o caixa conferir o dinheiro na frente de várias pessoas.

O que diz Flávio Bolsonaro
A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade nas contas do senador e esclarece que todas as informações sobre o caso já foram prestadas ao Ministério Público e não pode comentar detalhes de investigação sob segredo de Justiça. A defesa diz que já representou ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e foi instaurado procedimento para apurar os constantes vazamentos de informações.

A defesa de Fabrício Queiroz disse que ele nunca trabalhou na loja de chocolates e que desconhece os fatos relativos à sua administração.

G1

STF decide suspender produção de dossiê sobre antifascistas pelo Ministério da Justiça

0

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (20), por 9 votos a 1, determinar a suspensão imediata da produção, pelo Ministério da Justiça, de dossiês sobre vida pessoal, escolhas pessoais, políticas e práticas cívicas dos cidadãos identificados como integrantes de movimento político antifascista e de oposição ao governo Jair Bolsonaro.

O tribunal analisou ação da Rede Sustentabilidade, que questiona a produção de um suposto dossiê pelo ministério (veja detalhes sobre o caso mais abaixo).

O julgamento teve início nesta quarta, com o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, pela suspensão.

A Advocacia-Geral da União e a Procuradoria Geral da República pediram a rejeição da ação.

Após o julgamento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, afirmou em nota que a decisão do Supremo “reconhece a importância do regular exercício da atividade de inteligência como essencial para o Estado Democrático de Direito e a segurança dos cidadãos” (leia a íntegra da nota ao final desta reportagem).

Votos dos ministros
Cármem Lúcia – Em voto proferido na quarta-feira (19), a relatora Cármen Lúcia contestou os argumentos pela rejeição e afirmou que a ação se justifica.

“Não é dito: ‘não é dossiê, não há relatório'”. “A pergunta é simples: existe ou não? Se existe e estiver fora dos limites constitucionais, é lesão a preceito fundamental. Se não existe, bastaria dizer que não existe”, afirmou a ministra.

Cármen Lúcia também disse ter recebido do ministro da Justiça, André Mendonça, nota explicativa sobre o relatório e que, nessa nota, ele afirmou que não solicitou qualquer relatório e só teve conhecimento da existência do documento pela imprensa.

“Benza Deus a imprensa livre do meu país, benza Deus que temos ainda Judiciário que tem conhecimento disso e que dá importância devida para a garantia da democracia no sentido de a gente verificar do que se trata, do que é e qual a resposta constitucional a ser dada”, disse a ministra.

Alexandre de Moraes – Primeiro a votar nesta quinta-feira, o ministro Alexandre de Moraes disse que a existência desse tipo de material não foi posta em dúvida em nenhum momento e que relatórios de inteligência não podem ser feitos com objetivo de “bisbilhotar” preferências ideológicas de servidores.

“Uma coisa são relatórios para se verificar eventuais manifestações que possam interromper, como houve com a greve dos caminhoneiros, o abastecimento. São fatos. Outra coisa é começar a planilhar estado por estado, policiais militares, civis que são lideranças eventualmente contra o governo, contra manifestações realizadas a favor do governo. Qual o interesse disso?”

O ministro também disse que o suposto dossiê, a que os membros da Corte tiveram acesso, contém informações “extremamente precárias” para um sistema de inteligência que “devia ser muito melhor”, e a maior parte é tirada de redes sociais.

Segundo Moraes, os sistemas de inteligência “deveriam ser mais inteligentes” e oferecer informações “oportunas e confiáveis”. Moraes argumentou, no entanto, que os órgãos não podem atuar fora de sua finalidade, para “bisbilhotar” servidores.

“Há gravidade dos fatos, sobretudo por ter havido desvio de finalidade. Não é essa a razão da existência dos órgãos de inteligência”, disse. “Foi feito mais para ‘fofocaiada’ do que para um relatório de inteligência.”

Edson Fachin – O ministro Edson Fachin também acompanhou a relatora, afirmando que esse tipo de coleta de informações sobre escolhas pessoais e políticas de cidadãos só se cogita “em governos autoritários”.

“A administração pública não tem, nem pode ter, o pretenso direito de listar inimigos do regime”, afirmou.

Fachin defendeu que “a imprensa exerce especial papel de proteção do regime democrático e essa função social deve ser prestigiada e levada a sério” e que “o risco revelado pela possibilidade de construção de dossiês investigativos, travestidos de relatório de inteligência, contra inúmeros servidores públicos e cidadãos pertencentes a movimento de protesto, deve gerar preocupações quanto à limitação constitucional do serviço de inteligência.”

Luís Roberto Barroso – O ministro Luís Roberto Barroso argumentou que a atividade de inteligência é importante, mas que esse tipo de monitoramento para saber o que fazem eventuais adversários é completamente incompatível com a democracia, a menos que se tivesse qualquer elemento para supor que eles tramavam contra o estado e contra as instituições democráticas.

“Mas se a preocupação fosse efetivamente essa, talvez fosse o caso de monitorar os grupos fascistas, e não os grupos antifascistas”, completou.

Rosa Weber – A ministra Rosa Weber disse o que não vê “interesse legítimo” no uso do aparato da inteligência no “que só pode ser descrito na pior das hipóteses como bisbilhotice”. “Há desvio de finalidade sempre que o ato é praticado contra o interesse público.”

Segundo a ministra, “o silêncio das entrelinhas é mais eloquente do que das palavras lançadas”, referindo-se a nota técnica em que o Ministério da Justiça não nega ou confirma a existência do dossiê.

“O poder arbitrário sem o freio das leis, exercido no interesse do governante e contra os interesses do governado, o medo como princípio da ação, traduz as marcas registradas da tirania”, fundamentou.

Luiz Fux – O ministro Luiz Fux deu o voto que levou à formação da maioria pela suspensão da produção de informações de cidadãos pelo Ministério da Justiça.

Fux defendeu que “todo estado soberano reclama a existência de um serviço de inteligência”, mas que ninguém pode ser bisbilhotado por suas opiniões.

“O STF tem dado exemplos extremamente significativos de que liberdade de expressão é algo que combina com a democracia. Uma investigação enviesada, que escolhe pessoas para investigar, revela uma inegável finalidade intimidadora do próprio ato de investigação”, criticou.

Fux também afirmou que “o que se contém nesse documento são fatos impassíveis de serem categorizados como fatos de relatório de inteligência”.

“Deveria se denominar relatório de desinteligência”, disse. “Estamos no estado democrático de direito, é proibido proibir manifestações democráticas”, completou.

Ricardo Lewandowski – O ministro Ricardo Lewandowski defendeu não ser cabível, em um estado democrático de direito, que “se elabore dossiês contra cidadãos nos quais constem informações sobre preferencias políticas e ideológicas”.

“O que não se admite é que num estado democrático de direito se elabore dossiês sobre cidadãos dos quais constem informações quanto as suas preferências ideológicas, políticas, religiosas, culturais, artísticas ou, inclusive e especialmente, de caráter afetivo”, afirmou.

Para Lewandowski, é importante que o STF “estabeleça desde logo alguns parâmetros para esta importante atividade estatal, para que nós não revivamos a história recente, e desta vez como farsa”.

Gilmar Mendes – Em seguida, o ministro Gilmar Mendes argumentou que “a atuação estatal indevida tem efeito pernicioso sobre a sociedade como um todo, porque gera desestímulo a ideias, desestímulos ao debate de ideais e de ideias contrárias àquelas defendidas pelo governante”.

O ministro disse que há “plausibilidade jurídica” da ação quando afirma que os servidores críticos ao governo estavam sendo monitorados.

“O Ministério da Justiça não apresentou qualquer justificativa plausível para a produção de relatórios sobre os integrantes do movimento antifascista.”

Gilmar Mendes afirmou ainda que os dados mostram que os relatórios têm ocorrido durante a atual gestão do governo Bolsonaro, não somente após a nomeação do atual ministro da Justiça, André Mendonça. Mendes citou pedido de informações feito no dia da demissão do ex-juiz Sergio Moro, em 24 de abril.

Em nota, Moro afirmou que “desconhece qualquer relatório de inteligência sobre movimentos antifascistas produzido durante a sua gestão”. Segundo Moro, “causa estranheza a suposta requisição de um relatório” no dia de sua demissão e que seu trabalho “sempre foi pautado pela legalidade, ética e respeito à Constituição Federal.”

Marco Aurélio Mello – Único voto divergente, o ministro entendeu que a ação não é adequada e divergiu da relatora, votando contra a suspensão.

Segundo o ministro, em “um estado democrático de direito, o centro político é o Parlamento”, que deveria convocar o titular da pasta a prestar esclarecimentos. “Mas insiste-se em deslocar matéria estritamente política para o Supremo, provocando um desgaste incrível em termos de Poder Judiciário”, afirmou.

Marco Aurélio Mello disse que o relatório é um “cadastro de pessoas naturais e entidades” e de “movimentos que estão ocorrendo no território brasileiro”. E que se trata de um “cadastro lícito” com pessoas de diversas ideologias, movimentos “favoráveis e contrários ao governo”. “Envolve, portanto, dados necessários e indispensáveis à manutenção da segurança pública.”

“A informação, para quem governa, é básico”, disse, citando que o ministro Luiz Fux será o próximo “governador” do Judiciário. Fux assume a presidência da Corte em setembro, substituindo o ministro Dias Toffoli.

Dias Toffoli – Último a votar, Toffoli também acompanhou a relatora e defendeu a atuação “escorreita” do atual ministro da Justiça, André Mendonça.

Ele disse ser necessário “colocar limites”, mas que não se pode “fazer injustiças com pessoas que dedicam a vida pública ao Estado brasileiro de maneira correta”.

“Há muitas pessoas que às vezes aparecem na imprensa bem na foto, mas são péssimas na vida pública, criando fundos para administrarem, criando inimigos políticos para depois serem candidatos, e afastando as pessoas da vida pública e querendo galgar eleições futuras. Eu já disse isso e não preciso repetir, para bom entendedor meia palavra basta”, afirmou, sem citar nomes.

Toffoli disse que Mendonça demonstrou que não foi ele quem criou o relatório. “Governos anteriores tinham, ministros da Justiça anteriores tinham”, completou, também sem citar nomes.

Entenda o caso
Na ação, a Rede pede ao STF a “imediata suspensão da produção e disseminação de conhecimentos e informações de inteligência estatal produzidos sobre integrantes do ‘movimento antifascismo’ e professores universitários”.

A ação também pede a abertura de inquérito pela Polícia Federal “para apurar eventual prática de crime por parte do ministro da Justiça e Segurança Pública e de seus subordinados”, além da remessa dos conteúdos já produzidos ao STF para análise, com a manutenção provisória do sigilo.

Na semana passada, a ministra Cármen Lúcia pediu informações ao Ministério da Justiça, que não confirmou nem negou a existência do dossiê. Em documento encaminhado ao STF, no qual não incluiu o relatório, o MJ afirmou que não coleta informações com intuito investigativo e que isso difere de atividade de inteligência.

Cármen Lúcia afirmou que, se a “gravidade do quadro descrito se comprovar, “escancara comportamento incompatível com os mais basilares princípios democráticos do Estado de Direito e que põem em risco a rigorosa e intransponível observância dos preceitos fundamentais da Constituição da República”.

Em voto proferido no julgamento sobre fornecimento de dados à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Cármen Lúcia já ressaltou que “arapongagem” (investigação clandestina) é crime e, quando praticada pelo Estado, “é ilícito gravíssimo”.

A existência do relatório foi revelada pelo portal UOL. Segundo a reportagem, “o Ministério da Justiça colocou em prática, em junho, uma ação sigilosa sobre um grupo de 579 servidores federais e estaduais de segurança identificados como integrantes do ‘movimento antifascismo’ e três professores universitários”.

Ainda conforme a reportagem, a pasta “produziu um dossiê com nomes e, em alguns casos, fotografias e endereços de redes sociais das pessoas monitoradas”. O relatório foi feito pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi), ligada ao ministério.

Após a revelação da existência do documento, ministro da Justiça, André Mendonça, determinou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias da elaboração do relatório. Ele também substituiu o então diretor do órgão, Gilson Liborio.

A abertura da sindicância foi citada pela ministra em seu voto. “Se não há dossiê, do que estamos falando em matéria administrativa, que levou até a afastamento de servidor?”, argumentou a ministra, em referência ao afastamento.

No último dia 11, o suposto dossiê foi entregue à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. O presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), disse que assinou um termo de confidencialidade e que entregaria o relatório aos demais membros da comissão.

Na segunda, o ministério anunciou a entrega do material ao STF e à Procuradoria-Geral da República. Na terça, a ministra Cármen Lúcia determinou o envio do material as demais ministros da Corte.

Nota do ministro da Justiça
Leia abaixo a íntegra de nota divulgada após o julgamento pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça.

Nota à imprensa

Brasília, 20/08/2020 – A decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF 722 reconhece a importância do regular exercício da atividade de inteligência como essencial para o Estado Democrático de Direito e a segurança dos cidadãos.

Também confirma a correção dos parâmetros que já havia estabelecido para a instituição da Política, da Estratégia e do Plano Nacional de Inteligência de Segurança Pública, até então inexistentes, determinada pela Portaria 463/2020, por mim firmada no dia 16 de agosto.

Por fim, agradeço as manifestações proferidas por vários Ministros da Suprema Corte, reconhecendo a minha integridade, transparência e isenção em relação ao episódio. Tais declarações me motivam a continuar trabalhando por Justiça e pela Segurança dos brasileiros.

André Luiz de Almeida Mendonça

Ministro da Justiça e Segurança Pública

G1

Congresso: Câmara reverte votação do Senado e mantém veto a reajuste de servidores

0

A Câmara dos Deputados manteve, nesta quinta-feira (20), o veto do presidente Jair Bolsonaro à concessão, até 2021, de reajustes salariais a servidores públicos que estão na linha de frente no combate ao coronavírus.

Na quarta (19), o Senado tinha votado pela derrubada do veto. Para que o trecho fosse restaurado, no entanto, era preciso que as duas Casas do Congresso votassem nesse sentido.

Com a manutenção do veto, fica proibido, até o fim do ano que vem dar aumento salarial para qualquer categoria do serviço público no âmbito federal, estadual e municipal.

O placar foi de 316 votos sim (pela manutenção do veto), 165 votos não (pela derrubada) e duas abstenções.

A proibição de reajuste para o funcionalismo público foi uma contrapartida do governo federal para repassar R$ 60 bilhões aos estados e municípios, em maio, como forma de diminuir o impacto da crise gerada pela pandemia no país.

No entanto, durante a tramitação do projeto de lei, o Congresso abriu exceção para categorias que estivessem trabalhando diretamente no enfrentamento a doença no país, como os profissionais de saúde, segurança pública, educação pública, limpeza urbana, serviços funerários e assistência social.

O texto especificava que os recursos para bancar esse reajuste não poderiam vir da União. Na prática, governos estaduais e prefeituras que quisessem dar aumento teriam de usar dinheiro próprio.

O projeto não concedia reajuste automaticamente – apenas autorizava estados e municípios a fazê-lo caso quisessem. Seria preciso que cada Legislativo local aprovasse textos específicos.

O trecho vetado também permitia que, para essas categorias, continuasse a contagem do tempo de serviço para o recebimento de gratificações como anuênios, triênios, quinquênios e licenças-prêmio.

Com a manutenção do veto, esses profissionais estarão sujeitos à mesma regra dos demais servidores, que terão a contagem de vantagens e gratificações suspensa até o fim de 2021.

Ao deixar o prédio, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou as declarações dadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em reação à decisão do Senado. Guedes classificou a decisão como um “crime contra o país”.

“Ficar atacando uma Casa em que o resultado não foi aquilo que ele esperava é muito ruim. Da mesma forma que fizeram com a Câmara antes, como eu disse no meu discurso, ontem fizeram com o Senado. O resultado de votação é um resultado daquilo que é construído, daquilo que a nossa democracia nos dá. Câmara e Senado têm trabalhado. Quando uma vai numa linha que a sociedade mesmo está contra, a outra Casa conserta, e vai assim. A Casa revisora serve pra isso”, disse Maia.

Articulação

A derrubada do veto pelos senadores na noite de quarta-feira (19) pegou de surpresa a base aliada do governo. Diante disso, a análise pelos deputados acabou adiada para esta quinta a fim de dar tempo ao governo para articular apoio suficiente à manutenção do veto.

A votação dos senadores rendeu críticas públicas do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele disse que o Senado tinha dado “um péssimo sinal” e classificou a decisão como “um crime contra o país”.

Na manhã desta quinta, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que seria “impossível” governar se o veto fosse derrubado. Pelas contas do governo, o impacto negativo seria de cerca de R$ 130 bilhões nas contas públicas.

Nas horas que antecederam a sessão do Congresso, houve intensa mobilização que envolveu Rodrigo Maia e líderes partidários aliados do governo para angariar votos a favor do veto.

Durante a votação, Maia foi à tribuna do plenário argumentar a favor da manutenção do veto e a derrubada definitiva da possibilidade de reajustes às categorias.

“Não é possível que, com mais de 16 milhões de contratos suspensos de trabalho do setor privado, quase 2 milhões de desempregados [na pandemia], a gente não possa dar um sinal aos milhões de brasileiros de que o serviço público no mínimo não dará nenhum tipo de aumento até o próximo ano”, disse.

“Se todos temos a certeza, e eu também tinha, que ninguém vai dar aumento, então, por que a pressão para derrubar o veto? Se ninguém vai ter condição de dar aumento, vamos trabalhar pela a manutenção desse veto”, completou.

Partidos de oposição defendiam a derrubada do veto. O líder da Minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), lembrou que havia sido o próprio líder do governo na Câmara à época, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), que havia ampliado a possibilidade de reajuste a mais categorias.

Reação do governo
Em nota, o Ministério da Economia parabenizou os deputados pela manutenção do veto e afirmou que sua derrubada traria graves consequências para as contas públicas.

Um dia depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que a derrubada do veto pelos senadores era “um crime contra o país”, a pasta também elogiou “os senadores que votaram favoravelmente à manutenção do veto, apesar do resultado negativo”.

O ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, também elogiou a decisão.

“Parabéns aos 316 deputados que votaram pela manutenção de veto presidencial a reajuste de servidores públicos! A vitória não foi só do Governo, mas de todos os brasileiros que prezam pela manutenção das contas públicas e pelo crescimento econômico”, publicou em uma rede social.

G1

Prefeito de Irecê é denunciado ao MPE por atraso no adimplemento de obrigações previdenciárias

0

(foto: arquivo)

O Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), na sessão desta quinta-feira (20), realizada por meio eletrônico, julgou procedente o termo de ocorrência formulado contra o prefeito de Irecê, Elmo Vaz Bastos de Matos, pelo pagamento de R$ 309.166,74 em juros e multas, com danos ao erário, decorrentes do atraso no adimplemento de obrigações previdenciárias, no período de janeiro a dezembro de 2019.

O relator do processo, conselheiro Paolo Marconi, determinou a formulação de representação ao Ministério Público Estadual para que seja apurada a prática de ato de improbidade administrativa. Os conselheiros do TCM determinaram uma multa no valor de R$ 3,5 mil. Além disso, foi imputado o ressarcimento, com recursos pessoais, no valor de R$ 309.166,74.

Segundo o TCM-BA, em sua defesa, o gestor não conseguiu descaracterizar as irregularidades. Segundo a relatoria, existem documentos comprobatórios relacionados aos pagamentos de juros e multas, que se encontram nos autos relacionados nos demonstrativos de distribuição de arrecadação do município, inclusive disponíveis para qualquer interessado no portal eletrônico do Banco do Brasil.

Cabe recurso da decisão.

Da Redação

Educação inclusiva: projeto voltado para estudantes de comunidades rurais e periféricas discute assuntos do ENEM pelas ondas do rádio

1

A pandemia da covid-19 trouxe mudanças na rotina de estudos dos/das estudantes. É que com as aulas presenciais canceladas, muitos jovens têm tentado se adaptar à nova rotina utilizando, por exemplo, ferramentas aliadas como a internet, que vem sendo palco, inclusive, para uma alternativa que está sendo adotada por algumas instituições de ensino brasileiras como forma de amenizar os impactos no calendário letivo, que são as aulas remotas.

Entretanto, em um país marcado pela desigualdade social, faz-se necessário entender que nem todos os jovens têm acesso à internet de qualidade e outras ferramentas tecnológicas que possam favorecer a aprendizagem, afinal, a exclusão digital é uma realidade. Manter a rotina de estudos tem sido um grande desafio para os/as estudantes, principalmente para quem reside em comunidades periféricas e rurais. Para quem cursa a 3ª série do ensino médio, a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) torna a preocupação ainda maior, visto que o exame é a principal porta de entrada para o ensino superior no país.

E é partindo desse contexto plural e repleto de desigualdades, onde jovens estudantes sentem-se desmotivados pela limitação no acesso ao ensino remoto, que o projeto “Sintoniza ENEM” foi concebido. Idealizado pela professora Pók Ribeiro, surgiu com a perspectiva de diminuir essas distâncias e levar aos estudantes do 3º ano do ensino médio, um condensado de informações sobre temas recorrentes no ENEM, nas diversas áreas do conhecimento, através das ondas sonoras do rádio.

Professora Pók Ribeiro (foto: arquivo pessoal)

“Inicialmente, a ideia veio de uma angústia pessoal, também compartilhada com outros colegas da escola em que trabalho, pelo fato da esmagadora maioria dos/as nossos/as alunos/as não estarem acompanhando as aulas remotas, seja por falta de acesso à internet de qualidade ou até o mais básico mesmo, celular, computador. Por mais que tentássemos chegar até eles/elas através do WhatsApp, apenas alguns nos davam retorno. O WhatsApp era a ferramenta mais viável para o envio de apostilas, áudios, atividades, imagens e os links das aulas disponíveis no Educa PE [programa do Estado de Pernambuco], mas aí eles esbarravam, justamente, na internet precária para assistir às aulas publicadas no portal”, contou Pók Ribeiro, que é professora na Escola Poeta Carlos Drumond de Andrade, localizada no N-10 do Projeto de Irrigação Senador Nilo Coelho, na zona rural de Petrolina.

O programa é destinado a estudantes do ensino médio, sobretudo da zona rural, que vão realizar a prova do ENEM e estão tendo dificuldade de acesso à internet para acompanhar as aulas remotas. As provas impressas serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro e a versão digital nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro do ano que vem.

“O programa através da rádio tem proporcionado aos alunos da zona rural, uma melhor qualidade de ensino, já que em tempos de pandemia o meio físico não é possível. Está nos ajudando em uma proporção muito maior do que quando a gente estava tendo apenas aulas online. O governo não investiu nas plataformas digitais para realização das aulas online para os alunos de rede pública e da zona rural, deixando assim um empecilho para quem não têm acesso a internet. Me sinto feliz por ver que tem professores se empenhando em ajudar os alunos de todas as formas possíveis. Tenho um grande carinho pela Pók Ribeiro, contou Charlys Santos, estudante do 3º ano da Escola Poeta Carlos Drummond de Andrade, instituição que foi o ponto de partida para o início do projeto.

projeto recebe convidados especiais (foto: arquivo pessoal)

Metodologia

Partindo da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, cada programa aborda de dois a três temas que são mais recorrentes no ENEM, inclusive, com a participação de outros/as professores/as apoiadores/as das demais áreas. Em cada tema/disciplina, os professores fazem a análise de uma questão de provas anteriores, além da trazerem indicações de leituras e exercícios relacionados, no próprio livro didático, considerando o que é utilizado pelas turmas de 3º ano da Escola Poeta Drummond.

Além das discussões dos assuntos, análises de questões do ENEM, o “Sintoniza ENEM!” propõe ainda uma conversa sobre temas gerais e de relevância social, que poderão ser tema da redação do ENEM. Há ainda um momento de descontração com a leitura de poemas, além de músicas nos intervalos.

A professora Pók Ribeiro ressalta que tem recebido um retorno positivo dos alunos desde o primeiro programa, exibido no início de agosto.

“Os nossos alunos, não só do 3º ano do Ensino Médio, mas também do 1º, têm se manifestado e afirmado que estão gostando muito, que estão aprendendo e, os do 3º ano, principalmente. Já recebi até fotos de ex-alunos que estão acompanhando também. Como o programa é veiculado na rádio, que tem uma abrangência grande, e pelo Facebook, já tivemos notícia de pessoas que estão ouvindo em outras cidades da região. Esse alcance e sinalização do público são fundamentais para reforçarmos esse objetivo de democratização da informação, mas também para nos motivar a prosseguirmos com o programa, enquanto o espaço estiver disponível”, disse.

A estudante Vanessa Pereira, que também está de olho no Enem, elogiou a iniciativa. “O programa Sintoniza Enem é bem eficaz, e os professores ótimos. Como nós, estudantes de baixa renda, não temos condições financeiras para pagar um cursinho, está ajudando bastante”, contou a aluna da Escola Poeta Carlos Drummond de Andrade.

O “Sintoniza ENEM!”, programa educativo e inclusivo, é produzido coletivamente com a participação de outros/as professores/as e artistas, tem duração de 60 minutos e é veiculado pela Rádio Grande Rio AM, de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, todos os domingos, às 13h [confira os programas já exibidos abaixo].

Doação de notebooks

A professora Pók Ribeiro também idealizou uma campanha para arrecadar computadores ou notebooks que não estão sendo mais usados, mas que estão em funcionamento, para serem doados aos alunos e às alunas do 3º ano do ensino médio que estudam em escolas públicas da zona rural de Petrolina.

A intenção é proporcionar que os/as estudantes tenham mais uma ferramenta de aprendizado a partir do acesso à esses equipamentos tecnológicos. Os interessados em fazer doações – e até mesmo em contribuir para a manutenção das máquinas, já que um dos equipamentos doados até o momento apresenta algum tipo de defeito – pode entrar em contato com a professora através de seu perfil no Instagram.

Confira o “Sintoniza Enem!” 1

Confira o “Sintoniza Enem!” 2

Confira o “Sintoniza Enem!” 3

Da Redação por Thiago Santos

Homem é acusado de abusar sexualmente de criança de 9 anos em Juazeiro; suspeito foi preso

0

Familiares de uma criança de 9 anos acusam o companheiro da avó da garota de abuso sexual. Em conversa com o PNB, familiares revelaram que os abusos aconteciam há cerca de dois anos, dentro do carro na garagem da residência do suspeito, que mora próximo à família.

Segundo parentes, a mãe da garota tomou conhecimento dos abusos após notar um comportamento estranho da vítima desde que o caso da criança de 10 anos, do Espírito Santo, que engravidou após sofrer abusos, tendo como principal suspeito o tio, passar a ser amplamente divulgado na mídia.

“A mãe da vítima achou estranho porque a criança estava desconfiada e chamou ela para conversar. Aí a garota disse que ele estava fazendo coisas horríveis com ela. A mãe dela então levou ela para o hospital e de lá chamaram a polícia”, contou uma familiar, que revelou ainda que a família nunca desconfiou dos abusos, principalmente porque o suspeito tinha uma boa relação com todos.

O suspeito foi preso na última terça-feira (18) pela Polícia Militar, quando se dirigia ao hospital onde a criança estava sendo atendida. Ele foi encaminhado à delegacia da Polícia Civil onde participou de uma audiência de custódia na manhã de hoje (20). O suspeito agora está preso no Conjunto Penal de Juazeiro à disposição da Justiça.

ATENÇÃO

Converse com a criança sobre as partes íntimas do corpo
As crianças precisam saber nomear corretamente as partes do corpo e identificar o que é íntimo, para assim, poderem relatar aos pais quando algo fora do comum acontecer. Ensine ao seu filho o nome correto de todas as partes do corpo e explique sobre as partes íntimas, ensinando que ninguém poderá tocar nessas regiões e nem vê-las, apenas os pais quando forem dar banho ou trocar de roupa.

Explique sobre os limites do corpo
Ensine a criança a não permitir que ninguém toque as suas partes íntimas, ou ainda, que ela não toque nas partes íntimas de nenhuma pessoa, seja ela conhecida ou desconhecida. Alerte a criança para possíveis artimanhas usadas pelos abusadores, como trocar carícias por doces, apresentar um “cachorrinho” e assim por diante.

Incentive a criança a conversar com você
É preciso que o seu filho se sinta seguro para lhe contar qualquer coisa, inclusive uma situação de abuso. Muitas vezes, os abusadores pedem às crianças para manterem o ocorrido em segredo, seja ameaçando-a ou de maneiras lúdicas.

Saiba com quem seu filho anda e o que ele está fazendo
Muitos dos casos de abuso infantil acontecem quando uma criança passa horas sozinha com um adulto, que pode ser um membro da família ou um conhecido. Por isso, saiba o que seu filho está fazendo mesmo na sua ausência. Se for preciso deixá-lo por horas com um adulto ou um adolescente responsável, tenha meios de vigiá-los por um tempo para saber como é esta relação. O melhor é sempre preferir situações nas quais seu filho integre-se a um grupo, pois isso dificulta a ação de abusadores.

Analise a reação da criança
Muito importante: sempre analise a reação da criança. Se ela demonstra não ter afeição por alguém próximo, que ela teoricamente deveria desenvolver afeto, tente entender o motivo.

Identifique os possíveis sinais de um abuso
Embora não seja fácil notar os sinais físicos de um abuso sexual, é possível que a criança tenha alterações no seu comportamento, como: irritação, ansiedade, dores de cabeça, alterações gastrointestinais frequentes, rebeldia, raiva, introspecção ou depressão, problemas escolares, pesadelos constantes, xixi na cama e presença de comportamentos regressivos (por exemplo, voltar a chupar o dedo). Outro sinal de alerta é quando a criança passa a falar abertamente sobre sexo, de forma não-natural para a sua idade, física e mental.

Se você notar algum desses sinais, tome cuidado com a sua reação, porque ela poderá fazer com que a vítima se sinta ainda mais culpada. O importante é oferecer apoio à criança, escutando o que ela tem a dizer e não duvidando da sua palavra. Busque ajuda e orientação profissional para que o seu filho consiga falar sobre o ocorrido e lidar com o fato.

Claro, busque medidas legais para afastar o abusador. Romper o silêncio é uma forma ativa de lidar com o problema e impedir que ele continue acontecendo.

*com informações da ChildFund Brasil

*foto ilustrativa

Da Redação