Redação

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“Pagamos caro e não temos o mínimo”, diz aluna ao relatar problemas estruturais e falta de climatização na UNIBRAS em Juazeiro

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Uma estudante da UNIBRAS, em Juazeiro, procurou o Portal Preto no Branco para relatar uma série de problemas que, segundo ela, vêm sendo enfrentados por alunos da instituição. Entre as reclamações estão aparelhos de ar-condicionado sem funcionar, e falta de água nos bebedouros.

“A gente paga caro todo mês e, mesmo assim, encontra a faculdade nessa situação. Sala sem ar-condicionado funcionando, nesse calor de Juazeiro. Os aparelhos estão sem funcionar. Bebedouro sem água. Então, imagina enfrentar esse calor e ainda não ter água disponível”, relatou.

A estudante também afirma que há problemas estruturais em diferentes espaços da instituição.

“A maioria das salas está com o teto rachado. Esses dias mesmo, teve um pequeno curto-circuito que atingiu um lado da faculdade. Quando chove em Juazeiro, parece que chove mais dentro da faculdade do que fora”, afirmou.

Ainda conforme o relato, os estudantes já teriam levado as reclamações à direção e à coordenação, mas, segundo ela, os problemas permanecem.

“A gente fala com o diretor, fala com o coordenador, e nada é resolvido. É um descaso. Pagamos caro e não temos o mínimo”, denunciou a aluna.

O PNB encaminhou as reclamações para a direção da faculdade em busca de esclarecimentos e aguarda uma resposta.

Redação PNB

NTE-10 esclarece participação do CETEP em inauguração de complexo após questionamentos de profissionais

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Após questionamentos de profissionais que atuam no Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica Sertão do São Francisco (CETEP), em Juazeiro, sobre a convocação de professores, funcionários e alunos para participar, nesta sexta-feira (18), da inauguração do Complexo Poliesportivo Educacional Aloysio Viana, o Núcleo Territorial de Educação do Sertão do São Francisco (NTE-10),procurado pelo Portal Preto no Branco, esclareceu a situação.

Em nota, o NTE-10 informou que “a comunidade escolar do Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnológica Sertão do São Francisco (CETEP) “está participando da abertura oficial do Complexo Poliesportivo Educacional Aloysio Viana, na manhã desta sexta-feira (18), como dia letivo. O Complexo é um equipamento pedagógico, que será administrado pela gestão do CETEP, e utilizado pelos estudantes desta unidade escolar para a prática das mais diversas modalidades esportivas. Além disso, o equipamento também será aberto à comunidade. A infraestrutura do Complexo Poliesportivo Educacional Aloysio Viana conta com
espaço de vivências corporais, campo de futebol society com pista de atletismo, pista de cooper, piscina semiolímpica com vestiário, unidade admistrativa, paisagismo, guarita, subestação e incorporou o ginásio coberto”.

Questionamento

Profissionais que atuam no CETEP procuraram o PNB para questionar a orientação da gestão da instituição para a participação da comunidade escolar na programação.
Segundo os relatos, a gestora teria enviado uma circular no grupo da escola informando que não haveria aula na sede nesta sexta-feira e convidando funcionários, professores e alunos para a programação no Complexo Poliesportivo.

“Ela enviou uma circular no grupo da escola informando que hoje não haveria aula e convidando a todos, funcionários, professores e alunos, para o evento político que acontecerá no Complexo Poliesportivo Aloysio Viana, com a presença do governador e seus apoiadores. Isso é permitido?”, questionaram os profissionais.

Redação PNB

Família de idoso que sofreu AVC hemorrágico denuncia falta de acomodação adequada para o paciente no Hospital Regional de Juazeiro

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A família de um paciente de 80 anos, procurou o Portal Preto no Branco para relatar as condições em que o idoso está internado no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ). Segundo os familiares, ele está internado desde a última segunda-feira (14), após sofrer um AVC hemorrágico, e permanece em um local inadequado.

“ Estamos com meu avô internado desde segunda e não tem um lugar para ele ficar, uma sala digna. Ele está em uma sala bem pequena e inapropriada, em cima de uma maca. O caso do meu avô é sério, pois ele já tem 80 anos, sofreu um AVC hemorrágico e está no oxigênio”, relatou um familiar.

A neta do idoso relata ainda que foi informada que o hospital superlotado e pede que o idoso seja acomodado adequadamente.

“Eles só dizem que o hospital está cheio, que não tem mais vaga nos leitos. Tem muitos pacientes que estão no corredor. Estamos bastante preocupados e indignados com a situação que meu avô está enfrentando. Pedimos que providências sejam adotadas o mais rápido possível”, concluiu.

Redação PNB

Jerônimo cobra quebra de sigilo de ACM Neto no STF

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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), comentou os recentes desdobramentos das investigações da Polícia Federal envolvendo o ex-prefeito de Salvador e seu opositor político, ACM Neto (União Brasil).

Durante agenda pública nesta quinta-feira (17), Jerônimo confirmou que a federação composta por PT, PCdoB e PV solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a derrubada do sigilo do processo para garantir acesso integral às apurações.

A declaração ocorre após o ministro Kassio Nunes Marques negar o pedido de busca e apreensão contra ACM Neto na Operação Overclean, divergindo do parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Jerônimo cobrou uma postura direta do ex-gestor diante dos fatos divulgados pela imprensa nacional. “Quem tem que se pronunciar é ele. Se ele está dizendo que é honesto e não tem o que esconder, é hora de provar: peça também ao STF que abra o processo sigiloso. Queremos apenas que abram o que reza sobre ele”, afirmou o governador.

Combate ao crime na Bahia

Paralelamente às cobranças políticas, o chefe do Executivo baiano destacou os números do combate à criminalidade no estado, citando a realização de 600 operações policias no ano e uma média de 110 prisões diárias efetuadas pelas forças de segurança.

Jerônimo ressaltou ainda a deflagração de ações recentes na capital, incluindo investigações sobre fraudes e frustração de receita na cobrança do IPTU em Salvador, defendendo a integração entre os órgãos de fiscalização e a Justiça.

“Quero destacar aqui e agradecer à briosa PM de 200 anos, à Polícia Civil, a parceria com o Governo Federal, os órgãos de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, a parceria com os municípios. Está no meu programa o fortalecimento da parceria com os municípios para a guarda municipal, ou as guardas, serem acolhidas mais fortemente com investimento”, disse Jerônimo.

Bahia.BA

Flávio Bolsonaro usou apartamento de advogado investigado por fraudes no INSS, diz revista

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O senador Flávio Bolsonaro (PL) usou um apartamento do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal no caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), durante a campanha à Presidência da República, segundo reportagem da revista piauí.

Como revelado pela Folha, o imóvel pertenceu antes a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, do Banco Master. Localizado na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, o apartamento foi comprado por Zettel em abril de 2025, por R$ 5,5 milhões. A venda à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer Tomaz, ocorreu em fevereiro deste ano, por R$ 3,5 milhões.

O apartamento, nunca habitado por Zettel, tem 158 m² e conta com três vagas na garagem, segundo a escritura da transação. Procurada pela Folha, o cunhado de Vorcaro não quis se manifestar. Tomaz afirmou em nota que “não conhece Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro e jamais manteve relação pessoal ou comercial com eles ou com qualquer pessoa a eles ligada”.

A transferência foi registrada em cartório no dia 4 de março, no mesmo dia em que Zettel se entregou à PF e foi preso. Casado com Natalia Vorcaro, irmã do dono do Master, o empresário foi pastor da igreja da Lagoinha e o maior doador das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Governo de São Paulo e de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência em 2022.

Flávio Bolsonaro permaneceu no condomínio l’Adresse, onde está o imóvel, por alguns dias da primeira quinzena de agosto, segundo a revista piauí. O comitê de campanha do presidenciável ficava a cinco minutos de carro do local, na avenida República do Líbano.

De acordo com a revista, moradores do edifício confirmaram a presença de Flávio e a movimentação de agentes de segurança durante a estadia do parlamentar.

Questionado pelo veículo sobre a estadia do senador, Willer Tomaz primeiro negou, depois enviou nota dizendo não conhecer Zettel e Vorcaro e não ter “relação pessoal, comercial ou societária” com eles.

A assessoria de Flávio, por sua vez, afirma que o presidenciável se hospedou apenas em hotéis da região, mas não respondeu qual uso o candidato teria feito do imóvel.

Bahia Notícias

Fachin desmarca julgamento sobre atuação de Mendonça no caso Master

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou da pauta da sessão plenária da próxima quarta-feira (23) o julgamento de um pedido de investigação sobre a condução dada pelo ministro André Mendonça como relator do caso Master na Corte, que foi desencadeado pela Operação Compliance Zero.

Fachin tomou a decisão depois da sessão extraordinária da última terça (15), quando o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, levantou uma questão de ordem em julgamento sobre a abertura ou não de uma investigação sobre o suposto elo entre o ministro Alexandre de Mores e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master.

Na Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

Para Gilmar Mendes, os dois pedidos de investigação são correlatos e devem ser julgados em conjunto. O plenário começou a votar a proposta, mas o julgamento acabou interrompido por um pedido de vista (mais tempo de análise) do ministro Flávio Dino, quando o placar estava em 4 a 3 para que os processos fossem julgados em separado.

Ao desmarcar, nesta quinta, o julgamento sobre a atuação de Mendonça, Fachin escreveu que tomou a medida devido à “direta relação” deste processo com ponto levantado na questão de ordem.

“A inclusão em pauta será oportunamente redesignada”, afirmou o presidente do Supremo.

A iniciativa de marcar o pedido de investigação contra Moraes primeiro, na sessão extraordinária da última terça, partiu de Fachin, que ao mesmo tempo marcou o processo contra Mendonça para o dia 23.

Na semana passada, o presidente do STF negou um pedido de Moraes para que os dois casos fossem julgados juntos. O ministro alega que a análise sobre desvios na relatoria de Mendonça tem efeito direto na análise sobre seu caso.

Entenda
O STF entrou em uma crise institucional sem precedentes desde que Mendonça, na condição de relator do caso Master, levantou o sigilo, em 1º de setembro, sobre um relatório da PF com 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

Nas mensagens, Vorcaro aparenta ter relação próxima com Moraes, a quem diz ter enviado para apreciação a cópia de um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, o ex-banqueiro parece buscar informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro foi de fato preso. As respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas, informaram os investigadores.

Na sessão plenária de terça, Moraes voltou a afirmar que nunca manteve diálogo com Vorcaro e que não há provas de que as supostas mensagens foram de fato enviadas ou se, por exemplo, não foram apagadas antes da visualização.

Durante a sessão, Moraes bateu boca com Mendonça, a quem acusou de ter encomendado a inclusão de seu nome em eventual delação premiada de Vorcaro, por motivações políticas. Mendonça respondeu que a acusação é mentirosa.

Agência Brasil

PF intima Daniel e Henrique Vorcaro para para prestar novo depoimento

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A Polícia Federal intimou, nesta quinta-feira (17), o banqueiro Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro, para prestarem depoimentos sobre o processo no qual são investigados, das fraudes promovidas pelo Banco Master. Os depoimentos, que deveriam ter ocorrido na semana, foram marcados para o próximo dia 30 de setembro.

Pai e filho estão presos, respectivamente, no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, e no Presídio Nelson Hungria, em Minas Gerais.

Esse novo depoimento é visto pelos investigadores como o último ato para concluir o inquérito da 6ª fase da Operação Compliance Zero. Os depoimentos deveriam ter ocorrido na semana passada, mas foram adiados a pedido da defesa do dono do Banco Master.

A 6ª fase da operação foi responsável por prender Henrique Vorcaro, em Belo Horizonte, e uma delegada. O pai do banqueiro é apontado como uma das lideranças do grupo criminoso conhecido como “A Turma”, que buscavam intimidar opositores e “inimigos” do banqueiro, além de buscar informações sigilosas para favorecer Daniel. Alguns dos membros desse grupo eram policiais.

BNews

Filha pede transferência urgente de idosa com três aneurismas internada há 17 dias no HU, em Petrolina

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A família de Expedita Pereira Bezerra, de 60 anos, entraram em contato com o Portal Preto no Branco para cobrar celeridade na regulação da paciente, que está internada há 17 dias no Hospital Universitário, em Petrolina, no sertão de Pernambuco. Segundo a filha, a idosa possui três aneurismas e aguarda uma vaga para ser encaminhada a uma unidade hospitalar em Salvador (BA), onde deverá realizar um procedimento endovascular por cateter.

“Ela se encontra internada no Hospital do Trauma de Petrolina, à espera da regulação há 17 dias. Está meio que desorientada, perdida. A pressão dela está sempre muito alta. Ela tem 60 anos e se encontra com três aneurismas. A visão fica oscilando e ela sente bastante tontura”, contou.

A filha afirma que considera o caso de extrema urgência e teme que a demora na transferência agrave a situação da mãe.

“O caso dela é de extrema urgência, um caso muito delicado, com risco de vida. Ela precisa ser chamada para realizar o procedimento. O caso dela é grave e de extrema urgência. O Hospital do Trauma não tem suporte para atender à necessidade de urgência. Por isso, ela precisa ser transferida urgente para Salvador”, afirmou

A família diz estar angustiada diante dos dias de espera pela regulação.

“Como filha e como família, estamos desesperados. Nos ajude a trazer esperança à minha mãe e à nossa família”, apelou.

Os familiares também solicitaram atenção das autoridades competentes e dos responsáveis pela regulação para que o caso seja analisado e a transferência seja agilizada.

A família finaliza pedindo às autoridades e aos responsáveis pelo sistema de regulação para que o caso seja analisado com atenção e o encaminhamento seja agilizado.

“Pedimos às autoridades competentes e aos responsáveis pela Regulação que tenham atenção especial ao caso e agilizem a transferência para Salvador”, reforçam.

O PNB está em contato com o Hospital Universitário de Petrolina em busca de informações sobre o caso.

 

Redação PNB 

A pré-juridicidade brasileira e o sequestro do direito pela elitização linguística do STF, por Pablo Bandeira

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A tese que proponho — a da pré-juridicidade — descreve o estado em que o Direito existe formalmente, mas não opera como tentativa de realização de justiça. Não é a ausência de lei. É algo mais perverso: a presença de todo o aparato jurídico — normas, ritos, tribunais — funcionando sem seu espírito.

O Direito deixa de ser o projeto de realizar justiça e passa a ser instrumento de dominação nas mãos de uma elite togada que o capturou. Como venho sustentando, não se trata de uma falha acidental do sistema, mas do sistema operando exatamente como foi capturado para operar.

No caso brasileiro, esse sequestro opera por três mecanismos simultâneos. Primeiro, pela elitização linguística: o “juridiquês” hermético não é acidental — é uma muralha que exclui o cidadão da compreensão do que se decide sobre sua vida, empodera uma casta de iniciados que monopoliza a interpretação e blinda os operadores do Direito de questionamentos externos.

Segundo, pela transformação do processo em território de poder: relatorias viram plataformas de domínio, inquéritos viram trincheiras, decisões monocráticas viram armas que impõem a vontade do mais forte até serem revertidas pelo próximo mais forte. Terceiro, pela cumplicidade da pobreza linguística dos políticos: o Parlamento, tecnicamente incapaz de legislar com precisão e politicamente omisso diante das investidas do Judiciário, abdica de seu papel constitucional, criando um vácuo preenchido pela elite togada.

O evento de ontem no STF foi a prova empírica dessa teoria. A sessão que analisaria a Petição 16.662 — relatório da PF que citava conversas entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro — foi atropelada por uma guerra de egos. Antes do mérito, o plenário gastou horas debatendo uma questão de ordem sobre conexão entre os casos, revelando a desordem. Dino pediu vista, empurrando qualquer decisão para depois das eleições.

No caminho, Gilmar acusou Mendonça de “leviandade” e “desfaçatez”; Moraes votou no julgamento sobre si mesmo e acusou Mendonça de servir a “grupos que tentaram um golpe”; Cármen Lúcia disse-se “envergonhada” e pediu desculpas à população. O procedimento formal foi atropelado pelos egos, e o Direito não foi usado para apurar fatos, mas como território de poder — exatamente como a tese da Pré-Juridicidade prevê.

A isso se soma uma questão estrutural que agrava a Pré-Juridicidade: a vitaliciedade dos ministros do STF. O Direito é dinâmico — demanda fluxo incessante de ideias, renovação de interpretações e oxigenação de perspectivas. Um sistema que perpetua os mesmos intérpretes por décadas, sem mandato fixo, sem avaliação periódica e sem mecanismos efetivos de responsabilização, é incompatível com a democracia.

A vitaliciedade não protege a independência judicial; protege a casta. Ela cristaliza visões de mundo, perpetua redes de poder e transforma o Judiciário em um espaço de reprodução de uma elite que não dialoga com a sociedade. Em uma democracia, o poder é temporário por definição — e o poder de interpretar a Constituição, o mais delicado de todos, não pode ser vitalício.

O que resta ao cidadão brasileiro é um simulacro de Direito: uma estrutura que tem a forma da lei, os rituais do processo, a retórica da justiça, mas cujo coração parou de bater.

A linguagem hermética, a guerra institucional entre ministros e a vitaliciedade que perpetua tudo isso revelam que o projeto jurídico foi abandonado.

O Direito brasileiro não é um instrumento de justiça sequestrado por acidente. É um instrumento de poder operado deliberadamente por uma elite que usa a linguagem como arma, o processo como território e a lei como escudo. Isso é a pré-juridicidade: o Direito sem alma, a lei sem justiça, a ordem sem legitimidade.

Pablo Bandeira, juazeirense, Advogado, formado em Direito pela FACAPE, com atuação em Direito Penal e Cível, produtor de textos sobre filosofia e ciência política