Na live realizada na noite desta quinta-feira (6), Lucinha Mota, mãe da menina Beatriz Angélica, assassinada no dia 10 de dezembro de 2015 durante uma festa de formatura no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, falou sobre quem são os cinco personagens citados pela Polícia Civil no inquérito que investiga o crime. Lucinha destacou que a presença desses personagens, que foram incluídos pelo delegado Marcione Ferreira quando presidia o inquérito, é marcada pelos comportamentos suspeitos e diversas contradições.

(foto: reprodução/Instagram)
Personagem 1
O primeiro personagem estava na guarita no dia da formatura e foi o responsável por autorizar a entrada dos convidados, inclusive de Lucinha, Sandro e Beatriz. Segundo a polícia, imagens mostram que este personagem aparece visivelmente nervoso e agitado no horário do crime e disse ainda que o mesmo mentiu várias vezes em depoimento.
“Na coletiva o delegado Marcione [que presidia o inquérito na época] disse que ele aparecia muito agitado no momento do crime. Mas numa entrevista [a um veículo de comunicação] ele disse que ficou paralisado. Mas o delegado disse que ele ficou inquieto, com o celular na mão, como se estivesse falando com alguém, justamente no período em que Beatriz sumiu. São mais de 20 minutos que ele ficou com o celular na mão. As imagens mostram ele agoniado, passando a mão na cabeça. Cadê essas mensagens, essas ligações? Por que não foram mostradas para a polícia?”, questionou Lucinha.
A mãe de Beatriz disse ainda que um professor do colégio chegou a avisar ao porteiro que havia uma pessoa estranha no bebedouro. “O que foi que você fez? Quem foi esse professor? Alguém comentou contigo sobre isso. Tu não deve a curiosidade de saber quem era? De mandar uma mensagem ou fazer uma ligação para os outros rondistas?”, acrescentou Lucinha.
Personagem 2
Este outro personagem, piscineiro do colégio, segundo a polícia, negou ter estado dentro da quadra, mas imagens mostram o contrário. A polícia disse ainda que ele mentiu várias vezes em depoimento. “Ele é quem estava no portão de entrada Guararapes que disse que no dia anterior, quando foi à missa, entrou um homem [no colégio] e que ele precisou sair do portão para tirar ele da quadra. Como é que ele disse que não saiu do portão durante todo o evento, se foi visto dentro da quadra? Tem testemunha que disse que viu você dentro da quadra. Tu foi fazer o quê? Se você disse que não encontrou ninguém estranho, quem é aquele cara que entrou ali e que a polícia aponta como suspeito? É muita contradição e mentira. Quando eu fui buscar Beatriz, fui primeiro no bebedouro. Depois fui para o portão da Guararapes. Eu não o vi no portão”, contou.
Lucinha publicou ainda uma foto que mostra o personagem dois dentro da quadra, o que contradiz o depoimento do mesmo. Lucinha ressaltou a importância da mobilização nas redes sociais, que vem incentivando que pessoas que tenham ido à festa no dia do crime, enviem arquivos que podem contribuir nas investigações.
Personagem 3
Segundo a polícia, este personagem teria pedido para não trabalhar dentro da quadra no dia em que o crime aconteceu, e disse ainda não ter estado em momento algum na quadra. Porém, segundo a polícia, testemunhas o viram lá. Ele também mentiu várias vezes em depoimento, segundo a PC.
“Os próprios colegas disseram nas entrevistas que ele estava ali comprando balas e água para eles. Não consegui entender. O que é que seu irmão, que mora em Pojuca, estava fazendo na formatura? Vocês tinham algum formando? Algum parente, amigo? Não consegui identificar a pessoa que convidou seu irmão para a formatura. Nem nossa investigação paralela, nem no próprio inquérito não tem isso. Mas isso está lá. Mas ele [o irmão] foi acompanhado de outra pessoa. Por que que seu irmão foi trocar de roupa na sua casa? Estava suja de sangue? E uma pergunta para a polícia: vocês fizeram perícia na roupa dele? Fizeram busca e apreensão na casa dele [do personagem] e na casa do irmão?”, questionou Lucinha.
Personagem 4
Deu vários depoimentos à polícia, que informou que possuem imagens que mostram ela seguindo em direção ao local onde o corpo foi encontrado e que também mentiu várias vezes em depoimento. “Tu saiu ali do seu posto, ajudando a freira Fátima a vender água, várias vezes. E você viu gente ali embaixo, na mangueira. Tu viu realmente quem ali na mangueira? Como é que você faz um mesmo trajeto quase que todas vezes que você vai para dentro do colégio, e de repente você muda seu trajeto e vai para uma área totalmente diferente, no escuro? O que você estava fazendo com as bacias na mão? Para que eram?”, questionou Lucinha, falando diretamente à personagem citada.
Personagem 5
Imagens mostram ele entrando em um sala vazia e ficando cerca de 1h40 minutos lá, quando, segundo a polícia, deveria estar em outro setor. Também mentiu no depoimento. Na live, Lucinha contou que este personagem é o funcionário o qual ela teve o primeiro contato após notar o desaparecimento de Beatriz.
“Ele estava sentado na frente do portão da piscina, a poucos metros do bebedouro. Ele tinha toda aquela visão da área do parque, do bebedouro. Foi o primeiro funcionário que procurei quando notei que Beatriz não estava dentro da quadra. Fui muito tranquila. Pedi sua ajuda. Você estava nervoso. Transpirava de tão nervoso que estava, mas você fala por aí que ajudou a procurar Beatriz. Você mentiu. Vejo sua imagem até hoje sentado, balançando a perna e com o celular na mão. Pedi sua ajuda e você não me ajudou. Por que? A impressão que eu tive era que ele queria que eu saísse daquele lugar. Tava um breu. Quando eu entrei com Sandro e Beatriz todas as luzes estavam acesas. Quem apagou? Você estava na mangueira, pertinho do bebedouro?. Tem gente que disse que viu você lá. Você sumiu em algum momento do seu posto?
Outros personagens
Lucinha revelou ainda outros quatro personagens que estão sendo fazendo parte da investigação paralela da família e que não estão no inquérito. Segundo ela, todos estão sendo investigados, pois foram vistos dentro de uma sala
Entre eles está Alisson Henrique de Carvalho Cunha, acusado de ter apagado as imagens em que aparecia o assassino, no inicio das investigações, havia dito para a polícia que as mesmas não existiam, pois as câmeras de segurança estavam quebradas. O ex-prestador chegou a ser indiciado por falso testemunho e fraude processual e teve a prisão preventiva decretada em 12 de dezembro de 2018. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decidiu revogar o pedido de prisão preventiva em setembro de 2019. Os demais são Carlos André, ex-administrador do colégio, além de Lorailde e Magnólia, também funcionários.
Movimento do assassino e possível conversa com policiais
Na transmissão da semana passada, a mãe da garota trouxe detalhes sobre a movimentação do assassino no dia do crime. Ela fez uma análise dos caminhos percorridos pelo mesmo ao redor do colégio, conforme mostram imagens de câmeras de segurança colhidas pela polícia, como também do momento em que o mesmo adentrou no Colégio. Lucinha revelou ainda que possui arquivos que mostram, possivelmente, policiais conversando com o assassino logo após o crime (veja mais).
Assista as lives de ontem (6)
Da Redação