Preto no Branco

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Após sete anos, Festival Nacional de Teatro Wellington Monteclaro, em Juazeiro, é resgatado; confira vencedores

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Após sete anos sem realização, o Festival Wellington Monteclaro voltou a movimentar o cenário cultural de Juazeiro em 2026, desta vez com abrangência nacional. O encerramento do 1º Festival Nacional de Teatro Wellington Monteclaro foi realizado nesta sexta-feira (23), no Centro de Cultura João Gilberto, com a apresentação do ator Déo Garcez, uma homenagem ao artista que dá nome ao evento e a premiação dos destaques da competição.

Realizado pela Prefeitura de Juazeiro, por meio da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte), o festival reuniu, durante cinco dias, grupos e companhias teatrais de Juazeiro, de outras cidades da Bahia e de diferentes estados brasileiros, ampliando o intercâmbio artístico e o acesso do público a produções de diversas regiões do país.

A noite de encerramento teve como destaque o espetáculo Luiz Gama: Uma Voz Pela Liberdade, protagonizado por Déo Garcez. A montagem retrata a trajetória de Luiz Gama, patrono da abolição da escravidão no Brasil, e propõe reflexões sobre liberdade, racismo e direitos.

Para o ator, a experiência vai além da apresentação artística. “Fica a experiência de uma comunhão, de uma consciência coletiva sobre o quanto a arte e, no caso aqui, o teatro, esse festival de teatro, pode transformar vidas, pode trazer reflexões individuais ou coletivas. O quanto pode ser revolucionário”, destacou Déo Garcez. O artista também agradeceu pelo convite para interpretar Luiz Gama no palco do festival.

Após o espetáculo, o público acompanhou uma apresentação do bailarino Osvaldo Junior, que interpretou uma das criações de Wellington Monteclaro, em homenagem à memória do multiartista juazeirense. Em seguida, foram anunciados os vencedores da edição.

Premiações

Na categoria Melhor Espetáculo, o primeiro lugar ficou com Balada de um Palhaço, do Núcleo Educatho, com nota 441,6 e premiação de R$ 20 mil. O segundo lugar foi conquistado por Drummond – Confabulações Sertanejas, do Trup Errante, com nota 428,0 e prêmio de R$ 15 mil. Já Sobre Nós, do Grupo Ferrúcio Teatro, ficou em terceiro lugar, com nota 394,7 e premiação de R$ 10 mil.

Na categoria Melhor Atriz, a vencedora foi Priscilla Soveral Dieminger, pelo espetáculo Balada de um Palhaço. Elson Firmino de Campos recebeu o prêmio de Melhor Ator por O Cego e o Louco. Já Thom Galiano foi reconhecido como Melhor Diretor por Drummond – Confabulações Sertanejas.

Vencedor na categoria Melhor Ator, Elson Campos destacou a emoção com a retomada do festival e a importância da continuidade do evento.
“Eu não tenho palavras para definir a minha emoção com o retorno do festival Wellington Monteclaro”, afirmou. O ator também dedicou o troféu ao artista homenageado: “É uma honra maior ainda ser premiado com o troféu de melhor ator e ofereço ele ao grande Wellington Monteclaro, que é a estrela maior desse festival”.

Retomada e valorização da cultura

O superintendente de Cultura, Hertz Félix, ressaltou a importância da retomada do festival e a participação de grupos de diferentes estados brasileiros na programação. Ele também destacou o reconhecimento de produções de Juazeiro e Petrolina na premiação e celebrou o retorno do evento ao calendário cultural do município.

“O primeiro Festival de Teatro Wellington Monteclaro, nessa edição de 2026, foi profundamente relevante porque a gente conseguiu, além de celebrar a memória de Wellington Monteclaro, trazer espetáculos de vários estados”, afirmou.

A realização da primeira edição nacional marca uma nova etapa para o evento, que busca preservar o legado de Wellington Monteclaro e fortalecer o teatro como espaço de expressão, reflexão e valorização da cultura brasileira.

Ascom PMJ

Eleições 2026: Última pesquisa Datafolha aponta disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e Lula

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Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24), na véspera do segundo turno das eleições de 2026. O senador tem 51% dos votos válidos, contra 49% do atual presidente, resultado que configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

O levantamento foi realizado nos dias 23 e 24 de outubro, com 4.050 entrevistados. A pesquisa tem nível de confiança de 95%. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-09540/2026.

Veja os números 

Nos votos válidos, que excluem votos brancos, nulos e abstenções, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula. Confira os resultados:

Flávio Bolsonaro (PL): 51%
Lula (PT): 49%

Apesar da diferença de dois pontos percentuais, os resultados estão dentro da margem de erro da pesquisa, o que caracteriza empate técnico entre os dois candidatos.

O Datafolha entrevistou 4.050 pessoas nos dias 23 e 24 de outubro. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

Redação PNB

Nunes Marques nega autorização para transporte de eleitores indígenas

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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, negou pedido para que veículos e embarcações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Secretaria de saúde Indígena (Sesai) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) possam transportar eleitores indígenas sem autorização prévia da Justiça Eleitoral.O requerimento foi feito pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva.

Na decisão, Nunes Marques diz que esses veículos até podem fazer o transporte, mas que para cada transporte é preciso haver autorização do juiz competente. Além disso, será preciso informar antes os veículos ou embarcações utilizados, os condutores responsáveis, o horário, percurso e ponto de embarque. Também é necessário comunicar, de forma prévia, o Ministério Público Eleitoral e as agremiações políticas, para fiscalização.

O ministro, porém, orientou os tribunais regionais eleitorais (TREs) a receber e analisar pedidos de transporte apresentados fora dos prazos ordinários, inclusive no dia da votação.

Caso Vale do Javari

Na semana passada, a Justiça Eleitoral do amazonas negou pedido feito pela União dos Povos Indígenas do Vale do javari (Univaja) para que fossem fornecidos transporte fluvial, água e alimentos aos indígenas para que eles pudessem exercer o direito ao voto. Na quinta-feira (22), após acordo entre a organização e a Justiça Eleitoral, o TRE do Amazonas confirmou que os indígenas terão apoio logístico para votar.

A lei eleitoral determina a obrigatoriedade de viagens municipais e intermunicipais no dia da eleição em todo o país. Esse transporte é de responsabilidade de prefeituras e governos e deve durar o dia todo.

Agência Brasil

Petrolina: Editais da Justiça Eleitoral contemplam moradores de comunidades do interior, bairros periféricos e núcleos irrigados do município; confira

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O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) disponibilizou informações sobre o transporte gratuito de eleitores em Petrolina, no Sertão do estado, para garantir o deslocamento de moradores de comunidades rurais, bairros e núcleos irrigados até os locais de votação.

A medida consta em editais assinados pela juíza Elisma de Sousa Alves, da 145ª Zona Eleitoral, e pelo juiz Elder Muniz de Souza, da 83ª Zona Eleitoral, no exercício de suas atribuições legais e em cumprimento à Resolução nº 23.760/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Lei nº 6.091/1974, que trata do fornecimento de transporte gratuito para eleitores residentes em zonas rurais em dias de eleição.

Entre as localidades contempladas estão Lagoa Redonda, Lajedo, Boa Vista, Caldeirão, Umburana, Baraúna, Angico, Barrinha, Queimada e Cabaceira, além de comunidades e núcleos irrigados como João de Deus, Pedra Linda, N-9, N-7, N-6 e C-1, entre outras regiões do município.

Os editais têm como objetivo dar publicidade às informações de interesse dos eleitores e das eleitoras, dos partidos políticos, das federações partidárias, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A divulgação dos itinerários e horários é fundamental para que os eleitores possam se organizar e exercer o direito ao voto, especialmente aqueles que vivem em localidades mais distantes dos centros urbanos e enfrentam dificuldades de deslocamento.

EDITAL TRANSPORTE DE ELEITORES (1)

Edital – TRANSPORTE DE ELEITORES – PETROLINA

Redação PNB

Após ação judicial, Justiça Eleitoral cobra explicações sobre gratuidade do transporte de eleitores da zona rural de Petrolina

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A ausência de informações sobre o transporte gratuito de eleitores da zona rural de Petrolina chegou ao segundo grau da Justiça Eleitoral, em Recife, após questionamentos sobre o cumprimento das normas eleitorais e a divulgação dos itinerários para o deslocamento até os locais de votação.

Segundo Miguel Santana, integrante da Comitiva de Advogados do Vale do São Francisco, que acompanhou a situação e cobrou esclarecimentos em defesa da lisura do pleito, a omissão do município de Petrolina ficou evidenciada no decorrer do procedimento judicial.

Diante da situação e de um pedido liminar, foi estabelecido o prazo improrrogável de 24 horas para que o município apresentasse as devidas explicações sobre o cumprimento das normas e resoluções eleitorais, especialmente quanto à publicação dos horários dos itinerários interurbanos e à composição da comissão responsável pelo transporte dos eleitores da zona rural.

Segundo o advogado, a demanda teve início após tentativas de obter informações junto à Justiça Eleitoral de Petrolina, por e-mail e telefone, sobre os trajetos e horários destinados aos eleitores das zonas eleitorais 083, 144 e 145.

“Sem respostas consideradas suficientes, foi protocolado um processo em primeiro grau. Posteriormente, diante da demora na divulgação dos dados, a questão foi levada ao segundo grau, em Recife”.

De acordo com Miguel Santana, a divulgação dos horários só começou a ocorrer no dia 23 de outubro, já no curso do processo que tramitava no gabinete de um desembargador. As informações publicadas contemplaram os itinerários interurbanos e o transporte para Rajada e localidades adjacentes, sem que isso representasse, necessariamente, o atendimento integral da solicitação referente às demais comunidades rurais.

Durante a tramitação, também foi apontado que o município não teria apresentado demanda de eleitores da zona rural para a disponibilização do transporte gratuito. A questão levantou dúvidas sobre os procedimentos adotados para organizar o serviço e garantir que os moradores das comunidades mais distantes tivessem condições de chegar aos locais de votação.

A atuação da comitiva de advogados teve como objetivo obter esclarecimentos, acompanhar a divulgação das informações e fiscalizar os procedimentos relacionados à lisura do processo eleitoral.

“A atuação foi conjunta e articulada com pedidos e despachos presenciais realizados pelos membros coordenadores responsáveis pelas atribuições de advogados das respectivas zonas eleitorais do município,” concluiu Miguel Santana.

Redação PNB

 

Procura por passagens gratuitas para o transporte de eleitores cresce mais de 100% na Bahia neste segundo turno

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Conforme levantamento realizado pela Associação das Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário da Bahia (ABEMTRO), até o presente momento, já foram emitidas 46.132 passagens gratuitas destinadas ao transporte de eleitores, para o segundo turno do pleito presidencial.

Um aumento expressivo em comparação ao primeiro turno, quando foram emitidas 21.344 passagens gratuitas, o que representa aproximadamente 116,1% no número de gratuidades concedidas entre um turno e outro.

De acordo com a Associação, esse quantitativo ainda é parcial e tende a aumentar ao longo deste sábado (24).

A procura por passagens aponta para uma possível diminuição da abstenção na Bahia, já que no primeiro turno, 2.246.970 pessoas não foram votar, número que representa 19,97% do eleitorado apto a exercer o direito de voto.

Operação Vai e Vota

A medida garante a gratuidade no transporte intermunicipal rodoviário durante este final de semana da eleição. A ação para o transporte intermunicipal teve início às 18h de sexta-feira (23) e segue até as 12h da segunda-feira (26).

Para utilizar o benefício, o eleitor deve apresentar documento oficial de identificação com foto e título de eleitor, físico ou e-Título, ou documento que comprove o local de votação.

No retorno, também será necessário apresentar o comprovante de votação e comprovar o uso da gratuidade na ida.

Redação PNB

Justiça determina penhora de fazenda em Juazeiro por dívida de R$ 7 milhões de Daniel Alves

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Por conta de uma dívida de R$ 7,7 milhões, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de uma fazenda que pertence a Daniel Alves, de 42 anos, em um processo movido pelo GAD Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios relacionado à rescisão contratual do ex-jogador com o São Paulo Futebol Clube.

A decisão foi assinada pelo juiz Miguel Ferrari Junior, da 43ª Vara Cível, assinada na última quarta-feira (21). A fazenda em questão tem 64,4 hectares e outro imóvel em que Daniel possui 50%.

Além dos imóveis na Bahia, a Justiça já tinha determinado o bloqueio sobre um Porsche 911 Carrera, em nome do ex-jogado. O processo do GAD Fundo de Investimentos é baseado em pagamentos de um acordo feito pelo São Paulo com Daniel Alves em sua saída do clube, em 2021.

Segundo o fundo, o ex-jogador celebrou um contrato em 2021 com o São Paulo para sua rescisão contratual, em que o clube lhe pagaria R$ 22,8 milhões, divididos em 60 parcelas de R$ 380,6 mil.

Porém, em 2 de setembro de 2022, após o São Paulo já ter quitado oito parcelas, Daniel Alves assinou acordo com o fundo de cessão de crédito, cedendo todas as parcelas restantes do instrumento pactuado com o time tricolor no ano anterior.

Dessa forma, o fundo pagou ao jogador R$ 11,5 milhões pelo acordo, que tinha um valor de face de R$ 19,8 milhões – quantia que deveria ser paga pelo São Paulo em 52 parcelas.

O GAD diz que notificou o São Paulo para realizar os depósitos diretamente em sua conta, o que se estendeu e causou um enorme prejuízo, segundo a argumentação no processo, especialmente quando o fundo soube que metade dos valores vinha sendo depositada pelo clube por um processo de pensão alimentícia do filho do jogador.

Dessa forma, a dívida final de Daniel Alves estava na casa dos R$ 7,7 milhões, valor que passou a ser cobrado na Justiça em outubro do ano passado.

Relembre prisão

O ex-jogador do Barcelona ficou preso por cerca de 14 meses acuasao de ter cometido um estupro, mas acabou absolvido pelo Tribunal de Justiça da Catalunha em março passado. Ficou concluído, por unanimidade, que o depoimento da jovem espanhola que o acusava era insuficiente para sustentar a condenação.

O lateral havia sido condenado a quatro anos e meio de prisão em fevereiro de 2024. A denúncia surgiu de uma mulher de 23 anos que teria sido abusada sexualmente pelo atleta no banheiro de uma discoteca em Barcelona no dia 31 de dezembro de 2022.

BNews

Carta aberta a Flávio Bolsonaro: “Meu filho é cego e cadeirante. Ele não é a sua piada. Capacitismo é crime”, por Sibelle Fonseca

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Senhor Flávio Bolsonaro,

A Bíblia diz, em Lucas 6:45, que “a boca fala do que está cheio o coração”. Em Mateus 12:34, a passagem é ainda mais contundente: “Raça de víboras, como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração”.

Trago essas palavras porque considero impossível ouvir o senhor atacar o Presidente Lula, referindo-se aos seus “nove dedos”, no debate presidencial da TV Globo, e simplesmente seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

O senhor debochou da ausência de um dedo de Lula, perdido em um acidente de trabalho, quando ele tinha apenas 17 anos e trabalhava como metalúrgico.

Isso não é apenas uma provocação política ou brincadeira inocente. É uma fala que transforma uma característica física em instrumento de humilhação. E, quando isso acontece, a ofensa ultrapassa a pessoa atacada e alcança milhões de brasileiros que convivem com deficiências, amputações e diferenças físicas.

Sou mãe de um filho cadeirante e cego. Sou neta de um idoso que teve a perna amputada em consequência do diabetes. Sou filha de uma mulher que perdeu um olho após um acidente de trânsito.

Portanto, quando o senhor usa uma parte do corpo de alguém para ridicularizá-lo, não está falando de uma abstração. Está tocando em uma realidade que atravessa a minha família, a minha maternidade e a minha vida.

E é por isso que lhe pergunto: Se o senhor considera aceitável usar a ausência de um dedo para ridicularizar um adversário, como enxerga o meu filho?

Que palavras usaria para se referir a uma pessoa cega? Chamaria de “ceguinho”, “aleijado”, “inválido”? Que tipo de piada faria sobre uma pessoa que depende de uma cadeira de rodas para se locomover? E sobre uma pessoa com autismo? E sobre alguém que perdeu um braço ou uma perna?

O senhor teria a mesma coragem de fazer essas piadas diante de uma criança com deficiência, olhando nos olhos de sua mãe? Teria a mesma disposição para debochar se estivesse diante de uma família que passa os dias enfrentando barreiras, preconceitos e dificuldades para garantir aos seus filhos direitos que deveriam ser respeitados sem qualquer contestação?

Palavras têm consequências, candidato. Ainda mais partindo de quem disputa a Presidência da República. Suas declarações repercutem, influenciam comportamentos e podem alimentar preconceitos que já ferem milhares de brasileiros diariamente.

É bem verdade que a retórica de setores do bolsonarismo tem sido marcada, em diferentes ocasiões, por ataques e declarações que provocam indignação. Do bolsonarismo a pior ofensa, é a próxima.

Tem sido assim. Quando mulheres são alvo de ataques misóginos, quando pessoas negras são humilhadas pelo racismo, quando pessoas LGBTQIA+ são tratadas com desprezo, quando nordestinos e pobres são ridicularizados por sua origem ou condição social.

Enquanto o senhor transforma uma característica física em munição política, há pessoas que passam a vida inteira tentando se proteger desse tipo de violência. São crianças ridicularizadas na escola, adultos constrangidos em espaços públicos, pessoas cegas tratadas como incapazes, cadeirantes reduzidos à cadeira de rodas e indivíduos com diferenças físicas transformados em personagens de piadas de mau gosto.

Quantas pessoas crescem carregando marcas emocionais de humilhações que os outros chamam de brincadeira? Quantas deixam de frequentar espaços, de expressar suas opiniões e de ocupar lugares por medo de se tornarem alvo da crueldade alheia?

O capacitismo, crime no Brasil, é também essa violência cotidiana de alimentar a ideia absurda de que existem corpos mais dignos de respeito do que outros.

A ausência de um dedo não torna ninguém menos gente. A cegueira não apaga a capacidade de compreender o mundo. Uma cadeira de rodas não define o valor de uma vida. O autismo não transforma ninguém em objeto de chacota. Uma amputação não retira de ninguém o direito de ser tratado com dignidade.

Deficiência não é defeito de caráter. O preconceito, sim, revela muito sobre quem o pratica.

Senhor Flávio Bolsonaro, nós, mães atípicas, enfrentamos olhares de desprezo, comentários inconvenientes e maldosos todas as vezes que saímos de casa com nossos filhos.

Como se sentiram as mães ouvindo sua chacota? E uma criança com deficiência que assistiu ao debate? Os adolescentes que sofrem bullying, as pessoas amputadas que carregam cicatrizes físicas e emocionais, os cegos e cadeirantes que lutam contra o preconceito?

O senhor consegue entender a dimensão disso?

Quando uma pessoa pública faz uma piada capacitista, reforça a ideia de que rir da deficiência é aceitável. Estimula crianças e adolescentes a reproduzirem ofensas contra colegas. E autoriza a quem já discrimina a ser perverso.

Discordar de Lula, criticar seu governo, contestar suas decisões e confrontar suas propostas é legítimo. Usar uma deficiência ou uma diferença física para humilhar alguém é desumano, cruel e imoral. Além de criminoso.

Um candidato à Presidência da República deveria compreender que suas palavras não ficam restritas ao palco de um debate. Elas chegam às escolas, às famílias, às redes sociais e aos espaços onde milhões de brasileiros tentam construir uma vida com dignidade.

Recentemente, acompanhamos a repercussão de declarações depreciativas e ofensivas contra apoiadores do presidente Lula, proferidas por duas comerciantes de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, suas apoiadoras.

É isso que o senhor tem inspirado e espalhado. “Em nome de “Deus”, o bolsonarismo alimenta o ódio, a violência, o desrespeito e a crueldade.

Eu não quero que meu filho seja visto primeiro pela cegueira ou pela cadeira de rodas. Quero que seja visto por inteiro, como ser humano, com sentimentos e dignidade. Não quero que ele precise se preparar para a próxima piada.

Quero que ele possa viver em uma sociedade como parte legítima da diversidade humana.

E quero o mesmo para todas as mães e todos os pais que lutam diariamente para garantir aos filhos com deficiência não apenas acessibilidade, atendimento, educação e inclusão, mas também algo que deveria ser elementar: respeito.

Não precisamos de compaixão disfarçada de superioridade. Precisamos que reconheçam seus direitos, de políticas públicas que garantam inclusão de verdade.

Como o senhor pretende governar o Brasil debochando de brasileiros PCDs?

Que mensagem o senhor transmite às famílias de pessoas com deficiência? Que lugar reserva aos brasileiros que não se enquadram nos padrões físicos considerados normais por uma sociedade ainda profundamente preconceituosa?

O Brasil não pertence apenas aos fortes, aos ricos, aos considerados perfeitos ou aos que pensam como o senhor. O Brasil também pertence aos cegos, aos cadeirantes, às pessoas amputadas, às pessoas autistas e a todas aquelas que enfrentam barreiras físicas, sociais e atitudinais para exercer direitos que já lhes pertencem.

Escrevo aqui como mãe. Como mulher que conhece, dentro da própria família, o peso de viver em uma sociedade que ainda não aprendeu a respeitar as diferenças.

Sua boca e a dos seus, falam daquilo que encharcam seus corações.

A mim, o senhor não representa. E também não representa os meus.

Em tempo, o senhor deveria saber que no Brasil, a discriminação contra a pessoa com deficiência é crime. A LEI Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência(LBI- 13. 146/2015) assegura o direito à igualdade de oportunidades e proíbe qualquer tipo de discriminação ou tratamento degradante.

Sibelle Fonseca, jornalista, radialista, pedagoga, mãe de quatro filhos, mãe atípica de um filho cadeirante e cego

 

Trabalhador tem direito de sair do serviço para votar; confira a lei

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Eleitores do Rio de Janeiro votam para presidente no segundo turno no maior colégio eleitoral da capital, Expo Mag, na Cidade Nova, região central da cidade

O eleitor que vai trabalhar no dia da eleição tem o direito de se ausentar do serviço para exercer o direito ao voto, sem prejuízo de salário. A regra está prevista no artigo 234 da  Lei eleitoral e em uma resolução complementar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 2026. As normas asseguram à pessoa que precisar trabalhar ou prestar serviço a terceiros no dia da eleição o direito de se ausentar pelo tempo necessário ao exercício do voto. O período de ausência precisa levar em conta o tempo gasto com o deslocamento para ir e voltar da seção eleitoral e o tempo na fila de votação, se houver.

A regra também vale para trabalhadores que não são obrigados a votar, como maiores de 70 anos e jovens entre 16 e 18 anos. Tentar impedir o exercício do voto é crime eleitoral, que pode ser punido com detenção de até 6 meses e pagamento de multa.

O TSE orienta que, quem for trabalhar no próximo dia 25, combine de forma antecipada com o empregador um horário para ir até à sua seção.

Voto em outro município

Caso o eleitor vote em uma cidade diferente daquela em que trabalha, ele tem direito a se ausentar do trabalho no dia da eleição e a falta não pode ser descontada do salário.

Trabalhadores convocados para atuar como mesários também podem se ausentar do trabalho e têm direito a folgas dobradas em relação aos dias que ficou à disposição da Justiça Eleitoral.

Assédio Eleitoral no Trabalho

Pressionar um trabalhador para votar ou deixar de votar em um determinado candidato é crime eleitoral que pode ser punido com reclusão e multa. Essa coação pode vir de chefes e superiores hierárquicos e vale para trabalhadores celetistas, terceirizados, estagiários e servidores.

Ela ocorre, por exemplo, quando o chefe ameaça demitir o funcionário ou fechar a empresa caso um dos candidatos perca a eleição ou pede ao funcionário para gravar vídeo de apoio político. Coações sutis como promessas de vantagem para induzir o voto também são passíveis de punição.

Quem sofrer assédio eleitoral pode fazer denúncia ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e aos ministérios Público do Trabalho (MPT) e Eleitoral (MPE).

Agência Brasil