Redação

33916 POSTS 20 COMENTÁRIOS

Secretaria de Educação de Juazeiro recebe documentação de professores aprovados em concurso público

0

A Secretaria de Educação de Juazeiro/Seduc concluiu, nesta quarta-feira, o recebimento da documentação dos novos professores concursados do município. Ao todo, foram convocados 35 candidatos foram aprovados no Concurso Público nº 01/2021 e a expectativa da gestão municipal é que até o final da vigência do certame uma nova chamada seja realizada.

Os novos servidores irão atuar na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Atendimento Educacional Especializado/AEE. “Quando vi o meu nome na convocação fiquei alegre demais, o coração quase saiu pela boca. Agora, só quero agradecer esse acolhimento que tive na Seduc e aguardar a posse para iniciar o trabalho”, disse o professor de Ciências Josiel Bezerra dos Santos.

A secretária de Educação, Maéve Melo, lembrou que os novos servidores serão um reforço para a melhoria da educação do município. “Os novos servidores chegam para reforçar o quadro da nossa rede e contribuir diretamente para a melhoria dos indicadores educacionais de Juazeiro”.

A posse dos novos concursados está prevista para o dia 26 de agosto, no Centro de Cultura João Gilberto.

Ascom

Juazeiro realiza Fórum de Saúde Mental voltado à atenção básica com foco em crianças e adolescentes

0

A Secretaria de Saúde de Juazeiro/Sesau realizou nesta quinta-feira (14), o Fórum de Saúde Mental com foco na infância e adolescência. O evento, que reuniu profissionais da Atenção Básica no auditório da UniFTC, teve como objetivo promover o diálogo e a qualificação do atendimento à saúde mental de crianças e adolescentes no município.

A iniciativa reafirma o compromisso da Sesau com a promoção da saúde mental como pauta prioritária na gestão, fortalecendo as ações em rede e buscando ampliar o cuidado no território de forma mais acessível e humanizada.

Durante o encontro, a diretora de Saúde Mental da Sesau, Karoline Barros, destacou a importância do evento como espaço de construção conjunta entre os profissionais da rede municipal de saúde.

“Nosso objetivo é aperfeiçoar e qualificar o atendimento em todo o nosso território. Entendemos que o cuidado em saúde mental não é feito apenas nos serviços especializados, como os CAPS, mas também pode e deve ser realizado nas unidades de saúde da família por todos os profissionais da rede. A proposta é qualificar esse cuidado e melhorar os fluxos de atendimento, garantindo um serviço acessível e humanizado para nossas crianças e adolescentes”, afirmou Karoline.

A programação contou com momentos formativos e trocas intersetoriais entre as equipes da Atenção Básica e do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil/CAPS IJ. Para Leonardo Quirino, gerente do CAPS IJ, o fórum representa um passo importante na integração dos serviços e na melhoria do cuidado à população jovem de Juazeiro.

“Hoje está acontecendo o Fórum Intersetorial de Saúde Mental Infantojuvenil, voltado à Atenção Básica. É um momento muito especial e formativo, onde os serviços se comunicam. Essa articulação é fundamental para que a rede funcione de forma integrada e consiga prestar um melhor atendimento à população infantojuvenil da nossa cidade”, avaliou.

Ascom

Instituições se manifestam após denúncia de transfobia em escola estadual de Juazeiro

0

Após a denúncia feita pela estudante do EJA, Andreia Darc Alves Ribeiro, 24 anos, mulher transexual, que afirma ter sido vítima de transfobia no Colégio Estadual de Tempo Integral Paulo José de Oliveira, em Juazeiro, na noite dessa terça-feira (12), a Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC) e a Polícia Militar da Bahia (PMBA) emitiram notas oficiais sobre o caso. Segundo Andreia, o episódio teria envolvido a direção da escola, um agente da portaria e policiais militares da 76ª CIPM. As instituições afirmam que estão apurando os fatos e reforçam o compromisso com o respeito aos direitos humanos.

Nota da Secretaria de Educação do Estado (SEC)

“A Secretaria de Educação do Estado (SEC) apura as circunstâncias de um desentendimento entre uma estudante da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e um funcionário do Colégio Estadual de Tempo Integral Paulo de Oliveira.

A Polícia Militar foi acionada e o caso, encaminhado à Delegacia Territorial do município. A gestão escolar já iniciou a escuta de testemunhas da ocorrência e vai adotar as medidas administrativas cabíveis, após a completa apuração do caso.

A SEC repudia qualquer ato de preconceito, discriminação e intolerância que atente contra a dignidade e os direitos humanos e reafirma a sua posição de defensora da escola como um espaço de aprendizado, diversidade e respeito.”

Nota da Polícia Militar da Bahia (PMBA)

“Policiais militares da 76ª CIPM foram acionados, na noite de terça-feira (12), para averiguar uma denúncia de ameaça e agressão nas dependências de um estabelecimento de ensino situado no bairro Argemiro, em Juazeiro. Ao chegarem, os militares identificaram as pessoas envolvidas na ocorrência, que foram encaminhadas para o registro do fato junto à delegacia local.

Em relação às denúncias apresentadas, a instituição coloca à disposição os seus canais, como o e-mail da Ouvidoria do CPR-N (cprn.ouv@pm.ba.gov.br).

A Polícia Militar da Bahia (PMBA) destaca a continuada capacitação de sua tropa para que atue de acordo com os princípios éticos e operacionais da corporação, reafirmando o seu compromisso com a legalidade, a disciplina e o respeito aos direitos dos cidadãos.”

Denúncia

“Há muitos meses eu venho sofrendo transfobia na instituição de ensino. Me chamam de homem por eu ser uma mulher trans. Já ouvi muitas piadas do gestor e da equipe da portaria. Ontem, eles barraram o meu direito de ir e vir. Eu já tinha terminado minha atividade, não estava mais em horário de aula, e queria ir embora porque tinha acabado de chegar do trabalho e estava cansada. Eles não deram nenhuma explicação, apenas disseram que eu não poderia sair”, relatou.

A estudante afirma que o gestor queria que os alunos permanecessem para assistir a um jogo de futebol e que, ao insistir para sair, foi destratada e alvo de comentários ofensivos. “Ele já vinha fazendo piadas transfóbicas comigo e, ontem, soltou que ‘esse tipo de gente gosta de confusão’. Já ouvi, dele e de policiais que frequentam a escola, falas como: ‘engana qualquer homem’, ‘como será que é nua?’, e ‘parece uma mulher’. Isso aconteceu várias vezes”, denunciou.

Andreia disse ainda que, durante a discussão, ouviu ameaças do agente de portaria e, para se defender, reagiu. “Ele disse que ia ‘meter a porra em mim’. Eu peguei uma cadeira para me proteger. O diretor chamou policiais amigos dele, que me conduziram até a delegacia”

A estudante acusa também os policiais militares que atenderam a ocorrência de praticarem transfobia contra ela. “No caminho, ouvi mais ofensas e comentários depreciativos sobre minha identidade de gênero e minha profissão. Disseram que eu precisava de ‘um macho’ e que eu já era ‘um macho’. Eles me humilharam dentro da viatura e insinuaram que eu carregava armas escondidas por ser transexual. Fizeram comentários ofensivos sobre meu corpo e minha vida”, afirmou.

A 76ª Companhia Independente da Polícia Militar chegou a divulgar uma nota nas redes sociais sobre a ocorrência, se referindo à aluna no masculino.

A aluna afirma ainda que teme pela própria segurança. “Sou uma mulher transexual da periferia, trabalho como doméstica e na zona rural. Estou com medo de voltar à escola porque os policiais que me prenderam atuam perto e são amigos do gestor e do porteiro. Pedi proteção à escola, mas eles não quiseram assinar nenhum documento. Hoje, me sinto vulnerável e sem acolhimento”, disse.

Andreia afirma que pretende buscar seus direitos e que outros alunos também já sofreram preconceito dentro da instituição. “Isso não é só comigo. Já vi alunos sendo chamados de ‘viadinho’, ‘noiadinho’ e ‘negrinho’. O preconceito é muito enraizado. Quero que isso acabe, que haja respeito e que ninguém mais passe pelo que eu passei.”

Redação PNB

Programa Juazeiro Sem Fome apoia a Corrida de 7 anos do Grupo Minoritários com ação solidária de entrega de alimentos

0

Juazeiro se prepara para mais um evento esportivo solidário. O programa Juazeiro Sem Fome é um dos apoiadores da Corrida de 7 anos do Grupo Minoritários, que será realizada neste domingo (17) na cidade universitária Delta Park e, como parte da ação, promove a entrega dos kits aos participantes nesta sexta-feira (15) e sábado (16). A entrega ocorrerá na Rua Góes Calmom, 18, no Centro de Juazeiro, das 10h às 17h neste sexta e das 9h às 13h no sábado.

A ação solidária tem um propósito duplo: além de retirar o kit para a corrida, as pessoas inscritas deverão colaborar com o Programa Juazeiro Sem Fome, doando 1kg de alimento não perecível. A iniciativa visa fortalecer o programa, que busca combater a fome e garantir o acesso à alimentação para as famílias em situação de vulnerabilidade no município.

De acordo com a coordenação do programa, a ação é uma oportunidade de união entre esporte e solidariedade, incentivando a prática esportiva enquanto promove uma ação social importante para a comunidade de Juazeiro.

Os kits de participação da corrida incluem camiseta, número de peito e outros materiais necessários para os corredores. As doações de alimentos serão entregues ao longo da ação e posteriormente distribuídas para as famílias cadastradas no programa.

Ascom

Juazeiro cresce mais de 120% em número de IDs Jovens ativos e se consolida como referência em inclusão para a juventude da Bahia

0

Juazeiro tem se destacado como um exemplo de inclusão e oportunidades para a juventude. Com um impressionante crescimento de 121,8% no número de IDs Jovens ativos, o município passou de 987 cadastros em janeiro de 2025 para 2.190 cadastros em agosto de 2025, refletindo uma mobilização crescente e eficiente da cidade em prol de seus jovens.

O ID Jovem é um programa essencial do Governo Federal que garante aos jovens com renda familiar de até dois salários mínimos o direito ao transporte gratuito, meia entrada em eventos culturais e esportivos, além de acesso a diversas outras atividades de lazer.

Este aumento significativo no número de cadastros é um reflexo direto das ações intensificadas pela Secretaria da Mulher e Juventude/SMJ, que tem se empenhado em promover o programa por meio de campanhas de conscientização e de cadastramento em escolas e comunidades, através da Caravana das Juventudes.

Esse crescimento expressivo é uma conquista importante para os jovens de Juazeiro, que agora têm acesso a benefícios que, muitas vezes, eram inacessíveis. Para a Secretária da Mulher e Juventude, Érica Daiane, o aumento no número de cadastros é mais do que apenas um número.

“Este crescimento não se resume a uma estatística, é uma verdadeira mudança de perspectiva para nossa juventude. Cada cadastro é uma nova oportunidade de acesso à cultura, ao esporte e, principalmente, à mobilidade. Estamos falando de inclusão real, de dar ao jovem o direito de ir e vir, de viver experiências que antes pareciam distantes”.


O Papel da SMJ e das Escolas na Mobilização

Nos últimos meses, a SMJ, em parceria com as escolas públicas estaduais, tem se dedicado a realizar campanhas educativas, destacando a importância do ID Jovem e facilitando o processo de inscrição. As escolas têm sido fundamentais para alcançar os jovens e garantir que todos os interessados sejam informados sobre os benefícios do programa.

Além disso, a mobilização tem ocorrido de forma estratégica em bairros periféricos, garantindo que os jovens em situação de maior vulnerabilidade possam acessar o programa de maneira simples e desburocratizada.

Ascom

Acusado de matar professora Élida, em Juazeiro, participa de audiência; condenado por partipação no crime morreu em confronto com a PM

0

O acusado de efetuar os disparos de arma de fogo que mataram a professora Élida Márcia de Oliveira, em 2019, no município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, passou por audiência de instrução e julgamento nessa terça-feira (13). Maicon Neves dos Santos está preso desde o dia 31 de outubro de 2024, em Luziânia, no Estado de Goiás.

O suspeito participou da audiência por vídeoconferência. Durante a sessão, apenas algumas testemunhas foram ouvidas.

De acordo com a acusação, a audiência foi suspensa e será remarcada para a oitivas de outras testemunhas e o interrogatório do réu. Ainda conforme as informações, durante a sessão, foi informado que o condenado por pilotar a moto usada no homicídio da professora morreu em confronto com a Polícia Militar da Bahia.

A morte de Railton Lima da Silva ocorreu no último dia 05 de julho, no povoado de Tiquara, zona rural de Campo Formoso. Em 2021, ele foi condenado a 16 anos, 7 meses e 26 dias de prisão em regime fechado por envolvimento no assassinato da professora.

Ainda conforme as informações, em maio deste ano, Railton foi beneficiado com a saída temporária do Dia das Mães e não retornou para o Conjunto Penal de Juazeiro.

Conforme informações da 54ª CIPM, o fugitivo foi localizado em Campo Formoso após denúncias sobre tráfico de drogas e presença de indivíduos armados na localidade. Os policiais contaram que foram recebidos a tiros e revidaram a agressão, resultando na morte de Railton.

Ele era uma das principais testemunhas do Caso Élida, sendo o responsável por apontar as participações de Maicon e de Edvania Pereira de Morais, acusada de ser a mandante do crime.

“Vaninha”, como é conhecida, continua foragida e com mandado de prisão em aberto. Ainda no ano do crime, ela foi adicionada ao Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, como a ‘Oito de Paus’.

O Baralho do Crime completo pode ser acessado no site da SSP-BA. Quem tiver informações sobre a foragida pode entrar em contato com a polícia através do Disque Denúncia, por meio dos telefones de números (71) 3235-0000 (capital) e 181 (interior).

Élida tinha 32 anos e foi executada com tiros na cabeça dentro do carro em que estava com o marido, Lázaro César Santana, e a filha de 2 anos, quando saía de casa a caminho do trabalho.

Redação PNB

Sindicato dos Enfermeiros da Bahia repudia editais da Prefeitura de Juazeiro para gestão da saúde por OSCs

0

O Sindicato dos Enfermeiros e Enfermeiras do Estado da Bahia (SEEB) divulgou, nesta semana, uma nota de repúdio contra a Prefeitura Municipal de Juazeiro-BA, criticando a decisão da gestão de publicar editais para a seleção de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) com o objetivo de assumir a gestão de serviços de saúde pública no município.

Segundo o sindicato, a justificativa apresentada pela prefeitura, baseada em indicadores desfavoráveis no antigo programa Previna Brasil, não pode servir como argumento para a terceirização e precarização do trabalho. A entidade afirma que experiências semelhantes no estado têm gerado problemas como atrasos salariais, redução de direitos e vínculos de trabalho instáveis.

O SEEB declara apoio à categoria de enfermeiros e à população de Juazeiro e região que, segundo a nota, também demonstra insatisfação com a medida. A entidade reforça a defesa do serviço público de qualidade, com servidores efetivos contratados por meio de concursos, e repudia a mercantilização da saúde.

Confira a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO À PREFEITURA DE JUAZEIRO-BA

O Sindicato dos Enfermeiros e Enfermeiras do Estado da Bahia – SEEB em representação às/os enfermeiras/os da região de Juazeiro/BA vem a público manifestar repúdio quanto a iniciativa da Prefeitura Municipal de Juazeiro-BA em publicar editais de seleção de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) para a gestão de Serviços de Saúde Pública.

A prefeitura emitiu uma Nota Oficial justificando a iniciativa devido aos indicadores que a colocam entre os últimos lugares no ranking do antigo programa Previna Brasil. Ou seja, transformam a má gestão dos serviços pelo município como justificativa para a terceirização e precarização dos vínculos de trabalho.

O sindicato enfrenta graves problemas no Estado da Bahia em Serviços de Saúde Públicos administrados pelas Organizações Sociais como atrasos salariais, tentativa constante em reduzir e retirar direitos assegurados nas Convenções Coletivas de Trabalho, vínculos de trabalho precários e instáveis, desigualdades de salários e carga horária em relação aos servidores que atuam no mesmo local de trabalho, precarização dos vínculos e dos serviços de saúde, dentre outros.

O SEEB manifesta apoio à categoria e à população de Juazeiro-BA e região que demonstra revolta diante da iniciativa da prefeitura.

Seguiremos na defesa do serviço público de qualidade, dos seus servidores, da qualidade da assistência, da gestão pública eficiente e da necessidade de vínculos de trabalho através dos concursos públicos. A mercantilização da Saúde pública não representa o SUS.

Saúde não é mercadoria!

Wellington Monteclaro e o Princípio da Ausência, por Ramon Raniere Braz

0

Há ausências que são naturais, fruto do tempo. E há aquelas que são fabricadas, erguidas tijolo a tijolo pela negligência, pelo esquecimento social ou pela falta de vontade política. Grada Kilomba, ao prefaciar a edição brasileira de Pele Negra, Máscaras Brancas de Frantz Fanon, define isso como o princípio da ausência: aquilo que existe, mas é tratado como se não existisse; que tem nome e história, mas não encontra espaço real no presente. Wellington Monteclaro, um dos mais potentes artistas e mobilizadores culturais que Juazeiro já conheceu, corre o risco de ser colocado exatamente nessa segunda categoria.

Monteclaro não se resumiu a ser ator, diretor, artista plástico, escritor, cineasta e professor. Ele foi articulador de sonhos, criador de espaços simbólicos e concretos para que a arte florescesse. Quem o conheceu sabe: sua presença em cena era tão marcante quanto sua presença fora dela, na luta por uma cultura plural e viva. Era um corpo que se movia pela cidade, produzindo encontros, atravessando fronteiras entre linguagens e, sobretudo, entre pessoas.

Para celebrar sua obra e memória, criamos o Festival de Teatro Wellington Monteclaro, que já teve duas edições e até se tornou lei municipal. Uma lei que, no papel, garante vida longa à memória desse ser fundamental para as artes Juazeirenses, mas que, na prática, tem sido tratada como tantas outras leis culturais: relegada ao esquecimento, sem o respaldo material e político necessário para se manter viva.

A memória de Wellington Monteclaro não pode ser reduzida a uma efeméride protocolar. Porque o que está em jogo não é apenas a lembrança de um artista, mas a afirmação de um paradigma: o de uma cultura que se constrói a partir da diversidade e da insurgência criadora. Monteclaro encarnou esse paradigma com rara intensidade, e é justamente por isso que sua ausência fabricada representa uma ameaça à vitalidade cultural de Juazeiro.

O Festival que leva seu nome deve ser entendido como um dispositivo de resistência e de reencantamento do espaço público, capaz de reativar memórias, provocar encontros e tensionar o presente. A lei que o institui não pode ser apenas um registro burocrático, mas o ponto de partida para uma política cultural que reconheça que a arte não é ornamento, mas fundamento.

Que Monteclaro, em sua multiplicidade de gestos e linguagens, continue a ser farol para quem insiste em fazer da arte um território de liberdade.

Por Ramon Raniere Braz, Ator, produtor cultural, pesquisador, graduado em Produção Cultural, possui MBA em Gestão Pública e é discente do Programa de Pós-Graduação em Política e Gestão Cultural da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

Aluna transexual denuncia transfobia em escola estadual de Juazeiro: “o preconceito é muito enraizado”

5

A estudante do EJA, Andreia Darc Alves Ribeiro, 24 anos, mulher transexual, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para denunciar ter sido vítima de transfobia no Colégio Estadual de Tempo Integral Paulo José de Oliveira, em Juazeiro, na região Norte da Bahia. Segundo ela, o episódio aconteceu na noite dessa terça-feira (12), envolvendo a direção da escola e um agente da portaria.

“Há muitos meses eu venho sofrendo transfobia na instituição de ensino. Me chamam de homem por eu ser uma mulher trans. Já ouvi muitas piadas do gestor e da equipe da portaria. Ontem, eles barraram o meu direito de ir e vir. Eu já tinha terminado minha atividade, não estava mais em horário de aula, e queria ir embora porque tinha acabado de chegar do trabalho e estava cansada. Eles não deram nenhuma explicação, apenas disseram que eu não poderia sair”, relatou.

A estudante afirma que o gestor queria que os alunos permanecessem para assistir a um jogo de futebol e que, ao insistir para sair, foi destratada e alvo de comentários ofensivos. “Ele já vinha fazendo piadas transfóbicas comigo e, ontem, soltou que ‘esse tipo de gente gosta de confusão’. Já ouvi, dele e de policiais que frequentam a escola, falas como: ‘engana qualquer homem’, ‘como será que é nua?’, e ‘parece uma mulher’. Isso aconteceu várias vezes”, denunciou.

Andreia disse ainda que, durante a discussão, ouviu ameaças do agente de portaria e, para se defender, reagiu. “Ele disse que ia ‘meter a porra em mim’. Eu peguei uma cadeira para me proteger. O diretor chamou policiais amigos dele, que me conduziram até a delegacia”

A estudante acusa também os policiais militares que atenderam a ocorrência de praticarem transfobia contra ela. “No caminho, ouvi mais ofensas e comentários depreciativos sobre minha identidade de gênero e minha profissão. Disseram que eu precisava de ‘um macho’ e que eu já era ‘um macho’. Eles me humilharam dentro da viatura e insinuaram que eu carregava armas escondidas por ser transexual. Fizeram comentários ofensivos sobre meu corpo e minha vida”, afirmou.

A 76ª Companhia Independente da Polícia Militar chegou a divulgar uma nota nas redes sociais sobre a ocorrência, se referindo à aluna no masculino.

A aluna afirma ainda que teme pela própria segurança. “Sou uma mulher transexual da periferia, trabalho como doméstica e na zona rural. Estou com medo de voltar à escola porque os policiais que me prenderam atuam perto e são amigos do gestor e do porteiro. Pedi proteção à escola, mas eles não quiseram assinar nenhum documento. Hoje, me sinto vulnerável e sem acolhimento”, disse.

Andreia afirma que pretende buscar seus direitos e que outros alunos também já sofreram preconceito dentro da instituição. “Isso não é só comigo. Já vi alunos sendo chamados de ‘viadinho’, ‘noiadinho’ e ‘negrinho’. O preconceito é muito enraizado. Quero que isso acabe, que haja respeito e que ninguém mais passe pelo que eu passei.”

O PNB está entrando em contato com o Núcleo Território de Educação-10 e com a Polícia Militar em busca de esclarecimentos.

Redação PNB