Eddie Justice enviou mensagem informando que estava preso em banheiro.
Ataque em casa noturna gay matou 50 e feriu 53 em Orlando, nos EUA.
Página da mãe de Eddie tinha uma foto do filho, vítima do ataque em Orlando (Foto: Reprodução/Facebook)
A Prefeitura de Orlando confirmou a morte de Eddie Jamoldroy Justice, de 30 anos, no ataque que deixou 50 mortos e 53 feridos dentro da boate gay ‘Pulse’ em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos. Até agora, foram divulgados os nomes de 21 vítimas do atirador Omar Saddiqui Mateen.
Eddie enviou uma mensagem no celular da mãe durante o ataque. Ele afirmava a ela que estava no banheiro da casa noturna e que o atirador se aproximava. “Estão atirando. Ele está vindo. Vou morrer”. Mina fez também uma declaração de amor para a mãe.
Mina Justice recebeu mensagens da filha, Droy, que estava na boate Pulse durante o ataque (Foto: Arquivo pessoal/Mina Justice)
Pior ataque da história
O número de mortos faz do ato o pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos. O último com proporções comparáveis foi o massacre de 2007 na universidade Virginia Tech, que deixou 32 mortos, segundo a Reuters. Este é o pior massacre terrorista em solo americano, depois do 11 de setembro.
Ao lado de representantes da polícia local, do FBI e de um líder muçulmano, o prefeito da cidade, Buddy Dayer, lamentou dar a notícia de que o número de mortos na casa noturna Pulse era maior que o estimado anteriormente. “Há sangue por todo lado”, disse.
O atirador morreu durante a troca de tiros com a polícia. O FBI confirmou no início da tarde a identidade do suspeito: Omar Saddiqui Mateen. Ele tinha 29 anos e era um cidadão norte-americano, filho de pais afegãos. A Polícia de Orlando afirmou que os boatos de que haveria vários atiradores são “infundados”.
De acordo com as autoridades, na última semana, o suspeito comprou legalmente duas armas de fogo – uma pistola e uma arma de cano longo.
O agente do FBI Ronald Hopper disse em coletiva de imprensa ter recebido informações de que, antes do ataque, Mateen ligou para o número de emergência 911 e disse ser leal ao Estado Islâmico.
O suspeito já havia sido investigado porque havia citado possíveis ligações com terroristas a colegas de trabalho. Ele foi interrogado pelo FBI em duas ocasiões.
Apesar das investigações passadas, Omar Saddiqui Mateen não estava sendo investigado atualmente e não estava sob observação do FBI. Não há, por enquanto, evidências de que ele tenha sido treinado ou orientado pelo Estado Islâmico, segundo a rede “CNN”.
Mais cedo, uma agência de notícias ligada ao Estado Islâmico afirmou que o ataque foi realizado por um “combatente” do grupo, sem fazer referência à identidade de Mateen. O senador da Flórida Bill Nelson disse que não está confirmado que o grupo tenha assumido a responsabilidade pelo ataque.
Em entrevista ao canal de TV “NBC”, o pai do suspeito descartou motivações religiosas para o ataque e citou comportamentos homofóbicos. “Isto não tem nada a ver com a religião”, disse Seddique Mateen, acrescentando que seu filho ficou transtornado, há mais ou menos dois meses, quando viu dois homens se beijando durante uma viagem a Miami.
A ex-mulher de Mateen disse ao “Washington Post” que ele era violento, mentalmente instável e batia nela constantemente enquanto eles eram casados. Os dois ficaram juntos por 4 meses e não se falavam há mais de 7 anos.
Possível terrorismo
Segundo o presidente Barack Obama, tratou-se de “um ato de terror e ódio”. Ele disse que o FBI investiga o caso como terrorismo, mas reforçou que as motivações do atirador ainda não estão claras.
O FBI trata o massacre como um possível ataque terrorista doméstico, considerando que o suspeito poderia ter “inclinação” pelo terrorismo islâmico.
O governador da Flórida, Rick Scott, disse que, pelo número de vítimas, o ataque é “claramente um ato de terror”.
Ataque a boate
A polícia de Orlando informou que foi chamada por volta das 2h (3h de Brasília) e, quando agentes chegaram à boate Pulse, houve troca de tiros do lado de fora e o atirador voltou para dentro e fez reféns por algumas horas.
“Às… 5h nesta manhã, foi tomada a decisão de resgatar as vítimas mantidas reféns dentro do local. Nossos policiais trocaram tiros com o suspeito. O suspeito está morto”, disse o chefe de polícia de Orlando, John Mina.
Para entrar na casa noturna, a polícia realizou uma “explosão controlada” com ajuda de uma equipe da Swat. Ao menos um policial ficou ferido na troca de tiros com o agressor, mas a ação da polícia salvou ao menos 30 vidas, disse Mina.
Não ficou claro quando as vítimas dentro do clube morreram, se foi antes, durante a tomada de reféns ou no confronto entre o atirador e a polícia.
O suspeito portava um rifle um rifle AR calibre .223 e uma pistola 9mm semiautomática, além de um “dispositivo suspeito” não identificado nele. O Corpo de Bombeiros deslocou uma equipe de desativação de artefatos explosivos, indicou o jornal local “Orlando Sentinel”.
A boate Pulse é uma das casas noturnas mais emblemáticas da causa da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) na Flórida e nos Estados Unidos. O estabelecimento foi fundado em 2004 e faz parte de uma rede comunitária dinâmica na Flórida para “despertar as consciências” sobre a homossexualidade nos Estados Unidos e no mundo.
O andamento da obra de recuperação da segunda etapa da Av. Giuseppe Muccini (trecho mais conhecido como Rodovia Salitre), tem surpreendido o juazeirense. Iniciada pouco mais de um mês a via com 2Km de extensão está em um ritmo acelerado e já começou a receber massa asfáltica, no sábado (11).
Da data de início da obra até agora já foram executados os serviços de limpeza da via, terraplanagem, aterro dos canteiros centrais, imprimação, parte da drenagem do contorno que está localizada na BA-210 e iniciada a execução da pavimentação asfáltica.
Segundo o engenheiro da SEDUH, responsável pelo acompanhamento e fiscalização da obra, Hemerson Guimarães, hoje diferentes etapas acontecem ao mesmo tempo na obra. “Na alça da via com a Av. Nazaré estamos compactando a sub-base, no trecho entre as estacas 85 e 112 que corresponde a aproximadamente 2.380m extensão. Desde sábado estamos colocando massa asfaltica; nos entroncamentos da Avenida com as transversais estamos finalizando a imprimação e no contorno da BA-210 finalizamos a execução das manilhas de 60 cm. Vamos iniciar as de 80 cm e as caixas coletoras para concluir o sistema de drenagem” explica o engenheiro.
Para Eudete Amaro, morador há mais de quatro décadas da avenida, a chegada da obra representa uma mudança não só no seu dia a dia, que passa a não ter mais poeira, nos dias de sol e lama nos dias de chuva, mas uma mudança de vida. “Aqui melhorou 100%, são mais de 40 anos morando aqui e só faziam gambiarra, agora estão fazendo um serviço de vergonha”, declara o morador.
Já para o ajudante de obra Maicon Ferreira dos Santos, contratado por uma das empresas executora da obra, a intervenção não significou só melhorias relacionadas a mobilidade urbana, mas o seu retorno ao mercado de trabalho. “Hoje é meu primeiro dia de trabalho. Estava desempregado e a realização de obras como essa na cidade me fez voltar a trabalhar”, ressalta o trabalhador
A obra de recuperação da segunda etapa da Av. Giuseppe Muccini, faz parte do conjunto de obras do Projeto da Intervenção da Poligonal Urbana de Juazeiro que está dentro do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC 2.
Adversários e aliados de Cunha disputam votos da deputada Tia Eron.
No Senado, Conselho de Ética deve decidir se investiga Romero Jucá.
Após manobras, conselho deve votar cassação de Cunha nesta semana
Adversários e aliados de Cunha disputam votos da deputada Tia Eron.
No Senado, Conselho de Ética deve decidir se investiga Romero Jucá.
Após sucessivos adiamentos e manobras, o Conselho de Ética da Câmara deve votar nesta semana o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO) que defende a cassação do mandato do presidente afastado da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A análise do parecer de Marcos Rogério estava prevista para ocorrer na semana passada, mas foi adiada, devido a uma estratégia dos adversários de Cunha para tentar convencer a deputada Tia Eron (PRB-BA) a apoiar a perda do mandato do peemedebista.
A reunião do Conselho de Ética está marcada para às 14h30 desta terça (14), mas o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), disse que cogita transferi-la para quarta (15), por considerar pequeno o plenário que foi reservado para votação. Ele argumenta que fazer a votação em espaço apertado pode representar um “risco” à segurança dos presentes e diz que adiará a reunião se conseguir uma sala maior na quarta.
O placar no Conselho de Ética no processo de Cunha está apertado, e tanto aliados do presidente afastado quanto adversários têm pressionado pelo apoio da deputada Tia Eron, que ainda não declarou sua posição publicamente. O voto dela é considerado decisivo, porque, pelos cálculos de adversários de Cunha, se ela votar contra o relator, que pede a cassação, o placar deverá ficar em 11 votos a 9 a favor do presidente afastado.
Essa primeira hipótese leva à derrubada do parecer. Se ela votar com o relator, o placar ficará empatado em 10 a 10, e o voto de minerva caberá ao presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), que já disse ser a favor da cassação.
O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos principais aliados de Cunha, informou que chegará cedo à reunião desta semana do Conselho de Ética o para votar caso Tia Eron falte. Ele é suplente no colegiado. Em caso de ausência de titular, vota o suplente do mesmo bloco parlamentar que primeiro registrar presença.
O relator do processo disse esperar que a abertura, na semana passada, de ação penal contra a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, por suspeita de crimes relacionados à manutenção de uma conta na Suíça, influencie os deputados a aprovarem a cassação.
“Esses fatos novos que surgiram, embora não possamos fazer aproveitamento direto no processo, servem para formar conhecimento dos parlamentares. Espero que isso tenha colocado mais luz no processo”, disse Marcos Rogério ao G1.
Romero Jucá
No Senado, o Conselho de Ética deve decidir nesta quarta-feira (15) se vai ou não abrir um procedimento de quebra de decoro parlamentar contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Jucá foi gravado, pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, sugerindo um pacto entre a classe política para “estancar a sangria” causada pela operação Lava Jato, na qual é investigado.
Utilizando-se de suas prerrogativas, o presidente do Conselho de Ética chegou a arquivar a representação contra Jucá, mas um grupo de seis integrantes do colegiado entrou com recurso para que o processo seja aberto.
Na semana passada, procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de Jucá e de outros integrantes da cúpula do PMDB: Renan Calheiros (PMBD-AL), presidente do Senado, José Sarney, ex-presidente da República, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Câmara dos Deputados.
Impeachment de Dilma
O Senado continua a ouvir, nesta semana, testemunhas do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A comissão especial que analisa o caso tem reuniões marcadas para esta segunda-feira (13), à tarde, e terça-feira (14), pela manhã.
Na sessão desta segunda, quatro testemunhas convocadas por senadores pró-impeachment e pelo relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG) devem ser ouvidas. São elas:
– Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento Federal;
– Tiago Alves de Gouveia Lins Dutra, secretário de Controle Externo da Fazenda Nacional do TCU;
– Leonardo Rodrigues Albernaz, secretário de Macroavaliação Governamental do TCU;
– Marcus Pereira Aucélio, ex-subsecretário de Política Fiscal do Tesourno Nacional.
Na terça-feira, estão previstos os depoimentos de três testemunhas convocadas pela defesa de Dilma Rousseff, entre elas o ex-presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Ele deverá tentar fortalecer a tese de que Dilma não teria cometido irregularidades nas chamadas “pedaladas fiscais” – atraso em pagamentos a bancos públicos para melhorar artificialmente a situação fiscal do país.
Votações na Câmara
No plenário da Câmara, estão na pauta dois projetos considerados prioridade pelo governo do presidente em exercício da República, Michel Temer – o que altera as regras para nomeações de conselhos de fundos de pensão e o que estabelece regras de transparência e gerenciamento de empresas estatais.
Uma das mudanças previstas no projeto sobre fundos de pensão é que, para participar de conselhos de administração desses fundos, o indicado não poderá ter exercido atividade político-partidária nos dois anos anteriores à nomeação.
O projeto sobre estatais prevê que elas deverão elaborar uma série de relatórios – de execução do orçamento, riscos, execução de projetos, ambientais – e disponibilizá-los à consulta pública. Anualmente, a estatal terá que divulgar, a acionistas e à sociedade, carta que contenha dados financeiros das atividades da empresa.
Votações no Senado
No Senado, Renan Calheiros vai se reunir, nesta semana, com líderes partidários para estabelecer uma pauta de votações de projetos na tentativa de aquecer a economia. Uma proposta, que deve ser votada já na terça-feira, é de atualização do Simples Nacional, que reduz impostos e a burocracia para o pagamento de contribuições de pequenas e médias empresas.
Se aprovado, o projeto permitirá que empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano possam se inscrever no programa. Atualmente, o teto para participação no Simples Nacional é de R$ 3,6 milhões anuais.
O presidente interino, Michel Temer, em cerimônia no Palácio do Planalto
Michel Temer (PMDB) completa neste domingo (12) um mês como presidente interino da República do Brasil. Assumiu o posto no dia 12 de maio, logo depois que o Senado aprovou por 55 votos a 22, no início da manhã do mesmo dia, o afastamento provisório da presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment que agora está sendo julgado em definitivo pelos senadores.
De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo UOL, os 30 primeiros dias do governo interino foram marcados por recuos, mas também por pressões — da sociedade por mudanças, e dos aliados, por cargos.
Se o governo interino é mal avaliado pelos especialistas, uma possível volta de Dilma ao poder também é vista com pessimismo: segundo os cientistas políticos, ela não teria condições de governar.
Para eles, Temer ainda tem de provar, em prazo curto (o julgamento de Dilma deve ser encerrado em até 180 dias), que é capaz de promover mais mudanças, principalmente na economia. “Ele é o príncipe novo. Todo o problema dele advém daí. O príncipe antigo já tem todas as aprovações, do povo, da Igreja etc. O príncipe novo precisa conquistar isso tudo por meio da virtude”, analisa Roberto Romano, professor de filosofia e ética da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), citando o clássico da ciência política “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel.
Contudo, na opinião do professor Romano, o interino tem mostrado pouca virtude na condução do cargo, uma vez que escolheu pessoas pouco qualificadas para compor seu ministeriado e algumas ainda citadas ou envolvidas em denúncias de corrupção. “Passamos da promessa de um ministério de notáveis para a realidade de um ministério de enjauláveis”, afirma Romano. As exceções seriam a equipe do Ministério da Fazenda, sob o comando de Henrique Meirelles, e a figura de José Serra, no Ministério das Relações Exteriores.
“Passamos da promessa de um ministério de notáveis para a realidade de um ministério de enjauláveis”
A situação de Temer no Congresso também tem desafios. Lá, ele enfrenta a pressão exercida pelo bloco parlamentar chamado de “centrão”, formado pelos partidos PP, PR, PSD, PTB, PROS, PSC, SD, PRB, PEN, PTN, PHS e PSL, com a contribuição da bancada do PMDB, a maior do Congresso. Este bloco representa, de acordo com Romano, os interesses da oligarquia. “O PMDB é uma das raízes dessa crise, porque atua no Congresso Nacional na base do ‘é dando que se recebe’ desde Sarney [Presidência de José Sarney, 1985-1990]. E o centrão não é uma entidade física, mas forma de pressionar o Executivo por recursos e cargos e, portanto, um ‘modus operandi’.”
Daí a conclusão do professor da Unicamp de que “a grande questão no governo Temer não é tanto do presidente, mas do partido que o sustenta e o parasita”.
Conflito entre prática e discurso
Malco Camargos, professor de ciência política da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), identifica três marcos do governo Temer até aqui: a sensibilidade à pressão de grupos; o caráter errático, devido às constantes idas e vindas; e a falta de sintonia entre o Ministério da Fazenda, formado por técnicos, e os demais ministérios, formados por políticos com mandatos. “O governo tem um discurso numa direção e uma prática na outra”, sublinha.
“O governo tem um discurso numa direção e uma prática na outra” (Malco Camargos, cientista politico)
Camargos cita, entre os recuos, o da extinção do Ministério da Cultura e depois sua recriação,diante da reação furiosa da classe artística; e a ausência inicial de mulheres nos ministérios seguida do convite a muitas delas, para posições-chave no governo.
“O governo, até aqui, mesmo para quem tinha lido a ‘Ponte para o Futuro’ [um pré-programa de governo do PMDB] e ouvido o áudio vazado de Temer [em que ele falava como presidente já em exercício, mesmo antes do afastamento de Dilma], está muito aquém da expectativa”, resume.
Para o professor, a chance de Temer está na melhoria da situação econômica do Brasil. “Se a área econômica prosperar, o governo pode chegar bem até o seu final. Caso ela fracasse, a crise política ficará cada vez maior.”
Além de considerar o PMDB ameaça real ao futuro de Temer, o cientista político nota uma mudança de caráter da legenda, ao sair da posição de coadjuvante para a de protagonista. “Impressiona como ele se torna sensível a ações do Ministério Público, a grupos de pressão. Essa fragilidade tem se revelado mais suscetível a várias práticas do que quando ele era apenas um partido de sustentação.”
Despreparo e engano
Para Aldo Fornazieri, professor de teoria política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o começo de Temer foi difícil: “Ele se mostrou completamente despreparado para enfrentar a crise grave que o país vive”.
Lembra que Temer se colocou como alguém que conseguiria unificar o Brasil, mas tem na realidade alimentado e aprofundado a divisão, quando escolheu, por exemplo, os nomes de seu ministério de forma oposta ao desejo das pessoas. “Não teve nenhuma sensibilidade de perceber aquilo que a sociedade esperava, que era o combate à corrupção.”
“Ele se mostrou completamente despreparado para enfrentar a crise grave que o país vive” (Aldo Fornazieri, professor de teoria política)
Fornazieri avalia que o governo titubeia, pois não mostra o que quer, a que veio. Além disso, a partir das gravações envolvendo a cúpula do PMDB, a desconfiança de que Dilma foi subtraída por motivos pouco louváveis aumentou ainda mais, segundo ele. “Cresceu a sensação de que houve uma conspiração.”
O professor observa que, pelas numerosas pressões que sofre, o governo Temer é um governo sitiado. “De um lado, pela Lava Jato, que pode, inclusive, atingir Temer pessoalmente, uma vez que já foi citado em depoimentos. De outro lado, pelo chamado centrão. E ainda pelas ruas e pela opinião pública”, descreve.
Ilegalidade e ilegitimidade
O professor de ciência política Francisco Fonseca, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas de São Paulo), é mais contundente nas críticas a Temer: “É um governo que se caracteriza por ilegalidades e ilegitimidades”.
A principal ilegitimidade viria do fato de os ocupantes interinos do Palácio do Planalto não terem sido escolhidos pelo povo para a tarefa e se expressaria na reação popular aos pronunciamentos e atos oficiais do novo governo e seus ministros, marcados por um uníssono “fora, Temer”.
As ilegalidades residiriam na revisão de políticas e programas sociais e na extinção e fusão de ministérios, como a Controladoria-Geral da União. “A CGU é uma referência em controle interno da administração pública. O fim dela é uma ilegalidade, porque vai totalmente contra tudo o que o Brasil vem acordando internacionalmente em relação à gestão pública transparente”, critica. “É um sinal de que o governo não quer ser transparente.”
“É um governo que se caracteriza por ilegalidades e ilegitimidades” Francisco Fonseca, professor de ciência política
Para Fonseca, são até agora 30 dias de tragédia, autoritarismo, barbárie e obscurantismo. “Esse governo não representa a pluralidade e a complexidade do Brasil.”
Aprimorar controle e novas eleições
Para Roberto Romano, a permanência de Temer ou o retorno de Dilma não alteram, entretanto, a situação de gravidade do país: “O problema é do Estado brasileiro, que está rachando de cima a baixo”. Segundo ele, isso se reconhece por meio do Congresso Nacional com seu presidente com prisão pedida, caso de Renan; do presidente afastado da Câmara com prisão pedida, caso de Cunha; do presidente interino que não sabe se fica; e da presidente afastada que não sabe se volta. Além disso, haveria a Justiça que não trabalharia no mesmo sentido. “Um juiz que pede condenações [Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba] e outros que não pedem? Por quê?”, questiona.
Para o professor, um problema grave, e pouco discutido, está na origem do sistema político nacional: a aprovação das prestações de contas dos partidos pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais). “Esse é um dos maiores escândalos da política brasileira. A forma de agir é até legalista, mas não opera segundo padrões mais profundos de investigação. E a pesquisa sobre a fonte dos recursos? Não foi feita.”
Francisco Fonseca diz que só há alternativa à crise com a saída de Temer da Presidência. “Ele significa instabilidade política, convulsão social, insegurança jurídica e isolamento internacional. Essas quatro características impedem Temer de governar.”
Para ele, Dilma deve reaver o cargo e, na impossibilidade de exercê-lo, poderia ser avaliada a hipótese de convocação de novas eleições gerais, incluindo para o Congresso Nacional — proposta defendida por Dilma. Outra opção seria a cassação da chapa Dilma-Temer. “Até o momento, não há saída no atual cenário, nem moral, nem ética, nem jurídica”, diz.
“O Brasil está num beco sem saída”, concorda Aldo Fornazieri. “Se Dilma voltar, não conseguirá governar. Se Temer ficar, será um governo que se arrastará até 2018. Nesse caso, com o aumento dos conflitos políticos e sociais no Brasil e com aceno de aumento da repressão. Numa escalada imprevisível de radicalização dos conflitos.”
Para ele, a possível pacificação viria do compromisso de renúncia coletiva de Dilma e Temer. Eles assinariam uma carta conjunta, reconhecendo a gravidade da crise e convocando novas eleições. O professor denomina esse movimento de acordo de responsabilidade com o Brasil. Fornazieri defende que a sociedade pressione por isso e lembra que a renúncia da chapa automaticamente obrigaria a convocação de eleições, como determina a lei.
Policiais afastam familiares de boate cenário de um tiroteio múltiplo em Orlando (EUA)
A polícia disse, durante entrevista coletiva, que pelo menos 50 pessoas foram mortas durante um tiroteio em uma boate gay em Orlando, nos Estados Unidos. Foi declarado estado de emergência em Orlando.
A polícia identificou o suspeito como Omar Saddiqui Mateen, 27, nascido em Port St Lucie, na Flórida, embora o FBI (agência de inteligência americana), que comanda as investigações, não tenha confirmado o nome durante a segunda entrevista coletiva do caso. “Não queremos prejudicar as apurações”, disse o encarregado do FBI.
Segundo a rede CNN, a família do atirador seria do Afeganistão e ele tinha treinamento sobre armas. O presidente dos EUA, Barack Obama, determinou neste domingo que o governo federal forneça toda a assistência necessária a autoridades locais de Orlando.
O atirador foi morto pelos agentes policiais que invadiram a casa noturna Pulse, em Orlando, no centro da Flórida. Outros 53 feridos foram encaminhados a hospitais da região. Um policial foi ferido na cabeça pelo atirador, mas, segundo o chefe de polícia, foi salvo pelo capacete que usava. Com a invasão, o chefe de polícia John Mina diz ter resgatado 30 pessoas.
O ataque foi classificado como “incidente terrorista”, embora as investigações ainda precisem determinar se foi doméstico ou se teve envolvimento internacional. O número de mortos faz do ataque o mais fatal decorrente de tiroteio em massa na história dos Estados Unidos.
Além de um revólver e um rifle, o suspeito portava um “aparelho suspeito”, que teve uma explosão controlada, que não foi mais detalhada durante a entrevista da polícia. A polícia disse que ele fez reféns durante o ataque.
Em sua conta no Facebook, a Pulse postou às 3h (horário de Brasília): “Saiam da Pulse e corram”.
O incidente começou por volta das 2h locais. Segundo testemunhas, um homem abriu fogo com uma arma automática.
“Por volta das 2h, alguém começou a atirar. As pessoas se jogaram no chão”, contou um dos clientes, Ricardo Negron, à Sky News. A testemunha disse ter ouvido disparos contínuos por quase um minuto.
Uma testemunha citada pela televisão local WESH afirmou ter ouvido cerca de 40 disparos e outra testemunha disse que um amigo foi ferido e se escondeu da boate.
A testemunha Rosie Feba, que conseguiu escapar do local junto com sua namorada, indicou que o tiroteio começou perto da hora do fechamento.
“Ela me disse que alguém estava disparando. Todo o mundo se atirou no chão”, relatou Feba, que a princípio pensou que “não era real”, mas “era parte da música, até que vi o fogo de sua pistola”.
O prefeito da cidade, Buddy Dyer, expressou seu pesar pelo “horroroso crime” e pediu que a população “seja forte”.
“Somos uma comunidade forte”, afirmou o prefeito na entrevista coletiva.
O incidente acontece dois dias após a cantora e ex-participante do programa “The Voice” Christina Grimmie ter sido morta após se apresentar em Orlando por um homem de 27 anos, que se matou em seguida. Mas os ataques não estão relacionados, segundo informou a polícia.
Na manhã de ontem (10) nós, do Portal Preto No Branco, conversamos com o Promotor Carlan, que nos informou estar afastado do caso Beatriz, já que tinha deixado a Central de Inquéritos do MP, em Petrolina. Na manhã de hoje, o Portal de Notícias IG Pernambuco, publicou a seguinte nota:
MPPE monta grupo para investigar assassinato de Beatriz
Criança foi assassinada a facadas em dezembro de 2015 e o caso segue sem solução
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) assinou uma portaria nessa sexta-feira (10) designando uma força-tarefa para trabalhar na investigação do caso da criança Beatriz Mota. A criança, de sete anos, foi assassinada com 42 facadas durante festa de formatura no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, em Petrolina no Sertão, em dezembro do ano passado.
Com a assinatura da portaria, mais cinco promotores de Justiça atuarão no caso, sob a coordenação do promotor Carlan Carlo da Silva, do Ministério Público de Petrolina. Todos já foram informados da decisão, tomada pelo procurador-geral de Justiça, Carlos Guerra de Holanda. O documento deve ser publicado no Diario Oficial deste sábado (11).
A família da vítima e os moradores de Petrolina, sensibilizados pelo caso, pressionam por uma solução. O delegado responsável pelas investigações, Marceone Ferreira, realizou uma coletiva de imprensa na sexta-feira (10), mas trouxe poucas novidades. A coletiva teria sido realizada devido à cobrança da imprensa por mais informações.
A decisão do MPPE vem logo após um vídeo da mãe de Beatriz, Lúcia Mota, publicado no Youtube, no qual ela faz duras críticas ao colégio onde o crime ocorreu e à morosidade do Ministério Público estadual.
Com o objetivo de promover o acolhimento e a humanização junto às eqipes de saúde e usuários da rede de atenção básica de Juazeiro, a Equipe de Humanização da Secretaria de Saúde de Juazeiro realizou nesta quinta-feira (09), o Projeto ‘Praticando o Cuidado’, na unidade de saúde do Mandacaru I.
Através de uma atividade lúdica na sala de espera da unidade de saúde, os usuários participaram da roda de conversa com a diretora de Humanização da Secretaria, Carla Lorena Pesqueira e a Pedagoga e Educadora em Saúde, Jakiline Vargas abordando a importância do cuidado com o usuário do SUS e com o profissional da rede.
A Agente Comunitária de Saúde, Ida Carmen Azevedo gostou da iniciativa do projeto em sua unidade de saúde que atende em média 700 pessoas por mês. “É importante discutir junto com a comunidade e os profissionais de saúde a humanização, para que possamos acolher o paciente melhor e para que o usuário também respeite o profissional. Todos da unidade gostaram muito da dinâmica desenvolvida em nosso posto”, disse.
De acordo com a diretora de Humanização da Secretaria, Carla Lorena Pesqueira a humanização precisa estar presente em toda rede SUS, para respeitar e acolher os usuários que buscam atendimento. “A humanização é um processo que envolve todos os membros da equipe e aborda o respeito da individualidade e dos valores, além de cuidar do paciente como um todo, englobando inclusive o contexto familiar e social”, externou Lorena que explicou ainda que o projeto irá percorrer em todas unidades de saúde de Juazeiro”.
Repertório tem músicas do forró tradicional.
Concerto será na Ilha do Massangano a partir das 20h.
Philarmônica 21 de Setembro (Foto: Amanda Franco/ G1)
Com a chegada do período junino, o forró toma conta de todos os ambientes. Nesta sexta-feira (10) é a vez de as pessoas irem para a Ilha do Massangano, em petrolina, no Sertão pernambucano, uma festa típica bem diferente. É o “Arrasta Pé da 21” organizado pela Orquestra Philarmônica 21 de Setembro.
A apresentação é gratuita e começa a partir das 20h na Ilha. Segundo o secretário executivo de Cultura do município, Ozenir Luciano, o Arrasta Pé da 214 é tradicional e já acontece há três anos na cidade. “Pensamos em fazer a mesma característica do concerto carnavalesco, o 21 do Passo. O diferencial é que levados uma banda com músicas tradicionais”, disse Luciano.
A Orquestra é formada por 50 músicos. No repertório haverá músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca, entre outros. “Não teremos nada de forró moderno. Este é um resgate do forró tradicional”, explicou o secretário executivo de Cultura.
O concerto terá duração de 1h30 e terá participação de Alan Barbosa, Fabiana Santiago e Camila Yamine. “Este evento é para os petrolinenses que gostam do forró tradicional”, disse Ozenir Luciano.
Ainda lembro de como fiquei mexida e assustada quando, adolescente, li o livro de Aldous Huxley “O admirável mundo novo” (publicado em 1932). O livro distópico de um futuro apresentava pessoas condicionadas biologicamente e psicologicamente a viverem em uma sociedade ausente de princípios religiosos e éticos, manipulada por uma ciência voltada à produção artificial e manutenção de uma sociedade sem autonomia para pensar, onde as informações eram sublimadas para que as pessoas não fossem capazes de contestar a ordem vigente.
Muito bem escrito, provocava inúmeras indagações sobre como seriam os anos 2000, 2020, 2040… Será que estaríamos vivos? Seria o mundo assim como desenhado por Huxley? Seria pior? Melhor?
De repente, estamos nós, em 2016 e embora ainda não tenhamos carros voadores e as pessoas continuem sendo ‘feitas’, na sua maioria, pela relação sexual física direta, concreta, pele a pele, o ‘mundo novo’ chegou. Não sem a utopia marcante da obra de Huxley, mas, muito, muito próximo da apatia social por ele desenhada.
‘O admirável mundo novo’ se revelou com o avanço veloz, intenso e estimulante da ciência, sobretudo nas áreas das tecnologias da informação e comunicação, com destaque especial ao computador e à internet que alteraram pra sempre nossos modos de viver.
Tudo se transformou radicalmente. As cartas já não demoram a chegar (elas agora se chamam e-mail); não se gasta mais dez dias para sair de qualquer lugar do Nordeste para São Paulo, pois o percurso leva apenas algumas horas; podemos conhecer o mundo inteiro pela tela da TV, do pc, do celular; acessar informações dos mais diversos cantos do mundo em apenas um clique. Podemos falar em tempo real com qualquer pessoa (e vê-las) de qualquer parte do mundo sem sair do lugar e até andar sobre pernas artificiais.
Temos a possibilidade de ver, acessar, conhecer, o que jamais sonhamos ser possível e sobre qualquer assunto que nos interesse; já não passamos horas e horas escrevendo receitas nos caderninhos, podemos ter acesso a elas em centenas e milhares pela internet.
Já não precisamos também, pausar a fita cassete várias vezes ou segurar a agulha do disco para copiar a letra das nossas canções favoritas, elas também estão na internet inteirinhas e bastam um “ctrl c, ctrl v” e pronto! Também não se precisa mais de um rádio para ouvir as músicas, nem ‘estúdio’ para gravá-las ou sequer de instrumentos reais ou de pessoas reais… para tocá-las ou cantá-las.
É, parece que esse mundo novo é também um mundo estranho e cada dia mais estranho. O futuro chegou e tudo o que poderia nos aproximar rapidamente de um ‘futuro’ onde a vida seria melhor, mais prática, mais tudo, não parece ser bem assim… É o mundo novo marcado por contradições que nos desafiam a permanecermos humanos e a desconfiar se de fato, ainda o somos.
É o mundo do encurtamento das fronteiras, das distancias e que é, ao mesmo tempo, do isolamento humano sem limites.
É o mundo onde todos podem aprender rapidamente novas línguas e se comunicar com pontos longínquos. Contudo, é paradoxalmente,o mundo do pouco diálogo, da dificuldade de entendimento; das graves posturas de intolerância de todas as ordens e em todos os cantos.
É o mundo onde passou a ser estranho tocar, sentir e abraçar aqueles a quem você chama de ‘amigos’. O mundo no qual, você tem dezenas, centenas e milhares deles nas redes sociais, mas, sequer os conhece… Você até se bate com eles na rua, mas, eles nem olham, não dão bom dia, não cumprimentam (nem por educação).
É o mundo do narcisismo; de um vazio imenso de alma que faz com que estejamos o tempo todo precisando ‘aparecer’, ‘chamar atenção’, ser notado, percebido, pra reafirmar pra nós mesmo que ainda existimos.
É o mundo onde se ressalta o que Bauman chamou de ‘fragilidade dos laços humanos’. Onde as pessoas são extremamente superficiais; vivem relações superficiais, rasas, rápidas, sem laços.
É o admirável mundo ‘novo ‘ onde milhões de livros estão disponíveis virtualmente, mas as pessoas não os leem. A recente ‘Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil’, realizada pelo IBOPE, revelou que 44% da população brasileira não lê e pelo menos 30% nunca compraram um livro. É o mundo (estranho) das falas e teorias sempre na superfície; das bobagens legitimadas; do blá, blá, blá academicista que não leva a lugar nenhum; do encurtamento das memórias (histórica, temporal e política); das paixões voláteis; do adoecimento da alma.
O mundo do rivotril; da depressão; da dificuldade de olhar nos olhos; da palavra que nada vale; da cara de pau estarrecedora de pessoas públicas que descaradamente mentem em rede nacional.
É o admirável mundo onde temos todos os instrumentos nas mãos para comprar, analisar, tomar decisões mais acertadas, mas que, loucamente, não conseguimos enxergá-los ou usá-los adequadamente.
É o mundo onde se manda flores virtuais, abraços virtuais, faz-se sexo virtual e se ama (?) também de forma virtual.
É o mundo onde o virtual é o real e às vezes o único real de milhares de pessoas.
É o estranho tempo onde crianças, adolescentes, jovens e adultos se isolam em seus quartos com cabeças, dedos e almas a serviço das telas (grandes e pequenas) das suas máquinas tecnológicas.
Onde o pensamento acelerado não nos deixa dormir. Onde tudo é muito mais ‘rápido e prático’ mas, que não se reverte em mais tempo. Aliás, é o tempo do não tempo. O tempo do corre-corre; da incapacidade de visitar um amigo pelo simples prazer de ter e dar o prazer de sua companhia ou mesmo para se despedir quando eles partem para nunca mais voltar.
É o tempo no qual as pessoas vão ao um velório e, incapazes de se solidarizar com a dor do outro, nos constrangem contando piadas.
Tempo do faz de conta (sem faz de conta); Tempo de crianças adultas muito cedo e de adultos infantilizados e abobalhados irremediavelmente aos 40.
Tempo de lutas intensas travadas por coletivos cada dia, menores e de uma inércia social diante do caos, para a qual não achamos sentido ou respostas claras.
Tempo onde as pessoas têm medo de amar, de envolverem-se, mas não têm medo de abandonar, ferir, machucar.
Tempo, em que,o dia termina sem que a gente tenha se dado conta. Tempo no qual o natal chega antes de terminarmos de descansar das festas juninas. Tempo que passa e tudo leva sem a gente perceber.
Um dia desses, fiquei feliz por rever uma amiga de infância. Como o “tempo” era curto (de apenas uma noite), sentei-me para conversar com ela, com a esperança de ficarmos horas e horas jogando conversa fora, como fizemos tantas vezes. Para minha surpresa, ela dedicou não mais do que cinco minutos pra falar comigo. Depois se voltou pra seu celular e sequer se deu conta que saí do quarto e fui dormir. Ela nem percebeu a porta que se fechou à sua frente… Estava ocupada demais para dar-se conta.
Fui dormir, e, antes de pegar no sono, entrei na página do ‘face’ e postei lá o pedacinho de uma canção que ouvia ainda criança e que coube bem:
“Essa tristeza toda/Dentro do coração/Parece que não muda/Até que passe a solidão. As pessoas não se falam mais/Por isso eu preciso de você demais/Eu preciso de você./Fique então comigo/Preciso conversar/Eu busco um amigo/Coisa difícil de encontrar” (Paulo Maia).
Professora Ivânia Freitas – UNEB- Campus VII – Doutoranda em Educação pela Universidade Federal da Bahia.