Redação

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Profissionais de enfermagem que atuam nas UBSs de Juazeiro pela IGA cobram pagamento do complemento do piso; Sindisaúde-BA diz que repasse depende de análise jurídica

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Profissionais de enfermagem que atuam na Atenção Básica de Juazeiro, na região Norte da Bahia, e prestam serviço por meio do Instituto de Gestão Aplicada (IGA), seguem cobrando o pagamento do complemento do piso salarial da categoria referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2026. A organização social assumiu a gestão da Atenção Básica do município no início deste ano.

Ao Portal Preto no Branco, trabalhadores relataram que parte dos pagamentos que estavam pendentes chegou a ser regularizada, mas o valor referente ao piso da enfermagem ainda não foi repassado.

“O vale-refeição e o pagamento que estavam atrasados saíram. Só que os dois pisos nossos, nem sinal. Janeiro e fevereiro a gente não recebeu. “É um dinheiro nosso, é um repasse do governo federal para nós. E eles querem o quê com o nosso dinheiro, se não repassam para a gente?”, questionou uma trabalhadora

Os profissionais também demonstram preocupação com o acúmulo de meses sem o pagamento do benefício.

“Tem dois meses atrasados. A gente já está entrando em março. Se passar para abril, já vão ser três pisos. E não vão pagar por quê? A pergunta que não quer calar é: o que foi feito do dinheiro do trabalhador? Estão fazendo uma poupança com esse dinheiro? Porque até agora nada foi repassado”, desabafou outro profissional.

Ainda segundo os profissionais, não há canal de diálogo para esclarecer a situação.
“O IGA não recebe ninguém para explicar. A gente só quer saber quando vão pagar. O certo é pagar janeiro e fevereiro”, concluiu.

Em contato com o PNB, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado da Bahia (Sindisaúde-BA) informou que já está acompanhando a situação dos trabalhadores. A entidade informou que tomou conhecimento do problema na última sexta-feira, após ser procurada por profissionais da categoria.

“Assim que o sindicato ficou sabendo da situação, isso foi na sexta-feira passada. Eu estava inclusive em Juazeiro e fui comunicado por alguns funcionários sobre a empresa estar devendo o salário de fevereiro e também o complemento do piso de janeiro e fevereiro”, relatou um representante do Sindisaúde-BA.

De acordo com o sindicato, uma reunião com os trabalhadores foi marcada já no sábado pela manhã para ouvir as demandas da categoria e buscar encaminhamentos.

“De pronto, no sábado pela manhã, marquei uma reunião com os trabalhadores e fiquei ciente da situação. A partir daí, mandei um ofício para a empresa e também para a Secretaria Municipal de Saúde. Liguei para a Secretaria de Saúde e não consegui falar. Por volta de meio-dia fui até lá, conversei com a chefe de gabinete do secretário, que entrou em contato com ele e, de imediato, marcou uma reunião para a tarde, às 16h””, explicou Benivaldo Jesus do Bomfim
Diretor jurídico do sindicato.

Na reunião, segundo o sindicato, o secretário municipal de Saúde informou que estava trabalhando para regularizar a situação do pagamento dos trabalhadores.

“Estive com o secretário, juntamente com a chefe de gabinete, e expus toda a situação dos trabalhadores sem salário. Ele já tinha colocado que estava se empenhando para fazer o repasse do salário. No dia seguinte o repasse foi feito e a empresa pagou o salário de todos os trabalhadores”, relatou.

Apesar da regularização do pagamento salarial, o sindicato confirmou que ainda permanece pendente o repasse do complemento do piso da enfermagem.

“Ficou faltando o pagamento do piso, que também foi tratada na reunião. O que foi explicado é que o recurso referente ao mês de janeiro já estava em poder da Secretaria, mas o repasse ainda dependia de uma autorização do setor jurídico, que está analisando as documentações da empresa”, informou.

Ainda conforme o sindicato, o secretário explicou que existe um trâmite burocrático para a liberação dos valores.

“Ele explicou que, quando é feito um repasse para a empresa, ela precisa prestar contas, mostrar como utilizou o recurso para então receber novos valores. Existe essa burocracia e o processo estava sendo analisado pelo jurídico”, disse.

Sobre o repasse referente ao mês de fevereiro, o sindicato informou que a Secretaria teria encaminhado os recursos, mas que o valor ainda não havia sido recebido naquele momento. O Sindisaúde-BA afirmou que continua acompanhando o caso e cobrando celeridade na resolução do problema.

“Hoje mesmo já tivemos novo contato com o gabinete do secretário e estamos aguardando uma posição. Pedimos que se acelere esse processo. Sabemos que existe burocracia e responsabilidade, mas estamos em cima e vamos continuar cobrando para que o trabalhador receba tanto o salário quanto o complemento do piso em tempo hábil”, concluiu.

O PNB segue buscando esclarecimentos sobre a situação junto à Secretaria de Saúde de Juazeiro.

Redação PNB

Hospital Promatre de Juazeiro inicia requalificação para ampliar atendimentos à saúde; instituição celebrou parceria com o ISEP

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O Hospital Promatre, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, passou a operar em regime de cogestão com o Instituto de Saúde em Progresso (ISEP). A parceria foi firmada no final de dezembro de 2025, segundo apuração feita pelo Portal Preto no Branco.

De acordo com a gestão da unidade, a iniciativa busca fortalecer o funcionamento do hospital e ampliar os serviços oferecidos à população da cidade e da região. Com o modelo de cogestão, já foram iniciadas intervenções na estrutura física do prédio onde o hospital funciona.

Conforme as informações, as obras têm como foco adequar o hospital às exigências da Vigilância Sanitária Estadual e Ministério da Saúde, modernizando a estrutura do prédio, que possui mais de 70 anos de funcionamento.

“As reformas começaram pelo térreo, desde a entrada e a recepção principal, e já se estendem até o terceiro andar da unidade. Estamos realizando todas as adequações apontadas pelos órgãos ligados ao setor de saúde, também pelo Corpo de Bombeiros, com o objetivo de regularizar toda a estrutura. A previsão é de que a obra seja concluída entre 30 a 45 dias e Juazeiro tenha de volta o pleno funcionamento da Promatre, um patrimônio do vale do São Francisco”, disse o diretor da unidade Pedro Filho.

Ele acrescentou ainda que está regularizando as pendências trabalhistas: “Atravessamos tempos sombrios, o que repercutiu diretamente na saúde financeira do hospital. Em consequência disso, fechamos alguns serviços, tivemos recursos bloqueados, o que gerou pendências trabalhistas. Já estamos negociando com nossos colaboradores e logo essa demanda será devidamente sanada”, afirmou o diretor.

Reestruturação

Também como resultado da parceria, a unidade já iniciou um processo de reestruturação que inclui a ampliação da capacidade de atendimento. Ainda conforme as informações apuradas, entre as medidas previstas está o aumento no número de leitos de UTI e de leitos clínicos que serão contratados pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

A proposta também é expandir os serviços médicos disponíveis no hospital. A expectativa é que já nos próximos meses, a Promatre passe a oferecer novos procedimentos e especialidades, como cirurgias cardíacas, ortopédicas e gerais, além de neurocirurgias.

Ainda conforme as informações, a ampliação também deve incluir mais atendimentos em consultórios com diferentes especialidades médicas e o aumento na oferta de exames e procedimentos diagnósticos.

“Essas mudanças buscam melhorar as condições de atendimento e oferecer mais segurança e conforto tanto para os pacientes quanto para os profissionais que atuam na unidade. Com a reestruturação e a ampliação dos serviços, o hospital vai fortalecer sua atuação na assistência à saúde em Juazeiro e em municípios da região,” concluiu o diretor.

Redação PNB

Banco Master movimentou quase R$ 16 milhões em Juazeiro na gestão anterior através do Credcesta: “Quanto mais eu pagava, mais eu devia”, relata servidora

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O Banco Master, alvo de uma investigação sobre fraude financeira, irregularidades bancárias e possíveis conexões políticas, movimentou quase R$ 16 milhões no município de Juazeiro, na região Norte da Bahia. Conforme apuração realizada pelo Portal Preto no Branco, a movimentação aconteceu por operações do cartão consignado Credcesta, realizadas entre os anos 2021 e 2025, durante a gestão da ex-prefeita Suzana Ramos.

Dados administrativos apontam que foram movimentados R$ 15.502.287,67 em operações vinculadas ao Banco Master envolvendo servidores municipais. O volume inclui transações classificadas como compras e saques realizadas por meio do produto financeiro ofertado aos servidores.

Os registros apontam ainda que R$ 15.097.343,58 correspondem a operações de Credcesta Compra, enquanto R$ 404.944,09 referem-se a Credcesta Saque, totalizando pouco mais de R$ 15,5 milhões no período analisado. O produto financeiro teve grande adesão de servidores ao longo dos anos, e acabou gerando prejuízos para muitos deles. 

“Logo quando o município fez esse convênio com o Credcesta, que é do Banco Master, os funcionários públicos começaram a receber ofertas para fazer o cartão. Essas mensagens chegavam para a gente, inclusive pelo RH e também pelo WhatsApp. Eu fiz o cartão e comecei a usar. No começo, chegava a fatura direitinho e eu pagava normalmente. Depois parou de chegar a fatura. Só vinha cobrança e os juros começaram a ficar abusivos. Quanto mais eu pagava, mais eu devia. Eu pagava e a dívida só aumentava”, contou uma servidora.

A profissional contou ainda que tentou diversas vezes entrar em contato com a empresa para entender os valores cobrados, mas não conseguiu obter retorno.

“Eu tentava contato para pedir informação sobre aqueles valores, mas nunca conseguia falar com o call center deles. Também não recebia mais fatura, só cobrança, e muitas vezes sem um valor claro para pagar. ”, afirmou. Mesmo depois de eu ter pago o que usei, continuavam chegando cobranças”, contou.

Outro problema apontado pela servidora foram os descontos diretamente no contracheque.
“Começaram também os descontos em folha. Como não vinha mais a fatura, eu fui me perdendo nos valores. Eles diziam que tinham descontado, por exemplo, R$ 300 em folha, mas quando eu ia olhar o contracheque apareciam R$ 460. Às vezes diziam que tinham descontado R$ 200 e no contracheque vinha R$ 380. Começou a ficar insustentável. Por isso eu acessei a Justiça e o processo está correndo”, relatou.

Ela acrescentou ainda que, após a mudança de gestão municipal, as cobranças teriam sido interrompidas.

“Graças a Deus, depois que Andrei assumiu, no primeiro mês já parou de vir cobrança”, concluiu.

Credcesta e o escândalo nacional do Banco Master

O produto financeiro Credcesta, utilizado nas operações registradas no município, também tem sido alvo de reportagens e investigações nacionais. Reportagem do portal E-Investidor/Estadão descreve o modelo como um negócio baseado em um mecanismo que permite descontos em folha por tempo indeterminado, o que fez o produto ficar conhecido no mercado como um sistema de “dívida infinita”. 

O modelo se expandiu amplamente no país, sendo ofertado a servidores públicos em diversos estados e municípios, incluindo Juazeiro, o que gerou forte rentabilidade para as instituições financeiras que operam o produto. Paralelamente, o Banco Master passou a enfrentar uma série de investigações e crises institucionais. A instituição foi alvo de operações da Polícia Federal e acabou entrando em processo de liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, em meio a suspeitas de irregularidades financeiras e relações com agentes públicos. 

Nesse contexto, o volume de quase R$ 16 milhões movimentados localmente por meio do Credcesta insere a realidade municipal em um debate mais amplo que vem ocorrendo no país sobre a atuação de instituições financeiras no mercado de crédito consignado para servidores públicos, os riscos de endividamento prolongado e a necessidade de maior transparência e regulação desse tipo de operação.

Conexões políticas no noticiário nacional

A atuação do Banco Master voltou ao centro do debate público após reportagens nacionais apontarem relações financeiras entre a instituição e figuras políticas. Nesta semana, reportagem publicada pelo jornal O Globo revelou que o Banco Master e a Reag Investimentos realizaram pagamentos que somam mais de R$ 3,8 milhões a empresas ligadas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

ACM Neto é aliado político da ex-prefeita Suzana Ramos, responsável pela gestão municipal durante o período em que foram registradas as operações do Credcesta com o Banco Master.

Redação PNB

Sesau realiza oficina de planejamento para execução das metas do Plano Municipal de Saúde 2026–2029 em Juazeiro

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A Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro (Sesau) realizou, nesta quarta-feira (11), o segundo momento da Oficina de Planejamento do Plano Municipal de Saúde 2026–2029. O encontro aconteceu no auditório do Colégio Codefas e reuniu a equipe gestora da pasta com o objetivo de fortalecer o processo de organização e execução das ações estratégicas que irão nortear as políticas públicas de saúde no município pelos próximos anos.

A iniciativa integra o conjunto de ações voltadas ao aprimoramento da gestão, promovendo qualificação técnica e alinhamento entre os setores, aspectos fundamentais para a consolidação de um planejamento eficiente e voltado às reais necessidades da população.

A oficina foi mediada por Joselma Alves, diretora e consultora da Avansus, que destacou a importância da construção coletiva do plano e da etapa atual de definição das ações.

“Estamos aqui na segunda oficina para o processo de planejamento do município de Juazeiro. O Plano Municipal de Saúde foi elaborado a várias mãos, com os trabalhadores, com os gestores e com os usuários. Ele já foi concluído e aprovado no Conselho Municipal de Saúde. Hoje estamos na oficina de ‘mão na massa’, em que vamos pegar as metas e transformá-las em ações, programando atividades que garantam resolutividade e ampliem o acesso da população aos serviços de saúde no município”, explicou.

A atividade faz parte do cronograma de planejamento da Sesau e reforça o compromisso da gestão municipal com a qualificação contínua das equipes e com o fortalecimento das políticas públicas de saúde em Juazeiro.

Ascom

Profissional que atuou no Conjunto Penal denuncia “perseguição” por parte de promotora de Juazeiro; Corregedoria do MPBA já apura outras denúncias contra a promotora

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O Portal Preto no Branco recebeu novos relatos contra a conduta da promotora Aline Curvêlo Tavares de Sá, que atuava na 13ª Promotoria de Justiça, em Juazeiro, na região Norte da Bahia. Desta vez, as acusações de perseguição partem de um profissional que atuou na coordenação do Conjunto Penal do município.

“Eu tive um pedido de afastamento feito sem oitiva pela promotora Aline Curvêlo. Eu cheguei ao CPJ no período da intervenção, há aproximadamente dois anos e meio, e fui perseguido pela promotora. Na época, eu saí da minha cidade, deixando a minha família, para um cargo de coordenação na unidade. Nós fizemos um trabalho muito sério, com muitas apreensões e conduções de detentos para a delegacia, e óbvio que isso desagradou as organizações criminosas, gerando denúncias infundadas. Inclusive, uma das denúncias ela ouviu quando passava pelo CPJ, onde um detento dizia que torturei os presos. Depois disso, a promotora pediu meu afastamento sem sequer ouvir os nomes dos supostos presos agredidos e sem sequer me ouvir. Eu só continuei o meu trabalho porque a gestão da unidade da época acreditava e confiava no meu trabalho. Mas isso me prejudicou na carreira, pois ela quis colocar minha conduta em cheque”, declarou o profissional, que preferiu não ser identificado.

Em seu relato, o ex-funcionário do CPJ também apontou outras situações que classifica como “perseguição” por parte da promotora.

“Durante as inspeções que a minha equipe realizava, ela retirava os presos das celas e perguntava se eu os torturava, e todos respondiam que não. Em uma das ocasiões, ela tirou as mulheres da ala feminina e perguntou se eu batia nas mulheres dentro do presídio. Isso me machucou muito, pois sempre fiz tudo dentro da legalidade. Além disso, durante essas inspeções, a gente encontrava os celulares na cela do preso, o detento confessava que o aparelho era dele, a gente aplicava o procedimento administrativo disciplinar, que é o que a lei diz, mas na hora da audiência de justificativa, essa promotora afirmava que aquilo ali não era suficiente. Ela fazia isso só porque quem estava à frente da operação era eu. Então, essas situações foram virando para uma espécie de perseguição”.

O profissional finalizou destacando que todas as acusações feitas contra ele na época do seu exercício em Juazeiro foram arquivadas por falta de provas.

“Minha conduta é ilibada. Todos os processos foram arquivados por falta de materialidade de crime perante inquéritos da Polícia Civil e o próprio juiz”, concluiu.

Denúncia ex-assessora

A promotora Aline Curvêlo Tavares de Sá já havia sido denunciada por assédio moral e abuso de poder hierárquico contra uma profissional que atuou como assessora da 13ª Promotoria de Justiça de Juazeiro e pediu exoneração do cargo. O caso que foi inicialmente denunciado à Corregedoria do Ministério Público do Estado da Bahia, está sendo investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Procurado pelo PNB, nesta quarta-feira (11), o Ministério Público do Estado da Bahia informou “que foi protocolada notícia de fato junto à Corregedoria-Geral pela ex-servidora no último dia 13. O procedimento tramita em sigilo e a Corregedoria já está adotando as medidas necessárias à adequada apuração dos fatos narrados”.

Relatos da ex-assessora

Em contato com o PNB, a bacharel em Direito, de 40 anos, contou que pediu desligamento do cargo no último dia 13 de janeiro, após “reiteradas condutas de assédio moral, intimidação, controle excessivo, ameaça funcional, abuso de poder, ingerência em sua vida pessoal”.

A suposta vítima assessorava a promotora desde o ano de 2019, quando atuou nas comarcas de Senhor do Bonfim e de Juazeiro. À nossa reportagem ela contou que a promotora extrapolava o limite profissional e chegava a pedir favores pessoais e submetê-la a situações humilhantes e constrangedoras.

A profissional relatou ainda que, de forma frequente, também era vítima de racismo recreativo.

“Por ser uma mulher preta, constantemente fui vítima de racismo recreativo, quando a referida promotora fazia piadas me chamando de ‘neguinha”, usando expressões como ‘quem mandou nascer preta’, que eu não poderia votar na ‘direita por ser uma mulher preta’, falas inadmissíveis para uma representante do Ministério Público, órgão que deve fiscalizar e cumprir a lei”, relatou.

A ex-assessora também denunciou sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e direitos trabalhistas violados.

“Além da carga já elevada decorrente da titularidade, fui obrigada a assumir demandas de outras promotorias e a acompanhar júris de forma contínua, acumulando funções de maneira excessiva e desproporcional. Eu fazia as peças, assinava, pois tinha a assinatura eletrônica da mesma, protocolava e a promotora só ia para as audiências. Nos júris, além da preparação integral, era exigida a elaboração de relatórios extensos e minuciosos, incluindo, inclusive, a redação prévia das perguntas que deveriam ser formuladas em plenário e orientações sobre o que deveria ser dito em determinadas audiências, o que evidencia que todo o trabalho técnico era realizado por mim, cabendo à chefia apenas a assinatura formal, sem efetiva correção, embora houvesse constante cobrança como se houvesse revisão técnica. Direitos básicos foram, na prática, condicionados ou negados. Fui informada de que somente poderia gozar férias se todas as promotorias estivessem “zeradas”, inclusive promotorias com mais de cem processos, e que o recesso apenas seria autorizado na mesma condição, o que se mostrava materialmente inviável diante do volume de trabalho imposto.

Ela acusa ainda que sua vida pessoal foi afetada, já que a chefia exigia disponibilidade em tempo integral.

“Somado a isso, fui submetida à exigência de disponibilidade absoluta, com a obrigação de atender ligações e mensagens da chefia a qualquer hora e em qualquer dia, sob o argumento de que tal disponibilidade seria discricionária da chefia em razão do recebimento de RTI, suprimindo completamente qualquer limite entre vida pessoal e profissional. Também houve grave ingerência na minha vida familiar, com exigência de matrícula do meu filho de apenas dois anos de idade em escola de tempo integral, sob ameaça de desligamento, bem como imposições para acompanhar júris e realizar substituições, permanecendo, por vezes, semanas longe de casa, sem o pagamento de diárias ou compensações legais. Além disso, enfrentei humilhações públicas, desqualificação profissional e cobranças excessivas em ambientes institucionais, inclusive diante de estagiários, o que contribuiu para um ambiente de trabalho hostil e degradante”.

A profissional relatou ainda que teve sua saúde mental afetada e foi diagnosticada com Burnout, que é a Síndrome do Esgotamento Profissional: “Os abusos e pressão psicológica me incapacitaram a trabalhar naquele ambiente e passei a ter ansiedade generalizada, choro frequente, desgaste físico e mental pela sobrecarga de trabalho, exaustão extrema, desânimo, sentimentos de ineficácia, resultando em vários sintomas físicos,” contou a profissional.
Em um comunicado dirigido aos colegas, a ex-assessora informou seu desligamento afirmando que “os abusos reiterados tornaram insustentável a sua permanência no ambiente de trabalho”.

Ela também denunciou que casos de abusos morais têm sido frequentes e que não há suporte de proteção para as vítimas.

“Tenho plena consciência de que, infelizmente, abusos morais têm se tornado frequentes no âmbito do Ministério Público e que, muitas vezes, não há canais efetivos de proteção para quem os sofre. Ainda assim, não posso naturalizar práticas que violam a dignidade, o respeito e os limites humanos. Apesar de todas as dificuldades, sempre atuei com responsabilidade, zelo e compromisso técnico, assegurando o andamento das demandas e o funcionamento do setor. Saio com a consciência tranquila e desejando a todos boa sorte, serenidade e sucesso em suas trajetórias profissionais”.

Ela ressaltou que possui provas de todas as acusações, em vídeos, áudios e prints de conversas: “Minha denúncia é no sentido de pedir justiça, pois estas atitudes não devem ser normalizadas. Não é uma vingança pessoal, mas uma forma de coibir que outros continuem passando por situações como as que eu passei e que adoecem os profissionais. O MPBA deve adotar providências, já que é um órgão cumpridor da lei e Assédio Moral é CRIME”, finalizou.

 

Redação PNB

Sesau inicia formação para médicos da Atenção Primária com foco em saúde mental de crianças e adolescentes em Juazeiro

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A Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro (Sesau) iniciou, nesta quarta-feira (11), um processo formativo voltado aos médicos da Atenção Primária à Saúde, com foco no cuidado em saúde mental de crianças e adolescentes. A atividade foi realizada na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e integra o início de um projeto de matriciamento entre as equipes de Saúde Mental e da Atenção Básica do município.

A formação reuniu médicos da rede municipal e foi conduzida por profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que apresentaram estratégias de acolhimento, avaliação e manejo de casos de sofrimento psíquico na população infantojuvenil. O encontro desta quarta-feira (11) marcou a primeira etapa da capacitação, que terá continuidade nesta quinta-feira (12), com a participação de um segundo grupo de médicos da Atenção Primária.

A iniciativa tem como objetivo fortalecer a capacidade de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), permitindo que médicos da atenção básica possam identificar, avaliar e acompanhar casos de sofrimento psíquico em crianças e adolescentes, garantindo maior resolutividade e ampliando o acesso dessa população aos cuidados em saúde mental dentro da própria rede municipal.

De acordo com a diretora de Saúde Mental da Sesau, Karoline Barros, a formação faz parte de uma estratégia para integrar ainda mais os serviços da rede municipal de saúde. “Esse é o início de um processo de matriciamento, ou seja, uma metodologia de trabalho no SUS onde equipes especializadas, como o Caps, oferecem suporte técnico-pedagógico às equipes de referência, nesse caso, a Atenção Básica. Assim, a ideia é aproximar as equipes da Saúde Mental da Atenção Primária, com o objetivo de qualificar os profissionais da atenção básica para que eles consigam avaliar e acompanhar crianças e adolescentes em sofrimento psíquico dentro das próprias unidades, garantindo mais acesso e resolutividade no cuidado”, destacou.

Como parte do cronograma do projeto, na próxima semana serão realizadas novas formações voltadas aos enfermeiros da Atenção Básica. As atividades serão conduzidas por profissionais do Caps Infantojuvenil, que irão compartilhar orientações e promover um processo formativo semelhante ao realizado com os médicos.

Já no mês de abril, o foco das formações será a saúde mental de adultos, especialmente pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas ou que apresentam sofrimento mental grave e persistente. As atividades contarão com a participação das equipes do Caps II, Caps AD e do Serviço Especializado em Saúde Mental (Sesme), seguindo o mesmo formato de capacitação para médicos, enfermeiros e também para agentes comunitários de saúde.

Após essa etapa inicial de formações, o projeto de matriciamento será desenvolvido diretamente nas Unidades Básicas de Saúde, com acompanhamento das equipes especializadas. As ações serão realizadas de acordo com as necessidades identificadas em cada território, com construção conjunta de um calendário de atividades entre a Saúde Mental e a Atenção Primária.

Ascom

Ruas do Futuro: obras de pavimentação começam no Parque Centenário e moradores celebram nova realidade

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A manhã desta terça-feira (10) foi marcada por um cenário diferente no bairro Parque Centenário. O som das máquinas e o movimento das equipes da Prefeitura de Juazeiro anunciaram o início das obras de pavimentação na comunidade, transformando o ambiente que por muitos anos foi marcado por poeira na seca e lama durante o período de chuvas. Para os moradores, ver as ruas sendo preparadas representa a chegada de uma nova realidade para o bairro.

As máquinas começaram a preparar as vias, realizando a movimentação de terra e os primeiros ajustes necessários para a implantação do pavimento. Nas portas das casas, moradores acompanharam de perto cada etapa do início da obra, observando com expectativa o progresso chegar a um lugar que há décadas aguardava por melhorias na infraestrutura.

Um dos moradores do bairro, Joaquim Ferreira Mendes destacou a importância da intervenção e relembrou as dificuldades enfrentadas pela comunidade ao longo dos anos. “Bom, primeiramente eu acho que essa questão do alagamento é muito séria. Quando chove aqui, o bairro vira praticamente uma represa de Sobradinho. Enche de água, invade as casas, vira lama, é uma série de dificuldades para quem mora aqui. A gente está esperando por essa obra praticamente desde quando o bairro começou. Muitas pessoas vieram aqui, fizeram promessas, mas nada acontecia. Hoje, ver as máquinas trabalhando e as obras começando de verdade traz uma esperança muito grande para todos nós que moramos aqui”, relatou.

De acordo com o engenheiro da Secretaria de Obras Estruturantes (Soest), Técio Martins, responsável técnico pela obra, o projeto prevê a implantação de um tipo moderno de pavimentação, que garante maior resistência e durabilidade. “Estamos aqui hoje no Parque Centenário para iniciar uma obra de pavimentação. Essa pavimentação vai ser executada em concreto usinado. É uma pavimentação que se assemelha ao intertravado, porém será moldada no próprio local. As equipes já começaram a movimentação de material e toda a estrutura necessária para moldar esse pavimento aqui nas ruas do bairro. Serão executadas sete ruas, com cerca de dois mil metros de pavimento, trazendo mais conforto e qualidade de vida para a população do Parque Centenário”, explicou.

O secretário de Obras Estruturantes, Vagner Souza, destacou que a intervenção integra um conjunto de ações voltadas para a melhoria da infraestrutura urbana do município. Segundo ele, a obra faz parte do ProJuá – Programa Juazeiro Avança, que reúne diversas iniciativas para modernizar a cidade, além de integrar também o Programa Ruas do Futuro, considerado o maior programa de pavimentação já realizado em Juazeiro. A iniciativa contempla ruas da sede e também da zona rural, levando mais mobilidade, dignidade e qualidade de vida para a população.

Ascom

Prefeitura de Juazeiro informa interdição temporária de uma das vias da Avenida Raul Alves para reforço na estrutura da galeria de água pluvial

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A Prefeitura de Juazeiro, por meio da Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes (AMTT), informa a interdição temporária de uma das vias da Avenida Raul Alves, no bairro Santo Antônio. A medida foi necessária para reforçar a estrutura da galeria de água pluvial, localizada nas proximidades do Hospital da Mulher, que apresentou problemas após as fortes chuvas que atingiram a cidade. Essas galerias subterrâneas são essenciais para captar, armazenar e direcionar a água das chuvas.

De acordo com a Defesa Civil, somente nos primeiros cinco dias do mês de março foram registrados 50 mm de chuva na área urbana e 100 mm na área rural de Juazeiro.

Segundo a empresa CLC Construtora, responsável pela execução do serviço, a via deverá ser liberada ainda hoje. A empresa informou ainda que será necessária uma intervenção temporária em outro ponto da Avenida Raul Alves para manutenção de outra galeria localizada próximo a AABB.

Agentes de trânsito estão no local realizando a organização do tráfego. A AMTT reforça a importância de atenção e cuidado redobrados por parte dos motoristas que transitam pela via.

Ascom

“Já estamos há uma semana sem aula”, relatam estudantes do Colégio Estadual Pedro Raymundo Moreira Rego, em Juazeiro; Secretaria de Educação esclarece

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Estudantes do Colégio Estadual Pedro Raymundo Moreira Rego, localizado no bairro Alto da Aliança, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar que estão há cerca de uma semana sem aulas. Segundo os relatos, a justificativa apresentada diariamente é a suposta falta de energia elétrica na unidade escolar.

“Já faz uma semana que nós, alunos, estamos sem aulas. Todo dia dizem que não tem energia. A gente não entende como uma escola pode passar tanto tempo assim sem eletricidade. Que tipo de lugar passa uma semana sem energia? Só se não pagaram as contas, porque é impossível uma instituição de ensino ficar tanto tempo sem luz”, criticou um aluno.

Eles também dizem que a interrupção das aulas tem causado prejuízos no aprendizado.

“Enquanto outras escolas estão tendo aula normalmente, nós estamos acumulando dias sem estudar. Isso prejudica diretamente nosso aprendizado”, afirmou.

Os estudantes cobram uma solução para o problema e pedem providências urgentes. “Queremos que o problema seja verificado o quanto antes e que as aulas voltem imediatamente. Não é justo continuarmos sendo prejudicados dessa forma”, reclamaram.

Encaminhamos os relatos dos estudantes para a Secretaria de Educação do Estado e para o NTE-10 em busca de esclarecimentos. Em nota, a SEC esclareceu que “as chuvas que atingiram a região de Juazeiro danificaram a subestação de energia do Colégio Estadual Pedro Raymundo Moreira Rego, localizado no bairro Santa Aliança. Equipes da SEC já estiveram no local e acionaram a empresa responsável pela manutenção da unidade escolar para realizar as intervenções necessárias. A direção do colégio, em diálogo com professores, estudantes e as famílias, está elaborando o calendário de reposição de aulas”.

Redação PNB