PNB

4535 POSTS 0 COMENTÁRIOS

População do Salitre leva demandas e sugestões para planejamento do orçamento de Juazeiro

0

Moradores do Baixo, Médio e Alto Salitre participaram ativamente da audiência pública realizada no distrito do Junco para discutir o Plano Plurianual (PPA) 2026–2029 e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. O encontro reuniu lideranças comunitárias, presidentes de associações, agentes de saúde, secretários municipais e população em geral, permitindo que cada cidadão pudesse apresentar suas prioridades e reivindicações sobre como os recursos do município devem ser investidos na região.

Para além de cumprir uma obrigação prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal, a descentralização dessas audiências é um compromisso da gestão em aproximar o planejamento das realidades locais e garantir um desenvolvimento mais equilibrado para Juazeiro. “Pela primeira vez estou participando de uma audiência pública aqui no Junco. Acredito que o prefeito vai fazer muito por essa região e que a população vai ajudar nessa participação”, destacou Roberval de Amorim, presidente da Associação Águas do Salitrinho, que defendeu melhorias em estradas e no abastecimento de água para fortalecer a agricultura.

As demandas também foram reforçadas por outras lideranças. “Quem sabe falar o que a comunidade está precisando somos nós que vivemos aqui todos os dias. O Salitre precisa de uma adutora para o plantio, porque temos terras férteis e produtos de ótima qualidade”, pontuou Rosinha, presidente da Associação de Marruá Salitre. Para o secretário de Governo, Gestão e Inovação, Plínio Amorim, esses momentos fortalecem a democracia participativa: “A escuta direta da população nos ajuda a planejar ações mais assertivas e a priorizar investimentos que realmente façam diferença na vida das pessoas”.

Após o Junco, o ciclo de escutas continua no distrito de Maniçoba, no dia 20 de agosto, às 18h, na Escola 2 de Julho. A Prefeitura convida todos os moradores a participarem, lembrando que cada voz é essencial para construir um orçamento mais justo e representativo para Juazeiro.

Ascom/PMJ

Mega-Sena: prêmio de 47 milhões será sorteado nesta quinta-feira (14)

0

A Mega-Sena pode pagar prêmio estimado em R$ 47 milhões para quem acertar as seis dezenas do concurso 2901 que será realizado nesta quinta-feira (14).

O sorteio será a partir das 20h (horário de Brasília) com transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet. O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.

 

Redação PNB

Usuária da UBS Capim de Raiz, no Salitre, em Juazeiro, reclama da falta de atendimento odontológico: “tem dentista, mas não realiza os procedimentos”; Sesau esclarece

0

 

Uma usuária da Unidade Básica de Saúde do Capim de Raiz, no distrito do Salitre, em Juazeiro, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para reclamar da falta de atendimento odontológico na UBS. Segundo ela, o serviço não está disponível devido a problemas na rede de energia.

“A gente vai até a unidade e não é atendido porque tem dentista, mas não realiza os procedimentos por que falta ligar algo lá na energia e ninguém se manifesta. Há dias estou com dor de dente e nada é feito. Crianças, adultos, se precisar de dentista tem que ir em Juazeiro para pagar 100 reais para extrair um dente. E quem não tem condição fica sofrendo com dor, como eu, porque no posto passam medicação, mas não resolve nada, fora as consultas, que para marcar é um Deus nos acuda”, disse a usuária.

Encaminhamos a reclamação para a Secretaria de Saúde de Juazeiro. Em nota enviada ao PNB, a Sesau informou que “a dentista da unidade segue presente e disponível para atender e conduzir casos de urgência odontológica.
A Sesau reforça que o atendimento odontológico regular encontra-se temporariamente suspenso devido a problemas elétricos ocorridos após a entrega da reforma da unidade. A Neoenergia já realizou a troca da fas, no entanto, ao religar o equipamento odontológico, foi identificada uma nova falha.
Diante disso, já está programada a visita de um técnico especializado em equipamentos odontológicos para avaliar se a falha está relacionada ao aparelho ou se será necessária nova intervenção na rede elétrica. A Sesau está adotando todas as medidas para agilizar a resolução do problema, compreendendo a importância do serviço para a população.”

Redação PNB

Univasf sedia evento “Legado Socioambiental do PISF: Segurança Hídrica e Desenvolvimento Regional Sustentável”

0

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) sedia até sexta-feira (15) o evento “Legado Socioambiental do PISF: Segurança Hídrica e Desenvolvimento Regional Sustentável”, promovido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O evento acontece no Cineteatro, no Campus Sede, em Petrolina (PE), com o objetivo de divulgar os avanços e benefícios da gestão ambiental do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), destacando seu impacto social, ambiental e científico.

A cerimônia de abertura, realizada na manhã desta quarta-feira (13), contou com a presença do reitor da Univasf, Telio Nobre Leite; do diretor do Departamento de Projetos Estratégicos do MIDR, Bruno Cravo Alves, representando o secretário Nacional de Segurança Hídrica, Giuseppe Serra Seca Vieira; o assessor da Casa Civil do Governo Federal, Carlos Perdigão; a coordenadora geral dos Programas Ambientais do MIDR, Elianeiva Odisio; o secretário de Recursos Hídricos e de Saneamento de Pernambuco, José Almir Cirilo; e o coordenador-geral  do Licenciamento Ambiental do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Herbert Moura.

Também estiveram presentes os coordenadores do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), Patrícia Nicola e Luiz César Pereira; do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema), Renato Garcia; do Centro de Estudos em Biologia Vegetal (Cebive), Daniel Pifano; e do Núcleo de Gestão de Projetos Sociais (NGPS), Leonardo Cavalcanti e Sérgio Motta Lopes; representantes das concessionárias do PISF, além de gestores, professores, pesquisadores e estudantes da Univasf.

O diretor do Departamento de Projetos Estratégicos, Bruno Cravo Alves, destacou que o evento é um momento de prestação de contas das ações já realizadas e frisou a importância do Projeto de Integração do Rio São Francisco. “Para além da segurança hídrica, o PISF deixa um legado importante de preservação ambiental e desenvolvimento social. Não poderíamos deixar de comemorar os 20 anos do licenciamento desse projeto tão relevante. Mas este não é apenas um momento de olhar para o passado: é também uma oportunidade de planejar e mirar o futuro”, afirmou.

O reitor Telio Leite lembrou que sua chegada à Univasf aconteceu em 2004, período em que o governo federal retomou a integração das bacias hidrográficas, o que lhe permitiu acompanhar tanto a implantação da Universidade quanto o início do desenvolvimento do PISF. Para ele, o principal legado do PISF é a convergência entre a execução de uma infraestrutura de grande magnitude com a preservação socioambiental e o cuidado com as pessoas e o meio ambiente local.

“A Univasf foi convidada a participar desse desafio e tem orgulho de colaborar com esse grande empreendimento. Aqui, observamos uma convergência rara e poderosa de duas políticas públicas: a interiorização do ensino superior e a garantia da segurança hídrica. Essa união tem provocado um processo de transformação profundo, duradouro e sustentável para o desenvolvimento regional”, disse o reitor.

A programação inclui mesas redondas sobre temáticas diversas, a exemplo de “Ensinamentos do Licenciamento do PISF”, “Conhecimento Histórico e Biodiversidade da Caatinga” e “Avanços Sociais, Emprego e Renda”. Também haverá visitas de campo a Salgueiro (PE), para conhecer as áreas do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) e as Vilas Produtivas Rurais, e a São Raimundo Nonato (PI), onde os participantes irão conhecer os laboratórios da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM) e o Sítio Arqueológico Pedra Furada, na Serra da Capivara, entre outras atividades.

O evento também apresenta uma exposição com a linha do tempo do PISF e uma mostra com os resgates de fauna e flora realizados no projeto. O “Legado Socioambiental do PISF: Segurança Hídrica e Desenvolvimento Regional Sustentável” é realizado pelo MIDR em parceria com a Univasf, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

Ascom Univasf

CCJ da Câmara aprova projeto que endurece crimes contra menores nas redes

0
Plenário da Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (13) um projeto de lei que aumenta a pena para o crime de aliciamento de crianças e adolescentes quando cometido em plataformas de comunicação. A pauta ganhou destaque após ser abordada pelo youtuber Felca, que denunciou em vídeo a prática de adultização de menores de idade nas redes sociais por outros criadores de conteúdo.

Segundo matéria do InfoMoney, o texto possui autoria da ex-deputada federal Sheridan (sem partido-RR), e foi uma das duas propostas pautadas na Casa nesta quarta. A segunda, do deputado Fred Costa (PRD-MG), autoriza que delegados e Ministérios Públicos possam solicitar qualquer material que possa subsidiar denúncias no âmbito de investigação criminal de abuso, violência ou exploração sexual de criança ou adolescente, diretamente às plataformas, sem a necessidade de uma autorização judicial prévia.

Esse segundo projeto de lei, no entanto, acabou sendo retirado de pauta de ontem, em razão da ausência do relator, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).

“Esta presidência conhece a gravidade da situação e entende a necessidade de fortalecermos o arcabouço legal, para essas ações efetivamente serem enfrentadas e coibidas”, disse Azi, que também mencionou o vídeo de Felca.

Com mais de 35 milhões de visualizações acumuladas, o vídeo do youtuber, intitulado de “Adultização”, faz um compilado de denúncias sobre influenciadores que abusam da imagem de crianças, detalhando ainda como o algoritmo funciona para entregar esse tipo de conteúdo para pedófilos e entrevista uma psicóloga especializada para falar sobre o perigo da exposição nas redes sociais para as crianças e adolescentes.

 

Bahia BA

Juazeiro sedia Conferência Territorial de Mulheres com presença do prefeito Andrei e lideranças estaduais

0

 

O prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, participou, nesta quarta-feira (13), da 5ª Conferência Territorial de Políticas para as Mulheres, realizada no Teatro do Colégio Lomanto Júnior. O encontro reuniu representantes dos Territórios de Identidade Sertão do São Francisco e Piemonte Norte do Itapicurú, com a presença da secretária estadual de Mulheres, Neusa Cadore, da secretária municipal de Mulheres e Juventude de Juazeiro, Érica Daine e do vice-prefeito Tiano Félix.

“Quando discutimos políticas públicas para as mulheres, estamos falando de justiça, oportunidades e respeito. É um compromisso do nosso governo ampliar cada dia mais a voz e a vez das mulheres em todos os espaços de decisão. A nossa gestão criou a primeira Secretaria Municipal de Mulheres e Juventude, onde Érica vem desenvolvendo um excelente trabalho, e sete importantes pastas são lideradas por mulheres. A nossa equipe em pouco mais de sete meses já realizou muitas ações que beneficiam diretamente as mulheres, a exemplo da construção de 10 novas creches ainda este ano, a requalificação da Maternidade e outras ações na área de segurança”, pontuou o prefeito Andrei.

Com o tema “Mais democracia, mais igualdade e mais conquista para todas”, a conferência promoveu um amplo debate sobre políticas públicas já existentes e a construção de novas propostas, com o objetivo de fortalecer a democracia e ampliar a representatividade das mulheres em toda a Bahia.

A secretária estadual Neusa Cadore ressaltou a relevância da escuta e da troca de experiências entre os territórios. “Que alegria participar hoje da Conferência Territorial de Mulheres em Juazeiro. Foi um debate rico, com construção coletiva entre o Vale do Sertão do São Francisco e o Piemonte Norte do Itapicurú. Quero agradecer e parabenizar ao prefeito Andrei que tem trabalhado muito por Juazeiro e priorizando as mulheres na sua gestão. Seguimos firmes na luta por direitos e igualdade”, ressaltou.

Já a secretária municipal Érica Daine, disse que o momento fortalece a união em torno de pautas essenciais. “Abordamos temas fundamentais para a igualdade de gênero, valorização e proteção dos direitos das mulheres. Foi um momento de escuta e união, reafirmando o compromisso coletivo por uma sociedade mais justa e inclusiva”, afirmou.

Também estavam presentes as secretárias municipais dos municípios de Senhor do Bonfim, Pilão Arcado, Regivan Gomes e Marcela do Vale, a presidente do Conselho de Mulheres de Juazeiro, Francisca Teonília e representantes de vários municípios dos dois territórios.

Essa foi mais uma etapa preparatória para a 5ª Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres, que será realizada entre os dias 27 e 29 de agosto, em Salvador, reunindo representantes de todos os territórios da Bahia. As propostas aprovadas seguirão para a etapa Nacional, prevista para setembro, em Brasília.

Fotos: Gilson Pereira
Ascom/PMJ

 

Bolsonaro diz que não promoveu ação golpista ou atos de 8 de janeiro

0

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu nesta quarta-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF) absolvição na ação penal sobre a trama golpista.

A manifestação está nas alegações finais que foram encaminhadas ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. O prazo final de 15 dias para os advogados dos réus protocolarem suas manifestações termina nesta quarta-feira (13), às 23h59.

As alegações representam a última manifestação dos réus antes do julgamento que pode condenar ou absolver os acusados.

No documento, os advogados sustentam que Bolsonaro não praticou atos para promover um golpe de Estado e reverter o resultado das eleições de 2022.

“A verdade, que a muitos não interessa, é que não há uma única prova que atrele o Peticionário ao plano “Punhal Verde e Amarelo” ou aos atos dos chamados Kids Pretos e muito menos aos atos de 8 de janeiro”, disse a defesa.

Além de Bolsonaro, mais seis aliados devem apresentar suas alegações. Por estar na condição de delator, Mauro Cid entregou as alegações no mês passado.

Veja os réus do núcleo 1: 

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022.
  • Mauro Cid (tenente-coronel), ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Processo inusitado

Os advogados de Bolsonaro também consideram que a ação da trama golpista é um processo “histórico e inusitado”.

“Os réus são tratados como golpistas, como culpados, muito antes de a defesa ser apresentada. Uma parte expressiva do país, a maioria da imprensa não quer um julgamento, quer apenas conhecer a quantidade de pena a ser imposta”, disse a defesa.

Delação

Os advogados também criticaram a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

“Uma delação manipulada desde o seu primeiro depoimento e, portanto, imprestável. Mauro Cid se protegeu apontando o dedo àquele cujos atos foram sempre públicos e de governo”, completaram os advogados.

Próximos passos

Após a entrega das alegações, o ministro Alexandre de Moraes deverá liberar para o julgamento da ação penal referente ao núcleo 1 da denúncia apresentada contra Bolsonaro e seus aliados.

Caberá ao presidente da Primeira Turma da Corte, ministro Cristiano Zanin, marcar data do julgamento.

A expectativa é de que o julgamento que vai decidir pela condenação ou absolvição dos acusados ocorra em setembro.

Além de Alexandre de Moraes, o colegiado é formado pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Em caso de condenação, as penas podem passar de 30 anos de prisão.

Agência Brasil

“É chato chegar a um objetivo num instante” Por João Gilberto Guimarães

0

Em 21 de agosto de 1989, o Brasil perdia a irreverência de um artista único. Raul Seixas, ícone de uma geração, deixava a Terra para entrar definitivamente para a história. É difícil mensurar o impacto de suas canções no imaginário brasileiro, mas é fácil perceber a atualidade das ideias que ele propagava com sua voz inconfundível, carregada de sotaque baiano e de um deboche quase infantil, mas profundamente consciente.

Eu cursava a sétima série no Colégio Paulo VI quando o colega Marcos apareceu com os LPs do padrasto debaixo do braço. Naquela época, as letras das músicas, sim, as músicas tinham letra, vinham impressas nos encartes dos discos, e era ali que a gente mergulhava, lendo e relendo como se fossem mensagens cifradas vindas de um outro mundo. A gente foi à loucura com o marasmo provocador de Maluco Beleza, com a viagem mística de Gita, com o épico Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás e com a fábula absurda e genial de O Dia em que a Terra Parou. Eram músicas que mexiam com a nossa imaginação e, sem que percebêssemos, nos faziam pensar, pensar demais até.

Só anos mais tarde entendi a ironia, o sarcasmo e as mensagens codificadas que vinham junto dos acordes e do deboche na voz de Raul. Ele sabia provocar. Sabia rir do poder, zombar das verdades absolutas e cutucar o ouvinte para que ele acordasse para a vida. Suas músicas eram como bilhetes secretos que driblavam a censura e atravessavam o rádio, o toca-discos ou a vitrola de algum vizinho, carregando sementes de rebeldia que brotam até hoje.

Raul viveu pouco. Vítima do abuso de entorpecentes e do alcoolismo, não escapou da sina que parece perseguir os grandes astros. Não são poucos os exemplos: Elvis Presley, Janis Joplin, Jim Morrison, Cássia Eller… é como se o sucesso viesse acompanhado de uma maldição que subverte o sujeito, até que a capa do alter ego ou a máscara do personagem se tornem pesadas demais para carregar. Talvez seja o preço de viver intensamente, de transformar vida em arte sem deixar sobrar nada para o amanhã.

Recentemente, foi lançada nas plataformas de streaming a série Raul Seixas – Eu Sou, que reconstrói lindamente a história desse brasileiro que tapeou a censura e provocou a sociedade nos tempos da repressão absurda que alguns idiotas de hoje teimam em negar. Ver aquelas imagens e ouvir aquelas canções é como reencontrar um velho amigo, daqueles que falam coisas que você não quer ouvir, mas precisa. Raul foi a mosca na sopa, a metamorfose ambulante, o sonhador de uma sociedade alternativa, e acima de tudo, um homem que nunca quis chegar rápido demais ao seu destino, porque sabia que é no caminho que mora a verdadeira aventura.

Hoje, mais de três décadas depois, suas músicas ainda encontram ouvidos atentos e corações desajustados dispostos a acreditar que sonho que se sonha junto é realidade. E talvez seja por isso que Raulzito nunca tenha partido de verdade: ele segue aqui, escondido em algum verso, rindo baixinho, enquanto nos lembra que é chato, chato mesmo, chegar a um objetivo num instante.

*A imagem acima é da homenagem que fizemos a Raul Seixas na edição 13 da revista As Flores do Mal, em 2013.

Por João Gilberto Guimarães, Poeta, editor, produtor cultural e fã de Raul.

Brasil perdeu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais em 40 anos

0

Uma área maior que a Bolívia é o tamanho do território brasileiro que teve a vegetação nativa convertida em função da atividade humana entre os anos de 1985 e 2024. Foram 111,7 milhões de hectares, ou o equivalente a 13% de todo o país, segundo a Coleção 10 de mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBioma, divulgada nesta quarta-feira (13).

O estudo revela ainda que esses 40 anos reúnem os períodos mais intensos de perda das áreas naturais, desde a colonização do Brasil.  Segundo o pesquisador Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas, 60% de toda a área foi gradualmente ocupada pela agropecuária, a mineração, as cidades, infraestrutura e outras atividades antes do período estudado. “Os 40% restantes dessa conversão ocorreram em apenas quatro décadas, de 1985 a 2024”, afirma.

Nesse período, o Brasil perdeu, em média, 2,9 milhões de hectares de áreas naturais por ano. A formação florestal foi a mais suprimida, com redução de 62,8 milhões de hectares, o equivalente ao território da Ucrânia.

As áreas úmidas, que envolvem floresta alagável, campo alagado, área pantanosa, apicum, mangue e corpos de água e reservatórios, também diminuíram ao longo desses 40 anos, com redução de 22% em todo o país.

A maior parte do cenário modificado recebeu o uso de pastagem, com 62,7 milhões de hectares, e agricultura, com outros 44 milhões. Os estados que tiveram o território mais ocupados pela agricultura foram o Paraná, com 34%; São Paulo, com 33%; e o Rio Grande do Sul, que tem 30% da área ocupada pela atividade.

De acordo com os pesquisadores, a pecuária, no acumulado de todo o período, tem maior atuação na supressão de áreas naturais por causa do crescimento da agropecuária em áreas já abertas anteriormente pela pastagem. “De forma geral, a expansão da pecuária parou no início dos anos 2000 e começou a se estabilizar. Atualmente, ela tem pequena tendência de queda da conversão”, diz Tasso Azevedo.

Biomas

Nas quatro décadas pesquisadas, a Amazônia foi o bioma que perdeu a maior extensão de cobertura verde. Foram 52,1 milhões de hectares. O Cerrado teve 40,5 milhões de hectares de vegetação nativa suprimidos

A área natural da Caatinga convertida foi de 9,2 milhões de hectares e a da Mata Atlântica, de 4,4 milhões.

O Pantanal, por sua vez, teve 1,7 milhão de hectares e o Pampa perdeu 3,8 milhões, sendo o bioma que teve maior perda de vegetação nativa proporcional ao tamanho do território: 30%.

Histórico

Na primeira década, até 1994, foi registrado aumento de 36,5 milhões de hectares de áreas antrópicas, convertidas principalmente em pastagens, mesmo sendo o período em que 30% dos municípios registraram o maior crescimento de área urbanizada.

A transformação mais significativa ocorreu na década seguinte, quando a conversão de cobertura verde para agropecuária totalizou 44,8 milhões de hectares no país. Dessa área, a expansão da agricultura representou 35,6 milhões de hectares. Também foi nesse período que o chamado Arco do Desmatamento na Amazônia se consolidou.

Nos últimos 40 anos, o período entre 2005 e 2014 foi o que menos sofreu mudança de uso do solo, quando 17,6 milhões de hectares de vegetação nativa foram suprimidos no país. A maior parte afetada – 15,4 milhões – foi de floresta, que inclui formação florestal, savânica, floresta alagável, mangue e restinga arbórea.

Nos últimos dez anos, a degradação da cobertura verde voltou a crescer, segundo o estudo. Enquanto a mineração aumentou, principalmente na Amazônia, a expansão agrícola desacelerou em todos os biomas, não impedindo o surgimento de mais uma área de desmatamento na região: a Amacro (Amazonas, Acre e Rondônia).

Uso do solo

O estudo do Mapbiomas é o mais completo já realizado no Brasil sobre o uso do solo, com 30 classes mapeadas e dados de 40 anos. Nesta edição, o levantamento recebeu mais uma classe com o mapeamento de usinas fotovoltaicas, que se expandiram pelo país entre 2015 e 2024, com 62% da área mapeada concentrada na Caatinga. “É a primeira vez que a gente acrescenta uma classe de infraestrutura como mapeável dentro dos biomas, que é a classe das fazenda solares e que virou um uso da terra no Brasil”, destaca Tasso Azevedo.