A primeira etapa do projeto de regularização fundiária, executado pelo Consórcio Sustentável do Território do São Francisco (Constesf), através do convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), já está em andamento nos municípios de Canudos e Juazeiro. A equipe do Constesf está realizando cadastros literais, onde os agricultores solicitam o título de terra que será analisado pela CDA. Até o momento foram realizados cerca de 200 cadastros, nas comunidades de rurais de Canudos e Juazeiro.
O Constesf irá cadastrar gratuitamente cerca de dois mil agricultores familiares nos 10 municípios do Território do Sertão do São Francisco. Serão 200 peças técnicas por município consorciado, buscando com isso facilitar a emissão do título da terra pela CDA e assim, beneficiar 2.000 famílias proprietárias de imóveis rurais que estão em pendências de regularização.
Cada município tem uma comissão formada pela sociedade civil organizada, o poder executivo e o legislativo, que está acompanhando a execução do projeto. “Os agricultores beneficiados pelo projeto serão aqueles indicados pela comissão de cada município que obedecerem a critérios básicos, como nunca ter recebido um título de terra e ter uma área de até 100 hectares. O nosso projeto é executado na modalidade doação e por isso é preciso atender a esses critérios”, explicou a coordenadora do projeto, Itala Damasceno.
De acordo com presidente do Constesf e prefeito de Sobradinho, Luiz Vicente Berti, o projeto busca garantir aos agricultores o acesso à propriedade da terra que já habitam e tiram o seu sustento. “O título de terra que essas famílias receberão é também um passo para que elas tenham acesso às políticas públicas dos governos estadual e federal. Isso é uma conquista importante para o nosso território, regulamentar essas terras é garantir direitos”, salientou.
Uma boa oportunidade para os estudantes de jornalismo: A Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) está com inscrições abertas para a contratação de estagiários. Os aprovados irão atuar na Assessoria de Comunicação (Ascom) da autarquia. Podem se inscrever alunos do curso de jornalismo a partir do 5º período.
Os interessados devem enviar currículo e uma produção textual (jornalística) para o e-mail ascom@facape.br até este domingo (22). Após análise do material, os candidatos aptos serão convocados para uma entrevista, marcada para a próxima terça-feira (24), a partir das 8h.
O estudante selecionado desempenhará as seguintes atividades: clipping diário, produção de textos jornalísticos, cobertura fotográfica de eventos, atualização de mídias sociais e atendimento à imprensa. A bolsa é de R$ 452, mais auxílio-transporte de R$ 99. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (87) 3866-3207 ou via e-mail.
Partidos europeus e imprensa internacional também criticam processo de impeachment.
Maduro e Morales enviaram mensagens de solidariedade a Dilma e qualificando o impeachment de golpe / AVN/ABI
Governos da América Latina, especialmente do Cone Sul, têm se manifestado contra o processo de impeachment de Dilma Rouseff (PT) e dizem não reconhecer Michel Temer (PMDB) enquanto ocupante da Presidência. O governo interino do peemedebista também tem sofrido críticas da imprensa estrangeira e de partidos europeus atualmente no poder.
No contexto regional, Equador, Cuba, Nicarágua, Chile, Bolívia, Uruguai, El Salvador e Venezuela criticaram a votação do impeachment realizada pelo Senado na última semana e manifestaram apoio a Dilma. Os dois últimos convocaram seus embaixadores a voltarem a seus países. Na tradição diplomática, a medida não significa ruptura nas relações internacionais, mas profundo desacordo com a situação interna do país onde se localiza a embaixada.
Além de governos, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) também manifestaram preocupação.
Ernesto Samper, secretário geral da Unasul, afirmou que, caso a deposição da petista se confirme, os outros onze membros da entidade devem analisar a ocorrência da violação da cláusula democrática e possíveis sanções.
O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, disse que pode levar oimpeachment brasileiro à Corte Interamericana de Direitos Humanos, já que o processo estaria marcado por uma “incerteza jurídica”, por conta dos argumentos usados contra Dilma.
Críticas
Rodolfo Novoa, chanceler do Uruguai, posicionou-se contra o impeachmente garantiu que o governo uruguaio não tem intenções de reconhecer Temer: “Com certeza estamos muito preocupados com esta situação”.
A representação diplomática chilena emitiu nota na qual afirma que “o governo do Chile expressa sua preocupação pelos acontecimentos dos últimos tempos nessa nação irmã, que tem gerado incerteza em nível internacional”. O Partido Socialista, legenda da presidenta Michelle Bachelet, também se solidarizou a Dilma.
A embaixada equatoriana, em comunicado com tom mais duro, afirmou que Dilma é “a legítima depositária do mandato popular expressado nas últimas eleições democráticas”. O texto também afirma que contra a petista “não pesa, até o momento, nenhuma imputação que a vincule a qualquer delito”.
Salvador Sánchez Cerén, presidente de El Salvador, anunciou que não reconhecerá a gestão Temer, chamando a embaixadora no Brasil, Diana Vanegas, de volta ao país. Para o partido de Sánchez, a FMLN, o afastamento de Dilma “é um golpe de Estado parlamentar”.
“A presidenta legítima, Dilma Rousseff, primeira mulher eleita como chefe de Estado no Brasil, enfrenta uma ofensiva motivada por vingança daqueles que perderam as eleições e são incapazes de chegar ao poder político por outra via que não a força”, afirmou em comunicado o governo venezuelano.
O presidente Nicolas Maduro informou que pediu a volta do embaixador a Caracas.“Pedi ao nosso embaixador no Brasil, Alberto Castelar, que voltasse. Me reuni com ele para avaliar essa dolorosa página da história do Brasil”.
O governo cubano qualificou o afastamento de Dilma como “golpe de estado parlamentar e judicial, disfarçado de legalidade”. Para Havana, o que ocorre no Brasil é parte de uma “contraofensiva reacionária do imperialismo e da oligarquia contra os governos revolucionários e progressistas da América Latina e do Caribe”.
Evo Morales, presidente da Bolívia, classificou o impeachment como “golpe congressista e judicial”. Daniel Ortega, chefe do governo nicaraguense, afirmou estar “indignado” e definiu a situação no Brasil como “um drama, uma comédia, uma tragédia, uma armação jurídica e política”.
Europa
O Partido Social Democrata (SPD) alemão, agremiação que compõe o governo da chanceler Ângela Merkel, afirmou que a “oposição brasileira abusou do instrumento do impeachment“, declarando que “a medida é um precedente perigoso para a democracia no país”.
Massimo D’Alema, ex-primeiro-ministro da Itália, do Partido Democrático (PD) – mesma legenda do primeiro-ministro Matteo Renzi–, disse à agência de notícias Ansa que no Brasil ocorre uma “perseguição política da parte de um grupo de personagens indecentes”.
O Partido Socialista francês, agremiação do presidente François Hollande, publicou em seu site um artigo de Maurice Braud, um dos secretários da legenda, acusando a direita brasileira de querer desestabilizar a democracia brasileira.
Imprensa
Os dois jornais em língua inglesa de maior circulação, o norte-americanoNew York Times e o britânico Guardian, teceram críticas à gestão provisória de Temer. A publicação de Nova Iorque afirmou que, golpe ou não, umimpeachment contra Dilma seria desproporcional em relação aos argumentos contra ela utilizados, enquanto seus julgadores cometeram atos notoriamente mais graves. Além disso, afirma que o afastamento piora a situação política no Brasil e defende que os brasileiros deveriam ter a possibilidade de participar de novas eleições.
O Guardian, por sua vez, afirmou que a deposição da petista não resolve os problemas do país, qualificando o sistema político brasileiro como “disfuncional”, aberto à corrupção, e sugerindo que uma reforma política profunda deveria ser realizada. O jornal também criticou a composição ministerial da gestão Temer: “muita testosterona e pouca melanina”.
Passado e Futuro
Pedro Bocca, mestre em Ciência Política e membro do Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (que reúne representantes de movimentos sociais e sindicais, partidos, fundações, pesquisadores e ONGs) concorda com as avaliações em relação ao avanço dos interesses internacionais na América Latina.
Ele menciona os processos de retorno ao neoliberalismo em Honduras, no Paraguai e na Argentina, marcando uma maior atuação dos EUA sobre as maiores economias da região. Em sua opinião, por conta deste contexto político latino-americano, a Venezuela deve ser o próximo alvo.
“O golpe no Brasil não era a primeira opção do imperialismo, mas eles tiveram a oportunidade perfeita de não precisar confiar em um governo que não era deles e colocar uma gestão ‘puro sangue’”, constata Bocca. O analista avalia que o impeachment de Dilma guarda grandes semelhanças com o ocorrido em Honduras e no Paraguai, inaugurando um novo tipo de golpe, sem a presença de militares. “São golpes fundamentados na perda de maioria no Congresso. A partir do discurso da legalidade, tiram o presidente democraticamente eleito”.
De acordo com ele, a presença Liliana Ayalde, embaixadora americana que também estava no Paraguai no momento da deposição de Lugo, e o financiamento de novos grupos de direita que realizam manifestações de rua são outras semelhanças.
A nova orientação que a gestão Temer deve dar às relações internacionais, segundo Bocca, deve intensificar os laços de dependência com as grandes economias mundiais e a posição do Brasil como país exportador de matéria-prima. “Vamos aprofundar as relações econômicas e políticas com os europeus e os EUA e deixar de ter um política externa que se baseava na ideia de posicionar o Brasil como sujeito internacional. O ministério [de Relações Exteriores] será praticamente um adido [encarregado] comercial”, lamenta. Neste sentido, as próprias experiências de construção de entidades internacionais alternativas, como a Unasul, devem ser esvaziadas pela governo interino de Temer.
Resposta
José Serra (PSDB-SP), ministro interino das Relações Exteriores, respondeu em nota às declarações da Unasul e dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua. Ele afirma que tais posições se baseiam em interpretações “falsas”.
O tucano não se manifestou sobre as declarações de outros países, dos partidos europeus ou da imprensa estrangeira.
Dalila Santos é natural de Salvador-BA e atualmente é Jornalista e docente do curso de Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo em Multimeios da Universidade Estadual da Bahia (UNEB), Campus III em Juazeiro-BA. Além disso, ela é pesquisadora e militante da Marcha Mundial das Mulheres, Núcleo Sertão (MMM).
Em entrevista concedida ao Portal Preto no Branco, Dalila falou sobre uma das suas disciplinas, Crítica da mídia e fez uma analise da mídia local. Acompanhe:
Entrevista- Por Yonara Santos
PNB: Qual a importância da disciplina Crítica da mídia para o curso de
Comunicação Social, com Habilitação em Jornalismo em Multimeios?
D.S: A disciplina é fundamental para análise crítica do jornalismo
produzido no Brasil e na nossa região. Visa formar um profissional
capaz de ter uma análise crítica, com embasamento teórico. PNB: De que maneira a disciplina está sendo passada para os graduandos?
D.S: Nós fazemos leituras sobre a análise crítica da mídia, elementos que
abordam a comunicação com um direito, um canal de educação e formação
do cidadão. Também visualizamos a experiência de alguns observatórios
da imprensa em outros cursos de jornalismo e o próprio Observatório da
Imprensa, que nasceu em um curso de jornalismo. Além disso, trazemos
alguém que pesquisa a temática na região para falar um pouco da nossa
realidade. PNB: O que é notícia? Como deve ser a seleção do que é noticiado? E
como a notícia vem sendo tratada pela imprensa regional?
D.S: A notícia é algo que deve servir de base para a construção de uma
consciência, dando elementos para que as pessoas possam entender a
realidade. O que vemos hoje é a notícia como um produto, meramente
usada como um número: quanto mais notícias melhor, sem explorar o
conteúdo das mesmas. Além disso, a criação da realidade, da verdade
através da notícia. O ideal é que as pessoas possam ter acesso à um
vasto conteúdo e possam avaliar a realidade dos fatos a partir desta
base consciente. PNB: O rádio é um dos mais antigos meios de comunicação que chegaram
aqui na região e ainda muito presente. Qual a sua avaliação, enquanto
jornalista e docente responsável por essa disciplina, dos programas de
rádio da região? O sensacionalismo ainda é uma característica muito
forte nesse meio?
D.S: A questão do rádio é muito forte na região. A realidade aqui não foge
da maioria do Brasil, onde os comunicadores não tem formação na área e
muitas vezes utilizam do sensacionalismo e se tornam formadores de
opinião. Acabam pregando o achismo, trazem suas opiniões sem
embasamento, muitas vezes influenciados por questões políticas. Aliás,
muitas rádios no Brasil são de propriedades de políticos, o que é
proibido. PNB: Atualmente, em Juazeiro-BA e Petrolina-PE, só existem dois
jornais impressos. A que fator senhora atribui esse fato?
D.S: Acredito que além do movimento mundial de redução dos impressos, por
conta de outras ferramentas de comunicação, a produção local não
aprimorou a sua escrita. Percebemos, na maioria das vezes, a
publicidade das prefeituras, noticias copiadas de outros veículos.
Isso não atrai o leitor, que busca um texto mais completo, com
discussão sobre a temática. PNB: Em sua opinião, as duas TV’s da região, conseguem cumprir os seus
papéis de formadoras de opinião, trazendo conteúdos críticos, com
apuração, imparcialidade?
D.S: As duas filiadas de uma emissora acabam fazendo esse papel de
formadoras de opinião, pois o acesso a outros canais é difícil aqui em
Juazeiro. A maioria das casas não recebe os sinais de outras
emissoras. Em muitas reportagens as emissoras tentam modificar a forma
de abordar uma determinada notícia, mas na maioria das vezes acabam
seguindo os modelos nacionais, sem dar uma cara regional para as suas
produções. Muitas vezes não percebemos nenhum diferencial das matérias
produzidas aqui e em outras localidades, muito por conta pela
obrigatoriedade em seguir “um padrão” de determinada emissora. Porém,
em alguns momentos me surpreendo com algumas produções e sempre
registro isso em minhas aulas. PNB: Nos últimos anos, um novo meio de comunicação se tornou o mais
comum na região, os Blogs e portais de notícias. Em sua opinião quais
as vantagens e desvantagens que esses meios trazem para o jornalismo
da região?
D.S: Os blogs são excelentes ferramentas de comunicação, onde podem ser
exploradas diversas linguagens, mas o que observamos é a falta de
responsabilidade nas publicações da maioria dos blogs. Muitos não tem
jornalistas, nem pessoas com experiências na área (quando não se
existia a obrigatoriedade do diploma) em suas redações, o que
atrapalha no processo. Além disso, acaba seguindo um pouco da lógica
do rádio: patrocínio de determinados políticos. Além do exercício do
“copia e cola” de notícias de outros veículos.
Insisto que quando utilizado de forma responsável e com
comprometimento, os blogs são ferramentas fundamentais para abordar
temas específicos, aprofundar o debate. PNB: Duas TV’s Universitárias realizam uma cobertura jornalística
educativas aqui na região. O que precisa ser feito para que esse meio
ganhe espaço na região?
D.S: Precisamos publicizar mais essas produções, pois elas acabam ficando
apenas dentro das universidades. Muitas pessoas não sabem da
existência dessas duas TV’s, que trazem formas diversas de produções
de matérias, programas jornalísticos, debates… Possuem uma grande
variedade de temas e formas de abordagem. Ambas estão na plataforma
digital, o que facilita o acesso. Acredito que precisamos apresentar
esses veículos para a população, fazer ampla divulgação. PNB: Qual a sua avaliação sobre o mercado de trabalho
regional que espera esses futuros profissionais de comunicação?
D.S: O mercado para o jornalismo vem sendo reduzido, pois acaba concentrado
a produção das notícias nos grandes grupos, onde os profissionais
exercem diversas funções. Porém, existe um movimento de interiorização
dos veículos de comunicação, o que abre portas para que os novos
profissionais possam se inserir no mercado. Além disso, as ferramentas
tecnológicas podem facilitar o empreendedorismo desses novos
jornalistas, criando um novo mercado que tem amplo espaço e públicos
diversificados. PNB: Na opinião da senhora, os jornalistas que atuam na imprensa
regional estão qualificados e atualizados na forma de tratar a
notícia?
D.S: Acredito que existe uma parte qualificada, que sempre atualizam o
conhecimento sobre jornalismo e o enxergam de forma e responsável. Por
outro lado, existe uma parte que tem o jornalismo como hobby ou apenas
uma forma de ganhar dinheiro, colocando o seu veículo a serviço de
interesses particulares. O curso de jornalismo da UNEB tem papel
fundamental na reorganização do jornalismo na região, colocando
profissionais com base teórica e prática, com responsabilidade e ética
profissional. PNB: Os novos profissionais estão tendo espaço e estão sendo
valorizados pela mídia local?
D.S: Temos uma grande gama de profissionais atuando na região que são
oriundos do curso da UNEB. Consigo perceber a inserção dos novos
profissionais nas diversas plataformas do jornalismo na região. Além
disso, temos muitos estagiários e estagiárias nos veículos de
comunicação da região, fato que também contribuiu para o
desenvolvimento do jornalismo na região.
Transviado. Pervertido. Anormal. Doente. Estes termos utilizados contra os homossexuais já tiveram suporte da medicina, com direito a “tratamentos” que incluíam castração, hipnose, choques elétricos e lobotomia, mas deixaram de fazer sentido há 26 anos. Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o homossexualismo de seu rol de distúrbios mentais, deixando de considerar essa tendência como um desvio e, ao mesmo tempo, abolindo o termo (já que, na área de saúde, o sufixo “ismo” caracteriza uma condição patológica). Assim, dizer que a homossexualidade é vício, tara ou algo doença a ser curada passou oficialmente à categoria de ignorância e preconceito. E, por isso, 17 de maio foi declarado o Dia Internacional de Combate à Homofobia, quando pessoas de todo o mundo se mobilizam para falar de diversidade e tolerância.
“O fato de tirar esta experiência humana da condição de doença é algo que ainda merece ser comemorado”, afirma Benedito Medrado-Dantas, doutor em psicologia social, que pesquisa sexualidade e masculinidades na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para Benedito, contudo, não se pode olhar só para as conquistas ocorridas desde então. “Este é um marco importante, que só ocorreu pela pressão de um movimento forte. Porém, as pessoas tendem a achar que não há mais problemas, que não é necessário discutir o assunto. O fato é que vivemos no Brasil um momento de retrocesso. Às vezes é mais fácil lidar com a homofobia explícita, do que quando ela acontece de forma cortês”, alerta.
A legislação brasileira não considera a homossexualidade como um crime desde 1830 (ao contrário do que ainda acontece em diversos países, como pode ser visto no gráfico abaixo), mas a violência e o preconceito são pautas centrais do movimento LGBT. Segundo especialistas, ainda há uma espécie de “pena de morte” não-oficial imputada a muitas destas pessoas, que sofrem com a falta de amparo familiar e governamental e com dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Entre 2011 e 2012, Roberto Efrem, que é professor de sociologia da Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), realizou a pesquisa “Corpos Brutalizados”, levantando crimes ligados ao ódio contra homossexuais na Paraíba e em Pernambuco. Ele destaca que ambos estão entre os cinco Estados brasileiros onde mais se mata por homofobia. “As políticas públicas para o segmento são muito precárias e, em especial, os crimes contra travestis e transexuais impressionam pela brutalidade. É como se tivessem que ser exterminados da sociedade. Uma das vítimas levou mais de 30 facadas”, relata o pesquisador.
A situação dos transexuais e travestis é atualmente um paradoxo dentro da realidade do movimento LGBT brasileiro, por ainda serem considerados portadores de um “desvio” de personalidade. “A decisão da OMS desestigmatizou toda uma população ao declarar que a homossexualidade não é doença, mas essa questão ainda é discutida no que diz respeito aos transexuais”, conta Roberto Efrem. A batalha deste segmento, que é visto de forma estereotipada e enfrenta maior rejeição do público heteronormativo, ainda tem muito o que avançar. Ao contrário do que acontece em outros países, no Brasil eles precisam se declarar “doentes” para obter tratamento médico e adequação para seu “transtorno”.
Por outro lado, em 2013 foi arquivado um polêmico projeto na Câmara dos Deputados, que com apoio da bancada religiosa tentava suprimir uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e assim permitir tratamentos de “reversão” e “cura”. A proposta gerou protestos e foi vista como retrocesso por psicólogos e outros profissionais da área de saúde, que temiam que os pacientes, por pressão da família ou de setores religiosos, se submetessem a tratamentos sem base científica. A tendência do CFP, aliás, é encarar a homofobia e não a homossexualidade como doença, especialmente nos casos que envolvem medo, repulsa, violência e empobrecimento da vida e do comportamento social.
O que é a homofobia?
Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa pelas relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista (opressão paralela, que suprime os direitos de lésbicas, gays e bissexuais) e da discriminação anti-homossexual.
A homofobia se manifesta de diversas maneiras e em sua forma mais grave resulta em ações de violência verbal e física, podendo levar até ao assassinato de LGBTs. Nesses casos, a fobia, essa sim, é uma doença, que pode até ser involuntária e impossível de controlar, em reação à atração, consciente ou inconsciente, por uma pessoa do mesmo sexo. Ao matar a pessoa LGBT, a pessoa que tem essa fobia procura “matar” a sua própria homossexualidade. A homofobia também é responsável pelo preconceito e pela discriminação contra pessoas LGBT, por exemplo no local de trabalho, na escola, na igreja, na rua, no posto de saúde, e na falta de políticas públicas afirmativas que contemplem LGBT. Os valores homofóbicos presentes em nossa cultura podem resultar em um fenômeno chamado homofobia internalizada, através da qual as próprias pessoas LGBT podem não gostar de si pelo fato de serem homossexuais, devido a toda a carga negativa que aprenderam e assimilaram a respeito.
Apesar deste reconhecimento da homossexualidade como mais uma manifestação da diversidade sexual, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) ainda sofrem cotidianamente as consequências da homofobia. Para tanto, o dia 17 de maio, além de relembrar que a homossexualidade não é doença, tem uma característica de protesto e de denúncia. No mundo inteiro, há um número crescente de diversos movimentos sociais e organizações que lutam pelo respeito à diversidade sexual realizando atividades neste dia.
A secretária de Saúde de Juazeiro, Tatiane Malta, visitou na manhã de ontem, 16, a instalação provisória do Centro de Informação em DST/HIV/AIDS – CIDHA, localizada na Rua 07, nº 279, bairro Maringá. O espaço ganhou nova pintura e reparos na sua estrutura. O prédio próprio da unidade que funciona no Centro de Saúde 3, bairro Angari, passa por reforma. Até a conclusão da obra, os usuários podem se dirigir ao espaço para atendimento especializado.
No CIDHA de Juazeiro, o público encontra atendimentos especializados, testagem de sorologia (HIV, sífilis e hepatites virais) e acolhimento aos usuários de Juazeiro, Petrolina e de municípios da Macrorregião Norte da Bahia.
O Centro oferece consultas e atendimentos pela equipe multiprofissional do Núcleo, formada por médico, dentista, farmacêutico, psicóloga, enfermeira, assistente social e auxiliar de enfermagem. “Com esse endereço provisório buscamos dar mais conforto aos usuários do serviço até a conclusão da reforma do prédio no Centro de Saúde 3. O local integra o serviço de saúde municipal, tendo toda estrutura médica e física para acolher o paciente”, destaca a secretária Tatiane Malta.
O Núcleo de Informações em DST/HIV/AIDS do município funciona das 8h às 17h, de segunda a quinta-feira, oferecendo vários serviços para a população, como distribuição gratuita de medicamentos (para AIDS, DST, Hepatites), preservativos masculinos e femininos, além da realização de exames de sorologia para HIV, Sífilis e Hepatite.
O CIDHA também possui o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que oferece palestras para a comunidade sobre as doenças, de segunda a quinta-feira, às 8h, além da realização de exames e aconselhamento individual e coletivo.
O Serviço de Assistência Especializada (SAE) acompanha os usuários com sorologias positivas e ainda oferta gratuitamente a testagem rápida para HIV, hepatite B, C e sífilis, com resultado em apenas 20 minutos.
Mutirão de limpeza e combate a criadouros do mosquito transmissor da dengue no último sábado (14), no bairro João Paulo II, marcou o encerramento da 6ª Semana do Bebê em Juazeiro.
Ao todo, 43 agentes fiscalizaram mais de 900 imóveis. A ação teve como objetivo eliminar possíveis criadouros do Aedes Aegypti, mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunha.
A coordenadora de endemias do município, Núbia Barbosa destacou a importância da ação. “Durante a Semana do Bebê tivemos capacitação sobre a microcefalia e estratégia de enfretamento no combate ao mosquito. Hoje, encerrando as atividades do evento, viemos caçar o Aedes e evitar que se prolifere no bairro”, falou Núbia.
De acordo com a Diretora de Humanização e representante da 6ª Semana do Bebê de Juazeiro, Carla Lorena Pesqueira, a ação teve como objetivo cuidar da saúde da gestante e do bebê. “Esse mutirão de combate ao mosquito Aedes é a maior forma de prevenir as doenças nas gestantes e nos bebês. Na ocasião, pude conversar com a população junto com as agentes para combater de vez esse mosquito”, destacou.
Lorena avaliou positivamente a sexta edição da Semana do Bebê em Juazeiro. “Tivemos diversas atividades envolvendo o social, a educação e a saúde. Foi uma semana de extrema importância para a sociedade, que participou das nossas ações. É sinal que Juazeiro está preocupado em garantir os direitos da primeira infância e contribuir na criação de políticas públicas para nossos jovens”, concluiu.
O Coletivo Abordagem Teatral apresenta hoje (17), ao público do Vale do São Francisco, o espetáculo “Navalha Na Carne” baseado na obra escrita em 1967 pelo dramaturgo brasileiro Plínio Marco. A apresentação será as 20h no Centro de Cultura João Gilberto.
Os ingressos serão vendidos no local até 30min antes do início do espetáculo, por apenas R$ 10,00.
Navalha na Carne é o resultado de seis meses de pesquisa e experimentação do Coletivo Abordagem Teatral. A montagem pretender aproximar o público da vivência do teatro marginal e no dia Internacional Contra a Homofobia vai provocar a discussões sobre temas como: A prostituição, O homossexualidade, a violência contra a mulher e o homossexual, a pobreza, a violência das relações humanas, a situação opressora e a luta entre outros.
A peça pode ser vista como metáfora dos mecanismos de poder entre as classes sociais brasileiras, uma vez que as personagens, embora pertençam ao mesmo estrato social, se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro. Nessa disputa, as personagens vão da força física à chantagem pela auto piedade, da sedução à humilhação, da aliança provisória entre dois na tentativa de isolar o terceiro, mas a possibilidade de juntar suas forças para lutar contra a situação que os oprime nunca é cogitada.
O espetáculo será apresentado por três atores da região, Elder Ferrari, Yonara Santos e Wamberg Lacerda, com direção de Elder Ferrari, ator e diretor de teatro graduado pela Universidade da Cidade do Rio de Janeiro e atual presidente do Conselho de Cultura de Juazeiro-BA.
A montagem teatral também traz a proposta do Projeto Terças Cênicas, onde o público é convidado a ir ao teatro nas terças-feiras, com o convite: Encaixe sua terça, dando a alusão ao diferencial do local onde o espetáculo será apresentado, uma sala multimídia, provocando o teatro intimista.
Navalha na Carne é indicado para maiores de 16 anos.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro informam que já foram imunizadas mais de 21 mil pessoas no município, mas as vacinas estão sendo aplicadas apenas em pessoas classificadas no grupo de risco. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe H1N1 termina na próxima sexta-feira (20) em todo o País.
Já foram registrados em Juazeiro oito casos suspeitos de H1N1 este ano. Dos casos suspeitos, dois deram resultado negativo, quatro ainda estão sob investigação, e dois foram confirmados, entre eles, uma mulher que morreu na quinta-feira (12), depois de ter ficado alguns dias internada em um hospital da rede particular.
A Secretaria de Saúde garante que todos os casos suspeitos estão sendo acompanhados pelo município, inclusive familiares e pessoas que entraram em contato com a vítima da doença que foi a óbito.
A meta do município, é vacinar até sexta, no mínimo 80% das 44 mil pessoas que pertencem aos grupos alvo da imunização. O público-alvo deve procurar os postos de saúde das 8h às 12h e das 14h às 17h, na zona urbana e na zona rural, das 7h30 às 13h.
A campanha é destinada as crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas, trabalhador de saúde, povos indígenas, indivíduos com 60 anos ou mais, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, portadores de doenças crônicas não transmissíveis e de outras condições clínicas (doença respiratória crônica, cardíaca crônica, renal crônica, hepática crônica, neurológica crônica, diabetes, imunossupressão, obesos, transplantados e portadores de trissomias).
Gripe H1N1
A gripe H1N1, também conhecida por Influenza, é um vírus de transmissão rápida que pode ocorrer mesmo antes de aparecerem os sintomas que ficam incubados de 3 a 5 dias. Os sintomas mais comuns são febre, tosse, dores de garganta, diarreia e vômito. O contágio se dá principalmente por meio das gotículas expelidas na tosse e nos espirros, do contato com objetos utilizados pelos doentes e até mesmo das mãos dos mesmos.
Vale lembrar que aos primeiros sintomas de uma gripe mais forte, os pacientes devem procurar uma unidade de saúde para começar o tratamento adequado o quanto antes, evitando as complicações da gripe H1N1.