Preto no Branco

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Bahia: Secretaria da Educação do Estado realiza atualização cadastral dos estudantes da rede até 30 de outubro

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A atualização do cadastro escolar dos estudantes da Rede Estadual de Ensino da Bahia começou nesta terça-feira (13) e segue até 30 de outubro. A Secretaria da Educação do Estado (SEC) convoca os alunos a procurarem a secretaria da escola onde estão matriculados para conferir e atualizar seus dados. Esta é uma etapa importante para a renovação da matrícula do ano letivo de 2027.

Durante o prazo, é necessário verificar se as informações registradas no sistema estão corretas e complementar os dados pendentes, como número de telefone e documentos pessoais. O procedimento deve ser realizado presencialmente na unidade escolar.

Manter o cadastro atualizado permite que os estudantes recebam, com antecedência, as orientações sobre a renovação da matrícula, além de facilitar a comunicação entre a escola e as famílias. Por isso, é importante não deixar a regularização para os últimos dias do prazo.

A SEC orienta os estudantes a procurarem a secretaria escolar até 30 de outubro para concluir a atualização. A medida integra os procedimentos preparatórios para a matrícula de 2027 e contribui para que o processo ocorra de forma organizada.

Ascom SEC

Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”: Vorcaro é ligado a rede de prostituição de R$ 4,3 milhões que recrutava refugiadas estrangeiras

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Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam detalhes de uma suposta rede internacional de prostituição financiada por ele a partir de 2023. Segundo reportagem da coluna de Natália Portinari, do portal Uol, o esquema envolvia intermediários, recrutamento de mulheres estrangeiras e uma casa noturna em São Paulo, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões.

De acordo com a publicação, as conversas indicam que Vorcaro não apenas utilizava os serviços, mas também participava de decisões sobre a contratação das mulheres e discutia a criação de uma agência própria para administrar o negócio.

Parte das mulheres recrutadas era estrangeira, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. A reportagem afirma que algumas foram mantidas no Brasil após serem levadas para eventos privados frequentados pelo banqueiro, autoridades e pessoas próximas a ele.

O caso é investigado pela Polícia Federal, que abriu um inquérito em maio para apurar a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação dos serviços.

Mensagens citam refugiadas ucranianas

Um dos episódios descritos na reportagem envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra em seu país. Segundo as mensagens obtidas pelo UOL, ela chegou ao grupo em outubro de 2023, após ser levada a uma festa de Halloween.

No mês seguinte, o promotor de eventos Diogo Batista, apontado como um dos principais investigados, relatou a Vorcaro a presença de três refugiadas ucranianas. O banqueiro respondeu: “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”, conforme a reportagem.

Dias depois, Batista informou que a jovem não poderia retornar à Ucrânia porque os pais consideravam melhor que ela permanecesse fora do país. Em uma das conversas, ele sugeriu a criação de uma agência para reunir as mulheres.

“Bora colocar elas na agência e daí lavamos as mãos”, teria escrito o promotor de eventos.

Em dezembro de 2023, Batista afirmou que a jovem não tinha para onde ir e relatou que a cidade de origem estava sendo bombardeada. Segundo a reportagem, ele também disse que a manteve no grupo porque ela pretendia buscar refúgio na Itália.

 

Conversas mostram tratamento degradante

A reportagem também aponta que Vorcaro e Batista utilizavam expressões depreciativas para se referir às mulheres e discutiam a disponibilidade delas para eventos e encontros privados.

Em uma das mensagens reproduzidas pelo Uol, Batista utiliza o termo “escravinha doutrinada”. Em outras conversas, os dois discutem a contratação de mulheres para festas e encontros, além de avaliar quem deveria permanecer no grupo.

 

Investigação apura possível exploração

Além de Vorcaro, a reportagem aponta Leonardo Serrano, dono de uma empresa de eventos, e Diogo Batista como os principais investigados. Batista, segundo o UOL, recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro. Os dois não responderam aos contatos feitos pela publicação.

No Brasil, a prostituição voluntária não é crime por si só. Já práticas como o favorecimento da prostituição e a exploração sexual por terceiros podem configurar crimes, a depender das circunstâncias. A investigação também busca esclarecer se houve coação ou violência, elementos relevantes para a apuração de eventual tráfico internacional de pessoas.

BNews

Matrículas 2027: Petrolina inicia renovação para estudantes da Rede Municipal

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A Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esporte (SEDUCE), iniciou, na sexta-feira (9), o processo de renovação de matrículas para o ano letivo de 2027.

A etapa segue até o dia 23 de outubro e é destinada exclusivamente aos estudantes que já estão regularmente matriculados na Rede Municipal de Ensino em 2026.

A renovação é destinada aos alunos que desejam permanecer na Rede Municipal e cuja unidade escolar ofereça a série seguinte de escolaridade. O procedimento pode ser realizado de forma on-line através do portal edu.petrolina.g12.br.

A opção on-line busca facilitar o acesso das famílias e tornar o processo mais rápido e seguro. Para os pais ou responsáveis que tiverem dificuldades em realizar o procedimento pela internet, todas as escolas da Rede Municipal estarão disponíveis como pontos de apoio. Nesses casos, a renovação poderá ser feita diretamente na unidade onde o estudante está matriculado.

O processo de matrículas para 2027 foi organizado pela Prefeitura de Petrolina em diferentes etapas, contemplando renovação de matrícula, continuidade de estudos, transferência por interesse próprio e solicitação de novas vagas. Cada procedimento possui período, critérios e orientações específicos.

O calendário completo está disponível no Diário Oficial do Município através do link: https://drive.google.com/file/d/1ctDAjJeofQmZpmtW1ZrdrSTr3MUqLrFJ/view. O documento estabelece o Cronograma Anual de Matrículas para o ano letivo de 2027 e reúne todas as informações sobre prazos, etapas e procedimentos que devem ser observados pelas famílias ao longo do processo.

 

Ascom PMP

Site da Ancine é invadido por hackers com ofensas a Lula e ao Nordeste: “Glória ao Sul, aos EUA e a Israel”

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Uma invasão hacker foi registrada no portal de um sistema da Ancine – Agência Nacional de Cinema. O ato provocou a exibição de uma tela com xingamentos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a nordestinos, por cerca de uma hora. As informações são da CBN.

Uma imagem de fundo exibia uma montagem com o senador e candidado à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), fazendo um sinal de arma com as mãos, a deputada federal Júlia Zanatta (PL) segurando um chicote e um mapa do Nordeste em vermelho.

O site da Agência ainda está inacessível.

Redação PNB

Juíza autoriza entrada de pessoas usando adesivos de candidatos no evento “Abrace um Denguinho”, em Petrolina

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A Juíza Elisama de Sousa Alves autorizou a entrada de pessoas usando adesivos de candidatos no evento “Abrace um Denguinho”, comandado pelo cantor João Gomes, em Petrolina, que acontece nesta segunda-feira (12). A decisão da magistrada ocorre após denúncias de que a organização proibiu o uso do material político no evento.

Segundo os relatos, vários eleitores de Lula foram barrados pela organização que não permitiu a entrada com os adesivos do candidato.

Um oficial de Justiça foi até o Parque Josepha Coelho, onde acontece o evento, e confirmou a liberação: “Na realidade foi liberada a entrada de todos os eleitores com os adesivos (…) O que eu posso dizer é que, por ordem da doutora Elisama, os eleitores com as ‘praguinhas’ dos seus candidatos podem adentrar no show”.

Questionamentos

A proibição provocou protestos de eleitores que alegaram ser um evento que acontece em espaço público e conta com apoio da Prefeitura de Petrolina.

Um advogado que estava na fila, usando adesivo de Lula, foi impedido de entrar e argumentou que a livre manifestação do pensamento é um direito garantido pela Constituição Federal.

“Aqui é um direito constitucional meu de botar no meu próprio corpo minha manifestação política. Um show feito em um lugar público. Eu não quero abrir mão de direito. Eu só quero entrar cm meu adesivo

O segurança argumenta que foi uma ordem da “produção do evento”.

De acordo com outro leitor, foi informado que a proibição era dirigida a pessoas que estavam usando os adesivos de candidatos à presidência, independentemente da preferência política.

O PNB consultou o advogado Pablo Bandeira que explicou: “O adesivo fixado na própria roupa do cidadão, conhecido popularmente como “praguinha”, é considerado uma expressão do direito de cidadania. É permitida a manifestação individual, ou seja, portar o adesivo na camisa, usar broches ou bonés de forma silenciosa enquanto assiste ao evento.

A reportagem tentou contato com a empresa de segurança, mas não obteve resposta. Estamos tentando esclarecimentos da Prefeitura de Petrolina.

O que diz a Constituição?

O artigo 5º, inciso IV, da Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, vedado o anonimato. Já o inciso IX protege a liberdade de expressão.

Redação PNB

“Direito constitucional” Leitores denunciam proibição de adesivos de Lula no “Abrace um Denguinho”, em Petrolina

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Leitores do Portal Preto no Branco entraram em contato com nossa redação, nesta segunda-feira (12), para questionar a proibição do uso de adesivos de candidatos no evento “Abrace um Denguinho”, comandado pelo cantor João Gomes, em Petrolina.

Segundo os relatos, vários eleitores de Lula foram barrados pela organização que não permitiu a entrada com os adesivos do candidato.

A proibição provocou protestos de eleitores que alegaram ser um evento que acontece em espaço público e conta com apoio da Prefeitura de Petrolina.

Um advogado que estava na fila, usando adesivo de Lula, foi impedido de entrar e argumentou que a livre manifestação do pensamento é um direito garantido pela Constituição Federal.

“Aqui é um direito constitucional meu de botar no meu próprio corpo minha manifestação política. Um show feito em um lugar público. Eu não quero abrir mão de direito. Eu só quero entrar cm meu adesivo

O segurança argumenta que foi uma ordem da “produção do evento”.

De acordo com outro leitor, foi informado que a proibição era dirigida a pessoas que estavam usando os adesivos de candidatos à presidência, independentemente da preferência política.

O PNB consultou o advogado Pablo Bandeira que explicou: “O adesivo fixado na própria roupa do cidadão, conhecido popularmente como “praguinha”, é considerado uma expressão do direito de cidadania. É permitida a manifestação individual, ou seja, portar o adesivo na camisa, usar broches ou bonés de forma silenciosa enquanto assiste ao evento.

A reportagem tentou contato com a empresa de segurança, mas não obteve resposta. Estamos tentando esclarecimentos da Prefeitura de Petrolina.

O que diz a Constituição?

O artigo 5º, inciso IV, da Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, vedado o anonimato. Já o inciso IX protege a liberdade de expressão.

Redação PNB

Atração confirmada: Ilê Aiyê se apresenta durante o Festival do Bosque; evento acontece dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro

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Com o lema “Axé pra quem é de música”, o Festival do Bosque, que acontece nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, reúne música e cultura em uma programação que movimenta a cena artística do Vale do São Francisco.

A programação será realizada no Centro Cultural João Gilberto, em Juazeiro, nos dias 30 e 31/10 e na Ilha do Fogo (01/11).

A presença do Ilê Aiyê amplia o alcance dessa proposta ao trazer para a região uma história de mais de cinco décadas de resistência, criação artística e valorização da população negra.

Ilê Aiyê

O Ilê Aiyê fundado em 1º de novembro de 1974, no bairro da Liberdade, em Salvador, o bloco construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura afro-brasileira, pelo combate ao racismo e pela afirmação da identidade negra. Reconhecido nacional e internacionalmente, o Ilê Aiyê leva sua musicalidade e ancestralidade a diferentes lugares do mundo, consolidando-se como uma das principais referências da cultura afro-baiana.

A apresentação será conduzida a partir da trajetória do bloco e reconhecida pela potência de sua percussão e pela influência dos ritmos afro-baianos. Com dezenas de músicos e uma história de colaborações com artistas brasileiros e internacionais, a banda já participou de projetos com nomes como Daniela Mercury, Martinho da Vila, Carlinhos Brown e Björk.

Sua sonoridade tem como uma de suas bases o ijexá, ritmo que também fundamenta a dança afro do Ilê Aiyê, inspirada em elementos da ancestralidade africana preservados pelos terreiros de candomblé.

A chegada do grupo ao Vale representa um encontro entre a tradição cultural de Salvador e o público sertão adentro.

Redação PNB, com informações Ascom

“A estética das ideologias e o espelho partido: Identificação e rejeição no Lulismo e no Bolsonarismo”, por Pablo Bandeira

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A política não se reduz a programas, instituições ou cálculos racionais. Ela é, antes de tudo, uma questão de estética, no sentido que Jacques Rancière atribui ao termo: a “partilha do sensível”, o regime de visibilidade que define o que pode e o que não pode aparecer na esfera pública.

As ideologias políticas, nessa esteira, nunca foram apenas conjuntos de ideias; foram também formas sensíveis de habitar o mundo, modos de ver, vestir, falar e se relacionar com o corpo e com o espaço. É nesse terreno estético que se dá a identificação do eleitor com o líder, e é também nele que se produz seu avesso: a rejeição de si mesmo através do voto no oposto.

O liberalismo clássico construiu sua estética em torno da contenção, a performance de competência e a autossuficiência, que funciona como uma máscara da desigualdade. Ela transforma o sujeito em vitrine e o fracasso estrutural em culpa individual: quem não vence é responsabilizado por não ter se esforçado. Há uma estetização da superfície polida: a vitrine, o terno, o currículo, a performance de competência.

O conservadorismo, por sua vez, estetiza a “tradição”, disseminando uma nostalgia da hierarquia. Seu espelho oferece a imagem da pureza ameaçada e mobiliza o ressentimento contra o diferente, o estrangeiro e o dissidente, tentando impor uma ordem que não precisa ser justificada pela razão, apenas sentida como natural.

O socialismo, por fim, estetiza a coletividade em movimento. Sua percepção é a da horizontalidade fusional, do nós que se sobrepõe ao eu. O mundo socialista é um horizonte de emancipação, onde o sujeito se dissolve na luta comum.

As estéticas não são meros ornamentos: são padrões de conexão que preparam o terreno para a identificação política.

A TEORIA DO ESPELHO: IDENTIFICAÇÃO COM O SEMELHANTE

Por que as pessoas votam em alguém? Uma resposta poderosa vem da psicanálise. Freud já havia percebido que a identificação oferece ao indivíduo algo que ele não encontra em si mesmo: o líder funciona como espelho, e nele o sujeito enxerga a força que gostaria de possuir, a autoridade que lhe falta.

Lacan radicalizou essa intuição com o “estádio do espelho”: o eu se constitui mediante a identificação com uma imagem do outro que é também uma imagem de si. A criança se reconhece no espelho como uma totalidade que ela ainda não possui — e é essa imagem unificante que funda o eu. Transposta para a política, a estrutura é a mesma: o líder oferece ao eleitor uma imagem coesa de si mesmo, uma promessa de completude. O eleitor vota naquele que espelha o que ele gostaria de ser.

Nesse prisma, lulismo e o bolsonarismo são exemplos paradigmáticos desse espelhamento. Lula constrói uma estética do “ser e estar junto”, da coletividade que se reconhece no líder que veio de baixo, do “homem simples”. Bolsonaro, por sua vez, oferece uma estética do reacionarismo, do antiintelectualismo orgulhoso e “mitolatria”. Em ambos os casos, o eleitor encontra no líder uma imagem idealizada de si.

A predominância dessas duas estéticas não diz respeito apenas aos líderes, mas revela uma radiografia profunda do status atual da massa brasileira. Não estamos diante de um povo que escolheu dois projetos de país, mas de uma massa que foi historicamente abandonada e que busca, desesperadamente, um espelho que a reconheça.

Mas há um fenômeno que a teoria do espelho não explica completamente: e quando o eleitor vota contra a imagem que o espelho lhe oferece? Quando ele rejeita o semelhante e escolhe o diferente — não por admiração, mas por repulsa a si mesmo? Aqui entra a teoria do contraste (que proponho como complemento à teoria do espelho). Em contextos de polarização afetiva intensa, forma-se o que a ciência política chama de partidarismo negativo: uma identidade política definida não pela adesão a um grupo, mas pela rejeição estável a um exogrupo percebido como ameaçador. No Brasil, o antipetismo e o antibolsonarismo estruturaram o campo político de forma cada vez mais hostil e emocionalmente carregada, com eleitores unidos para barrar o avanço do outro lado considerado inaceitável.

O eleitor negativo escolhe um lado não por identificação, mas para evitar a vitória do candidato mais rejeitado. Ele não vota em alguém; vota contra alguém. E, ao fazê-lo, pode estar votando contra aquilo que ele próprio é — ou que teme ser.

A explicação psicanalítica é intrigante. Na melancolia, Freud descreveu um processo em que o objeto perdido é erigido dentro do próprio eu, e o eu se volta contra si mesmo com a mesma agressividade que dirigia ao objeto. Transposto para a política: o eleitor que rejeita profundamente uma identidade política — digamos, a identidade “petista” ou “bolsonarista” — pode estar rejeitando uma parte de si mesmo que não consegue integrar. Ele projeta no adversário tudo o que não suporta em si: a dependência, a passividade, a vergonha de classe, o medo da insignificância.

O voto no oposto é, nesse sentido, uma tentativa de cura pela negação. Ao votar contra o espelho que lhe devolve uma imagem insuportável, o eleitor busca uma imagem alternativa de si — uma imagem que ele não reconhece como sua, mas que lhe promete não ser aquilo que ele teme ser. É um voto de fuga de si, não de encontro consigo.

Compreender essa dinâmica é urgente. Porque se a política é uma questão de estética — de visibilidade e de reconhecimento —, então a luta política é também uma luta pelo direito de aparecer, de ser visto, de não precisar fugir de si mesmo para existir na esfera pública.

E talvez a tarefa mais difícil da democracia seja construir espelhos que não precisem ser quebrados.

Pablo Bandeira, juazeirense, Advogado, formado em Direito pela FACAPE, com atuação em Direito Penal e Cível, produtor de textos sobre filosofia e ciência política

Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena caso Flávio Bolsonaro vença eleição, denuncia Folha de São Paulo

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Uma reportagem divulgada pelo Jornal Folha de São Paulo afirmou reuniu áudios e relatos supostamente feitos por fazendeiros que disseram que irão  invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial de 2026.

De acordo com a reportagem, os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal. A União iniciou apurações sobre a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.

O caso que mais ganhou repercussão foi na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, no Pará. O local tem histórico de violência e viveu um pico de desmatamento no governo de Jair Bolsonaro (PL).

Uma cidade, conhecida como Vila Renascer, chegou a ser feita por pecuaristas dentro da área protegida.

Conforme divulgado pela Folha, oito áudios revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições.

Mesmo divulgado a informação, o jornal alegou que, por razões de segurança, a transcrição dos áudios não foi publicada, nem a identidade dos envolvidos revelada. No entanto, segundo a matéria, as mensagens foram enviadas por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias.

No recados, os supostos fazendeiros dizem que iriam aguardar o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.

Essas mensagens foram pauta de uma  reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) na última quinta-feira (8).

A situação é monitorada pela Polícia Federal, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Funai (Fundação dos Povos Indígenas) e Ministério dos Povos Indígenas.

BNews